Manter em segredo que se vai morrer
Uma observação sobre as notícias do falecimento de David Bowie: muitos órgãos de informação não conseguiram deixar de referir que o músico padeceu de doença que manteve em segredo, como se fosse devida ao público qualquer explicação sobre o estado de saúde de alguém pelo simples facto de a pessoa ter uma faceta pública reconhecível. Outros, ainda, referiram que o artista terá optado por omitir a informação, exacerbando a noção de que haveria uma hipótese mais confortável, a da partilha do seu estado de saúde.
É nesta altura, quando se assume que o foro privado e o foro público são indistinguíveis para uma sociedade expectante de uma partilha permanente de estados de alma, que compreendemos que o excesso de informação é, em si mesmo, um grande factor desumanizante do nosso tempo.

Naturalmente, só por coincidência os merdia informam sobre acontecimentos.
Exploram acontecimentos em função dos editores, os editores ajoelham perante a matilha, a matilha monta os seus planos inconfessáveis, as pessoas servem de figurantes de um teatro, ora vil, ora concuspicente, ora esotérico, sempre politicamente correto.
Impera a estratégia da distração, desviando a atenção dos problemas importantes, mediante a técnica do dilúvio, contínuas distrações e informações néscias.
As poucas discussões relevantes passam, ou em horários tardios, ou em estações à parte..
Forçam-se medidas inaceitáveis, insistindo em notícias a conta-gotas, até justificar a sua implementação. Instila-se a ideia peregrina de que “tudo irá melhorar amanhã” e os sacrifícios exigidos poderão ser evitados.
Tratam-se os teleespectadores como deficientes mentais.
Usam-se cenas emocionais para causar um curto circuito na análise racional, e pôr fim ao sentido crítico das pessoas inocentes, fazendo com que sejam incapazes de topar os truques utilizados para controlar a sua escravidão.
Estimula-se o público a aceitar o estúpido, vulgar e inculto…tipo o fado é que induca e a bola é que instrói.
No mmeio do ruído e da confusão exerce-se um poder irresistível sobre as pessoas, tornando-as incapazes de se aperceberem da realidade. São os próprios condottieris a demonstrar diariamente que a realidade é dispensável, má e indesejável.
Quando conquistam o poder total passa a ser simplesmente criminosa.Não se admirem.
O que se ensina há muito nas madrassas do jornalismo serve propósitos definidos.
Abram-se os olhos.
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Sobre DBowie, o seu falecimento e a comunicação social: para um artista com projecção planetária, obviamente uma notícia planetária.
Há dias faleceu Pierre Boulez. O seu desaparecimento não ocupou sequer 10% de atenção mediática. Lamenta-se e entende-se: artes, merchandising, produções, editoras , lucros e públicos diferentes.
É assim a comunicação social, toda ela, onde quer que seja editada.
Culpa ? — Dos consumidores ignaros e dos directores e jornalistas muitos deles também ignaros, serventuários e dependentes do facilitismo que proporciona audiências, leitores, etc.
Interesses conectados…
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Sobre o post: foi melhor assim, o desconhecimento da doença. Tinha de ser assim, com “Blackstar”…
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No dia que partir o Serge Gainsbourg, alguém notará em Portugal?
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Recordo-me que foi notícia.
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O Bowie merece atenção. Grande compositor, com o pico nos 70 e um excelente disco este ano. Das melhores letras do rock.
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De um dia para outro, vai explodir o número de especialistas em Bowie.
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O David era britânico, e lá costumam ter uma certa reserva sobre certas coisas.
A Sofia Ribeiro não é, e por isso publicitou com abundantes lágrimas, o corte de cabelo, o corte das madeixas dos acompanhantes e o enquadramento com o oceano.
São gostos.
Dão civilizações.
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” Civilização” do espectáculo : publicitar tudo e mais alguma coisa , mesmo os pormenores mais íntimos, sobre “os famosos” – silenciar tudo o que determina(rá) o nosso devir, como se passou com os ataques na Alemanha, Áustria e Escandinávia por parte de islamistas.
O pão e circo romanos transpostos para os nossos dias.
Ainda alguém se surpreende pela existênciade um Anders Breivik ?
Surpresa, e das grandes, é que, por enquanto, só tenha aparecido um por aquelas latitudes…
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