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TSU do PS, um acidente feliz

25 Abril, 2015

A redução da TSU dos trabalhadores proposta pelo PS é um estímulo à procura ou uma forma de reduzir os custos das empresas?

Na 1ª versão, explicada aqui pelo Pedro Romano, a baixa da TSU é equivalente a um empréstimo ao consumo. Funciona assim:

1. A TSU dos trabalhadores é cortada;

2. O Estado endivida-se num valor equivalente para substituir as receitas da Segurança Social;

3. Trabalhadores ficam a contar que o rendimento em excesso resultante da baixa da sua TSU será descontado na sua reforma;

4. Muitos trabalhadores, apercebendo-se que vão perder reforma, optam por poupar o equivalente ao corte da TSU.

[como bem nota o Pedro Romano, até aqui o efeito de estímulo na economia é neutro dado que não há efeitos no consumo]

5. Uma fracção dos trabalhadores opta por consumir mais.

5 a) Supondo que a economia portuguesa tem capacidade não utilizada, este consumo vai estimular a economia portuguesa [um grande supondo, tendo em conta que neste século esse tipo de esquema não teve grande sucesso]

5 b) É óbvio que parte deste consumo será dirigido para estimular o consumo de bens importados.

Nesta perspectiva, a baixa da TSU dos trabalhadores é uma coisa muito manhosa. O negócio que está a ser proposto às pessoas é equivalente ao seguinte: levante o seu PPR e use-o para consumir bens que actualmente considera menos necessários. Quem é que no seu perfeito juízo aceitaria esta ideia?

Felizmente, o impacto principal de uma descida da TSU dos trabalhadores não é este. Na proposta do PS, a descida anual da TSU é da mesma ordem de grandeza que a inflação. Por outro lado, o ponto de partida é um mercado de trabalho em que muitos sectores têm desemprego elevado e salários ainda acima do valor de equilíbrio e em que os novos contratos estão a ser feitos a salários mais baixos que os antigos. Estes dois factores conjugados tornam a descida da TSU dos trabalhadores equivalente a uma descida da TSU das empresas. Nos mercados em que há pressão para descer salários as empresas vão apropriar-se da descida da TSU dos trabalhadores. Nos mercados em que há pressão para subir salários a descida da TSU dos trabalhadores ajudará as empresas a subir os salários líquidos com menos custos.

O resultado principal da descida da TSU dos trabalhadores será, portanto, a flexibilização do mercado laboral e uma melhoria da competitividade das empresas. E como os equilíbrios do mercado de trabalho se ajustam à nova taxa, a descida da TSU não pode ser revertida sem que isso cause desemprego. Esta é uma medida que só pode ser tomada uma vez e que não pode ser revertida.

8 comentários leave one →
  1. balde-de-cal's avatar
    balde-de-cal permalink
    25 Abril, 2015 11:15

    ‘horny soit qui mal y pense’

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  2. Terry Malloy's avatar
    Terry Malloy permalink
    25 Abril, 2015 15:41

    Em termos de teoria económica julgo que há uma incorrecção no post: “levante o seu PPR […]”.

    O “meu PPR” é um produto resultante da minha livre escolha enquanto agente económico: pensei, pensei, pensei e de seguida escolhi

    1. Se faço ou não PPR;
    2. A instituição bancária em concreto;
    3. As regras do produto (fruto de negociação com a IC);
    4. As quantias a depositar;
    5. A periodicidade;
    6. Quando entro e quando saio (dentro de certos condicionalismos), etc.

    A taxa social única é uma imposição coerciva do Estado, sobre a qual não tenho qualquer poder de decisão, e que tem como fundamento o meu infantilismo – como não sou de fiar quanto à previdência com que acautelo a minha velhice, o Estado, para o meu próprio bem, tira-me dinheiro que ganho para “me proteger” nessa altura (tal como fazemos com as crianças).

    E pelo meio decide alterar as regras do retorno da minha prestação as vezes que entender, sem que eu possa reagir.

    Ao contrário do que acontece com o “meu PPR”, contratualizado e defensável em tribunal.

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  3. JCA's avatar
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    25 Abril, 2015 16:24

    ..
    O programa ‘PSD-CS’ do Senhor Centeno já derrotou largo o PS sugerindo que vai fazer o regresso de A Costa a Presidente da Camara.
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    Natualmente que não há esperança de mais NOVO ou INOVADOR ou REFORMADOR além do comodismo e “laxismo” politico do costume,
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    até 2020 até sem programa, estratégia ou tactoca politica, com ou sem economistas, o PIB cresce obrigatoriamente com a simples injecção pela UE dos miles milhões de euros e adjacentes ( quiçá nem a balança de pagamentos externa alguma vez alcançaria este valor em saldo) como ocorreu com o ‘sucesso’ anterior que quando acabaram os apoios da UE entrou a austeridade porque apenas,
    .
    se esbanjou, se corrompeu e se devolveu à procedencia todo o dinheiro que entrou em Portugal que nunca foi dinheiro novo, apenas em transito com bilhete de ida e volta.
    .
    Por conseguinte com ou sem eleições, ganhem os Partidos que ganharem admitindo quaisquer uns da Extrema Esquerda à Extrema Direita,
    .
    infelizmente para o empobrecimento de Portugal a coisa vai viver mais um balão de oxigénio de ilusões para então a partir de 2020 é que os ratos abandonarão mesmo o barco; por enquanto ainda há algum para roer. O discurso e a oratória partidária sugere estar bem afim.
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    Nada de especial ou preocupante para o ‘mais do mesmo’, aliás um sucesso da secagem socratiana e da austeridade seguinte para alcançar este benchmark,
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    apenas um apenas, concretizar-se-à o ultimo sonho, a fantasia da ultima ilusão, devidmente dividida. O ultimo Gatsby. Mas enquanto, a ‘felicidade e o sucesso’ brilharão como o melhor sol de Verão. E sempre são 5 anos de fartura, prazer e gozar a vida.
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    Resumindo não se esfalfem em historias de maldizer, partidarites inflamadas, não chateiem, o destino quinquenal está traçado. Nem surge ninguém a atalhar nem a ser capaz de voar por cima para sustentar Portugal com segurança para além de 2020.
    .
    Nada contra. Votem ou Botem. Eu também.
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  4. Sebastião Durão's avatar
    25 Abril, 2015 16:29

    Outro resultado é o augmento do defice, não?

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  5. JCA's avatar
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    25 Abril, 2015 18:38

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    Mais direto ao tema. Apenas se compreendem estas intenções sobre a TSU faladas até pelo atual Governo,
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    numa perspetiva dum aumento de poder de compra simbolico dos contribuintes para a S Social com o seu proprio dinheiro acumulado para as suas futuras Pensões (os Fundos de Pensões ´dos Bancos bsta ver o sucedido nos EUA) para não beliscar ou baixar a carga fiscal formal, IVA-IRC-IRS-etc (até há indicios de intenção até da aumentar recuperando por exemplo o morto Imposto Sucessório como ora apresentado pelo PS),
    .
    porque é muito duvidoso que reacenderiam o Investimento a fazer fé na mera aritmética:
    .
    “Por exemplo, se uma empresa tiver 1000 trabalhadores (uma grande empresa, obviamente, a facturar milhões de euros por mês) e pagar um salário médio de 700 €, paga anualmente 9,8 milhões de euros de salários,
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    com um desconto de 4% na TSU poupa apenas 392.000 € por ano. Com esta poupança, vai investir em quê?
    .
    Da parte do trabalhador, se reduzirem a taxa de 11% para 7% poupa 28 € por mês. Com esta poupança, se multiplicada por um milhão de trabalhadores, injectam-se no consumo (não pode ir para outro lado uma verba destas, em termos individuais) 28 € milhões de euros por mês.
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    Se o PIB mensal é de 14.200 milhões de euros, estes 28 milhões representam 0,19%…qual é o efeito multiplicador?
    .
    Se não houver investimento na produção de bens transaccionáveis e não se reduzirem as importações, o que vai acontecer é que esses 28 milhões de euros mensais vão para compras ao exterior e a balança comercial vai reflectir isso. Claro que não é Harvard a falar mas apenas alguém que sabe que a dourada e o robalo vêm da Grécia, as batatas de França, a carne da Polónia, o bacalhau da Noruega, a farinha, o açucar e o café do outro lado do mundo.
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    Para contrabalançar isto, só produzindo mais para exportação e não é com poupanças de menos de 400.000 por ano que uma empresa vai investir…é que uma empresa destas dimensões investe aos milhões. Parece simples… ”
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  6. JCA's avatar
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    26 Abril, 2015 00:48

    .
    .
    Sem abordar a qualidade intrínseca de cada opção abaixo,

    ou interpreto mal ou o apelado consenso nacional entre os Partidos que não há mas há, união nacional no essencial sugerindo como acessório o civilizacional nas Pensões, no SNS e na Escola:
    .
    -opção pela reposição dos cortes salariais da Função em vez de baixa de Impostos, por exemplo do IVA para todos que dá no mesmo mas com efeitos económicos e sociais completamente diferentes.
    .
    -opção de não baixar Impostos (salvo simbólicos) e aumentar a carga fiscal ressuscitando os mortos (Imposto Sucessório) ou pela via indireta (tipo a cobrança coerciva de portagens pelo Estado; taxas, emolumentos etc etc)
    .
    -opção no como, em quê, porquê, para quem, para quê relativamente aos tonéis de apoios que a UE vai despejar em Portugal até 2020, os Cidadãos nada souberam ou sabem, a Comunicação Social parece que continua muda.
    .
    Etc
    .
    Uns identificam-no como Totalitarismo. Outros de matriz aparentemente só comunista. Porém, ao fim e o cabo isto tudo, incluindo TSU’s, acaba sempre tudo ligado,
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    como as cerejas puxa-se uma e vêm logo meia dúzia.
    .

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  7. JCA's avatar
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    26 Abril, 2015 15:04

    .
    E num registo de contexto exterior mais imediato para Portugal, o PLANO B) GRÉCIA:
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    as ‘tools Albano-Enveroshianas’, vulgo Austeristas, ora em secagem financeira aplicada pelo Syriza na Grécia visando a partilha dos despojos, têm atrás das cortinas:
    .
    .
    => GREECE IS NOT POOR – IT ACTUALLY HAS MASSIVE UPTAPPED RESERVES OF GOLD, OIL AND NATURAL GAS
    .
    In addition, Greece is now opening up exploration of their massive oil and natural gas deposits. Reportedly, Greece is sitting on hundreds of millions of barrels of oil and gigantic natural gas deposits that are worthtrillions of dollars.
    .
    http://www.infowars.com/greece-is-not-poor-it-actually-has-massive-uptapped-reserves-of-gold-oil-and-natural-gas/
    .
    que alavanca o seguinte PLANO B) composto para a GRECIA:
    .
    ou
    continua no EURO pagando a Divida com a entrega das suas riquezas naturais de Ouro, o Petróleo e o Gás Natural, partilha dos despojos.
    .
    ou
    sai do EURO, não paga a Divida e recupera-se explorando diretamente o seu Ouro, Petróleo e Gás Natural
    .
    .
    eventualmente fora destes dois extremismos negociais fanáticos que impedem soluções bilaterais que não sejam selvagens poderá surgir uma solução surpreendente do CAPITALISMO DE ROSTO HUMANO,mais equilibrada embora também com algumas imperfeições:
    .
    => Greece’s grand plan: default and stay in the euro
    .
    “ default within the euro is not as unprecedented as it sounds. Greece effectively defaulted on lenders when it underwent the largest private sector bond restructuring in history in 2012. “
    .
    The actual cost of severing Greece will prove equal to that of dismantling the eurozone itself painfully, slowly, catastrophically,” Yanis Varoufakis wrote in his blog in three years ago.
    .
    ECB vice president Vitor Contancio has said resorting to such measures would not lead ineluctably to the ECB pulling the plug on Greece. Flexibility around collateral rules could also see the ECB continuing to keep banks afloat following a default.
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    With controls in place, the government would have to start issuing IOU’s to pay suppliers, salaries and pensions. This paper would effectively take on the role of a parallel scrip currency, say analysts at Citi
    .
    http://www.telegraph.co.uk/finance/economics/11554692/Greeces-grand-plan-default-and-stay-in-the-euro.html
    .

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  8. JCA's avatar
    JCA permalink
    26 Abril, 2015 17:37

    .
    Ora sobre a anterior Grécia que havíamos tido umas ‘explicações’ oficialo-partidárias’ tão desnecessárias como canhestras, vamos aos mais “mas, porém, todavia, contudo’
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    Porém no contexto global envolvendo o imediato para Portugal considerando que as ‘Terras dos Maoismos’ (cujos Imperadores dos Sois Nascentes foram visitadas pelo nosso beirão Fernão Mendes Pinto nascido em Montemor-o-Velho no pretérito sec XVI),
    .
    se memória não me falha e apenas para interpretação geopolítica de Neo-Colonialismos, no caso o fenómeno politico irónico do “Colonizador que liberta os Colonizados para se transformar numa Colónia idêntica aos que havia Colonizado”:
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    .

    já são donas em Portugal de 13% da Banca, 45% dos Seguros, 32% das Energias,
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    além do elevado Património Imobiliário por exemplo quarteirões inteiros em Lisboa ou 50% do Mourinho,Ronaldo,Coentrão,Futebois&Cª,
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    (ora se chegam 6% ou 10% de ações para dominar uma multinacional, quanto é preciso para ‘colonizar’ um País ?)
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    .
    surgimos onde nos mergulhamos,
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    neste cenário Eurasiático de protagonistas históricos do Totalitarismo que não peca por irrealismo no Império do Caos com potenciais bélicos globais muito graves onde não nos colocam neutrais como na II Guerra Mundial desrespeitando o milenar pendor pacifista da nossa vocação cultural e ideológica em Geopolítica:
    .
    .
    => Eurasia as the US Knew It Is Over Forever
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    “It is a question how Germany will line up, but regardless of that, the Chinese-Russian embrace has changed the geopolitical equation so much that the tiniest prospect of US hegemony in Eurasia is finished forever” etc
    .
    http://russia-insider.com/en/eurasia-we-and-us-knew-it-dead/5861
    .
    Findo, terminei.
    Regresso ao delicioso observador com cidadania ‘mudo-quieto-calado’.
    Se contribui gratuitamente Vosselencias o pensarão. Independente, despreocupado; recusando parafrasear os minhotos ‘ide-vos …’
    .

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