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as sociedades humanas são compostas por indivíduos e não por agregados sociológicos inanimados («pretos», «ciganos», «gays», «arianos», etc.). ah!, e, já agora, também eu me estou nas tintas para as quotas

11 Julho, 2019
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O principal óbice do tão comentado artigo da Maria de Fátima Bonifácio, que é inequivocamente uma mulher culta e inteligente, é que foi escrito por uma mulher que incorporou os esquemas mentais da esquerda, na sua juventude, e hoje, considerando-se de direita, mantém as mesmas categorias analíticas, ainda que lhes dê uma coloração diversa. Diga-se, aliás, que está longe de ser caso único, e que isto se encontra em inúmeras pessoas que não mudaram tanto os seus esquemas mentais de juventude como pensam e que por aí escrevem umas coisas. De facto, fazer análise de comportamentos colectivos, vistos por categorias sociológicas gregárias («os pretos», «os chineses», «os ciganos», «os gays», etc.), é do mais iliberal que se pode conceber, porque a liberdade assenta no pressuposto da acção individual e em que cada indivíduo é uma persona completa e diferente de todas as outras. Ora, estas análises de comportamentos colectivos são próprias do socialismo positivista sociológico do século XIX e de Marx («o proletariado», «a classe dominante», etc.) e nunca explicam coisa nenhuma a não ser o que vai da cabeça dos analistas. Que por vezes, como no caso de MFB, é um pré-conceito,o que piora as coisas, embora, reconheça-se, a este tipo de análise subjaz sempre um preconceito instigador e limitador, pelo que também aí não é original (vejam-se, por exemplo, «os ricos» das meninas Mortágua e Martins, os «patrões» do sr. Arménio). As sociedades democráticas e liberais vivem de indivíduos, de pessoas concretas que agem para diminuírem seu desconforto existencial, e que se estão nas tintas para os agregados sociológicos, não se deixando condicionar, no seu dia a dia, por esse tipo de pseudo-ciência (por exemplo, um cigano levantar-se e dizer: «já que não faço parte da «cristandade», não tenho de cumprir o Decálogo, logo, vou para o Rossio roubar umas carteiras e vender maconha»…) . Quanto ao mais, a MFB tem de dispor da liberdade para expressar o que pensa, pense o que pensar, mas também ninguém se poderá ofender se outros pensarem de forma radicalmente diferente. Como é o meu caso.

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7 comentários leave one →
  1. Luís Lavoura permalink
    11 Julho, 2019 10:15

    a liberdade assenta no pressuposto da acção individual

    Sim, mas esse pressuposto é um preconceito como os outros.

    a este tipo de análise subjaz sempre um preconceito instigador e limitador

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  2. Luís Lavoura permalink
    11 Julho, 2019 10:17

    indivíduos […] que se estão nas tintas para os agregados sociológicos, não se deixando condicionar, no seu dia a dia

    Alguns indivíduos estão-se nas tintas e não se deixam condicionar. Outros, não tanto assim.

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  3. ATAV permalink
    11 Julho, 2019 12:05

    Eu faço um resumo para quem não tem paciência de ler com atenção:

    A culpa dos preconceitos e do racismo que a Maria de Fátima Bonifácio (MFB) derramou naquele artigo é da esquerda. Malditos socialistas!!!

    O rui a. acha que a pessoa MFB não tem responsabilidade individual alguma. Enfim, são as maravilhas do liberalismo que se defende nesta casa! Responsabilidade pessoal serve apenas para justificar que as pessoas permaneçam na pobreza.

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  4. Oscar Maximo permalink
    11 Julho, 2019 12:17

    A moda comuna da “áfrica para os africanos” já passou. Agora a moda é outra, e parece que nunca mais chegamos á moda de escrever cartas ao Putin para receber os migrantes na mãe Rússia.

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  5. pitosga permalink
    11 Julho, 2019 13:03

    Muito bem Rui A,
    Esta paíseco foi, é, e será habitado por malta que só ‘sabe o Padre Nosso até ao venha a nós’.
    Felizmente, por cada século aparece um Homem que põe a malta na ordem e a TRABALHAR.
    Tem sido assim desde o início de Portugal — agora um paiseco.

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  6. Jornaleco permalink
    11 Julho, 2019 14:38

    Isto faz me lembrar a seita altamente criminosa e insensata do islão.

    Se algum ser humano quiser deixar de ser muçulmano e abandonar aquilo, as regras prevêem a morte, a condenação à morte.

    Isto todos têm a obrigação de o saber. Aqui é sabido. E lá fora, quanto mais souberem, melhor.

    Essas putas do islão não permitem o abandono, daqueles que eles enganam, dia após dia.

    E qual a diferença entre a seita mais criminosa de todos os tempos e este nosso esterco em Portugal (a segunda seita mais criminoso de todo o mundo)?

    Em princípio nenhuma.

    É por isso, que eles se dão também um com o outro e andam a convidar esse esterco para aqui em Europa.

    Sem nos pedir autorização!

    Porque nós, nos olhos dos nossos cretinos e asnos da esquerda fascista somos pessoas de segunda classe. Tal igual ao islão. Quem não for muçulmano, nada vale.

    Isto é parte da guerra, que eles (a esquerda fascista e o islão em conjunto) praticam contra nós, desde sempre, desde o primeiro dia.

    Até quando?

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  7. Albano Silva permalink
    11 Julho, 2019 22:53

    Se bem entendo o texto de rui a., devo concluir que há apenas e só uma ténue diferença entre “analise a comportamentos colectivos” e “generalização”, certo?
    Aquela que não deve ser feita quando está em causa a crítica a uma seita, a um colectivo?

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