O terror do batalhão em cuecas
28 Fevereiro, 2015
Tema do meu recente trabalho para o Observador: Omar. Moxico. Bambadinca… – Falar de descolonização implica falar de militares. E nos anos de 1974 e 1975 falar das Forças Armadas portuguesas implica falar do “batalhão em cuecas”. Ou seja dos sons, das imagens e dos testemunhos sobre as humilhações a que, na Guiné, Moçambique e Angola, estavam ou poderiam vir a estar sujeitas algumas unidades militares.
23 comentários
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todos mentem e ninguém assume a culpa.
continuam todos ‘nus com as mão nos bolsos’ … dos contribuintes
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Fazer o 25 não custava nada.
Até podia ser feito após a queda da cadeira do HOMEM, 5 anos antes.
A porra era não haver chefe para os dias seguintes.
Até hoje!!!
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Prof. António José Saraiva no seu inesquecível artigo:
“Com estes começos e fundamentos, falta ao regime que nasceu do 25 de Abril um mínimo de credibilidade moral. A cobardia, a traição, a irresponsabilidade, a confusão, foram as taras que presidiram ao seu parto e, com esses fundamentos, nada é possível edificar. O actual estado de coisas, em Portugal, nasceu podre nas suas raízes. Herdou todos os podres da anterior, mais a vergonha da deserção.”
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Presenciei numa das colónias, como militar miliciano, felizmente por um curto período, atos de uma indignidade inclassificável.
A chamada “descolonização exemplar” foi um ultraje aos direitos humanos de milhões de pessoas, feita por quem sempre se gaba de admirar e respeitar esses direitos.
Tive várias oportunidades, dados os meus conhecimentos técnicos julgados críticos em dado momento por todos os quadrantes, de falar com gente de diversos consulados.
Estavam surpreendidos. Muitos dos próprios descolonizadores, os verdadeiros, também.
Não dos que tinham frequentado campos de treino e a universidade do kgb.
Esclarecer este assunto fará bem ao equilíbrio mental das próximas gerações.
A Helena faz bem em tocar nesse processo. A reação vai ser previsível.
Dos traidores antigos e dos que desejavam estar presentes para trair.
Abro algumas janelas dessa cave pestilenta da descolonização portuguesa, cerrada a sete chaves pelos media, para viabilizar uma análise fria:
1. A descolonização não poderia decorrer de forma civilizada.
2. Perdeu-se demasiado tempo com uma guerra sem saída a não ser política.
3. Marcelo Caetano, apesar de avisado, cedeu a forças cegas e retrógadas.
4. A justiça que assistia aos que queriam a independência, nada tem que ver com a sucessão de atos programados por poucos, mas bem instruídos e financiados.
5. Quem eram, como conspiraram, de quem recebiam as armas e o dinheiro?
Aos que me atribuirão os epítetos inscritos na cassette minada pelo tempo, eu pergunto:
Estão as populações, digo populações, não me refiro a cleptocratas e acólitos desses territórios de vastos recursos, mais livres, mais saudáveis, mais remediadas?
Excetuando o saque sistemático a esses recursos que representam 97 a 98% do pib, em que interesses estrangeiros colaboram desavergonhada e ativamente, existe algum sinal de sustentatibilidade, de um resquício de distribuição equilibrada?
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Cada vez que aparece um artigo sobre o 25A e as personagens envolvidas, olho com atenção para os nomes e vejo com contida satisfação que muitos deles já bateram a bota e, se Deus houver, já terão prestado contas do que fizeram.
Continua à espera a garrafa de champanhe para comemorar a ida do maior entre eles.
Já tarda.
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Embora tenha o maior respeito pela morte, quando saltar a rolha, eu também vou beber um copo.
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O problema estava na Guiné onde os cubanos e os russos concentraram toda a artilharia pesada.
Principalmente após o assassinato de Amilcar Cabral.
E como dos russos e daquela gente do Leste é de esperar as piores barabaridades, não teriam sido os soviéticos que mandaram liquidar Amílcar?
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e porque fugiram os colonizadores? Em vez de fugirem deveriam ter pegado em armas e quiçá aliarem-se a quem combatia os soviéticos e os cubanos.Eu por mim que estava lá como soldado nessa altura sinceramente estava mortinho por me vir embora e não me admira que os que estavam cá prestes a embarcar para lá também só não fugiam do embarque ( como eu não fugi) porque incorriam em alguns anos de cadeia. Por favor não me chamem de cobarde porque se os residentes fugiram eu que nada lá me prendia, porque carga d’água tinha eu de gramar aquilo? Se fosse coisa boa de certeza que não me tinham mandado para lá…….
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Sinceramente eu aceitava de boa mente a ajuda dos civis colonizadores e até lhes dava de mão beijada para fazer os servicinhos sujos que fui muitas vezes obrigado a fazer
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os militares que juraram defender a pátria, desistiram de combater e defender as populações ( não sei a que serviços sujos te referes) . Os civis deviam substituir os militares ? não te envergonhes ainda mais….
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A sua intervenção é de uma tolice e ignorância que até mete dó.
Se esteve “lá” não aprendeu nada, por exemplo não conseguiu ver que os “colonos” não tinham armas, alguns que as possuíam era para caçarem.
Não sei se sabe que a primeira coisa que os senhores militares fizeram foi mandar entregar as armas de caça na esquadra de polícia ou quartel mais próximos.
Antes de dizer baboseiras, consulte livros ou peça ajuda.
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Descolonizacao – uma grande nodoa na nossa longa historia. Foi uma traicao a todos os que combeteram, aos portugueses que ali viviam honestamente e as populacoes locais que apenas queriam ter uma vida melhor. Em nenhuma das 3 colonias a vida se tornou melhor e houve centenas de milhares de mortos e estropiados.
Quanto aos militares que fizeram o 25/4 tinham intencoes muito diferentes da descolonizacao e apenas visavam defender o status quo da elite a que pertenciam.
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lica,
Pode-se naturalmente discutir e contestar a politica colonial do “Estado Novo”.
O que não faz muito sentido é pretender que as forças armadas portuguesas não tinham uma missão. Esta missão incluia a manutenção das colonias sob administração portuguesa e a defesa destas contra os movimentos armados independentistas.
Convém ter presente que as acções armadas destes movimentos, embora visassem naturalmente o enfraquecimento do poder colonial português, na pratica punham sobretudo em perigo e sacrificavam as populações civis, negras e brancas, nos campos e nas cidades. Por isso é que o termo “terroristas” aplicado aos guerrilheiros independentistas tinha uma certa razão de ser. Certo, as autoridades e os militares portugueses também cometeram actos de violencia inaceitaveis sobre guerrilheiros e sobre populações civis indigenas. Mas muito pior e, sobretudo, com o objectivo consciente e deliberado de provocar um ambiente de terror no seio da população, foi o tipo de guerra feito por aqueles movimentos.
Neste enquadramento e com este contexto, a generalidade dos militares portugueses fizeram o que puderam e fizeram-no com o sentimento de que, independentemente da questão politica sobre o futuro daqueles territorios e independentemente da melhor ou pior opinião que tinham do regime, cumpriam um dever de defesa do interesse nacional e de protecção das populações civis.
Claro que, sendo o serviço militar obrigatorio, os milicianos não tinham escolha e, a não ser que fugissem à tropa (e um numero não desprezivel mas fortemente minoritario fe-lo), não tinham outro remédio. É verdade que muitos deles teriam preferido não fazer a tropa e ir para a guerra e, se tivessem escolha, teriam ficado de fora. Mas, a esmagadora maioria, incluindo estes ultimos, compreendia e aceitava que, como na maioria dos paises na altura e sobretudo em situação de guerra, o serviço militar fosse obrigatorio e considerava que o dever de cada um era o de fazer o melhor que podia. Durante toda a guerra colonial os militares portugueses comportaram-se com dignidade e deram muitas provas de dedicação, generosidade e coragem.
O autentico descalabro das forças armadas nas colonias no periodo que medeou entre o 25 de Abril de 1974 e as Independencias, de que o episodio contado pela Helena Matos é um exemplo extremo, não aconteceu pelo facto da maioria dos militares portugueses terem passado a ser indiferentes ou cobardes e por terem então aceite de bom grado entregar os territorios ao inimigo e abandonar as populações, negras e brancas, à sua sorte. Aconteceu porque os proprios militares foram deixados sem uma orientação clara quanto ao que deviam fazer no terreno naquelas circunstancias dificeis e conturbadas. Os militares, dos oficiais aos soldados, viram-se sem uma linha de comando clara ou, ainda pior, receberam orientações contraditorias ou irresponsaveis de uma parte da hierarquia politica e militar então mais alinhada e mais comprometida com a vontade politica de entregar rapidamente e incondicionalmente os territorios aos movimentos independentistas.
Aqueles a quem chama “os colonizadores”, que no fundo não eram apenas os protugueses brancos mas incluiam também muitos outros sectores da população local, não “fugiram” (aqueles que conseguiram fugir …) por acaso, não “fugiram” por cobardia ou por não se quererem defender, inclusivé, em muitos casos, com as armas na mão. “Fugiram” porque foraram quase completamente abandonados pelos representantes do novo poder politico em Portugal no seguimento do 25 de Abril e do processo que se sucedeu. O que é que podiam fazer os civis quando as autoridades e as forças militares que deviam garantir a ordem e a tranquilidade nos territorios, mesmo e até ainda mais naquelas circunstancias dificeis, pelas razões de fundo que referi acima, baixaram as armas e entregaram pura e simplesmente o poder (e até as armas) ao inimigo ??!…
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Só aceito criticas à minha posição vindas de quem ouviu as balas a passarem-lhe por cima da cabeça numa terra que não era sua e aí não tinha nada a defender e sabia que os filhos dos donos daquilo tudo se passeavam em Paris ou outras lindas metrópoles. Tudo o que por lá fiz foi só e unicamente na defesa do meu coirão e porque a isso fui obrigado ( na altura com fervor patriótico injetado com lavagem cerebral).
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Dizer que
“Tudo o que por lá fiz foi só e unicamente na defesa do meu coirão e porque a isso fui obrigado”
esta em contradição directa com dizer que o fez
“na altura com fervor patriótico injetado com lavagem cerebral”.
Pelos vistos Vc é vulneravel a “lavagens cerebrais” e depois da primeira deve ter levado uma segunda de sinal contrario !
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fervor patriótico antes de as ouvir assobiar por cima da minha cabeça e . defesa do coirão depois de ter sentido no que me tinha metido e acordar da anastesia cerebral dada no continente.
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confesso que era e sou muito velnerável a lavagens cerebrais e que a de sinal contrário até me tenha sido dada em plena guerra colonial. Então aquela cantiga “Angola é nossa ( lembram-se?)” que soava várias vezes por hora em todas as rádios era uma autentica injeção anastesiadora………eu lembro-me bem
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Quer dizer, para o lica é tudo uma questão de “lavagens cerebrais” e “injecções anestesiadoras” …
Sobra pouco ou nada para a consciencia e a responsabilidade individuais e, logo, para a complexidade da condição humana !
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como ficou evidente e confêsso. As lavagens têm sempre mais efeito nos jovens como éramos todos naquela altura
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Este LICA devia ter passado uns dias nas fronteiras da Guiné Bissau e ficava a saber o que eram as férias que ele e milhares passaram a coçá-los naquela Angola maravilhosa.
Porque guerra a sério foi ali.
Foram milhares como o LICA que viveram e guerrearam numa Angola maravilhosa que até eles tinham inveja que uns tantos futuros retornados tivessem direito a viver naquele paraíso.
O português em geral, como os LICAS são invejosos e nunca “o invejoso medroui,nem quem ao pé dele morou”
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Dra Helena: a escrever assim nunca mais abicha um tacho numa fundação . Este assunto é uma ferida profunda e como sabe a versão conhecida é a oficial, mexer em porcaria dá mau resultado.
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Senhor Manuel, a história de Portugal daqueles 13 anos de Guerra do Ultramar, (uma guerra internacional) a história ainda não está escrita, principalmente pelos principais protagonistas:
Os que lá viviam e que muitos lá nasceram e que com a maioria dos militares portugueses e a maioria das populações autóctones (indígenas) queriam o melhor para a terra deles.
Aqueles anti-colonialistas à Ché ou à terceiro -mundista , residentes no Leste ou Argélia, é que têm escrito a estória.
Com o tempo vão calar-se, embora o pior já o praticaram, e vê-se o resultado nesta África a esvair-se por Ceuta e Lampedusa.
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Não vale a pena.
Os “Lica’s” nunca vão perceber nada da complexidade da guerra do Ultramar e ainda acreditam que os “colonos” exploravam as “colónias” como se ainda se estivesse no tempo da escravatura.
Para eles, e falo por Moçambique e mais concretamente pela Zambézia, a Sena Sugar Estates, a Companhia do Boror, a Sociedade Agrícola do Madal, o Chá Licungo, a copra dos indianos são coisas abstractas.
Para as novas gerações que hoje têm menos de trinta anos, nada disto existiu e aliás nada disto lhes interessa, está tudo morto e enterrado e das “colónias” guardam memória nenhuma e nomes como Otelo, Spínola, Machel, Neto et al são meras maçadas históricas.
Dentro de cem anos pode ser que algum historiador se dê ao trabalho (como Helena Matos aqui fez) e escreva um qualquer tijolo onde uma parte das coisas verdadeiras seja apresentada com a distanciação que o tempo permitirá.
Cumprimentos.
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