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A abstenção tem que acabar e é já

3 Junho, 2019

Depois do choque pelo resultado do PAN, com a consequência de todos procurarem um ambientalista para embalsamar em generalidades sem sentido escarráveis em programas eleitorais, emerge o gravíssimo problema da abstenção. O português é assim, só está bem a resolver problemas cuja existência ignorara durante centenas de semanas precedendo as eleições. Subitamente, sem os preparos de um bom jantar seguido de cinema, eis que saem do covil os defensores do voto obrigatório.

Em que consiste o voto obrigatório? Consiste na obrigação de manifestar a indiferença pelo resultado da eleição por meios mais activos, como ir agredir velhotes, roubar carteiras por esticão ou, calhando, violar uma ou duas pelo caminho para exercer o seu direito compulsivo. Não é que os abstencionistas sejam todos ladrões e violadores: isso seria preconceito e o que a história recente nos mostra é que a classe social da delinquência não só tem hábito de votar como tem especial apetência para concorrer às eleições propriamente ditas. Todavia, como algo tem que ser feito para combater a votofobia, tal como é suposto combatermos todas as fobias inventadas, mais vale que o individuo que escolheu não se manifestar nas eleições seja obrigado a o fazer em sede própria, em total liberdade compulsiva, para o bem da democracia e blá blá e coisas assim. Pode colocar-se a GNR em rotundas e, ai de quem não apresentar o recibo do voto: fica logo com o carro apreendido, que é para aprender.

Há quem argumente que a ideia do voto obrigatório é trazer as pessoas que não votam para a responsabilidade social pelas políticas a implementar. Quais responsabilidades sociais? Quais políticas a implementar? A atitude mais sã perante os últimos quatro anos é a de não querer ter nada a ver com isto. Não ir votar é um direito fundamental básico de uma democracia liberal.

Já sei que é preciso mudar mentalidades: poderíeis era começar pelas vossas.

14 comentários leave one →
  1. Prova Indirecta's avatar
  2. Tiro ao Alvo's avatar
    Tiro ao Alvo permalink
    3 Junho, 2019 11:55

    Que os não votantes deveriam ter algumas sanções, parece-me mais que evidente. Votar não é só um direito, é também um dever. E quem se abstém sem razão, não deveria considerar-se apto para desempenhar certos papéis em que o desinteresse pela política seja manifestamente uma lacuna, como é o caso das funções dos autarcas.
    Quem não quer votar, não merece ser eleito presidente da Junta…

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  3. MJRB's avatar
    MJRB permalink
    3 Junho, 2019 12:39

    Óptimo, VCunha.

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  4. MJRB's avatar
    MJRB permalink
    3 Junho, 2019 12:40

    Agustina. RIP.
    O Estado devia anunciar aos tugas luto nacional durante 3 dias.

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  5. zazie's avatar
    3 Junho, 2019 13:02

    Ainda por cima votos para a UE, onde quem manda nem é o parlamento mas a Alemanha.

    Quanto muito lá aprovam umas merdas totalitárias para imporem a toda a gente.

    Por isso, a votar, só contra o totalitarismo.
    Ora por cá, mesmo sendo poucos, todos adoram eleger totalitários.
    O que é a anormalidade maior, por se dizerem democratas, à conta do amor a ditaduras.

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  6. O Pica-Miolos's avatar
    O Pica-Miolos permalink
    3 Junho, 2019 13:58

    O voto deveria ser um direito apenas de quem contribui para a sociedade (ou seja, anexado aos impostos pagos/quem paga efectivamente – não isento).

    Quem contribui para todos, merece escolher para onde vai o seu dinheiro, é lógico. Evitaria muita corrupção politica e seria uma forma de democracia mais representativa das necessidades dos cidadãos, evitando despesismo.

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    • rogerio alves's avatar
      rogerio alves permalink
      3 Junho, 2019 17:04

      Fazia sentido até que o voto contasse de acordo com a taxa de IRS que se paga, ou fazia sentido que fosse factorizado ao QI de cada um. Mas não seria uma democracia. Não digo que não fosse um sistema melhor do que a democracia, mas não seria uma democracia.

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  7. Artista português's avatar
    Artista português permalink
    3 Junho, 2019 15:18

    Apesar de não ter votado PAN e de desconfiar de que nunca irei votar por aqueles lados, talvez se esteja a exagerar nas críticas que estão a fazer a este partido. Seria melhor que se analisasse primeiro o porquê no voto neste partido. Não, não é por já haver um partido “Verde” que se tem esfalfado na defesa de políticas ambientais tais como a luta dos professores ou o contrato da CM de Loures com o genro do Jerónimo. Partidos novos começam a despertar as atenções do eleitores, fartos das aldrabices daqueles que até hoje têm monopolizado o parlamento. Muita gente já não os tolera e passou a votar nos pequenos. Fenómeno idêntico já se observa noutros países europeus. E o PAN será um deles. Talvez não seja por mérito próprio que o PAN obteve tal resultado. Não surpreenderia que fosse mais por demérito dos trapaceiros, perdão, partidos do costume. Criticar o PAN pode até ser visto como uma tentativa de deixar estar tudo como está .Ou não?

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  8. AntonioF's avatar
    AntonioF permalink
    3 Junho, 2019 15:43

    Se me permite, caro Vitor Cunha, recordo:
    «Claro que é politicamente incorrecto hoje defender a obrigatoriedade do voto, embora, como a memória é curta, seja de recordar que esse era um ponto que constava do programa eleitoral da Aliança Democrática em 1979, na época liderada pelo sempre invocado (quando tacticamente dá jeito) Francisco Sá Carneiro»

    In: https://www.publico.pt/2009/07/12/jornal/voto-obrigatorio-sim-com-uma-condicao-17262403

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  9. Rão Arques's avatar
    Rão Arques permalink
    3 Junho, 2019 17:53

    QUAL ABSTENÇÃO ?
    “E antes de mais lutar contra a abstenção. Não ir votar é ceder, condescender, não cumprir um dever”. Ir votar também pode ser compactuar com um sistema eleitoral distorcido na arquitectura, e viciado até na contabilidade de votos negados no acto. Os contornos do que parece ser uma misteriosa dualidade de critérios e que um vulgar cidadão eleitor exterioriza merece ser esclarecida. Questiono por minha conta: Continuam a misturar abstenção com insondáveis razões de ausência em corrente avulsa. Quem tem medo de um campo (X) para esse efeito em cada boletim de voto? Esta intransmissível , pessoal e inconfundível opção merece e deve exigir a dignidade de voto validamente expresso. Posso lavrar o meu protesto não indo votar, por me estar vedada a possibilidade de presencialmente me abster querendo. Uma civilizada, consciente e ponderada escolha obrigada a ficar na rua em vala comum de incertos? Quero ser crescido como os nossos deputados, que na Assembleia da República, apesar da aviltante disciplina partidária a que se submetem, para se abster tem que marcar presença. Utilizo uma respeitável forma de anular o voto desenhando no boletim um campo próprio escrevendo abstenção seguido da competente cruzinha (x).

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  10. Sérgio Gonçalves's avatar
    Sérgio Gonçalves permalink
    3 Junho, 2019 22:25

    Eu acho que o voto devia ser obrigatório desde que quem votasse fosse responsabilizado (judicialmente) pelas suas escolhas.

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