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Da preguiça. Ou do facciosismo

13 Abril, 2012
por

Tenho seguido com interesse a polémica em torno da Maternidade Alfredo da Costa (MAC). Com interesse e com irritação: é cada vez mais inútil tentar descobrir nos órgãos de comunicação social – jornais, rádios e televisões – informações substantivas que permitam perceber o que se passa. Quase todos fazem apenas o mais fácil: uma opinião aqui, uma opinião acolá mais um título idiota como esse de que “o lugar onde se nasce nunca devia morrer”, de que já falou a Helena.

Há vários dias que eu gostava de conhecer alguns dados substantivos. Por exemplo: qual a capacidade dos hospitais de Lisboa, antes e depois da abertura do novo hospital de Loures? Indo as crianças de Loures nascer a Loures, quem perdia em Lisboa? Que maternidades públicas estão já subutilizadas? É mesmo verdade que a tendência moderna é deixar de haver maternidades isoladas, devendo antes estar ser integradas em unidades hospitalares maiores?

Durante vários dias pude esperar sentado – e desesperado. A comunicação social entretinha-se com os equívocos da idão-não-da de António Costa à MAC. Até que hoje tive algum esclarecimento. O mais substancial via blogosfera: Pedro Pita Barros, no Momentos Económicos, escavou os números e mostrou-os. Fiquei a saber que, com a abertura do Hospital de Loures, é expectável que a MAC perca quase 40 por cento dos nascimentos. Interessante, não é? O outro esclarecimento, se bem que parcial, vinha num artigo secundário da edição impressa do Público, só disponível para assinantes: “Uma unidade monotemática é um conceito ultrapassado”, diz. Apesar de compreender o “peso simbólico” que a MAC representa, defende que “já não tem sustentabilidade em termos económicos e técnicos”. “Uma mulher com uma perfuração da bexiga precisa de um cirurgião, uma mulher com uma embolia pulmonar tem de ser transferida para um hospital”, exemplifica. 

Não sei por isso se a omissão de maior parte da comunicação social é apenas por preguiça. Porventura será mais por facciosismo.

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22 Comentários leave one →
  1. José Manuel Moreira hiperligação permanente
    13 Abril, 2012 20:27

    Talvez as duas coisas juntas seja a melhor resposta, bom fim de semana, jmm

  2. Eleutério Viegas hiperligação permanente
    13 Abril, 2012 20:57

    Não há pachorra para esta cambada jornaleka e ignorante que faz da comunicação social uma verdadeira palhaçada. Também não há pachorra para os desocupados que têm imenso tempo para ir para cordões, manifs, etc. Não têm emprego? Não têm trabalho? Por que não lançar um projecto empresarial ou assistencial, que faça de facto melhorar a vida dos outros?

    Ah! E a “MAC” (este país de bimbos burrocratas reduz tudo a siglas estupidas) vai dar um hotel de charme fantástico!

  3. António Joaquim hiperligação permanente
    13 Abril, 2012 20:57

    As Macs deviam fechar ponto final.

  4. Portela Menos 1 hiperligação permanente
    13 Abril, 2012 21:58

    e o valor da venda do edifício é para abater à dívida do Estado?
    ps:
    gosto do “argumento” de António Joaquim :-)

  5. 13 Abril, 2012 22:56

    Estes politicos é que estão a destruir o emprego.
    Eles estão a pedir o que é se direito! Querem trabalhar! Querem o posto de trabalho que tão duramente mantiveram. O Estado deveria supervisionar estes processos, porque quem despede nesta circunstâncias usa as mais diversas clivagens para contornar a lei. Afinal, não será mais dispendioso para o erário público pagar subsídios de desemprego a estas pessoas?
    Quem com responsabilidades, governativas e jurídicas está por detrás deste despedimento ilegal, que leva o estado a suportar o subsídio destes 112 trabalhadores.”
    Farto de ver esta veemente denúncia, aqui já exposta aos Srs. Deputados. Esta mensagem via email, por parte de trabalhadores que foram despedidos sem apelo nem agravo do Casino do Estoril, mostra bem o que significa as leis laborais: letra morta, a falta de cumprimento das próprias leis do sistema.

    Esta denúncia também demonstra que sem a determinação na luta contra as políticas reaccionárias do governo, estas situações propagam-se como faúlhas. Por isso façamos, explorados, em contrapartida que o combate contra o grande capital se intensifique, alastrando como o fogo numa floresta.

    “Nestas condições não constituirá um escândalo e uma imoralidade proceder-se à destruição da expectativa de vida de tanta gente? Para mais quando a média de idades das mulheres e homens despedidos se situa nos 49,7 anos?
    Infelizmente, a notícia de mais um despedimento colectivo tem-se vindo a tornar no nosso país numa situação de banalidade, à qual os órgãos de comunicação social atribuem cada vez menos relevância, deixando por isso escondidos os verdadeiros dramas humanos que sempre estão associados à perda do ganha-pão de um homem, de uma mulher ou de uma família.
    Mas, para além do quase silêncio da comunicação social, o que mais choca os cidadãos atingidos por este flagelo é a impassibilidade do Estado a quem compete, através dos organismos criados para o efeito, vigiar e fazer cumprir os imperativos Constitucionais e legais de protecção ao emprego.

    E o que mais choca ainda é a própria participação do Estado, quer por omissão do cumprimento de deveres quer, sobretudo, por cumplicidade activa no cometimento de actos que objectivamente favorecem o despedimento de trabalhadores.

    Referimo-nos, Senhores Deputados da República, à impassibilidade de organismos como a ACT-Autoridade para as Condições do Trabalho e DGERT (serviço específico do Ministério do Trabalho) que, solicitados a fiscalizar as condições substantivas do despedimento, nada fizeram mediante as provas que presenciaram.
    Não gosto de ver o caos em que puseram este país, por irresponsabilidade, por falta de respeito, pelo cidadão nos casos da justiça que a civilização criou como valores para a igualdade.
    Muitas das vezes, os nossos governantes não têm a capacidade de perceber para onde nos estão a conduzir ou não têm a coragem de assumir. Isso custa-me, porque há vítimas que estão a sofrer imenso.
    Por má gestão, por causa de carreiras meteóricas.
    Não posso deixar de condenar, todo o governante ou político, que pôs o seu trajecto individual e social acima do trajecto colectivo.
    Podem não se importar com as palavras, mas o certo é que não deixa de ser egoísmo, egocentrismo, quase tirania.

  6. 13 Abril, 2012 22:57

    podem ir nascer a Badajoz

    a MAC vai ser um lar da 3ª idade

  7. 13 Abril, 2012 23:08

    caro jmf1957,

    Não vou discordar de si quanto ao conteúdo das suas críticas aos media acerca deste assunto, concordo com elas a 100%. Mas permita-me que lhe aponte que este estado de coisas não começou agora nem é recente. Durante o seu consulado no público já era igual a falta de qualidade da nossa cobertura jornalística, a inexistência de investigação e a suprema ignorância e incapacidade de 99% das redacções fazer alguma pergunta inteligente. Não só no Público mas em praticamente todos os jornais da época.

    Se tem estas críticas a fazer agora, (e elas estão inteiramente certas!) porque não conseguiu resolvê-las há anos atrás, pelo menos no seu jornal? Só Deus sabe a falta que nos faz um jornal decente e repórteres profissionais neste país.

  8. Portela Menos 1 hiperligação permanente
    13 Abril, 2012 23:32

    o mais certo é abaterem o Mac e plantarem os sobreiros da portucale !

  9. 13 Abril, 2012 23:33

    Nasci na MAC no inicio dos anos 50(o numero de nascimentos então era o triplo de hoje), ali nasceu um dos meus filhos no fim dos anos 70(os nascimentos eram o dobro de hoje).Se é importante e fundamental esta Maternidade em Lisboa (não vivo em Portugal ha mais de duas dezenas de anos), é um assunto discutido entre os ‘profissionais’ ou ‘conhecedores do sector…mas pelo que li, trata-se acima de tudo de manter as ‘equipas de trabalho’, mais que o edificio em si.
    O ‘cordão humano’ e toda a excitação em volta da MAC, parece-me a esta distancia (que não são apenas de kms), algo entre o ridiculo e parvoice, se tivermos em linha de conta, a situação presente e o nosso futuro inevitavel, e esquecendo as alternativas possiveis( que aparentemente o proprio governo anterior tinha previsto).

  10. 13 Abril, 2012 23:57

    Para fazer o que faz a ‘maternidade’ Alfredo da Costa já há a ‘clínica’ dos Arcos. Deviam fechar ambas.

  11. 14 Abril, 2012 00:27

    Parece certo que os Hospitais ‘monovalentes’ (como é o caso da MAC) não se enquadram na moderna organização hospitalar que privilegia, como tem sido abundantemente referido, instituições polivalentes. É que tomando em consideração que a MAC presta serviços de alta qualidade enquanto maternidade, tendo contribuido de modo notável para a baixa da taxa de mortalidade infantil ( a mais baixa da UE!), neste momento, poderá correr o risco de manter uma taxa de mortalidade materna acima do esperado exactamente por falta de apoio interdisciplinar. Não existem instituições perfeitas.
    Mas esta situação, ao contrário do que está sendo proposto, deveria determinar a integração (em plenitude) dos seus serviços num Hospital Central. Nem sequer é uma ideia nova ou original. O projectado Hospital de Todos-os-Santos seria a grande instituição de acolhimento da MAC.
    O ‘desmembramento’ de equipas da MAC (não vale a pena negar a evidência como tentou fazer o Ministro) dos profissionais e do equipamento pelos Hospitais S. Francisco Xavier e Garcia d’Orta viria a ser uma mais valia para os Serviços de Obstetricia, aí sedeados, mas o resultado final nunca seria cumulativo. É que as fusões e deslocalizações podem conter uma inabalável lógica quanto à redução de custos mas não obrigatoriamente uma exponencial melhoria de resultados, logo, de eficiência e qualidade. Os serviços e as equipas funcionais treinadas e optimizadas na sua operacionalidade são muito sensíveis. São facilmente abaladas pela instabilidade (qualquer que seja).
    É a essa instabilidade que uma instituição de referência como é a MAC está, neste momento, a ser submetida. Ninguém (profissionais, Ministério e utentes) vai colher benefícios desta situação. Nem parece ter sido demonstrado que em termos orçamentais as soluções apresentadas (um pouco superficialmente) sejam realistas.
    Esta é, portanto, uma decisão que não é permente, nem sequer prioritária. O próprio Ministro terá compreendido isso quando, no último debate na AR, calendarizou a resolução deste problema “até ao final da legislatura”.

  12. 14 Abril, 2012 01:10

    Também era interessante saber quanto se gastou nsa remodelações feitas recentemente na MAC, e que o sinistro da Saúde, olimpicamente, não respondeu á jornalista que lhe pôs essa questão.

  13. 14 Abril, 2012 09:15

    É uma decisão política, legítima.
    O Partido tem de satisfazer as clientelas que o elegeu…
    e aquele edifício pode render muito sumo de laranja.

  14. 14 Abril, 2012 10:35

    Both

  15. Artista Português hiperligação permanente
    14 Abril, 2012 15:23

    Quando acabaram com a maternidade em Elvas para irem nascer em Espanha ninguém se indignou…

  16. adrianovolframista hiperligação permanente
    14 Abril, 2012 15:44

    Li o post do PBarros e o seu.
    As considerações são todas interessantes mas, no caso dos hospitais, em especial em Lisboa, erram no essencial.
    Sendo Lisboa uma zona sísmica primeiro há que perceber se as unidades estão aptas a suportar um sismo de grande magnitude e, em segundo lugar, se se encontram em locais que permitam cumprir a sua função depois da ocorrência de um evento como um sismo.
    Se reparar todas as grandes capitais possuem um cordão hospitalar situado na periferia, exactamente para permitir cumprir uma funçao essencial em caso de eventos excepcionais. Veja-se o caso de Atocha em Portugal: com as grandes unidades instaladas ainda, dentro de Lisboa, ocorreriam mais mortes por causa dos mirones junto dos hospitais.
    Por isso, a pergunta no caso da MAC é a seguinte: aguenta um sismo? Em caso de sismo pode continuar a cumprir as suas funções na localização em que se encontra?
    Hospitais são pensados para grandes catástrofes não para manter a chama viva. Por isso, esta discussão em torno da MAC parece -me uma forma de desconversar
    Cumprimentos
    Adriano

  17. 14 Abril, 2012 16:26

    Piscoiso,
    O Estado não pode especular neste caso. O edifício não servindo para o actual efeito, vai para os herdeiros da família.
    Sendo o caso inverso (arranjinho de interesses na CGD), há problema em o Estado arrecadar receita?
    R.

  18. 15 Abril, 2012 00:18

    Alguém disse que “o lugar onde se nasce nunca devia morrer”. Quanto a mim é uma afirmação tola e não adianta nada para a polémica sobre o encerramento da Maternidade Alfredo da Costa, polémica que, como jmf bem notou, tem sido alimentada na comunicação social com os argumentos que menos interessam.

    Os meus pais sempre me disseram que eu nasci em casa. Claro que hoje, felizmente, ninguém nasce em casa, mas sim em locais mais seguros e apropriados. Não sei se ainda existe a casa onde nasci, nem me interessa saber. Só sei que ficava numa vila que hoje é cidade. Se eu fosse célebre talvez isso interessasse para porem uma lápide, mas só depois de eu morrer, o que me seria indiferente. Os meus filhos nasceram em clínicas que ou já não existem ou já não têm bloco de partos. A minha neta nasceu na MAC, mas nem ela nem ninguém na família se importa que feche ou que não feche. Depois dessa experiência pude proporcionar ao meu neto um nascimento num hospital privado. Não me arrependi. Esse hospital não está para fechar, mas se fechasse também não nos faria diferença: há outros com as mesmas condições. Os locais, maternidades ou outros, por vezes perdem as condições de terem a utilidade para que foram construídos. Nesse momento não lhes resta senão mudarem de função ou desaparecerem.

  19. 15 Abril, 2012 16:12

    Os portugueses sempre gostaram de emblemas, e a MAC é emblemática. Mesmo que aquela maternidade passe a ter menos 40% de nascimentos, é sempre preferível mantê-la aberta como muitos organismos estatais, só para promover a vaidade de algumas pessoas.

  20. 15 Abril, 2012 18:36

    é verdade,aquele gajo de bigode, representante dos porf.s comunas por onde anda? será que anda com os colegas a fazer esperas ao sócrates em paris?

  21. 15 Abril, 2012 18:38

    é verdade, aquele gajo de capachinho à catherine deneuve por onde anda? será que ainda anda pelo forte de são julião da barra a tirar fotocópias?

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  1. A bexiga e as cirurgias das grávidas da MAC – Aventar

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