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Momento extraordinário em que fingimos ser europeus durante uns segundos

15 Outubro, 2024

Is it better for a man to have chosen evil than to have good imposed upon him? — Anthony Burgess, “A Clockwork Orange”

Após a surreal diabolização súbita de Putin a propósito da substituição americana de um Saddam Hussein melhorado na figura do grande herói do momento — aquele que pode gozar de um certo período de graça até ser devidamente… digamos… regado de humildade e/ou benzina —, eis que a Europa pode aplaudir alegremente o Leviatã ou a grande serpente. Ouvi atentamente, na medida do (pouco) possível os comentários nacionais sobre a “reeleição” (já lá vamos) da maldade em estado puro para a Comissão Europeia, não encontrando qualquer sinal de alarme, pelo que tudo está bem, shalom alechen, que Deus e/ou Trump a guarde.

Vozes dissidentes? Afastadas. Afinal, a senhora distribuiu vacinas pela plataforma piramidal que é a zona euro. Explicações ao parlamento? Para quê, se temos conferências de imprensa para muito melhor efeito? Manutenção de uma certa hierarquia de controlo? Para quê, se nem Zelensky consegue manter chefias de forças armadas mais que o tempo necessário para enterrar umas dúzias de dispensáveis (no entanto, agradece-se a contribuição pela diminuição de emissões de CO2 antropogénico).

“Subida da extrema-direita” pela Europa fora requer medidas fortes, femininas, teutónicas, até um bocadinho nazis. Da mesma forma que uma pessoa tem que gastar dinheiro para ganhar algum, o combate ao fascismo também requer uma certa dose de medidas fascistas. É tudo pelo bem colectivo et al e o raio que vos parta, bando de extremistas multi-fóbicos e/ou degenerados. Quem falta para preencher o ramalhete do poder absoluto da senhora von der Leyen? Nada mais, nada menos que o pacóvio que delapidou todo o capital que o Partido Socialista Português conseguiu ao longo dos últimos 50 anos. Vai ser um excelente bibelot porque calado sempre foi um grande poeta. Graças a YHWH que Montenegro já avançou com a OPA sobre mais um grupo de  “jornalistas independentes” a ver se passamos todos a cantar o mesmo hino, que até pode ser a nona acompanhada de um copinho de leite.

É continuar aí entretidos com o diz que disse de um orçamento ridículo que serve para discutir para onde vão as migalhas.

7 comentários leave one →
  1. freakonaleash's avatar
    freakonaleash permalink
    15 Outubro, 2024 12:30

    A guerra na Ucrânia acontece porque em 2014 a UE anexou a Transnitria, ou foi por ter anexado Kaliningrado?

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    • vitorcunha's avatar
      15 Outubro, 2024 13:38

      Este post não é sobre coisas que devem ser ditas em 2014, é sobre coisas que não podem ser ditas em 2014.

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    • Vítor's avatar
      Vítor permalink
      15 Outubro, 2024 16:23

      Ó morcãozeco, a transnítria, foi anexada pelos teus amigos ,putin e companhia há poucos anos, já kalinegrado foi também roubada,pelos teus amigos sociais fascistas estalinistas, no fim da 2a guerra mundial.

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      • freakonaleash's avatar
        freakonaleash permalink
        16 Outubro, 2024 13:53

        Sarcasmo, sabe o que é?

        Woosh!

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  2. RC - Beirão's avatar
    RC - Beirão permalink
    16 Outubro, 2024 18:32

    A subida da extrema-direita pela Europa fora está a deixar esta gentinha com pele de galinha; pior, é um osso entalado na garganta dorida da esquerdalhada em geral.
    Belo post. Parabéns.

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  3. passante's avatar
    passante permalink
    20 Outubro, 2024 17:04

    “EU and lace panties.”

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  4. J's avatar
    20 Outubro, 2024 18:40

    Que sufoco ser Europeu.

    Mas pior ainda é ser português.

    É europeu sem ser.

    Portugal está na Europa.

    Mas os portugueses estão no Mundo

    E nesta área, em portugal tamanha é a confusão da situação.

    Que apanha maior pena de prisão um português que mande um piropo a elogiar a bunda de uma mulher, do que um magrebino que mate uma mulher.

    Sei que há questões religiosas e culturais mas espanta o silêncio da femeninistas.

    Talvez a esquerda esteja há espera de uma identidade agora que se está a definir.

    Aparecem três esquerdas:

    A conservadora/estalinista.

    A LGVT.

    A intelectual.

    A separação destas últimas ocorre devido ao crescimento do LGVT aparece muito parolo LGVT.

    Ou seja para ser intelectual não é preciso ser LGBT, basta respeitar todas as outras culturas que são superiores à cultura portuguesa.

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