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A maioria marginalizada

12 Julho, 2025

Longe vão os tempos em que as maiorias oprimiam as minorias no Ocidente. A suposta evolução civilizacional que nos trouxe até aqui — e que clamava por “igualdade de direitos para as minorias” — conseguiu um feito inacreditável: minorias com todos os direitos, mas sem quaisquer obrigações, totalmente impunes, em detrimento do restante da população, que acaba escravizada e oprimida ao menor sinal de oposição a esta injustiça. Como foi isto possível?

Para entender esse fenómeno — que está longe de ser inocente — é preciso recuar bastante no tempo. Lembram-se do marxismo reformulado por Gramsci? Essa filosofia, absorvida pelas universidades (financiadas pelas elites globalistas), doutrinou gerações de estudantes e moldou a visão de mundo da sociedade. Uma visão que passou a defender, quase dogmaticamente, as minorias sociais, étnicas, raciais e de orientação sexual, transformando essas lutas em verdadeiras agendas políticas. Para quê? Simples: dividir para reinar.

Uma sociedade fortemente fracturada é muito mais fácil de controlar. Dividida em grupos, permite desviar o foco do verdadeiro perigo — as elites globalistas autocráticas — e canalizar o conflito para dentro, colocando os cidadãos a combaterem-se entre si, até se aniquilarem mutuamente. Em outras palavras, o objectivo foi fazer com que a população se destruísse por conta própria, em vez de se unir — porque a força do povo está justamente na sua união contra o inimigo comum. E, quando esse inimigo não é claramente identificado, o resultado é o ataque mútuo, o enfraquecimento colectivo e a fragmentação social. Foi assim que os promotores da nova ordem mundial procuraram preparar o terreno para, futuramente, assumirem o poder absoluto sobre o mundo: primeiro promovem o caos; depois apresentam a solução. Vejamos:

Se a questão é a inclusão, por que não foram adoptadas medidas para integrar essas pessoas no mercado de trabalho privado ou público (trabalho voluntário social) antes de qualquer outro tipo de apoio?

Em Viana, há moradias unifamiliares em construção para pessoas que vivem à margem das regras sociais desta sociedade. Como é possível? Por que não se investiga e continua a fingir-se que, nestas comunidades, não existem negócios paralelos — a maioria deles ligados ao tráfico de droga — não declarados, e que deveriam, por isso, suspender os apoios estatais? Certas etnias não são fiscalizadas, mesmo quando possuem carros, roupas de marca, telemóveis de topo e continuam a depender do Estado. Estando em idade activa, raramente são confrontadas com o desemprego prolongado, nem se procura saber o que fazem durante o dia. Por que motivo é tão difícil, para a maioria das pessoas marginalizadas que sempre trabalharam e descontaram, aceder a um subsídio ou a uma habitação do Estado, quando realmente precisam, mas vêem estas etnias a conseguir com menos esforço? Como é possível que, actualmente, quem trabalha e contribuiu toda a vida não tenha sequer perspectiva de, por exemplo, ter uma simples vaga numa creche pública? Não deveria ser precisamente o contrário?

O Rendimento Social de Inserção (RSI) foi concebido como um apoio transitório, associado a um plano de inserção social e profissional. Na teoria, trata-se de um instrumento para combater a pobreza, promover a inclusão e responsabilizar quem o recebe. Mas na prática, cumpre-se o que está estipulado?

As obrigações legais associadas ao RSI são claras e amplas:

  • Procura activa de emprego;
  • Frequência em acções de formação;
  • Participação em programas de educação, reabilitação ou reinserção;
  • Apoio parental e familiar;
  • Participação em instituições de solidariedade social;
  • Adesão a programas de saúde pública;
  • E, acima de tudo, inscrição e contacto regular com os centros de emprego.

O incumprimento injustificado destas medidas pode, segundo a própria lei, levar à suspensão do apoio. A intenção é justa: o RSI deve servir como ponto de partida para uma vida mais autónoma, não como um fim em si mesmo. Contudo, há realidades que muitos preferem ignorar. É legítimo perguntar: estão estas obrigações a ser verdadeiramente cumpridas por todos os beneficiários? Existe fiscalização efectiva? Ou há zonas cinzentas onde o Estado fecha os olhos?

Quem vive o mundo do trabalho de perto — como é o meu caso, com mais de 20 anos de experiência empresarial — raramente, ou nunca (foi o meu caso), vê candidatos de certas comunidades étnicas a apresentarem-se para entrevistas, nem sequer inscritos via IEFP. E, no entanto, é comum vê-los, em número significativo, nas salas de espera da Segurança Social. Este não é um comentário baseado em preconceito, mas sim numa realidade visível e partilhada por muitos. A questão não é de origem ou etnia — é de igualdade de deveres. Se há obrigações associadas ao RSI, estas devem aplicar-se e ser fiscalizadas com o mesmo rigor para todos. Caso contrário, não só se alimenta uma cultura de dependência, como se cria uma percepção (muitas vezes legítima) de injustiça social para quem trabalha, desconta e, mesmo assim, tem dificuldade em aceder a uma creche pública ou a uma habitação com apoio do Estado. Não se trata de excluir ninguém. Trata-se de garantir que todos — sem excepção — sejam chamados à responsabilidade, à formação, ao emprego e à contribuição social. Porque uma política de apoios sem critérios bem aplicados não integra — separa.

Por outro lado, há tratados para as migrações, com todo o tipo de direitos que prevalecem sobre os nativos quando no passado, os refugiados eram protegidos pela ONU, em campos para o efeito, nos seus países. Por que se mudou a forma de actuar junto dessas vítimas? Eis a resposta:

Historicamente, os capacetes azuis da ONU (forças de paz) eram enviados a zonas de conflito para tentar manter cessar-fogos e proteger civis, inclusive em campos de refugiados montados nos próprios países em guerra ou em países vizinhos. A ideia era manter os deslocados próximos das suas origens, para que pudessem retornar rapidamente após o fim das hostilidades. Vários factores contribuíram para a mudança de abordagem ao longo do tempos:

1. Conflitos mais prolongados e complexos: hoje, muitos conflitos (Síria, Afeganistão, Somália, Sudão do Sul) duram décadas e não apresentam soluções diplomáticas à vista. Isso torna inviável manter refugiados indefinidamente em campos temporários.

2. Condições precárias nos campos: muitos campos de refugiados — como os na Jordânia, Líbano ou Bangladesh — tornaram-se permanentes, superlotados e inseguros, sem acesso digno a trabalho, saúde ou educação. Isso leva muitos refugiados a buscar alternativas mais estáveis.

3. Falta de solidariedade regional: países vizinhos aos conflitos muitas vezes não têm capacidade ou vontade política de acolher refugiados indefinidamente. A comunidade internacional, especialmente a Europa, assumiu parte da responsabilidade, sobretudo após crises como a da Síria em 2015.

4. Direitos humanos e compromissos internacionais: a Europa é signatária da Convenção de Genebra sobre refugiados (1951), que garante o direito de buscar asilo. Pressões da sociedade civil e da ONU também reforçaram a ideia de que é dever moral receber pessoas em risco de vida.

5. Mobilidade global e redes de tráfico: com o avanço das comunicações, redes de tráfico de migrantes, redes sociais e meios de transporte, muitos refugiados passaram a conseguir chegar por conta própria à Europa, independentemente das intenções das Nações Unidas.

6. A agenda globalista das migrações

Contudo, muitas críticas legítimas (inclusive de quem vive nos países nativos) não tardaram a surgir com esta massa descontrolada de imigrantes:

  1. Percepção de incentivo à migração em massa: embora o pacto afirme que não promove isso, alguns trechos parecem suavizar a fronteira entre migrar por necessidade e por escolha. Isso causa receio de pressão demográfica sobre os países receptores.
  2. Medo de perda de identidade cultural e coesão social: muitos cidadãos nativos sentem que a migração em larga escala, sem integração real, pode causar tensões culturais, fragmentação social e insegurança.
  3. Pressão sobre serviços públicos: quando mal gerida, a migração pode sobrecarregar sistemas de saúde, habitação e educação, especialmente em áreas pobres ou já vulneráveis.
  4. Tentativa de controlar a narrativa sobre migração: alguns críticos apontam que o pacto sugere que os Estados devem “promover narrativas positivas sobre a migração”, o que é visto como uma forma de censura indireta ou de vigilância ideológica.

De acordo com dados do SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) e do INE, até 2024 havia cerca de 1,6 milhões de imigrantes legais em Portugal, o que representa mais de 15% da população total. Isso é um crescimento muito acelerado, principalmente considerando que:

  • Em 2015, havia menos de 500 mil estrangeiros.
  • O crescimento ocorreu em menos de 10 anos, especialmente após 2022, com a nova Lei dos Estrangeiros e com a assinatura do Pacto Global das Migrações sendo um pano de fundo político.

O que isto representa?

1. Pressão sobre habitação

  • Já se sente uma crise habitacional em Portugal, com alugueres altíssimos e escassez de casas acessíveis.
  • A chegada massiva de pessoas aumenta a procura e, inevitavelmente, os preços.

2. Sobrecarga dos serviços públicos

  • SNS, escolas, transportes e Segurança Social já enfrentam limites de capacidade.
  • O aumento rápido da população estrangeira, sem aumento proporcional de investimento, causa tensões e perda de qualidade dos serviços — o que afeta tanto nativos quanto imigrantes.

3. Choque cultural e falta de integração

  • A chegada de grandes grupos, de origens culturais muito diferentes, num curto espaço de tempo, dificulta a integração e gera bolhas comunitárias.
  • Onde há falha de integração, cresce o ressentimento — e com ele, o risco de radicalização, guetização ou criminalidade.

4. Percepção de injustiça

  • Quando o cidadão português vê o Estado falhar com os seus (reformas baixas, salários baixos, falta de médicos), mas ao mesmo tempo ver recursos canalizados para integrar imigrantes, cresce a sensação de abandono — combustível para polarização política.

Sejamos realistas: 1,6 milhões de imigrantes num curto espaço de tempo é um risco real, se não houver controle, integração e investimento. O Pacto da ONU, teoricamente, não obriga Portugal a abrir as portas indiscriminadamente — isso é uma decisão política interna. O que preocupa muitos portugueses, com razão, não é o imigrante em si, mas a sensação de falta de planeamento, de consulta democrática e de equilíbrio.

O Pacto Global para uma Migração Segura, Ordenada e Regular, adoptado em dezembro de 2018 pela maioria dos países membros da ONU (incluindo Portugal), é:

  • Não vinculativo juridicamente.
  • Um quadro de cooperação voluntária entre Estados.
  • Baseado na soberania nacional: o próprio texto afirma, logo no início, que os Estados mantêm o direito soberano de determinar a sua política migratória”. A ONU, teoricamente, com o seu Pacto Global para a Migração, não impõe obrigações legais nem sanções.

A União Europeia, sim, tem mecanismos vinculativos que podem obrigar os Estados-membros a acolher migrantes ou, em alternativa, pagar compensações. Aqui sim, entra a parte vinculativa. Ora, vejamos:

Reformas do Pacto de Migração e Asilo da UE (adotadas em 2024):

  • Prevê um sistema de “solidariedade obrigatória” entre Estados-membros.
  • Cada país tem três opções:
    1. Receber um número mínimo de requerentes de asilo;
    2. Pagar compensações financeiras (por exemplo, 20.000€ por cada pessoa que recuse acolher);
    3. Apoiar de outra forma (logística, segurança, etc.).

Ou seja, Portugal, como Estado-membro da UE, pode ser chamado a acolher ou pagar — mas isso vem de Bruxelas, não de Nova Iorque (ONU). O Pacto da ONU é uma declaração de princípios sem força legal. A UE, sim, tem mecanismos obrigatórios com consequências concretas (financeiras ou políticas) se um país se recusar a participar no esforço de acolhimento. A UE definiu um valor de pelo menos 20 000 € por migrante que um país opta por não realojar. Esse montante destina-se a um fundo comum, que financia projectos nos países que acolhem pessoas deslocadas. O mecanismo é parte do novo Regulamento de Gestão da Migração e Asilo da UE (AMMR), um sistema de “solidariedade obrigatória” adoptado em 2024 e em vigor a partir de 2026.

A UE estabelece um valor mínimo de 600 milhões de euros por ano para contribuições financeiras no âmbito da solidariedade. Também há uma meta anual de realojar pelo menos 30 000 pessoas entre os Estados‑membros. Se a meta não for atingida (menos de 60 % do valor mínimo), impõe‑se automaticamente a obrigação de compensar financeiramente — seja através dos 20 000 €, seja outro formato equivalente .

A Lituânia, segundo o seu ministro do Interior, terá de escolher entre acolher cerca de 158 migrantes por ano ou pagar cerca de 3,16 milhões de euros, resultante da taxa de 20 000 € por migrante.

A UE tem mecanismos de apoio financeiro para os países que acolhem migrantes — mas esses apoios:

  • Não são automáticos, como um subsídio fixo por migrante;
  • Vêm de programas como o Fundo para Asilo, Migração e Integração (FAMI);
  • Dependem de candidaturas, projetos e cofinanciamento nacional.

Portugal recebeu milhões da UE através do FAMI:

  • Para alojamento, integração, formação e apoio administrativo a migrantes.
  • Mas esses apoios não compensam diretamente os custos totais por pessoa acolhida, e não anulam a obrigação de acolher ou pagar.

A maioria marginalizada começou a acordar. Começou a olhar em redor e a perceber, finalmente, onde estava o verdadeiro inimigo. Deixou de haver combate entre ideologias de direita e esquerda. Passou a haver um único adversário: o globalismo das elites. E um tsunami ergueu-se (a que chamam de “extrema direita”). Este despertar não tem nada a ver com discriminação de minorias — pelo contrário. O que está em causa é a inversão de valores e as constantes injustiças praticadas contra uma maioria trabalhadora que, com o passar do tempo, se vê cada vez mais escravizada a troco de migalhas, com menos direitos, enquanto as minorias são progressivamente mais apoiadas, sem que haja reais contrapartidas sociais ou económicas. Essa maioria, sem alternativas, acaba por emigrar por não encontrar condições dignas no próprio país. Isto não faz sentido algum.

Além disso, assistimos à crescente imposição de normas culturais forçadas, particularmente no campo da identidade sexual. Temos agora minorias LGBT cuja inclusão, em vez de promover a convivência e o respeito mútuo, é muitas vezes instrumentalizada para justificar a anulação da identidade da maioria. Somos levados a aceitar, como se fosse natural, a eliminação de conceitos como sexo, género e biologia. Deixamos de ser homens e mulheres — passamos a ser apenas “pessoas”: pessoas que menstruam, pessoas que engravidam. E quem ousa contestar esta normalização absurda — como vem acontecendo com alguns professores no Reino Unido — é suspenso ou silenciado. Perante esta realidade, o que fazem os media? Rotulam todas as pessoas que se atrevem a levantar a voz contra estas distorções como “extrema-direita, populistas ou nazis“, numa tentativa clara de desacreditar qualquer contestação e evitar o debate. Os comentadores de serviço são pagos para defender a abolição de partidos que levantam estas questões, para que tudo continue na mesma — ou até piore.

Dizem-nos que a sociedade não pode deixar de ser “socialista”, porque isso seria mau para a democracia. Enquanto isso, vão-nos retirando, passo a passo, os direitos e liberdades consagrados na Constituição, em nome de uma suposta inclusão que serve, na prática, para silenciar e manietar a maioria enquanto impõem medidas que dividem mais do que agregam, para nos manterem “escravos” do sistema. Querem um mundo ao contrário. Mas um mundo assim é injusto, promove a inércia, e conduz inevitavelmente à revolta. Uma revolta planeada para provocar o caos para o qual já têm uma solução: uma nova ordem mundial de tecnocratas não eleitos.

Deixem de se combater entre iguais. A verdadeira luta é contra as elites que se arrogam o direito de controlar o destino da Humanidade.

3 comentários leave one →
  1. Ausente52's avatar
    Ausente52 permalink
    13 Julho, 2025 08:41

    Esclarecedor artigo. Obrigado Cristina.

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  2. Rogério Monteiro's avatar
    Rogério Monteiro permalink
    13 Julho, 2025 19:42

    Muito Claro o seu artigo. Só não vê quem não quer vêr.

    Continue sempre a esclarecer os portugueses, porque infelizmente a dita comunicação social só desinforma.

    Obrigado.

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  3. Viriato De Viseu's avatar
    Viriato De Viseu permalink
    21 Julho, 2025 16:03

    20 mil euros por cada recusa, diz a xora “Vanderlain”? E o Catar, Estados Árabes e os demais países mussulmanos, recusam o quê? O Soros está a esfregar as mãos de contente, a Europa vai ao ar e ele a ver…apesar da idade!!!

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