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«Super Mário» Draghi, o herói do momento.

12 Setembro, 2024

O relatório de Mário Draghi sobre a competitividade da União Europeia foi recebido de forma maravilhada por muitos dirigentes políticos e comentadores da nossa praça. Há muito que não se assistia a tanto entusiasmo com um social-democrata adepto de políticas keynesianas.  

O documento elaborado conclui, e bem, que a União Europeia não é competitiva, carece de liderança tecnológica e está atrasada na produtividade e no crescimento após anos de intervenção estatal, planos ditos de estímulo, política monetária expansionista, taxas de juro negativas e centralização de políticas. Mário Draghi acrescenta, e bem, algo que já está diagnosticado há imenso tempo e hoje parece ser mais consensual: a União Europeia precisa de desburocratizar e diminuir a regulação estranguladora na inovação e do aumento da produtividade.

Mas convinha que esta gente que está agora encantada pelo Super-Mário dizer o óbvio tivesse um módico de cepticismo crítico e os fizesse descer à realidade terrena. Desde logo alguém acredita que a centralista e estatista Von der Leyen terá mesmo vontade de implementar a desregulamentação e desburocratização do diagnóstico Draghi? Por outro lado, porque as soluções preconizadas por Draghi são uma continuação da receita que tem levado a União Europeia a definhar. Depois do fiasco dos contraproducentes fundos do Next Generation atirados para a economia a pretexto da covid19, fala-se de um novo Plano Marshall de dimensão redobrada, um mito e uma falácia histórica que na melhor das hipóteses foi irrelevante para a recuperação do pós-guerra e mais realisticamente contribuiu para prolongar a crise.

Apesar de o problema não ser falta de dinheiro mas sim políticas económicas intervencionistas, Draghi admite que dos 800 mil milhões de euros/ano de investimento adicional que diz ser necessário na União Europeia, apenas 400 mil milhões de euros/ano venham dos Estados, que é como quem diz, dinheiro retirado adicionalmente aos contribuintes actuais e futuros. Isto, acompanhado da estapafúrdia ideia de recurso a mais dívida pública e emissão de euro-bonds. Portanto, a solução parece ser mais uma vez tirar dinheiro à economia privada para depois devolver à economia privada, mas segundo o critério de burocratas. Vai correr pelo melhor…

Entretanto, a CIP — Confederação Empresarial de Portugal saliva com mais uma bazuca a que os interesses instalados se possam abarbatar e já veio pedir novos apoio públicos a investimentos do setor privado.

Iremos de bazuca em bazuca até à pobreza total. Porém, Draghi é o herói do momento que os políticos adoram e a oligarquia implora.

A minha crónica-vídeo de ontem, aqui:

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  1. balio's avatar
    balio permalink
    12 Setembro, 2024 09:31

    a estapafúrdia ideia de recurso a mais dívida pública e emissão de euro-bonds. […] tirar dinheiro à economia privada para depois devolver à economia privada, mas segundo o critério de burocratas

    Ainda pior quando o dinheiro dos euro-bonds não serve para devolver à economia privada da Europa, mas sim para mandar para a Ucrânia.

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