Não é que fosse difícil de prever
Não é de hoje a minha antipatia pelo partido Iniciativa Liberal. Não que interesse a alguém, mas considero que desde a sua formação há uma componente mística do liberalismo assente num neo-paganismo bizarro, uma conexão hipster entre princípios doutrinários arranhados ao liberalismo clássico e a fusão do capitalismo com a elevação de uma religião laica atraente a bloquistas que desgostam dos batuques de djembés.
Após uma fase de notória evidência para que a motivação do partido fosse a de pegar nos mesmos temas identitários do Bloco de Esquerda pelo prisma de sapatos de vela, e sob risco de extinção precoce, o partido teve uma liderança que permitiu apaziguar o ímpeto progressista com propostas mais ou menos bem conseguidas de modernização do país para fora das amarras ineficientes da esfera estatal. Todavia, apesar de um resultado eleitoral surpreendente, a insustentável manutenção dos ímpetos fervorosos pela renovação social com trela curta – se não estás satisfeito com o teu país, muda o seu povo, já diria um Mao – revelou-se com a demissão do líder e o consequente regresso do partido às suas origens.
Pode até crescer eleitoralmente: o Bloco também cresceu. Contudo, será sempre crescer pelo aburguesamento dos tipos de djembé, não pelo eleitorado cuja preocupação é se terá ou não reforma. Ou, se tudo correr bem, extinguir-se-á sem alarido na redoma das certezas que o mundo moderno cria nas ilhas privadas da psique de cada um. Depois dos cartazes criativos não há mais nada a vender a eleitores que não hubris. Também estou certo que muitos amigos que ainda conseguem fazer o difícil exercício de se reverem no partido acabarão por pacificamente e sem espalhafato dedicarem-se a coisas mais nobres como a de deixarem de atribuir novas funções ao estado. Até porque para um Bloco de Esquerda que quer pagar menos impostos já temos, para o que daí é exequível, o Bloco de Esquerda.

Partido novo só há um,
o do André Ventura e mais nenhum!
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Assino por baixo, pelos cantos, por todos os lados.
Como dizia o Dragão, uns são muito verdinhos por dentro e vermelhos por fora e outros ao contrário- duas faces da mesma moeda.
Para mais causas de Admirável Mundo Novo já temos os que se assumem como de Esquerda.
Se os outros que dizem ser anti-Estado querem o mesmo fingindo-se fora do Estado mas dando mais poder ao Estado para legislar o mesmo- são os jacobinos de sempre.
Portugal tem esta sina- até os Liberais sempre foram jacobinos de esquerda.
Não temos Direita por causa disto.
Faltam conservadores que não precisam de utopias nem de revolucionarismos, nem tenham pancas independentistas por serem internacionalistas com preconceitos contra a sua própria Nação.
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Ja por aqui o escrevi. A unica solucao viavel passa por uma lideranca conservadora tomar o PPD e a partir dai construir uma solucao governativa corajosa, que reverta as maluqueiras dos ultimos 5 anos e solidifique uma alternativa que preserve a identidade de Portugal.
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“…coisas mais nobres como a de deixarem de atribuir novas funções ao estado…”
pior que isso, vão de trela atrás do complexo Jornalista-Político Marxista
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