Conversas em Cracóvia
– O Schindler era de cá, não era?
– Eram os dois.
– Os dois? Havia dois?
– Temos dois. O nazi e o do Spielberg.
– Referia-me ao que salvou os judeus, o do filme do Spielberg.
– Sim, esse é o mais famoso. É um personagem de ficção. O verdadeiro não era tão recomendável.
– Como assim?
– Schindler era um convicto membro do partido nazi. Estavam a acabar com os judeus de Cracóvia. Schindler usava-os como mão-de-obra barata e se os matassem todos acabava-se a mina de ouro. Schindler limitou-se a proteger a sua fonte de trabalho barato.
– Foi mesmo assim?
– Começou assim, apenas queria escravos para a sua fábrica. Talvez no fim já houvesse algum sentimento de protecção sobre os que trabalhavam diariamente para ele, na fábrica, mas a verdade é que o tipo apenas começou por descobrir como enriquecer depressa.
– Está a matar-me um herói.
– Ora, não devemos dar muita atenção a esta versão. A verdade é que foram salvas mais de 1000 pessoas e só por isso devemos estar agradecidos a Schindler. E a versão de Spielberg é tão mais bonita que devemos ficar com ela. Let’s not allow reality spoil a good history.

Já o nosso Aristides não teve honras de Holywood nem de Óscares. E como ele imensos outros, que nada lucraram com isso.
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Rxc nao se apoquente que há quem afirme que Aristides foi por dinheiro, um negócio.
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Os homens e as suas circunstâncias.Andamos sempre á procura de heróis que nos
permitam acreditar que nem tudo está perdido!
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Até se pode fazer um filme de Hitler, na sua juventude, a ajudar uma velhinha a atravessar a rua.
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Que diferença do Aristides de Sousa Mendes…
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E quanto á pilosidade que tanto preocupa o JM. Parece que somos o país mais “piloso” da UE!!
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JM desculpe, é capilaridade!
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Anónimo de 2., quem afirma isso? Sabe que ele morreu na miséria e sem qualquer reconhecimento pelo que fez, não sabe? Ao menos nós, portugueses, honremos a sua memória e a sua coragem. Digo eu…
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bem a propósito, aproveito para recomendar As Benevolentes, a quem eventualmente ainda não tenha lido
Ar
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De facto, apesar de todas as liberdades que o argumento do filme de Spielberg toma, o Schindler do filme estava bastante próximo do verdadeiro. Por exemplo, é verdade que ficou sem nenhum dinheiro para poder salvar os seus trabalhadores judeus. Veja-se este artigo, por exemplo.
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rxc Diz:
12 Abril, 2008 às 2:28 pm
Ele morreu na miséria? Bom, ter 14 filhos deve ter ajudado alguma coisa, não?
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O Ser Humano foi feito à imagem e semelhança de Deus, louvado seja o Diabo.
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Let’s not allow reality to spoil a good history, se faz favor. O ensino da língua inglesa está pela hora da morte – ou na Polónia, ou no Pedro Nunes.
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Não percebo em que é que o filme do Spielberg difere da história contada pelo Polaco. No filme Schindler começa por ser precisamente isso e nunca é uma personagem maniqueísta. Oscila sempre entre o bem e o mal e nunca por isso perde o sentido do negócio excepto mesmo quase no fim. Não vejo grande diferença entre uma história e outra.
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Herr Schindler deixou ao que parece muita gente agradecida e mais não sei, quanto ao Aristides tomou uma atitude romântica e paternalista típica de um fidalgo de província que também deixou muita gente agradecida.
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O copo de água está meio cheio ou meio vazio?
(…)
É sempre mais “piroso” acreditar que existem pessoas boas neste mundo mas o pessimismo e a descrença não nos torna mais sabedores ou detentores da verdade.
Com base no quê veio agora o jcd postar isto?
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A única diferença entre esse Schindler nazi e o que me recordo do de Spielberg (já faz muito tempo que vi o filme pela última vez e a memória já não é o que era) é que o segundo não era um nazi convicto mas apenas se afirmava como tal para ganhar dinheiro.
No início, para ele os judeus não passavam de mão-de-obra escrava.
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O Schindler nunca foi nazi convicto. Se estivessem os comunistas no poder ele teria-se alistado e cantado a internacional; li a biografia dele e o homem fazia tudo para ganhar dinheiro (e conquistar mulheres). Era um oportunista (foi ele que forneceu as fardas polacas ao exército alemão para fingir que os polacos atacaram um posto fronteiriço alemão, dando a Hitler o pretexto da invasão da polonha). Só que com todos os seus defeitos, ele não era racista e provavelmente devia-se incomodar com o extermínio de populações e acabou por defender os seus judeus.
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