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Carta Aberta a Luís Montenegro

24 Maio, 2025

Fui militante do PSD até ao surgimento de novos partidos à direita. Confesso que a saída de Passos Coelho, deixando um vazio de liderança no partido, foi decisiva para a mudança do meu voto. Como podia aceitar que, depois de um excelente trabalho de resgate do nosso país da bancarrota deixada por Sócrates — onde já só havia dinheiro para pagar salários públicos por mais um mês — e que deu a vitória a Passos Coelho nas eleições de 2015, mesmo com maioria relativa, este líder fosse impedido de começar a governar? (Sim, porque durante quatro anos limitou-se a cumprir o programa da Troika, não governou propriamente.) Como podia aceitar que o próprio PSD tivesse contribuído internamente para o seu afastamento?

Depois do golpe da “geringonça” e mais quatro anos de “costismo”, o mínimo que se esperava de uma AD vencedora, mesmo em minoria, era unir-se à direita e afastar o socialismo (que nos empobreceu com três bancarrotas) da governação, como denunciavam os resultados eleitorais de 2024.

Em 365 dias de governação, podia ter usado a maioria parlamentar já existente à direita para aprovar urgentemente medidas estruturais fulcrais. Mas, em vez disso, seguiu com o “não é não” do politicamente correto (porque “ficava mal” negociar com o “bicho-papão extremista” do Chega, criado apenas pela propaganda mediática, e que na verdade não passa de um partido de direita conservadora), e fez disso a sua bandeira, ignorando a vontade popular expressa nos votos dos restantes partidos à direita.

Um verdadeiro líder representa todos os cidadãos, não apenas alguns. Um verdadeiro líder nunca volta as costas à expressão popular dos resultados eleitorais. Quem insiste em ignorar a voz do povo acaba, mais dia menos dia, por perder o seu apoio. O crescimento exponencial do Chega é prova disso mesmo.

Em 365 dias, com a aprovação da maioria parlamentar à direita, podia, por esta ordem:

  • Ter auditado todo o aparelho de Estado para saber o que fazem os responsáveis públicos com o dinheiro dos contribuintes; extinguir gastos supérfluos; reduzir o Estado, em vez de ter contribuído, como foi o caso durante o seu mandato, para o seu maior crescimento de sempre. Uma governação responsável começa com uma auditoria ao aparelho do Estado. Mas isso nunca foi feito por nenhum partido. E eu sei porquê: é preciso manter algum caos na base da pirâmide para que não se observe o que se passa no topo.
  • Eliminar o “saco azul” do Orçamento de Estado.
  • Criar medidas estruturais e imediatas de combate à corrupção nos cargos públicos, de norte a sul do país.
  • Estabelecer objetivos sérios de prejuízos zero para as administrações públicas, substituindo-as através de concurso público sempre que não os cumprissem.
  • Expulsar quem estivesse irregular no país, com cadastro ou que tivesse cometido crimes em território nacional.
  • Acabar com as listas de espera na saúde, fazendo protocolos com privados, permitindo que, com apenas uma credencial do médico de família, fosse possível realizar cirurgias, consultas ou tratamentos em qualquer hospital privado do país, enquanto se reformava o SNS.
  • Repor os contratos de associação com escolas privadas, garantindo a liberdade de escolha na educação.
  • Eliminar imediatamente a doutrinação ideológica de género nas escolas, suprimindo a sexualização precoce de crianças e os tratamentos de mudança de género em pré-adolescentes.
  • Abrir concursos públicos para mais creches e habitação social, recuperando imóveis do Estado.
  • Celebrar protocolos com privados nos transportes públicos, tornando-os mais eficientes, mais baratos e mais acessíveis.
  • Retirar o nosso país da Agenda 2030, que representa uma tentativa de controlo absoluto das populações. Em vez disso, apoiou-a e alinhou com Ursula von der Leyen na censura das redes sociais.
  • Criar mecanismos de transparência no setor público, como uma plataforma acessível ao cidadão com dados detalhados sobre toda a atividade do Estado: pagamentos, compras, impostos cobrados e sua aplicação.
  • Incluir a participação popular nas decisões públicas com impacto na sociedade, como acontece na Suíça, em prol de uma verdadeira democracia.

O país está farto de politiquice entre esquerda e direita. Os cidadãos querem ver o país a ser gerido com seriedade e rigor. Sem isso, não há Estado social, mas sim um Estado escravizador que sobrecarrega a minoria que trabalha para sustentar a maioria que vive de apoios. Isto não é igualdade de direitos; é escravidão institucionalizada.

Mas não o fez. Disse que não teve tempo. Que não o deixaram trabalhar. Como assim, se nem sequer apresentou medidas estruturais? Já observou Donald Trump? Sim, o indivíduo a quem chamam de louco, mas que em 100 dias implementou reformas estruturais que reverteram o rumo decadente dos EUA. Que me importa a retórica, se em 365 dias teve menos resultados que esse “louco” presidente americano em apenas 100?

Em vez de negociar com o Chega para reformas estruturais (e responsabilizá-lo, caso negasse), preferiu “namorar” o PS, um partido derrotado e responsável pelo estado de calamidade em que nos encontramos.

Só durante a campanha eleitoral acordou para o verdadeiro drama da imigração descontrolada. Até lá, eram apenas “sensações de insegurança”. Enalteciam-se os novos portugueses com “cidadania expresso” vendida em lojas de “souvenirs” no Bem Formoso, sem controlo, com cadastro criminal, como alguns membros do PCC do Brasil. Onde estava quando Costa assinou o Pacto Global das Migrações? Não precisa de responder: estava no PSD, a apoiar o acordo assinado em Marraquexe, que obriga os seus membros a garantir regalias sociais e financeiras a todos os migrantes.

Em resumo, enquanto esteve no poder, fez muito poucochinho:

Durante os primeiros nove meses, aprovou medidas em áreas como fiscalidade, habitação, saúde, educação, segurança e mobilidade. Mas a que mais se destacou foi esta: 55 milhões de euros para os media e apoios à comunicação social: “em outubro, foi apresentado um plano para o sector, incluindo incentivos à contratação de jornalistas e a oferta de assinaturas digitais de jornais a 400 mil alunos do ensino secundário.” De facto, uma medida de “extrema necessidade”…

Sim, o PSD apoiou a assinatura do Pacto Global para uma Migração Segura, Ordenada e Regular das Nações Unidas. Este pacto foi aprovado pela Assembleia Geral da ONU em dezembro de 2018, com o apoio de Portugal. O PSD tem mantido uma postura favorável à sua implementação e comprometeu-se, no programa eleitoral de 2024, a seguir os seus princípios e os do espaço Schengen. Não há como negar este facto. Lamento.

Agora, com o “tsunami” eleitoral de 2025 que colocou o Chega como segunda força política, vai manter o “não é não”? Vai continuar a ignorar a voz do povo que quer o socialismo fora das decisões do governo? Vai continuar o namoro ao PS das bancarrotas, da imigração descontrolada, da precariedade, da insegurança, da censura e do atropelo aos direitos fundamentais?

Ou, pelo contrário, será o líder de uma nação unida em prol do bem comum, por uma sociedade livre, próspera e ordeira, empenhado em transformar Portugal num espelho da Suíça?

Espero, enquanto cidadã portuguesa, que desta vez opte pela última.

17 comentários leave one →
  1. Apolo's avatar
    Apolo permalink
    24 Maio, 2025 12:35

    Espere sentada, Cristina. Você deve saber, melhor que ninguém, que já há muito que o PSD foi capturado pela Maçonaria e não passa de mais uma mera “oposição controlada”, gerida pelos que mandam no “Sistema”.

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  2. passante's avatar
    passante permalink
    24 Maio, 2025 13:15

    empenhado em transformar Portugal num espelho da Suíça?

    Chiça, depois de manhã olha-se para o espelho e está lá um suíço!

    Daqueles que lavam os chicotes nos livros do Astérix, e chamam a polícia se alguém puxa o autoclismo depois das dez da noite na vida real.

    Não há câmbio CHF-EUR (subiu de 0.5 para 1 nos últimos vinte anos) que pague isso. “Beware answered prayers”, como dizem no Baluquistão.

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  3. lucklucky's avatar
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    25 Maio, 2025 05:17

    O PSDois sempre que esteve no governo aumentou impostos criou novos impostos.

    A minha ultima hipótese ao PSD foi com o Governo Durão Barroso, já há 20 anos.

    Passos poderia ter feito muita coisa, o que fez foi mais uma vez aumentar impostos e criar novos impostos. Eu também sei gerir assim.

    A única coisa que mete o PSDois na ordem é votar á direita do PSD.

    Não fosse o Chega e a IL e já estaria uma cópia do PS. Ainda assim não nos livramos da woke da DGS que não sabe o que é uma mulher.

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    • Cristina Miranda's avatar
      Cristina Miranda permalink
      25 Maio, 2025 07:22

      Passos apenas executou o memorando da Troika durante o seu mandato. Portanto, era preciso deixá-lo governar nos 4 anos seguintes para depois se poder fazer uma avaliação à sua gestão. Não aconteceu porque foi arredado do poder prla Geringonça

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      • ctrocado's avatar
        25 Maio, 2025 07:36

        … o Gato das Botas só sabe dizer ‘não é não’. Prevejo que o PS vai virar à direita, e de tal forma que o PSD vai ficar à esquerda do PS…

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      • Apolo's avatar
        Apolo permalink
        26 Maio, 2025 02:37

        Convém não esquecer que uma das coisas que mais “queimou” Passos Coelho foi a sua arrogância.

        Durante a sua campanha eleitoral prometeu mundos e fundos e – ao assumir o cargo – volyou atrás em tudo e mandou “apertar o cinto”. Sem que, no entanto, alguma vez tivesse tido a humildade de pedir desculpa aos eleitores pela mudança de estratégia.

        O povo ter-lhe-ia decerto perdoado se ele tivesse assumido uma atitude humilde. Ao mesmo tempo justificando as suas acções com a ruína provocada pelo PS. Mas não…deixou-se levar pela sua arrogância pessoal e atitude de “bad boy” (que sempre teve desde jovem) pensando que os resultados das suas acções falariam por si.

        Foi burro… já diziam os antigos que não é com vinagre que se apanham as moscas. Se ele tivesse assumido uma postura mais modesta e humilde teria conseguido esmagar totalmente a Esquerda durante os seus quatro anos de governação e hoje seria vista como um Salvador da Pátria.

        Foi pena.

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      • Cristina Miranda's avatar
        Cristina Miranda permalink
        26 Maio, 2025 08:37

        Passos Coelho, em 2015, foi reeleito com mais de 38% de votos. Montenegro, sem ter q cumprir com MEMORANDO da TROIKA, alcançou apenas pouco mais de 32%. Parece-me q na verdade, os portugueses discordam da sua análise. Grande abraço

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      • lucklucky's avatar
        lucklucky permalink
        26 Maio, 2025 10:25

        Mas desde quando o memorando da troika impedia de mudar?
        E desde quando o PSD ou no caso Passos disse que pretendia mudar alguma coisa?
        O PSD não quer mudar nada no país, só pretende ser um gestor do que está melhor que o PS.

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      • Cristina Miranda's avatar
        Cristina Miranda permalink
        26 Maio, 2025 14:15

        Errado. O país à data da bancarrota deixada pelo Sócrates, já só tinha dinheiro para um mês de pagamentos de salários. Um mês. Sim, era necessário manter à superfície um barco já com a proa submersa. Só quem nunca geriu nada na vida, não sabe disto. Enfim. Isto nada tem a ver com PSD, IL, CHEGA ou outro partido. Tem a ver com GESTÃO. E Passos passou nesse teste com distinção. Tanto, q quem tomou o governo a seguir, ou seja Costa, andou a vangloriar-se com os cofres do país (e que não eram mérito dele). Nós não estamos aqui a falar de ideologias. Nem de partidos. Estamos a falar de liderança e gestão. Passos , com todos os defeitos (sim, nem tudo foi perfeito), soube GERIR A BANCARROTA e RETIRAR o país do sufoco financeiro. E no final, OS CIDADÃOS agradeceram dando-lhe o seu voto DE CONFIANÇA para prosseguir, desta vez, em 2015, com a sua governação. Ganhou com 38,6% dos votos. Montenegro, nestas eleições conseguiu apenas 32%. Mas não vale a pena tentar explicar-lhe isto porque você não quer ver o q aqui está em causa. E mistura tudo. Grande abraço

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      • Apolo's avatar
        Apolo permalink
        26 Maio, 2025 14:11

        “Passos Coelho, em 2015, foi reeleito com mais de 38% de votos. Montenegro, sem ter q cumprir com MEMORANDO da TROIKA, alcançou apenas pouco mais de 32%. ”

        Eram outros os tempos e outro o contexto, cara Cristina.
        Conheci muita gente que, apesar de simpatizarem com o PSD, não votaram em Passos por não terem gostado da actuação dele. Da mesma forma que conheci quem não gostasse de Passos, mas que votou PSD porque basicamente… era o PSD. Portugal infelizmente durante muitos anos foi um país de facçõezinhas e clubinhos, do Sporting/Benfica/Porto, em que as pessoas votavam não pelo carácter do governante ou pelas propostas, mas sim porque é o “Clube X”. De modo que muita gente votou PSD porque era o clube de eleição ou porque não queriam nenhum partido de Esquerda na governação.
        Entretanto o paradigma está a mudar. Muita da velhada que votava fanaticamente nos partidos morreu ou está incapacitada. E a malta nova está descrente da política ou já começa a ter os olhos bem abertos, com a excepção dos que “mamam” do Sistema ou dos burgueses alienados, que vivem nas suas “bolhas” de luxo e sofisticação e que não sabem o que é o país real porque nunca andam de transportes públicos.

        Se o Passos Coelho se voltasse a candidatar pelo PSD talvez ganhasse, mas não acredito que fosse por uma margem significativa. Contudo, se Passos aceitasse uma candidatura pelo CHEGA… aí acredito que obteria uma vitória colossal e esmagaria todos os partidos de Esquerda. A aí acreadito também que todo o paradigma sociocultural de Portugal mudaria radicalmente, para melhor ou pior.

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  4. ctrocado's avatar
    25 Maio, 2025 07:36

    … o Gato das Botas só sabe dizer ‘não é não’. Prevejo que o PS vai virar à direita, e de tal forma que o PSD vai ficar à esquerda do PS…

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  5. Luiz da Cunha Gonçalves's avatar
    Luiz da Cunha Gonçalves permalink
    25 Maio, 2025 11:17

    Faço minhas estas palavras, embora tb acredite que o PSD vive prostituído a essa tal Maçonaria, que segundo parece entope o País, desde sempre e antes no Estado Novo…

    Contudo, acredito que com o PSD ou não… o CHEGA há-de lá chegar…

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  6. freakonaleash's avatar
    freakonaleash permalink
    26 Maio, 2025 16:10

    Eu pedia para que na revisão constitucional que vem aí que ilegalizassem cativações na saúde pública. É imoral e indecente sucessivos orçamentos de Costa apresentarem-se como campeões nas dotações orçamentais na saúde e depois não passa de fumaça.

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  7. Viriato Viseu's avatar
    Viriato Viseu permalink
    26 Maio, 2025 18:01

    Plenamente de acordo Cristina.

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  8. Viriato Viseu's avatar
    Viriato Viseu permalink
    26 Maio, 2025 18:01

    Plenamente de acordo Cristina.

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  9. Mário Marques's avatar
    Mário Marques permalink
    26 Maio, 2025 19:38

    Não sei porquê (desconfio que sei) mas não acredito no Chega do AV, desconfio que se ele alguma vez tiver a maioria, vai precisamente fazer o mesmo que todos os partidos que têm lugar na AR fizeram, provavelmente irá seguir o roteiro que está traçado para Portugal e restantes países há várias décadas.

    Já agora, sabe quem financia o Chega?, não serão os mesmos que financiaram a “Oposição Democrática” durante a “longa noite fascista”, oposição, que veio falir várias vezes o País, enquanto eles e respectivas famílias enriqueceram!.

    Pode ser que esteja errado, mas o Chega pode não passar de um partido de “Bandeira Falsa”.

    Aqui há tempos li um livro de um antigo chefe da secreta Francesa onde ele em determinada passagem diz o seguinte: “Hoje em dia, não se conquista o terreno para se ter homens, conquista-se as almas e a psique. Uma vez obtida a psique, tem-se o homem, o terreno é nosso. A maior astúcia do diabo é a de fazer crer que não existe …”

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  10. anónimo's avatar
    anónimo permalink
    29 Maio, 2025 19:15

    Gosto de ler os seus textos. Quanto à prática política por cá, vai para meio-século.
    Ineficiente sob o ponto de vista governativo por cá tudo, tudo, tudo se resume aos actos, melhores/piores, bons/maus, legais/criminosos,…, do todo poderoso Primeiro Ministros em exercício.
    Uma Partidocracia que sobrevive a esmolar uma rude União Europeia.
    Já reparou?. Esta (dita) democracia em que deputados escolhidos por um chefe de partido -óbviamente deputados de esse chefe- apenas se preocupam em fazer propaganda dele, do seu partido. Curioso emprego.
    Afinal figuras politicamente irrelevante. Presentemente tudo é uma dispendiosa cacafonia de partidos/egos, num exercício em pseudo-democracia. Não admira a inefeciência governativa.

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