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Efeitos sazonais

1 Fevereiro, 2008
Logo de manhã julguei estar a ser surpreendido pela incessante propaganda monárquica que nos tem açoitado nos últimos dias: a minha filha apareceu-me vestida de ‘princesa encantada’. Tive alguns instantes de pânico. Depois sossegaram-me. Não, não eram os efeitos da narrativa ideológica de Rui Ramos e dos esforços ‘reviso-maniqueístas’ dos tunantes das ‘Causas’ – era apenas a inocente preparação para uma festa do Jardim Infantil. Um disfarce, portanto.
Respirei fundo. Afinal de contas, o Carnaval é o contexto adequado para enquadrarmos grande parte daquilo que nos têm andado a pregar sobre o fim da monarquia portuguesa. Pensando bem, até não consigo encontrar temática mais carnavalesca…
18 comentários leave one →
  1. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    1 Fevereiro, 2008 18:38

    sanzonais?

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  2. CAA's avatar
    1 Fevereiro, 2008 18:42

    Já corrigido. Peço desculpas pelo lapso.

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  3. Max Mortner's avatar
    Max Mortner permalink
    1 Fevereiro, 2008 20:12

    Caro CAA,

    Não devemos ser obtusos. Leia o livro do Rui Ramos ou as Cartas de D. Carlos a João Franco e aprenda que a “imagem oficial” de D. Carlos ( o desinteressado, o gastador, o fraco, etc) não corresponde à verdade. É óbvio que D. Carlos estava muito longe de ser perfeito mas o quadro que após a sua morte lhe pintaram não é mais do que uma falsificação de fraca qualidade cientifica.

    Cordialmente,
    Mortner

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  4. CAA's avatar
    1 Fevereiro, 2008 20:17

    Mortner,

    Já li. Mas a ‘imagem oficial’ de D. Carlos é irrelevante. Até para a história, atrevo-me a dizer, talvez não para a estória…
    O que aconteceu deveu-se muito mais à podridão do regime, gasto e corrupto, do que aos dotes de Carlos e da sua princesa encantada ou aos dotes linguísticos ou musicais dos infantes. Ao facto de existir gente decidida a derrubar um regime que não tinha pessoas da mesma têmpera a defendê-lo.
    Isto parece-me tão obvio que até me custa escrevê-lo.

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  5. Max Mortner's avatar
    Max Mortner permalink
    1 Fevereiro, 2008 22:09

    Caro CAA,

    É curioso que muitos dos mais relevantes membros do “regime gasto e corrupto” transitaram alegremente para a 1ª República, que não foi mais do que uma ditadura encapotada (bem mais severa do que a de João Franco).
    Quanto a D. Carlos, a sua imagem não oficial, a que começa a surgir agora, é muito relevante para a História visto que nos mostra um homem que não estava só interessado em caçar e em pintar…Estava, acima de tudo, empenhado em seguir um rumo que mudasse o país para melhor. D. Carlos tentou faze-lo com coragem sem medo daquilo que sabia que poderia (e viria a acontecer). Numa carta a João Franco, D. Carlos referindo-se aos anarquistas diz o seguinte: ” Quanto aos anarquistas não me admira que nestes momentos turvos apareçam e alguma coisa tentem; mas para isso é que nós cá estamos e por certo nem a ti nem a mim será o medo que nos fará mudar de caminho”.
    Não o vou aborrecer com aspectos da política de D. Carlos e da “dança das cadeiras” entre os dois partidos que na altura dominavam o país pois acredito que já tenha lido os livros acima referidos.
    O regime (tal como agora acontece) não era defendido por ninguém que não estivesse ao mesmo tempo a defender os seus interesses (salvo raras excepções). Quanto ao povo português esse, a julgar pelos votos do Partido Repúblicano estava ao lado do Rei, ou pelo menos não estava pela República.

    Cordialmente,
    Mortner

    PS: Não defendo o regresso da monarquia nem sou monárquico.

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  6. CAA's avatar
    1 Fevereiro, 2008 22:34

    Mortner,

    «É curioso que muitos dos mais relevantes membros do “regime gasto e corrupto” transitaram alegremente para a 1ª República…»

    É verdade. E foi pena. E sintomático.

    «… que não foi mais do que uma ditadura encapotada (bem mais severa do que a de João Franco)»

    Não é verdade. Basta ver a CRP de 1911, as leis de 1913, percber o funcionamento institucional da I República. Não confunda instabilidade com ditadura.

    Já agora – por que razões é que um Rei tantas supostas qualidades não foi chorado por ninguém, não houve manifestaçºoes públicas de pesar? Recorde-se o desespero do discurso de Homem Cristo “se ninguém chora o Rei então choro eu”.

    Por que razões é que ainda, na Monarquia, Costa e Buíça foram mais celebrados do que as suas vítimas? Esteve mais gente no cemitério com Buíça do que com D. Carlos…

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  7. Francisco's avatar
    1 Fevereiro, 2008 23:41

    Eu assustei-me mas não pelas mesmas razões que o estimado Carlos Abreu Amorim. Assustei-me porque o Rei Momo da foto é igualzinho ao Barack Obama…

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  8. hajapachorra's avatar
    2 Fevereiro, 2008 01:06

    O Caa é que nem precisa de se disfarçar: é rei momo todos os dias.

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  9. Max Mortner's avatar
    Max Mortner permalink
    2 Fevereiro, 2008 02:45

    CAA,

    Não estou a confundir “instabilidade com ditadura”. Independentemente da Constituição de 1911 e das leis de 1913, o que é facto é que o país funcionava à margem das leis de 1911 e de 1913. Se não me engano havia repressão nas ruas, apesar de existirem vários partidos só um se podia manifestar livremente e houve também censura.
    Quando me diz que o rei não foi chorado por ninguém presumo que se esteja a referir a “ninguém” de Lisboa ou ninguém de uma certa orientação política de Lisboa. No resto do país e, como é óbvio, mesmo em Lisboa, o rei foi chorado e a comunidade internacional mostrou-se chocada com a morte do rei.
    O espírito monárquico prevaleceu de tal forma no país que apenas 9 anos após a República foi decretada a Monarquia do Norte a que, se não estou em erro, aderiram todas as cidades do Norte do país.
    Será que o CAA sabe qual era a percentagem de republicanos que existia em 1908 em Portugal?
    E o que interessa ter uma Constituição livre e democrática no papel quando na verdade se vivia uma ditadura (em que havia repressão e não havia liberdade de expressão)?

    Cumprimentos,
    Mortner

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  10. Desconhecida's avatar
    2 Fevereiro, 2008 03:37

    Esta ideia de o rei não ter sido chorado, vale o que vale. Quando o corpo do Rei e do Príncipe estiveram expostos na igreja de São Vicente, passaram por lá cerca de 100 mil lisboetas. Suponho que não foi para jogar às cartas. Nos dias de luto da Casa Real, milhares de pessoas por todo o país (Lisboa incluída) vestiram-se de preto.

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  11. Revoltado's avatar
    Revoltado permalink
    2 Fevereiro, 2008 09:57

    É caso para se dizer que para alguns há terrorismo bom e terrorismo mau. Quanto à corrupção do regime e ao autoritarismo, isso é um argumento que se volta contra a própria república nos dias de hoje. Afinal, na época da monarquia a arrecadação do Estado equivalia a 8% do PIB, hoje já vai nos 40%. Quem rouba mais? E então o estado não fiscalizava os mais infímos pormenores da nossa vida privada(Quando o fez foi por influência dos anticlericais) e não existia o maldito imposto marxista sobre o rendimento.

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  12. Revoltado's avatar
    Revoltado permalink
    2 Fevereiro, 2008 09:58

    correcção: ínfimos ao invés de infímos.

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  13. LA-C's avatar
    2 Fevereiro, 2008 10:15

    Este post teve muita piada. Muito bem conseguido. E, por muito republicanos que sejamos, deve ser um prazer ver as nossas filhas vestidas de princesa.

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  14. Isabel Coutinho's avatar
    Isabel Coutinho permalink
    2 Fevereiro, 2008 16:01

    Gostei de ver o PR a homenagear o Rei D. Carlos, em Cascais.
    Deu uma bela bofetada no governo e nos deputados chamados “de esquerda”.

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  15. Carlos de Sottomayor's avatar
    Carlos de Sottomayor permalink
    2 Fevereiro, 2008 17:24

    Patético este post, simplesmente patético !

    Carlos de Sottomayor

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  16. CAA's avatar
    3 Fevereiro, 2008 17:41

    D. Carlos de Sotttomayyor,

    Foi a pensar em gente assim que escrevi as minhas HERESIAS de hoje no Correio da Manhã.

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  17. Cam's avatar
    Cam permalink
    4 Fevereiro, 2008 08:04

    É mesmo, CAA, basta ler a constituição e as leis. Brilhante!
    Também se podia ler a constituição da URSS de Estaline para ver as amplas liberdades que aqueles povos gozavam.
    Veja lá que até permitiam a liver independia dos estados da URSS daquele tempo, capacidade que foi mais tarde usada por Ieltsin para tornar independente a Russia da URSS. Claro que mesmo no tempo de Estaline qualquer governador da Lituania ou da Georgia faria o mesmo se julgasse ser o melhor para o povo.
    Brilhante.
    Claro que o pormenor das eleições serem falsificadas, a censura, as carrinhas da morte e outros pormenores são isso mesmo, pormenores.

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  18. Juu's avatar
    Juu permalink
    2 Março, 2009 18:46

    o que são efeitos sazonais?

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