Reflexão tão superficial que chega a profunda ou vice-versa
É no Verão, em particular quando me desloco para fora nas férias familiares, que sofro de uma terrível maleita chamada nostalgia. Recordo-me de quando o miúdo ainda não andava, de quando o carregava na piscina ou de o trazer às cavalitas na praia… E recordo-me de quando tinha pai, e não tinha filhos, e de não ser casado, e de quando só era filho, e de quando era, eu próprio, transportado às cavalitas… Muitas vezes faço contas, entre o que passou e o que, com sorte, ainda tenho para passar, que, se Deus ou a mera chance quiser, poderá ainda ser mais do que o que já passou. Penso na vida, no novo ciclo, nos amigos que se vão perdendo e na solidão a que nos vamos submetendo enquanto seres de hábitos no lufa-lufa que condensa o tempo num Inverno que teima em se alongar num ápice cada vez mais curto. Às vezes custa-me respirar, outras custa-me não o fazer. Às vezes estou simplesmente bem.
Enquanto tudo corre e a nossa cabeça, numa espécie de demonstração da teoria da relatividade, parece fixar-se num reviver do “já” passado a velocidade simultaneamente lenta e rápida, temos a lucidez para perceber que estamos a viver os melhores dos tempos, os piores dos tempos, os tempos, o nosso tempo.
Os jornais, as televisões, os debates, a política… Tudo parece estático, através de infindáveis micro-movimentos noticiosos, escandalosos, polémicos, cómicos, dramáticos, sempre à espera do amanhã melhor, culpando o presente e dando-nos uma sensação de perda constante de algo intangível, uma nostalgia fantasiosa de algo que nunca aconteceu como cremos ter acontecido.
Estamos a desperdiçar tempo, o hoje, se pensamos que amanhã é melhor. O istonãoseaguentismo está a dar lugar ao istoéomelhordesemprismo. O filme pode ser bom ou ser só assim-assim, mas o conceito está certo: isto é o “as good as it gets” (tão bom quão alguma vez será, traduzido para português como “Melhor é Impossível”).
Nem os trolls das redes sociais parecem sofrer disto, nem o PS parece perceber que o Istonãoseaguentismo não vencerá eleições após o Verão. O Istonãoseaguentismo só funciona no Inverno.

Este ano tive pela primeira vez as dores do crescimento, não me lembro de as ter aos 11 anos mas chegaram agora aos 46.
Venho pela primeira vez para o Algarve sem a minha filha de 21 anos coisa que acontece pela primeira vez, ela ficou bem com a casa por conta dela com saúde e com dinheiro para o que for preciso mas ao fim de muitos anos esta curta separação doeu e não me perguntem porquê, não tive cordão umbilical como a mãe mas tenho um coração ligado em modo wi fi com ela.
São estas as dores do meu crescimento…
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Amanhã será um pouco mais escuro do que hoje, mas muito mais silencioso.
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As melhoras, amigo 🙂
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Um desporto muito interessante é acompanhar os inícios dos telejornais.
Num começou com um incêndio, noutro começou com um futuro golpe de estado na Guiné e noutro com 100 pessoas a gritarem que querem as suas economias que julgavam em depósitos a prazo no BES, ou pensavam que eram.
Se isto não é pluralismo.
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E eu vi um em q noticiaram : dois funcionários da câmara não sei das quantas foram apanhados no bem bom num elevador . Sério, isto foi noticia num telejornal 😃
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Foi em Braga!
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É o que dá quererem fazer telejornais de hora e meia.
Podiam ao menos entreter-se coma nova polémica sobre o novo cartaz do PS.
E já reparou na vergonha que é começarem o telejornal dois ou três minutos antes fazendo um sumário.
Parece que estão na telescola.
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E o sapo Cocas e a miss Piggy estão separados! :O
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A propósito se bem reparei o incêndio era de ontem.
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