Manifesto pela dignidade em campanha eleitoral
26 Junho, 2015
Os períodos de campanha eleitoral são uma distracção da vida quotidiana, um carnaval prolongado de onirismo composto por ridículo narcisismo entre homens de meia-idade. Pela dignidade em campanha eleitoral, os seguintes preceitos devem ser respeitados:
- Não se refuta o adversário com números, factos ou outras entidades oriundas da realidade e sim com referências aos hábitos e indumentária – se anda de mota, se tem cachecol, se usa gravata, se tem sapatos fixes ou, ao invés, se é gordo, sua muito no bigode ou radiodifunde pêlos pelas orelhas.
- Não se apresentam previsões – a que se chamam projecções -, menciona-se apenas que é preciso apostar no crescimento, no cluster, no centro de decisão, no observatório, no regulador e em coisas ainda mais difusas como a biodiversidade, o género, o direito, a justiça, a igualdade, a equidade, a identidade, a dignidade, a crise humanitária, a solidariedade e, em geral, qualquer outra coisa terminada em -ade, como “abade”.
- Há sempre uma alternativa mas toda a gente sabe que é parva sob risco de a própria pessoa que nela acredita ser parva – logo, um potencial eleitor a cultivar, regar e adubar. Deve mencionar-se várias vezes “políticas alternativas” sem especificar em demasia, ficando por generalidades como “pessoas primeiro”, “amiga do crescimento”, “verde”, “sem custos”, modernidade e, claro, tudo o que já foi apontado no ponto anterior. Tal deve ser dito sem suar ou sem radiodifundir pêlos das orelhas e do nariz.
- As franjas devem usar a ideia de que “são todos iguais” e devem explicar que a culpa foi dos que sempre governaram, não dos que nunca governaram. Devem também explicar que fariam diferente e melhor, apesar de claramente não conseguirem expressar essa evidente bonomia em votos. Quando isso não for suficiente e a lógica começar a imperar devem insultar o mais possível o interlocutor, o Presidente, o povo, a Europa, a mãe do adversário e o hobby de um tipo qualquer que se suspeite ter em tempos votado nesse partido.
- Citar Pacheco Pereira e Mário Soares sempre que possível, nem que o seu partido seja composto por gays fascistas vesgos. Pontos extra se mencionar o holocausto antes do pequeno-almoço, como Viriato Soromenho-Marques, um exemplo de erudição apesar do uso de gravata.
- O debate, na fase chata de intervalo entre insultos, deve centrar-se em salvar qualquer coisa, que não interessa particularmente o que é, desde que o princípio seja salvar. Pode ser a TAP, o Oceanário, a Grécia, os TLP, o SNS, a escola pública, o telégrafo, o TGV, a democracia, a equidade, todos os -ades, a União Europeia, o euro, a batata do míldio, as cidades dos turistas, a locomotiva a vapor, etc. Importante é, nessa fase enfadonha entre insultos, dar um ar de Rambo, para não perder a audiência.
- Agir e discutir como se todos tenham as mesmas probabilidades de vencer eleições, incluíndo o PAN, o ninja de Gaia, o Sampaio da Nóvoa ou o Rui Tavares Unipessoal.
- Quando tudo parecer perdido, discutir fugas ao segredo de justiça e tentar determinar o culpado.
29 comentários
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Desejo que Passos Coelho leia este post, aprenda a lição, que especialmente medite no ponto 1 e reduza a fragmentos o Costa se e quando houver um debate entre ambos.
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O debate entre eles vai ser engraçado
Coelho: Eu quero poder, dêem-me poder seus idiotas. Quero maioria absoluta.
Costa: Não! Tu já tiveste muito poder, agora eu é que mereço ter poder. Quero uma maioria absoluta.
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É possível, e desejável, que seja mais
Eu fiz, sei como se faz e quero continuar a fazê-lo.
O meu padrinho faz mal, eu não aprendi nada e conto com vocês para esqueceram tudo isto.
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“Rui Tavares Unipessoal” AHAHAHAHAHAHHAHAHAHA!
Agora sem rir, é de facto extraordinário como se pretende conquistar eleições, – e tantas vezes se consegue – tendo como suporte pouco mais do que a mais rasteira das “ades”: a vacuidade.
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Faltou uma referência a Ana Drago e para ser mais ambicioso uma menção a Joana Amaral Dias, ficava um artigo mais sexy.
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Uma adenda minha:
O único partido que deve ser tratado unanimemente como lunático e perigoso para a democracia é o PNR.
Os outros, os de esquerda, defendem sociedades porventura irrealistas (ainda não está provado que o sejam) mas ideais (virtuosas, perfeitas e cristãs segundo o catecismo do Papa Francisco).
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Abre-latas: num caso já está provadíssimo, PCP.
Está a ser generoso com o “porventura idealistas”. De propósito?
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Licas recuso-me a responder às suas questões porque violam os meus direitos constitucionais a escrever (os disparates) que me apetecer e ao abrigo do nº 1 do post:
“Não se refuta o adversário com números, factos ou outras entidades oriundas da realidade e sim com referências aos hábitos e indumentária”.
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alternativamente (e até se poupava nos gastos e não se fazia campanha):
1 – a falta de descontos para a ss foi um lapso
2 – o pib vai crescer 2,5% ou mais
3 – a alternativa era ficar isto como a grécia
4 – os que nunca governaram e os que chamaram a troikab são todos iguais
5 – citar cavaco e a solidez do bes e os gays e os benfiquistas
6 – desnecessário. o coelho já slavou a tab, o pingonário, a pt… são os salvadores
7 – agora, sem os financiamentos do salgado ficam todos mais iguais
8 – é melhor não fazer isso. o culpado é (são) o imbecil (is) que aprova(m) a lei do segredo
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Porque nao evitar esta coisa de propagandas eleitorais, eleicoes, gastos de dinheiro aos montes que nos faz tanta falta? Porque nao mandar o cavaco a Bruxelas fazer a entrega do shop (que esta falido) e ver se eles endireitam isto? E que vamos gastar um monte de dinheiro para eleger outro mentiroso que nao vai fazer a ponta dum corno.
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Beirão, estou consigo.
De qualquer modo a minha candidatura à PR vai para a frente, mesmo sem o apoio explícito da zazie.Paciência!
O licas, o mjrd e o anti comuna chegam para as encomendas.
Eu não sou menos que o tal mentiroso, o tal que não vai fazer a ponta dum corno.
Trago o “nosso povo” no coração e sou um candidato nacionalista que não desdenha tendências internacionalistas. Os votos do tal partido estão no papo.
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E também é importante a construção de sinergias para a reflexão e promoção de qualquer coisa (esta é a campeã das vacuidades) e plataformas de discussão sobre problemas fundamentais da sociedade como, sei lá … a extensão da lei da paridade às empresas privadas.
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vitorcunha,
Enquanto andamos por aqui entretido com o Soromenho-Marques, França está a arder.
Não atinem não…
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E então? São bento é que já ardia por acaso…
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Tem razão. Vou já mandar o Soromenho-Marques tratar do assunto.
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Citando o Michel Houellebecq “estou-me cagando para a França, interessa-me é Portugal”
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Fado,
Estás comamim…a porra é que a proxima goela poder ser a tua ou o Bolota pode estar a banhos em Santo Amaro de Oeiras e levar com uma carrada de trotil no lombo. Porque o Holland e afins dão aquele ar de sofrimento mas mais logo agarra na acelera e vai mamar mais uma.
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A França está a arder por causa do que tipos como tu defendem Bolota.
Cínicamente o teu Comunismo deitou abaixo sociedades Ocidentais esperando tomar o poder a partir dos escombros.
O Politicamente Correcto a Sharia do Marxismo não aconteceu por acaso.
Só que dos escombros do que contribuiste para destruir nascem muitos outros tão ao mais violentos como os teus.
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Excelente comentário, este oriundo do largo do Calvário.
Já ganhei o dia, já me diverti o suficiente por hoje.
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O senhor sabe mesmo onde é o Largo do Calvário, olhe que o calvário mora no Largo do Rato.
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a culpa é do de gaulle… mesmo…
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Há 40 anos atrás eram as Brigadas Vermelhas, Bader Meinhoff e outros grupos esquerdistas e aliados Palestinanos Marxistas a colocarem a Europa a arder…
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Há muito menos tempo, foi a UE e os EUA, a por a Europa em guerra, na Jugoslávia e mais recentemente, na Ucrânia.
Mas isto para os tolinhas, não conta.
Como não conta, os mais de dez mil mortes na guerra civil na Ucrânia.
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Pois è, já viste o que o 9% da CDU conseguem fazer??? Não desentupas a marmita depois queixate. Na Grecia a culpa sabes de quem è???? Claro que sabes…
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Excelente síntese crítica.
É destas que eu gosto.
Obrigado.
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Eu também acho que é uma excelente síntese crítica (mais crítica que síntese…).
O problema é que a grande maioria das pessoas, que com ela se está deleitando, lá estará para votar, contribuindo, dessa forma, para a eternização da tragicomédia.
Tragicomédia, cujos pais (os gregos), imagine-se, são os primeiros a rejeitar!
Assim, não se retirando as consequências práticas, corre-se o risco de estes belos textos não passarem de válvulas de escape, que protegem o regime da explosão ou da implosão.
E é pena, porque um texto destes não merecia tão triste fim!
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É isso mesmo, a situação grega é uma tragicomédia.
Acertou em cheio … mas ao contrário.
Eu tenho rido e chorado compulsivamente apesar de achar os atores mediocres.
Parabéns, é um sério candidato ao lugar do Miguel Sousa Tavares ou ao painel de qualquer programa de humor/entretenimento (Quadratura, eixo do mal, opinião do Bagão, Louçã e por aí fora) da Sic Notícias.
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Faltou falar na aposta no mar, fonte inesgotável de riqueza para os políticos, apesar de já ter pouca sardinha.
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Mar? É o que mais tem a Grécia e veja como estão aflitinhos. Aquilo não é arrogância, é aflição. Ganharam o poder sem saberem como, prometeram o que não podiam nem querem cumprir, e agora estão enrascados.
Mas há sempre gente que gosta de defender quem é contra o sistema. Muitos não sabem bem por que tomam essa posição, mas gostam de ser do contra por que são assim desde pequeninos. E muitos não crescem…
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