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Mais respeito, se faz favor

24 Março, 2018

Iniciamos a manhã com o anúncio da morte do tenente-coronel Arnaud Beltrame, o policia que substituiu uma refém no sequestro terrorista de Carcassonne de ontem. Os epitáfios dirão que foi um herói, o que só indica o estado decrépito da ética europeia: o homem cumpriu a sua função, executou o seu trabalho com zelo, dedicação e perdeu a vida, como a um militar compete, por inerência da sua função, não por heroísmo.

Ouve-se constantemente que o bombeiro Sicrano e o polícia Beltrano foram heróis após se colocarem em situação de perigo. Já os que foram mandados para o Ultramar são uns bandidos para a esquerda pensante (adoro oxímoros).

Só um mundo asfixiado na sua própria banha de confortavelmente infantilizado poderia achar que lidar com a sujidade, com tudo o que é feio, com a ameaça à paz, com a revolução, é um acto de heroísmo. Não é: é uma necessidade. Tratar o tenente-coronel como herói é desrespeitar o que estes homens representam, porque não representam heroísmo, representam a obrigação que têm para com os outros, os seus compatriotas e os seus companheiros, os que sobrevivem para escreverem romances de Facebook.

Mais respeito, se faz favor.

 

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8 comentários leave one →
  1. weltenbummler permalink
    24 Março, 2018 10:14

    os canalhas nunca morrem no desempenho das suas disfunções

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  2. 24 Março, 2018 10:16

    Muito bom post.
    Acho particularmente delicioso “esquerda pensante (adoro oxímoros)”. De facto ser de esquerda e ser pensante é uma contradição insanável.

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  3. JgMenos permalink
    24 Março, 2018 10:51

    Não me consta que haja filas de voluntários para substituírem reféns.

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  4. Expatriado permalink
    24 Março, 2018 12:07

    Excelente, Vítor Cunha. Excelente!!

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  5. Mario Figueiredo permalink
    24 Março, 2018 12:34

    Há duas coisas que me apraz dizer em relação a este polícia. Uma já o afirmei noutro local. Enquanto é de louvar o acto de profissionalismo do polícia em causa, seria primeiro necessário conhecer o refém que ele substituiu. Se fosse um defensor da vaga migratória para a Europa e um apoiante de vigílias à luz das velas e acérrimo combatente contra a islamofobia, o polícia fez mal em o substituir. Por um lado o refém estava precisamente onde sempre desejou estar, por outro lado o polícia corre o risco de ser acusado de islamofobia por combater actos terroristas em curso através da mentira e subterfúgio, próprios das medidas anti-sequestro que qualquer polícia aprende na academia.

    A segunda coisa é que este polícia vai ter dois funerais. Um, nós conhecemos bem. É o funeral circense em que o polícia é vestido de palhaço e exposto para as multidões largarem as suas lágrimas de crocodilo. Isto é, até ao próximo argelino ser abatido a tiro nas ruas de Paris enquanto disparava contra a polícia. Aí somos lembrados que os polícias são uns porcos. Este funeral que o Vitor Cunha chama a atenção de forma magistral já o estamos a ver nos media. O outro funeral, esse é o que os seus colegas lhe vão fazer. A bandeira francesa, a salva de tiros, a fotografia e o nome para sempre lembrado de mais um combatente caído. Um militar e um irmão. Esse funeral é o que qualquer polícia deseja quando lhe entregam a farda pela primeira vez. O outro funeral, esse o pobre desgraçado não se conseguiu livrar.

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  6. 24 Março, 2018 12:36

    É uma realidade, este novo pensar decrépito europeu que acha que em vez de combatermos os inimigos que nos juraram a morte, devemos acomodarmos ao “seu estilo de vida” e subsidiar-lhes a vidinha com dinheiro e casinhas após o retorno da Síria onde mataram e degolaram em nome do estado islâmico. Este pensar europeu medroso está aos pouco a por em risco a vida de todos os europeus como os que ontem morreram em França.

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  7. José Domingos permalink
    24 Março, 2018 14:14

    Quem nunca fez serviço militar, poderá pensar doutra maneira. Este irmão de armas fez o que lhe competia, pensou no próximo.
    Honra e glória
    Mais que isto é conversa de pocilga.

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  8. FGCosta permalink
    24 Março, 2018 20:45

    Vá lá que, atendendo ao facto de se ter oferecido para trocar de lugar com uma refém, ainda não apareceu ninguém a considerar que foi um acto de paternalismo machista

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