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Manter em segredo que se vai morrer

11 Janeiro, 2016

Uma observação sobre as notícias do falecimento de David Bowie: muitos órgãos de informação não conseguiram deixar de referir que o músico padeceu de doença que manteve em segredo, como se fosse devida ao público qualquer explicação sobre o estado de saúde de alguém pelo simples facto de a pessoa ter uma faceta pública reconhecível. Outros, ainda, referiram que o artista terá optado por omitir a informação, exacerbando a noção de que haveria uma hipótese mais confortável, a da partilha do seu estado de saúde.

É nesta altura, quando se assume que o foro privado e o foro público são indistinguíveis para uma sociedade expectante de uma partilha permanente de estados de alma, que compreendemos que o excesso de informação é, em si mesmo, um grande factor desumanizante do nosso tempo.

9 comentários leave one →
  1. procópio's avatar
    procópio permalink
    12 Janeiro, 2016 00:21

    Naturalmente, só por coincidência os merdia informam sobre acontecimentos.
    Exploram acontecimentos em função dos editores, os editores ajoelham perante a matilha, a matilha monta os seus planos inconfessáveis, as pessoas servem de figurantes de um teatro, ora vil, ora concuspicente, ora esotérico, sempre politicamente correto.
    Impera a estratégia da distração, desviando a atenção dos problemas importantes, mediante a técnica do dilúvio, contínuas distrações e informações néscias.
    As poucas discussões relevantes passam, ou em horários tardios, ou em estações à parte..
    Forçam-se medidas inaceitáveis, insistindo em notícias a conta-gotas, até justificar a sua implementação. Instila-se a ideia peregrina de que “tudo irá melhorar amanhã” e os sacrifícios exigidos poderão ser evitados.
    Tratam-se os teleespectadores como deficientes mentais.
    Usam-se cenas emocionais para causar um curto circuito na análise racional, e pôr fim ao sentido crítico das pessoas inocentes, fazendo com que sejam incapazes de topar os truques utilizados para controlar a sua escravidão.
    Estimula-se o público a aceitar o estúpido, vulgar e inculto…tipo o fado é que induca e a bola é que instrói.
    No mmeio do ruído e da confusão exerce-se um poder irresistível sobre as pessoas, tornando-as incapazes de se aperceberem da realidade. São os próprios condottieris a demonstrar diariamente que a realidade é dispensável, má e indesejável.
    Quando conquistam o poder total passa a ser simplesmente criminosa.Não se admirem.
    O que se ensina há muito nas madrassas do jornalismo serve propósitos definidos.
    Abram-se os olhos.

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    • MJRB's avatar
      12 Janeiro, 2016 01:32

      Sobre DBowie, o seu falecimento e a comunicação social: para um artista com projecção planetária, obviamente uma notícia planetária.
      Há dias faleceu Pierre Boulez. O seu desaparecimento não ocupou sequer 10% de atenção mediática. Lamenta-se e entende-se: artes, merchandising, produções, editoras , lucros e públicos diferentes.
      É assim a comunicação social, toda ela, onde quer que seja editada.
      Culpa ? — Dos consumidores ignaros e dos directores e jornalistas muitos deles também ignaros, serventuários e dependentes do facilitismo que proporciona audiências, leitores, etc.
      Interesses conectados…

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  2. MJRB's avatar
    12 Janeiro, 2016 01:36

    Sobre o post: foi melhor assim, o desconhecimento da doença. Tinha de ser assim, com “Blackstar”…

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  3. Luís's avatar
    Luís permalink
    12 Janeiro, 2016 07:58

    No dia que partir o Serge Gainsbourg, alguém notará em Portugal?

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  4. Luís's avatar
    Luís permalink
    12 Janeiro, 2016 07:59

    O Bowie merece atenção. Grande compositor, com o pico nos 70 e um excelente disco este ano. Das melhores letras do rock.

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  5. Luís's avatar
    Luís permalink
    12 Janeiro, 2016 08:00

    De um dia para outro, vai explodir o número de especialistas em Bowie.

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  6. fado alexandrino's avatar
    12 Janeiro, 2016 08:55

    O David era britânico, e lá costumam ter uma certa reserva sobre certas coisas.
    A Sofia Ribeiro não é, e por isso publicitou com abundantes lágrimas, o corte de cabelo, o corte das madeixas dos acompanhantes e o enquadramento com o oceano.
    São gostos.
    Dão civilizações.

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  7. Juromenha's avatar
    Juromenha permalink
    12 Janeiro, 2016 10:46

    ” Civilização” do espectáculo : publicitar tudo e mais alguma coisa , mesmo os pormenores mais íntimos, sobre “os famosos” – silenciar tudo o que determina(rá) o nosso devir, como se passou com os ataques na Alemanha, Áustria e Escandinávia por parte de islamistas.
    O pão e circo romanos transpostos para os nossos dias.
    Ainda alguém se surpreende pela existênciade um Anders Breivik ?
    Surpresa, e das grandes, é que, por enquanto, só tenha aparecido um por aquelas latitudes…

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