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Uma história portuguesa

28 Setembro, 2017

Contada no ECO

1) A Continental Mabor está há dez anos a falar com vários governos por causa da falta de acessibilidades ao polo industrial de Lousado, em Vila Nova de Famalicão: “durante estes anos tive muitas conversas ‘de surdos e de mudos’ com os diferentes governos”, desabafa Pedro Carreira.

2) Diz que administração da Continental AG estava disponível para vir a Portugal anunciar o investimento de 100 milhões de euros na expansão da fábrica de pneus ligeiros, mas que isso não aconteceu porque: “nunca recebi resposta às missivas que enviei ao Governo”. Teve que ser o próprio António Costa a intervir para que os vários ministérios começassem a responder às cartas da Continental, que não é propriamente uma empresa de ‘vão de escada’.

3) A empresa está a tentar fazer crescer o seu armazém, mas não consegue. Está há 15 ou 20 anos à espera porque os planos municipais previam que por cima do armazém passasse uma variante de uma estrada. O troço de estrada nunca foi construído e a autarquia há muito que já desistiu da obra. Querem saber o que é burocracia na pior aceção da palavra? Ouçam Pedro Carreira em discurso direto:

“Aquele troço de estrada foi abandonado, mas existe um conjunto de protocolos a nível de estradas que foram publicados, há 18 anos, em Diário da República, por uma entidade, que entretanto foi extinta, e repartido o poder por N entidades diferentes. Enquanto essas N entidades não se sentarem à volta de uma mesa, assinarem o documento protocolar e este for assinado pelos ministros da tutela, para que seja publicado em Diário da República, aquele troço não pode ser retirado.”

Quando finalmente falou com o Governo e achou que as burocracias poderiam ser ultrapassadas, eis que surge um novo pormenor: descobriram que o fim da estrada que nunca existiu “impacta com o plano de negócios das Estradas de Portugal, que vai ver a sua malha de quilometragem reduzida, e portanto vai apresentar menores lucros ou resultados financeiros”.

Enquanto a Continental Mabor espera e desespera e a expansão do armazém não avança, os responsáveis já pensam em deslocalizar parte da produção para França já que nesta altura, por falta de espaço, têm de ter os pneus armazenados no Porto de Leixões, o que não é barato.

4) Por falta de espaço, a Continental acabou por usar o parque de estacionamento da fábrica para construir a fábrica de pneus agrícolas que foi anunciada recentemente. Estão há anos a tentar comprar o terreno ao lado da fábrica que tem um armazém abandonado, mas descobriram que o terreno tem 60 proprietários. Desde então, tem sido uma maratona pelas conservatórias, registos e notários deste país, numa viagem burocrática que já levou os alemães a ameaçar travar a expansão do investimento em Portugal.

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17 comentários leave one →
  1. 28 Setembro, 2017 12:45

    Onde é que está o tal simplex?

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  2. José Ribeiro permalink
    28 Setembro, 2017 12:51

    Eu já tinha dado à sola com tanta burrocracia.
    País governado por gente de vistas curtas, arre!

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  3. Procópio permalink
    28 Setembro, 2017 13:04

    Fácil, o Pedro Carreira só tem que usar um avental à maneira, inscreve-se no partido certo e prometer descontos nos pneus a todos os “clientes”.
    Em Angola não precisa de avental, faz muito calor, é só ser apresentado a um general com muitas estrelas, usar tez escura e garantir a sua admiração pela democracia angolana que rolará ainda melhor com os pneus da Mabor.
    Se me quiser convidar para relações públicas analisarei a sua proposta com lisura e prontidão. A vida não está fácil.

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  4. 28 Setembro, 2017 13:19

    Um caso típico. É que pelo que foi descrito nenhum político ganha com isso, não há subsídios, incentivos, recapitalização, enfim, nada que dê uns milhõezitos. Só ganha o país, mas o que é que isso interessa?

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  5. Aventino permalink
    28 Setembro, 2017 13:36

    BEM VINDOS AO pORTUGAL VERDADEIRO.
    A PODRIDÃO ESTÁ INSTALADA À DÉCADAS E JAMAIS SAÍREMOS DISTO.

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  6. piscoiso permalink
    28 Setembro, 2017 14:05

    Para além da Continental Mabor, a multinacional controla mais quatro empresas no nosso País – a Continental Pneus, a Continental Indústria Têxtil do Ave, a Continental Lemmerz e a Continental Teves. No conjunto das empresas portuguesas, a Continental emprega mais de 2.250 trabalhadores directos em Portugal, tendo fechado o último exercício com uma facturação agregada superior a mil milhões de euros.
    Essa cena do armazém, são peanuts. O que não faltará é espaço para o construir noutro local.

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    • sam permalink
      28 Setembro, 2017 14:12

      Peanuts era deslocalizarem-te o posto de funcionário público…

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      • piscoiso permalink
        28 Setembro, 2017 14:14

        Aposta noutro que esse está errado.

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    • Aventino permalink
      28 Setembro, 2017 14:54

      paleio de xuxa…

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    • 28 Setembro, 2017 15:02

      Ahahah.
      Peanuts é deslocalizarem a produção já que nem os sucessivos (des)governos resolvem a situação!

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    • antónio permalink
      28 Setembro, 2017 22:15

      percebes tanto de indústria e fabrico de pneus como eu de lagares de azeite. Mas tens sempre a lata de vir aqui cagar umas postas de pescado como agente provocador. Pensas que enganas a quem ??

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  7. Artista Português permalink
    28 Setembro, 2017 18:42

    Quem poderia ajudar o Pedro Carreira era a deputada Isabel Moreira mas ela agora não tem tempo. Está a redigir a moção a ser amanhã apresentada em plenário da AR a manifestar pesar pela morte de Hugh Heffner, um homem de largos horizontes…..

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  8. Filipe Costa permalink
    28 Setembro, 2017 20:06

    O Simplex a carburar…… funciona tudo em papel, na era digital, sabiam que os organismos do estado repudiaram startup’s com técnologia simplex, altamente informatizada? Pois, os empreguinhos publicos são maravilhosos.

    Se ha decrescimo de crianças a nascer e alunos na esccola, a solução é contratar professores à tonelada, acho bem, só não compreendo.

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  9. colono permalink
    28 Setembro, 2017 20:27

    Será possivel?

    O Sócrates ter deixado passar esta? Estava destraído!

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  10. Aventino permalink
    28 Setembro, 2017 22:15

    Faça-se uma reliquia da lingua de Hugh Hefner. Mostrem-na por toda a Terra!
    Façam-lhe uma catedral, um memorial, elenvem-na ao nível do sagrado.
    Paz à sua memória.

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  11. Eduardo permalink
    28 Setembro, 2017 23:47

    É mais fácil e mais rápido construir uma estrada que leve a casa do senhor Toino Costa (aquele troço só tem duas mansões – Sintra) que construir um acesso a uma grande unidade industrial.
    Perguntem aos senhores Basílio e ao senhor Costa como é que isso se faz que eles explicam

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  12. carlos alberto ilharco permalink
    29 Setembro, 2017 11:51

    É absolutamente lamentável que Helena Matos não respeite os comentadores.
    Fiz um comentário, inclui um vídeo.
    Está para “superior aprovação” há dois dias.
    Quem faz isto não tem moral para criticar.

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