Tu é que és populista, meu amigo. Eu não, eu sou animalista
Reparei que ainda não escrevi absolutamente nada sobre Trump, só sobre as pessoas que têm imensa dificuldade em aceitar que este tenha vencido as eleições. Isto é interessantíssimo porque, realmente, sobre Trump, não há muito a dizer. Talvez quando mandar fechar Guantanamo ou quando pintar o muro do marido da Hillary que separa a California norte-americana da Baja Califórnia mexicana do Pacífico até às montanhas de San Ysidro, possamos ter uma ideia mais clara da política de Trump. Já da política dos opositores de Trump, os que querem tentar explicar às criancinhas como devem lidar com o fascismo sem o recurso de espelhos, muito haveria a dizer, mas chegou a hora de os deixar a sós com a baba dos espasmos.
Muito se diz do “populismo”, o maldito populismo. Alguém sabe o que é isso do populismo? Será um discurso que apela aos sentimentos dos eleitores levando a que votem no candidato que profere as coisas que os convencem? Se é, soa bastante parecido com o conceito comum de democracia ou, parafraseando Christopher Lasch, o populismo parece mesmo a autêntica voz da democracia.
O que é o populismo? É garantir que se fecha Guantanamo? É prometer acabar com a austeridade? É jurar bater o pé a Bruxelas livrando-se da Mortágua Varoufakis à primeira oportunidade? É categorizar tudo o que ainda responde como misógino, racista, islamofóbico, homofóbico? É denominar quem tem a audácia de pensar (mal, claro) por fascista e “homem branco não instruído”? Ou será populismo apelar ao voto generalizado em vez de o focar em eternas subcategorias minoritárias que, por falta de imaginação, foram crescendo dos residuais homossexuais para os inúmeros “de cor” até chegar a metade da população com “as mulheres”, isto sem sequer passar pelos carecas?
Com Trump, toda a gente decidiu dar atenção às propostas, ao “programa eleitoral”. Vamos começar a prestar a mesma atenção ao “programa eleitoral” dos chalupas que nos governam? Ao plano Centeno? Estamos mesmo preparados para isso? A resposta é não, porque, de outra forma, nada mais restaria que admitir que isto é tão irracional como ser adepto de um clube de futebol. Todos viveríamos melhor se perdêssemos essa mania de categorizar jornais como O Jogo ou A Bola de “desportivos”. O Público, a SIC, o Expresso e a TVI parecem muito mais interessados em golos e foras-de-jogo do que na vida das pessoas. Vai-se a ver, falta-lhes populismo.

a paneleirada deixou der comida de ‘4’
agora prefere a posição ‘frango assado’
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«É denominar quem tem a audácia de pensar (mal, claro) por fascista e “homem branco não instruído”?»
Eu não percebo qual é o vosso problema com as análises que dizem que Trump teve o voto dos “homens brancos sem formação universitária” quando são os próprios apoiantes do Trump (ou, pelo menos, os que escrevem na internet) que andam há anos a falar nisso?
Quem dê uma volta pelos sites paleoconservadores/alt-right/HBD/dark enlightenment/etc., há muito tempo que um grande tema deles é que há uma luta entre a “white working class” e uma suposta aliança entre as “elites” e as minorias étnicas. Porque algo que é afirmado pelos próprios apoiantes mais entusiastas se torna, aparentemente, uma ofensa quando é dito pela comunicação social?
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O Miguel Madeira é instruído ou não-instruído?
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Pegando no quizz do Charles Murray, e adaptando algumas das respostas a Portugal, eu seria provavelmente “A first-generation upper-middle-class person with middle-class parents. ” (27 pontos)
http://www.pbs.org/newshour/rundown/white-educated-and-wealthy-congratulations-you-live-in-a-bubble/
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Ninguém fez essa caracterização. A caracterização certa é “brancos não instruídos”. Por isso, repito a questão.
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a) A sua resposta ao meu comentário não tinha nada a ver com o meu comentário, portanto qual é o mal da minha resposta também não ter nada a ver com o seu comentário?
b) “Ninguém fez essa caracterização” – se com “essa caracterização” se está a referi às teorias do Murray, discordo; grande parte da conversa sobre a diferença entre os brancos com e sem formação universitária, e das suas implicações políticas (até sobretudo no campo conservador), tem a sua origem no livro dele
c) a caracterização que todo a gente tem usado tem sido termos como “white working class” ou “brancos sem formação universitária” (as únicas pessoas que ouvi usar a expressão “brancos não instruídos” – que é inútil, já que não define qual é a linha entre “instruído” e “não instruído” – têm sido vocês)
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Eu sou só um. Quem são os vocês e, já agora, esses nós somos instruídos e brancos?
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Suspeito que são instruídos e maioritariamente brancos (e se calhar é por isso que lhes incomoda as referências ao voto da “white woking class” em Trump; interpretam o que é quase uma declaração de desespero dos anti-trumpistas – “O gajo conseguiu roubar-nos aqueles eleitores que julgávamos que eram nossos” – como sendo um ataque a ele).
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Pronto. E o Miguel Madeira, é instruído e maioritariamente branco?
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O que quer exatamente dizer com “instruído”? Quando disse que suspeito que vocês (e vocês sabem de quem eu estou a falar) eram instruídos, estava-me a referir a provavelmente terem formação universitária (que é o critério que costuma ser usada pelos que fazem a tal distinção entre a “white working class” e a “elite”). É a esse critério que se refere?
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O Miguel anda às voltas. Se disse que eu, na minha pluralidade, sou (possivelmente) instruído, deverá usar o mesmo significado para o adjectivo aplicado a si. Não tem que ter motivos para se envergonhar, já não defrauda as expectativas do socialismo igualitário se se considerar instruído em relação a outros que o não são.
Mas posso poupar nas jogadas: eu, o Miguel Madeira, o Sócrates e o Cavaco somos brancos instruídos. Em que votam os brancos não-instruídos em Portugal?
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Suspeito que, a norte da ribeira de Odeceixe, na direita e na CDU; a sul da ribeira (por qualquer razão que ainda não percebi muito bem), a situação inverte-se e votam no PS e no BE (opinião puramente impressionista sem ter visto nenhumas exit polls sobre isso).
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O Miguel madeira está a atirar poeira para os olhos como se a alt-right fosse algo que estivesse presente como os “jornais” políticos como o Expresso , a Sic , a TVI e outros.
Depois nos EUA como o Miguel Madeira sabe o Populismo não tem a mesma conotação que na Europa
Na Europa o epiteto de Populismo é só aplicado pelo “Jornalismo” Marxista à Direita quando esta defende algo popular. E pelo establishmente aos extremos quando lhe convém.
Quando o establisment do Expresso, Publico, RTP, TVI, SIC leva o país a 130% de Dívida Publica e apoia uma Constituição que diz que uma data de coisas são grátis isso já não é Populismo. Nem bater records de défice endividamento é chamado extremismo.
O nome que empregam é Social ou é Democrático.
Pois é disso que estamos a falar: Manipulação da Linguagem pelo “Jornalismo”
Quando são os maus a fazê-lo é Populismo
Quando são os bons é ser Social e ser Democracta.
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«O Miguel madeira está a atirar poeira para os olhos como se a alt-right fosse algo que estivesse presente como os “jornais” políticos como o Expresso , a Sic , a TVI e outros.»
Eu pelo menos devo passar mais tempo a ler os sites do Unz Review e do American Conservative do que a ver a SIC e a TVI (e às vezes até escrevem coisas interessantes sobre politica externa ou sobre o grande capital)
“Depois nos EUA como o Miguel Madeira sabe o Populismo não tem a mesma conotação que na Europa”
Completamente irrelevante para o meu comentário – o meu ponto não é sobre o “populismo” em geral, é sobre o ponto especifico dos “brancos sem formação universitária”/”classe trabalhadora branca”, algo que (mesmo que talvez não seja totalmente correto) é assumido abertamente (e de forma até algo orgulhosa) pelo trumpistas e creio que mesmo pelos republicanos mainstream (e é visto pela esquerda como uma tragédia, como sendo o seu suposto eleitorado natural a fugir), mas que aqui algumas pessoas parecem achar um insulto (já faz lembrar aquelas pessoas do outro lado que substituiram nigger por nigro, nigro por black, blach por afro-american, afro-american por african-americana – não necessariamente nesta ordem -, porque qualquer designação lhes parece um insulto).
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Já percebeu que essa generalização só serve políticos e comentadores, não serve mais ninguém?
Experimente “as mulheres votaram Clinton” ou “os pretos votaram Obama”.
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«Experimente “as mulheres votaram Clinton” ou “os pretos votaram Obama”»
Isso também tem sido dito em todas as análises que tenho visto, e não vi ninguém reclamar.
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Está a ver? Identificou mais duas minorias oprimidas, a dos pretos republicanos e a das mulheres atraentes.
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«Já percebeu que essa generalização só serve políticos e comentadores, não serve mais ninguém?»
Mas o que somos nós se não comentadores (em regime de voluntariado)?
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Esse nós ainda é o nós de há pouco? Agora nós já somos nós? Por si não posso falar, posso falar por mim: eu não sou um político ou um comentador, eu sou aquilo que os comentadores não querem ser.
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Há pouco era “vocês”, não era “nós” (neste contexto, “vocês” ⊂ “nós”).
“eu não sou um político ou um comentador, eu sou aquilo que os comentadores não querem ser.”
“comentador” é daquelas profissões (seja paga ou pro bono) em que todos gostam de imaginar que fornecem um produto único e especial.
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Agora demonstrou uma visão infantil do mundo. Qual produto único e especial? O que lhes interessa é saber se estão a servir o seu senhor.
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“O que lhes interessa é saber se estão a servir o seu senhor.”
Mesmo para servir o seu senhor convém fornecer um produto único e especial; no fundo, “comentador” é uma profissão parecida com “programador informático” ou “compositor musical” – o custo marginal de reproduzir o seu trabalho é próximo do zero; ao contrário, p.ex., de dois oftalmologistas, que podem fazer exatamente o mesmo serviço e terem ambos clientes (porque enquanto um está a examinar os olhos de alguém, não pode examinar os olhos de outros potenciais clientes, que assim têm que ir ao outro médico), um artigo escrito por Fulano pode ser lido ao mesmo tempo por uma infinidade de pessoas; por isso Beltrano, para conseguir que alguém o leia, tem que escrever algo diferente de Fulano.
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Não tem futuro na profissão. Não a compreende.
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Excelente post. Na verdade “populismos” há muitos e até de sinais opostos.
Populismo será também uma “popular” representante dos que não pagam IMI nem IRS a peroar, urbi et orbi, ingenuidades culturais alicerçadas numa bem cultivada falta de “vergonhada” e uma patente dor de cotovelo.
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Quando são os bons a fazê-lo é ser Social e ser Democrata
Quando são os maus é ser Populista
É isto a linguagem subliminar do “jornalismo” político.Basicamente manipulação.
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Essa é que é a grande verdade. Populista é quando é o outro – sobretudo se não usa avental – a fazer as propostas; nem que sejam iguais às minhas. As propostas sobre a NATO são disso evidência. Ainda vamos ver o Jerónimo e a Mortágua a pedir para salvarem a NATO…e até o Sampaio.
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Esteja atento a quando os Jornalistas usam a palavra Activista e quando usam a palavra Extremista.
Vai notar que em muitos casos poderiam usar a palavra Extremista, mas não o fazem.
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Lula bye (lullaby)
Lula diz-se perseguido, não é?
Clamando por uma prova concreta
De que é criminoso de coleta
Quem irá crer na sua boa fé?
Nunca ia deixar rabos de palha
De estúpido nada tem o Metralha.
Deixar documentos assinados
Tais que o pudessem comprometer
Não será nunca coisa de prever
Pois estamos todos bem compenetrados
S´os Juízes caem nessa armadilha
Fica rota de riso a quadrilha.
Condição toda fora de questão
Pois sabe quanto ele é aldrabão.
licas fecit
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e os da Killary eram brancos licenciados a trabalhar nos call center , mac donalds e caixas de super mercado ?
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e interessante , interessante , era saber a taxa de participação nas eleições ( não consigo encontrar ) e o perfil dos abstencionistas.
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Populismo é a capa do jornal Público de hoje.
Atrevo-me a dizer que amanhã. também o será.
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Eu só ainda não percebi se “ser instruído” é bom ou mau.
Há um vídeo no YouTube de um senhor que diz que só tem a quarta classe dos adultos e explica aos senhores engenheiros e arquitetos que acompanham o António Costa na inauguração da nova rotunda do Marquês que com aquela obra vão criar uma ribeira a descer a avenida sempre que chover um pouco mais.
Já lá vão uns anos e ainda não falhou uma.
Quando for grande quero ser como este senhor branco sem instrução.
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Nassim Taleb escreveu sobre isso:
Intelectual yet Idiot
View at Medium.com
The Intellectual Yet Idiot (Escrito em Setembro 2016)
What we have been seeing worldwide, from India to the UK to the US, is the rebellion against the inner circle of no-skin-in-the-game policymaking “clerks” and journalists-insiders, that class of paternalistic semi-intellectual experts with some Ivy league, Oxford-Cambridge, or similar label-driven education who are telling the rest of us 1) what to do, 2) what to eat, 3) how to speak, 4) how to think… and 5) who to vote for.
But the problem is the one-eyed following the blind: these self-described members of the “intelligentsia” can’t find a coconut in Coconut Island, meaning they aren’t intelligent enough to define intelligence hence fall into circularities — but their main skill is capacity to pass exams written by people like them. With psychology papers replicating less than 40%, dietary advice reversing after 30 years of fatphobia, macroeconomic analysis working worse than astrology, the appointment of Bernanke who was less than clueless of the risks, and pharmaceutical trials replicating at best only 1/3 of the time, people are perfectly entitled to rely on their own ancestral instinct and listen to their grandmothers (or Montaigne and such filtered classical knowledge) with a better track record than these policymaking goons.
(…)
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Ser populista é não perceber que o silêncio dos média e indignados encartados sobre os 2,5 milhões de deportados por Obama ( ver ABC News de 29/8/16) se deve a que provavelmente esses deportados eram “homens brancos, ignorantes, racistas e incultos”.
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Populismo é iscar com um “vamos virar a pagina da austeridade” quando não há dinheiro para para mandar cantar um cego e um cardume de peixinhos de vistas curtas morder o anzol, pensado que vem coisa boa à boca.
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Jorge Sampaio, deu hoje no jornal Público, o maior exemplo de “Democrata”. Quando não é a “nossa” tendência a vencer eleições, o mundo fica perigoso e há que lutar para que os vencedores sejam derrotados. Que moral tem este homem para criticar um não-político que foi eleito democraticamente, quando no seu consulado dissolveu uma Assembleia da Republica em que os seus correligionarios estavam em minoria.e havia um governo legítimo com maioria. É esta a “democracia” que muitos ressabiados pretendem. Para que conste não era nem sou apologista de nenhum dos candidatos americanos.
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O Golpe de Estado de Sampaio foi uma bela demonstração que tudo é possível fazer quando o jornalismo está do nosso lado.
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SRG_
Aplaudo . . .
No alvo!
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Digamos assim se os Refugiados fossem trabalhar como professores universitários, actores, jornalistas e comentadores. Eram um perigo para a civilização ocidental. Mas como só conseguem arranjar trabalhos nas fabricas, nas obras ou nas limpezas, já são bem vindos. Por isso é que os Tramp da democracia estão a ganhar.
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Divirto-me imenso com alguns comentadores da porra que andaram e andam aqui sempre a elogiar o institucional, o centrão, as Merkel, a austeridade e agora estão deeslumbrados com o anti-mundialista, revolucionário, agitador e radical Trump!
Que trampa me saíu!
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