Lembrem-se que as depressões não serão toleradas
Há três motivos pelo qual Portugal é e continuará a ser um país jacobino, independentemente das novas forças partidárias no parlamento ou até por causa delas, ao demonstrarem uma aptidão para a ruptura.
Degradação irreversível das instituições
Do primeiro-ministro, que nem falar sabe, à oposição centrada na forma como deve o estado endividar-se, não no repensar do papel que este deve ter e num plano exequível para o atingir. Os velhos partidos, vistos pelos novos como ancien régime – quer pelos que trazem a redução do número de deputados à baila, quer pelos que se lamentam que a distribuição de deputados favorece a tirania de uma classe política em que não se revêem por se auto-catalogarem como virtuosos num sistema corrupto – não têm capacidade de regenerar os seus quadros, limitando-se a reciclar o velho modelo de “uma indignação por dia dá saúde e alegria” que reforça, através do reconhecimento, que não há nada que possam oferecer para mitigar a degradação das instituições.
Mensagem nova é a mensagem velha de virtude (ou do Homem Novo)
Da culpa decorrente do pecado original – num ambiente laico terá sempre que ser um new-ageísmo qualquer como a culpa do tetravó do bisavô por ter possuído um escravo – à proclamação de políticos virtuosos contra os degenerados que pretendem determinar todos os aspectos da vida das pessoas. Conquanto o caso do escravo é meramente tropical e facilmente adaptável a novas modas sem esforço, o da virtude é uma reciclagem ideológica das velhas lutas do IIIº Estado com a aristocracia e o clero que, desde 1789, têm atazanado – se não destruído – a vida dos simples habitantes dos lugares subjugados a mais um período de -ísmos rumo ao Homem Novo e suas variações.
Inexistência de uma elite cultural com relevo e independente do poder executivo
A saída profissional do intelectual é a nomeação política, a subserviência à agenda do jornal (ou publicação) perante uma abismal falta de público, a aquisição – ou supressão – partidária quer na academia, quer na imprensa, ou a total obscuridade que um sistema centralista origina. Como tal, são uma e uma só família num circuito de realimentação que não permite dissidência punida com esquecimento e desemprego. A ligeira abertura que foi permitida com o advento da comunicação digital em massa pelo cidadão interessado rapidamente foi obliterada com os brutais monopólios que são as redes sociais, estruturas que fragmentam a comunidade em castas estanques de auto-validação e providenciam doses de dopamina em forma de métricas de likes, uma substituição de tabaco para os tempos do politicamente saudável.
Se o leitor tem aversão ao marasmo, tenha paciência: nada do que aqui mudar será por intervenção local. Contudo, pode sempre manter a fé na possibilidade das coisas correrem mal lá fora, pelo que deve manter a esperança de que a sua vida pode sempre tornar-se pior. Importante é não desistir.

Concordo na parte a que chama “elite cultural”, na qual incluo os que devem marcar o objectivo da governação, mas discordo que “nada do que aqui mudar será por intervenção local”. O Pedro Passos Coelho falhou pela primeira causa, não porque a maioria dos eleitores não apoiassem uma mudança efetiva. Por exmplo, porque esperou ele tanto tempo para privatizar a TAP e os transportes de Lisboa e Porto. Porque deixou a CP continuar a apodrecer? Porque não fechou a Lusa e a maioria da RTP. Porque não reformou o sistema eleitoral?
Ou seja. O que ele fez foi muito, mas faltou-lhe a coragem para ser consequente na acção, fechando a porta ao retrocesso reacionário.
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Roma & Pavia não se fizeram num dia…
No meu humilde entender, quem falhou foi a parte do povo tuga que não votou em PPC em 2015!
Se não perceberam (ou não quiseram perceber) o que se passou, não há muito mais que se possa fazer (dentro das regras democráticas).
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Votei num dos partidos da PaF em 2011. Em 2015, só de arma apontada à cabeça.
Caí na esparrela do “partido dos contribuintes”, para depois ter aumentos de impostos sucessivos.
Reformar o Estado, cortar despesa, foi tudo por um canudo. Os observatórios e institutos inúteis continuam a pesar nos burros de carga (15%) que pagam a maioria (85%) dos impostos.
Não se cortou nas vagas e fechou cursos universitários com mercado de trabalho saturado.
A RTP continua pública, a receber 300 milhões por ano, para depois vir dizer com pompa que deu 40 milhões de lucro (se isto não é gozar com a cara dos contribuintes, não sei o que é).
Votar em socialistas? Toma…
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Porque é que aqueles que se dizem não socialistas votam em partidos socialistas como o PSD e CDS?
basicamente parece que só lhes interessa a cor da camisola, não têm ligação nenhuma à política.
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Portugal é essencialmente um país sebastianista e fatalista, agravado com a sua condição de país católico. De jacobino ou iluminista nada tem. Éa minha opinião.
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LIXO INSTITUCIONAL
As raparigas desviadas se nada melhor conseguirem para os seus bebés ficam descansadas se os depositarem nos contentores de detritos..
A ministra da saúde, cabeça de lixo, já informou que o SNS com o seu alto patrocínio tem todas as condições para proceder à recolha e adequado tratamento destes recém nascidos.
A que se junta o acompanhamento celestial de um inerte Marcelo carregado de televisões para que nada falte à sua própria e ininterrupta propaganda.
Isto está uma latrina de elites a céu aberto.
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Essa história ainda está muito mal contada!
O momento da retirada do recem-nascido do eco-ponto foi filmado por câmara manual, não é vídeo vigilância fixa pois a imagem ajusta-se!
A judite não quis divulgar a nacionalidade da suspeita parturiente, mas seja qual for, o que se pode concluir é que para consumo externo somos um país disponível para receber mais e muitos mais imigrantes (desde que a UE pague), mas depois a evidência é que
o país não tem condições para os que já cá estão (nativos ou não)!
Basta ver a história do “achador” ! Como é que o Celito, que tanto convive com os “sem abrigo”, ainda permite que um trabalhador da construção cívil adoece e vai para ao olho da rua !
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O Celito não passa da caspa do sistema.
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Mais uma vez, o vitor marca pontos, Um pequeno reparo sobre a frase:
“Contudo, pode sempre manter a fé na possibilidade das coisas correrem mal lá fora, pelo que deve manter a esperança de que a sua vida pode sempre tornar-se pior”.
Se é verdade que vida pode sempre tornar-se pior, dentro de pouco tempo poderemos dizer que pior vai ser cada vez mais difícil.
“Lá fora” não é só a UE decadente, com moscovici, draghi, merkel em apoio às famiglias.
Quando cessar a mama vai correr pior num primeiro momento. Vai.
Há o segundo e o terceiro momentos em que o rei aparece nu mesmo com selfies,
O bom tempo não dura sempre para os mesmos, pesem todas as artimanhas.
Continuará a perecer muita gente, nas urgências, onde os profissionais deixaram de poder assumir o risco, nas farmácias onde já faltam medicamentos e nas filas de espera onde crescem as maleitas à espera de diagnóstico.O problema é quando soar o alarido.
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As depressões não são toleradas? pois com muito estudo até podemos chegar aí…e podemos não chegar…. contudo… https://www.jn.pt/nacional/eurodeputado-pedro-silva-pereira-condecorado-pelo-imperador-do-japao-11497086.html… aonde podemos chegar… a ter um espaço de reflexão?…. perdoem-me a expressão mas o crime jacobino compensa…
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