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Mais que a morte, também a vida

17 Março, 2016

Ainda bem que puxas o assunto, Carlos. De outra forma, também o Helder o tinha feito. Acho que a geração será julgada por mais do que a forma com que lida com a morte em nome de um suposto direito: será julgada também pela forma como relativizou a morte e tudo o resto ao abrigo de uma moral colectiva inexistente sem um propósito que não a imposição, por força de Lei, de uma noção antropológica de progresso apoiada no barbarismo primário cuja retórica é agressiva e liminarmente impeditiva de discussão fora do cânone bélico. É uma conquista de outra civilização via Cavalo de Tróia, se não por armas, por acesso e abuso de poder.

O caso do aborto é particularmente sintomático: os portugueses tiveram oportunidade para se pronunciarem sobre se mulher que aborta deve ser penalizada criminalmente, nunca sobre se mulher que deseja abortar deve ser subsidiada para o fazer, que é o que acontece no SNS universal. Sobre a vida humana, quer na questão do aborto, quer na questão da eutanásia, a questão é sempre colocada de forma a que o alegado direito de uns se torne no dever incontestável de outros. Digamos que estas questões, ditas fracturantes, que segregam em barricadas os oponentes, explicam na perfeição como a questão da igualdade nos regimes socialistas é pura fachada propagandística. Iguais, sim, mas uns mais que os outros.

Nas últimas décadas, mesmo após o continuado declínio de questões fracturantes, que fracturam por serem pilares de uma sociedade, viu-se a substituição das questões simbólicas menores como a queima de soutiens (um direito próprio, a não usar soutien, se não lhe apetece, mesmo que o símbolo significasse mais que o uso de uma peça de vestuário) por questões simbólicas de identidade colectiva, como a desgraça de se identificar um brinquedo como de menina ou de menino, onde o que se pretende não é o direito de uma menina a ter um carrinho e sim a remoção física de identificações simbólicas e ancestrais sobre o ser humano e a sua vida em sociedade.

Não é sobre a morte, é sobre a vida: a forma como uma minoria decide que a maioria deve viver.

45 comentários leave one →
  1. zazie's avatar
    17 Março, 2016 11:15

    Claro que é sobre a vida. E sobre um sentido de condenação de um acto que passa ao inverso mal a lei o despenaliza.

    O julgamento moral é pessoal. O colectivo não o pode substituir por aprovações legais de questões que moralmente depois se diz que continuam a ser imorais.

    A partir do momento em que abortar e matar são equiparadas a questões de saúde tudo foi subvertido.

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  2. zazie's avatar
    17 Março, 2016 11:16

    E sim, o Vitor diz tudo. Não é o problema de consciência individual de quem pratica, é de um colectivo que transforma isso numa obrigação médica.

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  3. licas's avatar
    licas permalink
    17 Março, 2016 11:55

    Como diz, como diz, na questão da Eutanásia?
    Publique-se um folheto indicativo e permenorizado como pode ser praticada em casa e
    o médico só é preciso para assinar a Certidão de Óbito. Mais nada!
    Ninguém é obrigado a suicidar-se, se há pessoas, por quaisquer razões é contra,
    que permaneça vivo: Que tenho eu com isso? O que exijo é que em face de um sofrimento
    físico e intelectual insuportável tenha a alternativa de lhe por fim.

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    • zazie's avatar
      17 Março, 2016 12:04

      Exiges nada porque não existe lei pessoal ao sabor dos caprichos de cada um.
      Há muita gente a dizer que quer morrer por infinitas razões e o que mais quer é ajuda.

      Muitos deles até são internados porque precisam de ser tratados da cuca.

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    • zazie's avatar
      17 Março, 2016 12:05

      Se por cá, ao que parece ser verdade, por denúncia de enfermeiros, já existe é morte oferecida sem ser pedida, o que se precisava era de uma boa investigação policial a tanta caridade.

      Esta cena da caridade negativa é outra patologia altamente moderna. É muito higiénica e resolve-se todo o mal pela raiz.

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  4. zazie's avatar
    17 Março, 2016 12:07

    Folheto informativo existe no Google, Se sabe teclar para vir aqui, também devia saber resolver a questão sem pedir ao Estado que anda a publicar merdas imorais.

    Já agora- o Estado que publique também como comprar armamento ilegal, já que com droga não nos safamos é das agressões alheias.

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  5. zazie's avatar
    17 Março, 2016 12:08

    Necrofilia, esta tara é uma tara do extremo egoísmo a querer fazer onda como se fosse para bem.

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  6. zazie's avatar
    17 Março, 2016 12:10

    Esta trampa fracturante é um vírus para o qual não existe vacina.

    Se não é travado vai ser um harakiri civilizacional muito bonito.

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  7. zazie's avatar
    17 Março, 2016 12:11

    E espalha-se em gente que parece normal.

    Não entendo isso. Até o Conraria que não é panasca e tem filhas mas tem a mania que é americano, por lá ter passado uns tempos, já anda a fazer lobby nos jornais pela trampa de sexo indefinido.

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  8. zazie's avatar
    17 Março, 2016 12:13

    E eles cheiram-se à distância. Deve mesmo existir a feromona do fracturante.

    Já tratou de convidar a outra aberração estrangeirada às avessas- a Helena Araújo, lá para o blogue e também para merda de lobby no Observador

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  9. zazie's avatar
    17 Março, 2016 12:15

    Mas esta porcaria ainda é sustentada pela bandeira tricolor.

    É sempre tudo em nome da Igualdade; da Liberdade e da Fraternidade entre os mais iguais que os outros.

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    • licas's avatar
      licas permalink
      17 Março, 2016 14:50

      Se não tivesses – é este o caso – preconceitos religiosos
      verias com mais limpidez o caso da Eutanásia.
      Para quem está isento deles, tenho-a , à Eutanásia, como
      um direito geral e indiscutível . . .TÁ BEM?
      E que ninguém vê “imoralidade” nisso.

      Já impor restrições ao livre disposição da própria vida, ISSO É IMORAL
      E SUBVERSIVO.

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      • zazie's avatar
        17 Março, 2016 17:28

        Religioso porquê?

        Quem não for religioso tem de ser nazi e defender eugenismos e eutanásia?

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      • zazie's avatar
        17 Março, 2016 17:29

        Religioso porquê?

        Quem não é religioso tem de defender eugenismo e eutanásia nazis?

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  10. Incauto's avatar
    Incauto permalink
    17 Março, 2016 12:27

    Disseste quase tudo Zazie: “vai ser um harakiri civilizacional”. Não vai ser; já está a ser.

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    • zazie's avatar
      17 Março, 2016 17:30

      Pois está. Porque estes imbecis propagam porcarias que só levam à fraqueza dos europeus e depois metem cá dentro a magote os que têm forte instinto vital e que vão tomar conta disto.

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  11. JgMenos's avatar
    JgMenos permalink
    17 Março, 2016 12:37

    A canalha esquerdalha, na sua generalizada indigência intelectual, recorre a tudo que seja aberrante para dar invocar assinalável pensamento.
    Chama-lhe fracturante e por boas razões: definem-se por fracturas contra uma sociedade que querem perverter até à insanidade comuna..

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  12. oops's avatar
    oops permalink
    17 Março, 2016 12:58

    ” a remoção física de identificações simbólicas e ancestrais sobre o ser humano e a sua vida em sociedade” por assim dizer 😉

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  13. Manuel Branco's avatar
    Manuel Branco permalink
    17 Março, 2016 14:49

    O nosso liberalismo histórico é tão engraçado de ultramontano que é. É como a social-democracia portuguesa do Eng. Eurico de Melo.

    Era o que mais faltava fazer engolir a quem não é católico as convicções da santa madre igreja.

    Já agora, uma dúvida: estou enganado ou o tal Carlinhos vive ou viveu no Dubai? deve ter sido aí que se instruiu em Montesquieu.

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  14. josephvss's avatar
    17 Março, 2016 15:08

    Scholars from Saudi Arabia have made a “surprising” and unprecedented discovery – turns out women are in fact mammals and therefore should have “equal rights” with animals.

    Read more: http://sputniknews.com/art_living/20160317/1036464716/saudi-arabia-women-mammals.html#ixzz43An8YlSO

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  15. licas's avatar
    licas permalink
    17 Março, 2016 15:22

    Até ao Cisma (Protestante) ainda era possível pensar-se que
    Catolicismo e Civilização eram sinónimos (de facto nunca foram)
    Depois do sec. XV, e progressivamente, nada têm a ver um com a outra.
    Então não querem lá ver que se entende “por bem” influenciar a coisa
    mais intima – a vida da pessoa – obrigando a se conformar com a entidade
    mais artificial e fabricada que consiste a religião? Era bom, era!

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  16. licas's avatar
    licas permalink
    17 Março, 2016 15:38

    . . . a não ser que o sofrimento dos doentes terminais
    tenha o objectivo único ______________de se ganhar o Paraíso.
    (o céu dos pardais são as barrigas dos gatos, soe dizer-se)

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    • josephvss's avatar
      17 Março, 2016 15:41

      Oh minha besta o Q esta em causa num doente terminal é a sua (dele) ALMA

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      • licas's avatar
        licas permalink
        17 Março, 2016 15:58

        Provem-me que a alma existe, e mesmo que
        provado o improvável, deixa ainda muito a desejar
        que deus existe, josephvuss . . .

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      • josephvss's avatar
        17 Março, 2016 16:06

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    • zazie's avatar
      17 Março, 2016 17:33

      Já o Aristóteles dizia que existem diversos tipos de alma- das vegetativas às animais, chegando às humanas.

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      • josephvss's avatar
        17 Março, 2016 18:25

        Os dicotomistas => corpo e alma (sendo que para eles, alma e espírito são sinônimos)

        Os tricotomistas => corpo, alma e espírito.

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  17. piscoiso's avatar
    piscoiso permalink
    17 Março, 2016 15:51

    Quando o exercício do contraditório se arrisca a ser varrido com insultos, o melhor é deixá-los no quintal do pensamento único.

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  18. licas's avatar
    licas permalink
    17 Março, 2016 16:57

    Josephvss, 17 Março 2016 16:06
    Ganda Tomás de Aquino, PONTO FINAL:

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  19. licas's avatar
    licas permalink
    17 Março, 2016 17:03

    Gostava bem de saber como o tal Tomás
    (se não fosse crente, claro) provava a existência da alma…
    e depois que “ela” era imortal…Gostava.

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  20. zazie's avatar
    17 Março, 2016 17:38

    Estas porcarias fracturantes nada têm a ver com religião ou oposto. Têm a ver com uma intenção de misantropia e misoginia em que o humano se degrada

    Porque nem é acompanhada por nenhuma ideologia de aprimoramento da espécie, como foi a nazi. Nem procura o Homem Novo, como também o mesmo pacote utilitarista comuna procurava.

    Isto é fazer desaparecer todas as diferenças e instintos vitais de uma civilização.
    E é logo na Europeia, mostrando a lei darwinista do mais forte.

    A ver se os imigras islâmicos se matam ou se abortam e têm estas exigências de direitos de retirada de cena.

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  21. licas's avatar
    licas permalink
    17 Março, 2016 18:14

    Tudo misturado, remexido, sem qualquer sentido.
    No final: o crente, o pecado, o proibido,Percebe-se nitidamente.
    Não há vantagem social ou pessoal que o doente terminal seja impedido
    de terminar por sua alvedria. Nenhuma.

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  22. josephvss's avatar
    17 Março, 2016 18:16

    If I be worthy, I live for my God to teach the heathen (pagan), even though they may despise me.

    Saint Patrick (17março)

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  23. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    20 Março, 2016 08:25

    Dizem tudo isto mas depois votam PSD e CDS que estão muito bem com o Aborto.

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  24. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    20 Março, 2016 08:31

    Não Zazie nada disto tem que ver com “misantropia e misoginia em que o humano se degrada”

    Tem que ver com processos para atingir o Poder para isso é preciso a criação de uma cultura. Identidade que o facilite.

    Como a Esquerda está-se nas tintas para o que quer que seja excepto o Poder.

    Veja-se como abandona qualquer das suas “causas” quando conveniente.

    Se a Esquerda precisar de tropas de choque e quem lhe pague os impostos é bem capaz de proibir o Aborto.
    Quando for conveniente o Aborto deixa de ser identitário.
    Pode ser tudo e o seu contrário.

    A questão é o Poder.

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