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Goethe versus Goya

30 Junho, 2008
by

Com a eliminação da nossa selecção no Euro’ 2008, alguns dos esforçados tutores da arte de bem pensar o País não contiveram a sua alegria. Moldados na crença de que o futebol entorpece o entendimento colectivo, julgaram os portugueses de novo aptos para as prédicas da luta de classes e das visões ‘alternativas’ do Mundo.
Entre nós, por detrás da lógica antifutebol espreita uma atitude mais sinistra. Uma vez, Agostinho da Silva narrou as conversas que tinha tido com António Sérgio, subindo e descendo a Avenida da Liberdade. E revelou: “Sabe qual era o problema de Sérgio? Não gostava de Portugal!”
É neste anátema de Agostinho que penso encontrar-se o óbice – o problema não é o futebol mas sim que os portugueses estejam felizes. Há uma pose ‘intelectualista’ da ‘esquerda caviar’ e da ‘direita snob’ que se desmancha perante a hipótese de o País se portar bem. Confundem alegria com alienação. Por isso, alinham em teses esdrúxulas culpando o futebol do atraso geral do País.
Quanto eu gostaria que fosse Portugal a jogar a final de hoje à noite em vez da Alemanha e da Espanha, esses dois países incultos e pelintras como todos sabemos…

* HERESIAS, Correio da Manhã, 29.VI.2008

91 comentários leave one →
  1. Zé's avatar
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    30 Junho, 2008 12:06

    “Confundem alegria com alienação.”

    Muito bom, muito bom. Também consegue dizer isso ao mesmo tempo que bebe um copo de água?

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  2. Desconhecida's avatar
    30 Junho, 2008 12:09

    Oh Dr. Abreu Amorim,

    Vejo que não abandona a sua paixão bovina! Ninguém lhe tira, a mesma. Continue na sua bovinidade.

    A diferença é o Dr. Abreu Amorim, e um qualquer Jurista Suíço ou Austríaco, é que já nem se lembram que os respectivos países, não passaram da primeira fase do Euro!

    Mas, olhe Dr. Amorim, eu lembro-me que Portugal “investiu” milhões de euros em Estádios lindos, que até já serviram para o rali de Portugal!

    Pois é, Dr. Amorim, a Académica quer outro Estádio que não o “novo”, que não tem “ambiente”. O Estádio de Aveiro já não tem relva…..mas o Estádio é novo! O de Leiria vai servir para a II Liga, algo que nem a I Liga Austríaca ou Polaca terá!

    É assim,os Tribunais e os Hospitais em Portugal, são em contraplacado, e os estádios são do melhor que há!

    Cheguei até a ouvir um comentador português a dizer “que era inacreditável que o acesso entre o Estádio na Suíça e a Sala de Imprensa, obrigava à passagem por um túnel”. Estes Suíços não percebem nada de “Engenharia” de Estádios….

    Viva o “ópio”!

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  3. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    30 Junho, 2008 12:14

    O probelma é que o país investe em estadios lindos e depois de eles feitos aparece alguém que acha que nao vale a pena rentabilizá-los e o país ser candidato a nova rodada e ser o organizador de mais europeus e mundiais. Quer dizer vao deixar que os estadios caiam de podre para depois ser candidatos de novo e ter de fazer novos estadios.

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  4. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    30 Junho, 2008 12:15

    O problema é que parece que ninguém tem ideias para aproveitar ao máximo os estadios lindos.

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  5. CAA's avatar
    30 Junho, 2008 12:16

    J,

    Tem razão quanto aos estádios. Mas, pergunto:

    – Com menos estádios teríamos mais e melhores hospitais? Ou tribunais?

    – E na Alemanha e na Espanha, esses ‘bovinos’, também a sua paixão pelo futebol tem perturbado o seu desenvolvimento?

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  6. Desconhecida's avatar
    30 Junho, 2008 12:18

    “o país ser candidato a nova rodada e ser o organizador de mais europeus e mundiais”

    Exactamente. Portugal poderia até organizar uns Jogos Olimpicos por década, uns Mundias de futebol por década e uns Europeus de futebol por década. Assim, para 30 anos, os Estádios já tinham utilidade!

    Boa! Só ideias geniais!

    Seria curioso tentar saber quantos Mundiais organizou a França nos últimos 30 anos? Ou a Espanha? Ou a Grã Bretanha?

    E já só estou a comparar com países comparáveis com portugal! Pois, portugal não se compara com paísecos com o Uruguai, a Eslovénia ou a Turquia, que estão…..noutro Campeonato!

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  7. VM100W's avatar
    VM100W permalink
    30 Junho, 2008 12:20

    Achoq ue percebi a lógica:
    dado que foi gasto um balúrdio em estádios (100% de acordo)
    então teremos de ser tristes e virar costas ao futebol, pq nunca mais poderemos recuperar esse dinheiro e jamais será legítimo alegramo-nos com as vitórias da selecção!

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  8. Desconhecida's avatar
    30 Junho, 2008 12:20

    “- Com menos estádios teríamos mais e melhores hospitais? Ou tribunais?”

    Deveríamos ter. Pergunto-lhe, Dr. Amorim, preocupa-o mais a educação e a saúde dos seus filhos, ou a cilindrada/ potência do seu automóvel?

    É este o papel das élites….liderar/ formar/ educar.

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  9. VM100W's avatar
    VM100W permalink
    30 Junho, 2008 12:21

    alegrar-mo-nos

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  10. CAA's avatar
    30 Junho, 2008 12:23

    J,

    «Seria curioso tentar saber quantos Mundiais organizou a França nos últimos 30 anos? Ou a Espanha? Ou a Grã Bretanha?

    Nos últimos 30 anos a França organizou 1 Europeu (1984) e 1 Mundial (1998): ganhou os dois. A Inglaterra, 1 Europeu (1996) mas em 1966 tinha organizado 1 Mundial. A Espanha organizou 1 Mundial (1982) e tinha organizado 1 Europeu em 1964.

    Foi a partir daí, evidentemente, que resvalaram no terceiro-mundismo…

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  11. Tonibler's avatar
    30 Junho, 2008 12:29

    CAA,

    Os espanhóis e alemães não são como são por causa do futebol. Portanto, a não ser que partas deste pressuposto, a tua frase final não faz sentido. Se não consegues perceber o custo desta maluqueira do futebol (que terá as causas que tem, é irrelevante) deves tentar ir a uma escola de futebol dessas que abrem como cogumelos no país inteiro. Fica lá dez ou vinte minutos e entendes rapidamente que um pai que queira o melhor para o filho, não o vai deixar faltar ao treino para ir às aulas.
    Esse é o custo desta maluqueira, de teres um país (e nem sequer é o estado, são mesmo os pais) que investe no futuro futebolístico dos miúdos e não no seu futuro de facto. Porque não faltam palermas a dar o futebol como indústria de sucesso.

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  12. MJRB's avatar
    30 Junho, 2008 12:41

    Seria muito interessante e útil uma investigação, um trabalho-de-campo, para, por exemplo uma tese de doutoramento, sobre a importância do futebol nos portugueses, na vida dos portugueses, no escapismo dos portugueses…

    Seria também muito interessante analisar a importância do futebol para o desenvolvimento intelectual, cultural e social dos portugueses…

    Uma das perguntas poderia ter sido esta, drástica, em 2002: preferem que o governo invista no Euro’2004 ou numa rede de infraestruturas culturais e sociais ?

    etc.
    Etc.

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  13. PMF's avatar
    30 Junho, 2008 12:41

    Excelente, caa!

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  14. jose manuel faria's avatar
    30 Junho, 2008 12:43

    Vem aí julho sem futebol dentro das 4 linhas. Como vai ser. O crescimento económico vai diminuir concerteza. Há teremos futebol em França, Inglaterra e Alemanha.

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  15. MJRB's avatar
    30 Junho, 2008 12:46

    Aconselho Mr. CAA
    e os comentadores,

    a lerem o post de Manuel Maria Carrilho no seu blog “Contingências”. A propósito “disto”.

    N: Muito boa foto ilustra este post de Mr.CAA.

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  16. MJRB's avatar
    30 Junho, 2008 12:57

    Mr. CAA,

    Não queira evitar nem ocultar a realidade, que Vc. bem sabe ser esta: o futebol, o mundo do futebol, as incidências do futebol, a “mão” do futebol na sociedade portuguesa é excessiva e perturbante.
    Anestesiante também.

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  17. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    30 Junho, 2008 13:05

    “preferem que o governo invista no Euro’2004 ou numa rede de infraestruturas culturais e sociais ?”

    Perfiro que o dinheiro fique no bolso de quem trabalhou em vez de ir para o Governo comprar votos e instituir uma cultura paternalista.

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  18. VM100W's avatar
    VM100W permalink
    30 Junho, 2008 13:06

    Tonibler Diz:
    30 Junho, 2008 às 12:29 pm
    «(…) um país (e nem sequer é o estado, são mesmo os pais) que investe no futuro futebolístico dos miúdos e não no seu futuro de facto. Porque não faltam palermas a dar o futebol como indústria de sucesso.»
    Então devemos ser paternalistas no seu expoente máximo e educar os pais!

    Nem quero imaginar onde estaria o Cristiano Ronaldo e ademais se os pais desses jogadores tivessem seguido essa sensatez de não arriscar no incerto.
    Tentem convencer os pais dos jogadores da 1ª divisão que não investiram de facto no futuro dos seus filhos ao deixá-los fazer aquilo para o qual tinham vocação. Se não têm vocação é mais um ATL, a alternativa (principalmente nas férias) para ocupar os tempos livres (às tantas eles tb não se devem alegrar e viver a sua juventude) no caso dos que não vão para essas “escolas de futebol” costuma ser treinar o polegar, o indicador, o dedo-médio, o anelar e quem sabe até o dedo mindinho nas consolas de jogos.

    Parece que as escolas de futebol “que abrem como cogumelos” são uma industria de ócupação de tempos livres de sucesso. Ou no Verão deveriam estudar as matérias do ano lectivo seguinte?

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  19. VM100W's avatar
    VM100W permalink
    30 Junho, 2008 13:16

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  20. VM100W's avatar
  21. Piscoiso's avatar
    30 Junho, 2008 13:26

    O Albino é anti-tabagista. Ao ver-me pegar num cigarro, comenta:
    – “Com o dinheiro que gastas em tabaco já tinhas comprado casa.”
    – “Então porque é que vives num andar alugado?”, perguntei.

    Isto a propósito dos hospitais que se teriam construido com o dinheiro que se gastou nos estádios.

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  22. maloud's avatar
    maloud permalink
    30 Junho, 2008 13:46

    A máxima “Muito riso, pouco siso” espelha bem a “nossa” concepção do mundo.

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  23. Alvaro's avatar
    30 Junho, 2008 13:48

    O futebol n é o culpado do país que temos. É exactamente o contrário! E por ser exactamente o contrário o futebol tem a dimensão que tem em Portugal.

    Querem ser finlandeses? Lá o futebol simplesmente “não risca” nada.

    http://criticademusica.blogspot.com/

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  24. Desconhecida's avatar
    Hora hora permalink
    30 Junho, 2008 14:04

    Diz o CAA que “alguns” foram “Moldados na crença de que o futebol entorpece o entendimento colectivo”.
    Eu nunca ouvi falar nessa crença, que só estará na sua cabeça.
    Pelo contrário, a avaliar pelos seus escritos, começo a crer que o futebol entorpece é o seu entendimento.
    “Só fala dos outros quem tem o que se lhe aponte…”

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  25. Desconhecida's avatar
    Paulo Vaz permalink
    30 Junho, 2008 14:04

    Mais um post pimba do Blasfemias, depois do iberico do LR.

    Com o Blasfemias, CAA questiona a bovinidade mas neste caso paradoxalamente defende o tratamento bovino que os dirigentes romanos inventaram para controlar as suas massas quando o imério começava a dar sinais de falência: Pão e Circo

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  26. Ritinha's avatar
    Ritinha permalink
    30 Junho, 2008 14:07

    “Pão e Circo”

    Há uma diferença: estes só dão circo.

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  27. AAC's avatar
    AAC permalink
    30 Junho, 2008 14:13

    O problema é

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  28. Piscoiso's avatar
    30 Junho, 2008 14:14

    É claro que há pessoas tristes, que até acham indecoroso que os outros não sejam tristes.
    É por isso que não gosto de fado.

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  29. VM100W's avatar
    VM100W permalink
    30 Junho, 2008 14:16

    Ritinha Diz:
    30 Junho, 2008 às 2:07 pm
    “Pão e Circo”

    Sei bem que mudou de nome, mas não me diga que a Ritinha nunca ouviu falar em Rendimento Social de Inserção!

    Mas o importante é dar a cana para pescar…

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  30. catala's avatar
    catala permalink
    30 Junho, 2008 14:16

    off tópic

    O juiz do Tribunal de Instrução Criminal do Porto (TIC) também mandou extrair certidão para o DIAP do Porto para apurar se Carolina Salgado mentiu na fase instrutória do processo.

    O acordão foi duro, sobretudo em relação à acusação produzida por Maria José Morgado, considerando que as escutas telefónicas não poderiam ser usadas quando se trata de tentativa de corrupção, algo que o FC Porto pode usar a seu favor nos vários processos que ainda decorrem.

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  31. VM100W's avatar
    VM100W permalink
    30 Junho, 2008 14:17

    oops enganei-me :), é ensinar a pescar

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  32. AAC's avatar
    AAC permalink
    30 Junho, 2008 14:19

    o problema é que a nível desportivo tudo se investe no futebol. Toda a terrinha tem o seu campo de bola, todas as camaras se comprometem financeiramente para promover o futebol, tudo vive à volta do futebol E NUNCA GANHÁMOS A PONTA DE UM CORNO.

    Não é política, é amor-próprio e saber não divinizar pessoas mal formadas que nunca nos deram nada em troca!! Ou alguém censura a “loucura” (é mais gratidão, respeito) à volta da Vanessa Fernandes?

    Mais, julgam que aqueles ursos empurrariam o autocarro??

    Adoro futebol, já perdi dias da minha vida a ver jogos, mas até a mim me enoja esta euforia euro, que só faz com que uma pessoa faça um sorriso quando aqueles meninos mostram a sua (não) raça.

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  33. Desconhecida's avatar
    30 Junho, 2008 14:21

    Excelente post!

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  34. Fado Alexandrino's avatar
    Fado Alexandrino permalink
    30 Junho, 2008 14:22

    Isto a propósito dos hospitais que se teriam construído com o dinheiro que se gastou nos estádios.

    Este é um erro recorrente.
    Fazer hospitais é muito fácil, o que já não é fácil é que sejam uteis.
    Faro tem um lindíssimo hospital.
    O problema é que não tem, nem técnicos, nem aparelhos para servir aqueles que ao olharem para o edifício julgam que estão seguros.
    Já agora, ontem milhares de crianças, adolescentes e jovens acamparam durante dias e pagaram um balúrdio para ouvirem o expoente máximo da música pimba germânica.
    Vão lá perguntar-lhe se querem ser cantoras ou médicas.

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  35. Desconhecida's avatar
    PLus permalink
    30 Junho, 2008 14:38

    “alinham em teses esdrúxulas culpando o futebol do atraso geral do País. ”

    Quem são essas pessoas !?
    Assim é fácil escrever. O CAA agarra-se na opinião de meia dúzia de pessoas, toma-a como pensamento geral, e inverte-a pensando ter demonstrado aquilo que julga que ninguém sabia.

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  36. Desconhecida's avatar
    H Rotos permalink
    30 Junho, 2008 14:46

    Este é um erro recorrente.
    Fazer hospitais é muito fácil, o que já não é fácil é que sejam uteis.

    Vamos então fazer muito mais estádios.
    No caso de Faro, o problema do hospital é que o estádio é lá para Loulé.
    Saia outro para o centro de Faro!

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  37. Desconhecida's avatar
    Mialgia de Esforço permalink
    30 Junho, 2008 14:55

    MJRB Diz:
    30 Junho, 2008 às 12:41 pm

    “Seria também muito interessante analisar a importância do futebol para o desenvolvimento intelectual, cultural e social dos portugueses…”

    Isto é a brincar, certo? Gosto muito de futebol, mas o único desenvolvimento que lhe consigo associar é talvez o aumento da violência doméstica…

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  38. Piscoiso's avatar
    30 Junho, 2008 15:02

    Se o futebol for responsável pelo aumento da violência doméstica, então que pensar do boxe ?
    E o tiro ao alvo ?

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  39. MJRB's avatar
    30 Junho, 2008 15:16

    Mialgia De Esforço,

    Óbvia, a minha ironia, associada ao interesse que o futebol terá na vida e comportamento dos portugueses…

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  40. Desconhecida's avatar
    30 Junho, 2008 15:31

    “Nos últimos 30 anos a França organizou 1 Europeu (1984) e 1 Mundial (1998): ganhou os dois. A Inglaterra, 1 Europeu (1996) mas em 1966 tinha organizado 1 Mundial. A Espanha organizou 1 Mundial (1982) e tinha organizado 1 Europeu em 1964.

    Foi a partir daí, evidentemente, que resvalaram no terceiro-mundismo…”

    Oh Dr. Abreu Amorim,

    Sinceramente, apesar de o “combater”, ainda lhe atribuia algum valor, pois de outra forma….nem perdia um segundo em vir a “sua” casa.

    O que é que pretende? Comparar Portugal com Espanha, Grã-Bretanha ou a França? Quer discutir PIB per capita? Quer discutir quantas empresas é que estes países têm nas 500 maiores empresas do mundo? Quantos PhD’s têm estes países face a Portugal? Quantas patentes produzem estes países?

    Apesar disto, qinda lhe deixo esta: se Portugal organizou um Euro em 2004, significa que não vai ter outro grande evento até 2034, a não ser que o Dr. Amorim, ache que Portugal seja um país mais “rico” do que aqueles países.

    É com estas respostas, que percebo porquê que o Dr. Amorim tem uma admiração hiperbólica pelo Dr. Menezes! Imagino que também admire o Dr. Isaltino ou o Sr. Narciso, tudo pessoas de “grandes obras”!

    Poupe-nos, Dr. Amorim, ou então irá para a Galeria do Caciquismo Nacional ….

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  41. berto's avatar
    berto permalink
    30 Junho, 2008 15:42

    Não creio que o futebol enquanto desporto de massas seja um motivo de alienação geral. É evidente que há quem se deixe alienar, os tais adeptos fanáticos. Mas concordo em pleno com a crítica aos novos estádios a propósito do euro2004. É claro que não se construiriam hospitais em vez de mais quatro novos e inuteis estádios, mas esta megalomania é sintoma de uma mentalidade terceiro-mundista. Se o país tem carências ataque-se primeiro essas carências, e depois que venham os TGV, aeroportos, auto-estradas, estádios de futebol e por aí fora. Vejam o exemplo irlandês, só para citar um.
    Ah, mas o futebol irlandês não presta, e não têm auto-estradas, mas têm um nível de vida muito superior ao nosso mesmo com essas carências todas, não têm?

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  42. MJRB's avatar
    30 Junho, 2008 15:47

    Seria também muito interessante saber quais as consequências positivas para Portugal e para os portugueses desde o Euro’2004. Vindas “de fora” e reaproveitadas/dinamizadas por nós.
    Que (reais) lucros, que dinâmicas, que desenvolvimento regional e nacional.

    Talvez por não quererem gastar –repito, gastar– dinheiro, é que a Suíça e a Áustria realizaram conjuntamente o Euro’2008…

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  43. MJRB's avatar
    30 Junho, 2008 15:54

    …Entretanto, o TIC do Porto decidiu hoje que Pinto da Costa não vai ser julgado no caso do jogo EAmadora-FCP.
    E tudo indica que “Carol” terá de responder por falso testemunho…

    Eu tenho avisado desde há meses que “o feitiço vai virar-se contra o feiticeiro”… “Carol”& amigos que se cuidem…

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  44. Lololinhazinha's avatar
    Lololinhazinha permalink
    30 Junho, 2008 15:57

    Eu não tenho a menor paciência para o futebol mas também não concordo com esta diabolização do futebol sob o pretexto da alienação do povo. Se não fosse o futebol seria a novela da noite, um reality show ou o caso Maddie.
    De todos estes, o futebol tem a vantagem de ser uma festa. Logo, se tem que haver um factor de alienação – e parece que tem – ao menos que seja o futebol. Sempre é mais giro, com as camisolitas iguais, os cachecóis e o hino…
    Parece que há uns anos os mundiais e o europeu faziam disparar as taxas de divórcio. Mas agora, com os créditos e a proliferação de Tvs em cada canto da casa já nem esse efeio negativo tem. Venha, pois, o Futebol!

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  45. MJRB's avatar
    30 Junho, 2008 16:04

    Só agora reparei que retiraram aquela imagem que me foi atribuída à direita, duma esquizofrénica com cabelos em pé….

    Miss Lololinhazinha,

    Óbvio que o futebol entontece quem nada mais tem para pensar nem fazer. Nem ler ou ouvir. Nem ver…o óbvio.
    Giro, o seu último parágrafo.

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  46. Desconhecida's avatar
    Shrek permalink
    30 Junho, 2008 16:08

    O problema do Dr. CAA é que, no fundo, também não gosta de Portugal!…

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  47. Lololinhazinha's avatar
    Lololinhazinha permalink
    30 Junho, 2008 16:12

    É verdade! Felizmente aquele boneco azul, mal disposto e com falta de ar já desapareceu!!!
    Boa!!

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  48. CAA's avatar
    30 Junho, 2008 16:25

    Tonibler,

    «Os espanhóis e alemães não são como são por causa do futebol. »

    Já percebi: aos espanhóis e alemães o futebol não faz mossa – agora se for Portugal a ter bons jogadores e paixão pela bola, isso já nos transporta para o subdesenvolvimento e a alienação.

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  49. Pi-Erre's avatar
    Pi-Erre permalink
    30 Junho, 2008 16:27

    O Fultebol é o Ólpio do Polvo.

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  50. CAA's avatar
    30 Junho, 2008 16:27

    Plus,

    «Quem são essas pessoas !?»

    Só no último mês e sem contar comos numerosos comentadores do Blasfémias, lembro-me de Pires de Lima no Expresso, Baptista-Bastos no DN, Miguel Gaspar no Público.

    Mas há muitos mais.

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  51. MJRB's avatar
    30 Junho, 2008 16:31

    A propósito, volto a sugerir a leitura do muito bom post de Manuel Maria Carrilho no seu blog “Contingências”.

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  52. MJRB's avatar
    30 Junho, 2008 16:34

    Da “esquerda caviar”, claro ! — este cartão de visita, inventado há meses, não é justo, mas enfim…

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  53. C. Medina Ribeiro's avatar
    30 Junho, 2008 17:03

    Há dias, no meio da loucura que se sabe, um repórter de uma estação de TV mimoseou-nos com esta:

    – Como não conseguimos entrevistar [o jogador], vamos entrevistar a mãe.

    Soltei uma imprecação e mudei de canal. Mas decerto não faltaria quem, vendo a minha reacção, comentasse que eu não gostava de futebol. Haja Deus!

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  54. MJRB's avatar
    30 Junho, 2008 17:26

    É que já nem vale a pena esforçarmo-nos para colocar aqui ou noutro fórum, um extenso rol de casos que demonstram a alienação que o futebol pode provocar…
    E neste Euro, em Portugal, quase esteve ao nível de 2004.

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  55. Tonibler's avatar
    30 Junho, 2008 17:34

    CAA,

    Eu disse que não faz mossa?

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  56. CAA's avatar
    30 Junho, 2008 17:52

    Tonibler,

    «Eu disse que não faz mossa?»

    Directamente não – mas inferi-o do contexto em que falou.

    Mas se alemães e espanhóis estão bem com o futebol, desenvolvem-se, crescem, têm cada vez mais qualidade de vida, porque razão não poderemos fazer o mesmo?

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  57. Desconhecida's avatar
    30 Junho, 2008 17:59

    O que acho mais curioso e’ quando apontam o futebol como causa de atraso, seja de que especie for, em Portugal. Na Alemanha, desde que comecou o Euro, cortam-se ruas em dias de jogo, as janelas estao cheias de bandeiras, anda tudo pintado com as cores da seleccao. Os campos de futebol e as equipas amadoras sao aos montes em cada esquina. So’ lhes falta o nosso jeito pra bola.

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  58. Desconhecida's avatar
    30 Junho, 2008 18:37

    Confundem alegria com alienação

    Viver com o pior salário da Europa, estar encalacrado em dívidas, ter os filhos inseridos num péssimo sistema de ensino, saber que o sistema de saúde, se um dia precisar dele, conta com filas de espera de décadas, estar ciente de que a corrupção é tamanha que se não fosse ela estaríamos ao nível de desenvolvimento económico da Finlândia – e contudo ficar alegre só porque 11 mânfios de calções, que nunca viram na vida, foram dar uns pontapés na bola depois de cantarem o hino? CAA, que caso mais tipificado de alienação pode você conceber?
    Eu amo Portugal, mais do que tudo na vida. É precisamente por isso que quero que o meu povo tenha orgulho patriótico porque o seu país é grande no concerto das nações, é rico e próspero, e não porque há nele uma dúzia de miúdos que sabe dar toques na chincha. Parece-me razoável.

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  59. Desconhecida's avatar
    30 Junho, 2008 18:39

    Termino citando uma passagem das Farpas de Eça de Queiroz, que serve de epígrafe ao meu blogue: «Os que sabem dar a verdade à sua pátria não a adulam, não a iludem, não lhe dizem que é grande porque tomou Calecute; dizem-lhe que é pequena porque não tem escolas. Gritam-lhe sem cessar a verdade rude e brutal. Gritam-lhe: tu és pobre, trabalha! Tu és ignorante, estuda! Tu és fraca, arma-te!».
    Substitua o «porque tomou Calecute» por um aggiornato «porque tem o Cristiano Rónaldo entre os titulares da selecção» e perceberá o total alcance do meu comentário anterior.

    Saudações,
    JV

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  60. MJRB's avatar
    30 Junho, 2008 19:14

    JV,

    Grato por me recordar Eça, o enorme Eça ! Apropriadíssimo para os tempos actuais !

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  61. Desconhecida's avatar
    Sem Anestesia permalink
    30 Junho, 2008 19:37

    Chego à conclusão que a “culpa” de todos os males portugueses é o futebol, essa danação que nos condena:
    – salários
    – hospitais
    – combustível
    – emprego

    É bom ter sempre um bode expiatório para esconder as verdades.
    Ora bem, o FC Porto foi fundado a 1893, o Benfica em 1904, o Sporting a 1906, a FPF a 1914.

    Portugal não tinhas problemas estruturais antes desses anos, todo o mal que nos caiu em cima veio depois, com o futebol.

    Está claro.

    PS: Piscoiso, como sempre, mordaz, acutilante e certeiro.

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  62. Fado Alexandrino's avatar
    Fado Alexandrino permalink
    30 Junho, 2008 19:38

    Saia outro para o centro de Faro!

    Não percebeu nada.
    Nem Faro precisa de um estádio, nem Loulé precisa de um Hospital.
    O que era preciso era que quer ao estádio quer ao hospital fosse dado o uso para que foram construídos.
    Mas tal não acontece.

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  63. Desconhecida's avatar
    30 Junho, 2008 19:53

    a “culpa” de todos os males portugueses é o futebol

    Não foi o que se disse, mas antes que o futebol constitui um meio de alienação. Se as pessoas sentem orgulho pátrio, a despeito de todos os problemas estruturais que o senhor enunciou, só porque 11 rapazinhos andam a correr atrás da redondinha, vivem numa realidade aparte. É facto objectivo.

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  64. MJRB's avatar
    30 Junho, 2008 20:49

    Jv,

    De facto, quando década após década o “orgulho pela pátria” ressurge SÓ ATRAVÉS DA SELECÇÃO DE FUTEBOL…é porque algo E ALGUÉM está mal !

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  65. ordralfabeletix's avatar
    ordralfabeletix permalink
    30 Junho, 2008 21:35

    “A diferença é o Dr. Abreu Amorim, e um qualquer Jurista Suíço ou Austríaco, é que já nem se lembram que os respectivos países, não passaram da primeira fase do Euro!”

    Quem lhe disse’ Tem falado com qualquer jurista suiço ou austríaco? Pois olhe que eu até li textos de um jurista que desanca no seleccionador suiço e na respectiva Federação por terem ficado pela 1ª fase. E quando lá fui ver o Suiça Portugal vi o entusiasmo com que eles festejaram a vitória contra a equipa B de Portugal. Era vê-los nos seus Audis R8 e Mercedes SLR a apitar e abanar as bandeirinhas.

    Os estádios são piores que os nossos? Pois são. As autoestradas também. E os aeroportos.E já agora os hospitais. São forretas estes suiços.

    “Continue na sua bovinidade.” Bovinos não os alemães. 300.000 à espera da Mannschaft que perdeu a final? Muuuuuu.

    «Seria curioso tentar saber quantos Mundiais organizou a França nos últimos 30 anos? Ou a Espanha? Ou a Grã Bretanha?

    França Euro84 Mundial98
    Inglaterra Euro96 Mundial66 . Olimpíadas Londres2012
    Espanha Mundial82 Olímpiadas Barcelona92
    Alemanha Euro88 Mundial74 e 2006: Olimpiadas Munique72
    Itália Euro80 Mundial90 Olimpiadas Roma 60

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  66. ordralfabeletix's avatar
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    30 Junho, 2008 21:49

    “Deveríamos ter. Pergunto-lhe, Dr. Amorim, preocupa-o mais a educação e a saúde dos seus filhos, ou a cilindrada/ potência do seu automóvel?”

    A cilindrada do automóvel deve estar à altura da educação dos filhos. Cá em Portugal temos saúde (tendencialmente)gratuita para todos.

    Na Suiça como É? Sabe? Seguro de saude obrigatório, com franquias e suplementos de pagamento se ultrapassar o plafond. E seguro suplementar se quiser ter mais coberturas. E com tudo isto o co-pagamento é responsável por quase 30% das despesas de saúde. E, malgré tout, não têm melhores hospitais que nós. Sabia que na Áustria (com uma população semelhante à nossa) se operam por ano menos cataratas que em Portugal (só no sector público)?

    Os austríacos têm Mozart e Salzburgo, é certo. E a Suiça a Novartis, a Nestlé, os relógios e a Banca. E os Alpes.

    Mas J, não tenha vergonha de ser português. Nem tenha medo de sermos mais bovinos que os outros. Aliás as vaquinhas suiças é que são famosas.

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  67. ordralfabeletix's avatar
    ordralfabeletix permalink
    30 Junho, 2008 22:08

    “Esse é o custo desta maluqueira, de teres um país (e nem sequer é o estado, são mesmo os pais) que investe no futuro futebolístico dos miúdos e não no seu futuro de facto”
    ” adolescentes… ouvirem o expoente máximo da música pimba germânica.Vão lá perguntar-lhe se querem ser cantoras ou médicas.”

    Houve o caso de uma virgula que fazia toda a diferença. Aqui é um acento agudo.O problema não é do País, é dos Pais.

    “Fazer hospitais é muito fácil, o que já não é fácil é que sejam uteis.”
    Nem mais. O problema da nossa Saúde não é a falta de recursos mas a sua gestão.

    “Parece que há uns anos os mundiais e o europeu faziam disparar as taxas de divórcio.”
    Agora as senhoras também vêm os jogos. E algumas vão À bola. Eu pelo menos levei a minha.

    “se Portugal organizou um Euro em 2004, significa que não vai ter outro grande evento até 2034”
    Pode ser que tenha um Mundial em 2018 a meias com Espanha. A aproveitar os estádios já existentes, o aeroporto e o TGV que aí vem. E aproveitar para dar mais exposição ao nosso país.

    Fazem ideia do que mudou no Mundo o conhecimento que as pessoas têm de Portugal? E da vontade que têm de nos visitar? Fazem ideia a quantidade de suiços e alemães que conheci em basel ou Freiburg que arranham português. Fazem ideia da notoriedade Portugal em países como o Oman, o Vietname, o Botswana? Fazem ideia que há 20 anos atrás o americano médio não sabia bem se Portugal era na América Latina ou em África, e agora muitos já cá vieram ( e comeram broa) e os outros sabem onde fica?

    E porque é que acham que isso acontece? Pelo Agostinho da SIlva e o Pessoa? Ou o Luifigo, CristianóRonaldó e o Euro 2004?

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  68. portela menos um's avatar
    portela menos um permalink
    30 Junho, 2008 22:45

    (…)Há uma pose ‘intelectualista’ da ‘esquerda caviar’ e da ‘direita snob (…)

    estou a começar a gostar da inovação discursiva de CAA

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  69. Desconhecida's avatar
    30 Junho, 2008 22:51

    Fazem ideia do que mudou no Mundo o conhecimento que as pessoas têm de Portugal? E da vontade que têm de nos visitar? Fazem ideia a quantidade de suiços e alemães que conheci em basel ou Freiburg que arranham português. Fazem ideia da notoriedade Portugal em países como o Oman, o Vietname, o Botswana? Fazem ideia que há 20 anos atrás o americano médio não sabia bem se Portugal era na América Latina ou em África, e agora muitos já cá vieram ( e comeram broa) e os outros sabem onde fica?

    Ena, se a coisa já vai aí então mudo de opinião. Já é perfeitamente razoável que as pessoas se considerem muito patriotas porque batem palmas aos 11 tolinhos. De que importa o jaez do ensino, a miséria dos salários, o nepotismo dos políticos e a promiscuidade entre os governos e a alta finança – se ele há americanos e ingleses a comer broa de Avintes porque vieram conhecer a terra do «Rónaldo»? Não, não é alienação de sorte nenhuma, isto de ter orgulho nos homens da chincha. Desde que falem de nós no Vietname e no Botswana, a Futebolândia é totalmente cabível. E se houver uns quantos homens em Basileia e Friburgo (é assim que se diz em Português, meu caro amigo profundamente patriota) a querer comer sardinhas, pimento assado e bacalhau com batatas numa tasquinha lisboeta, aí é que ficamos definitivamente reconciliados com a situação nacional.

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  70. Tonibler's avatar
    30 Junho, 2008 23:47

    CAA,

    “Mas se alemães e espanhóis estão bem com o futebol, desenvolvem-se, crescem, têm cada vez mais qualidade de vida, porque razão não poderemos fazer o mesmo?”

    A sério, CAA, dos alemães e dos espanhóis é problema deles. Vá assitir a um treino de uma escola de futebol dessas franchisadas do Porto ou do Benfica ou do Sporting, nas quais os pais pagam 50 euros por mês. Depois questione o custo de oportunidade de tudo aquilo, imagine que os pais berravam mecânica quântica ou amplificadores ou Platão ou pagavam 25 euros para que isso fosse berrado aos putos. Quando imaginar o volume do custo de oportunidade daquilo(nos milhares e milhares de putos que andam nessas escolas), olhe para os pais e pense se eles não têm razão. Afinal, sucesso neste país é sinónimo de dar pontapés na bola…

    Faça a experiência e terá a resposta. Porque, como tudo na vida, há dose. E “nós” já passamos a dose saudável. Agora já é veneno.

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  71. Lololinhazinha's avatar
    Lololinhazinha permalink
    1 Julho, 2008 00:01

    Tonibler,

    <confesso que não estou a perceber o ponto nesta sua estória das escolas de futebol. Se visse a minha sobrinha a dançar ballet diria exactamente o mesmo, com a diferença que a mensalidade é mais cara.

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  72. Tonibler's avatar
    1 Julho, 2008 00:10

    Lololinhazinha,

    Seria a mesma coisa se a sua sobrinha tivesse 200 mil colegas cujos pais acham que as hipóteses de sucesso na vida delas é o ballet.

    Atenção, não tem nada a ver com as escolas cujos profissionais são, surpreendentemente, fabulosos e valem bem o dinheiro das mensalidades. O custo de oportunidade está em pegar em 200 mil miúdos e fazê-los alinhar pela carreira do Cristiano Ronaldo e não pela do Enrico Fermi. E com razão, porque aquilo que se vê todos os dias é futebolistas milionários e físicos pobres. Só que quem pode fazer do país rico não são os futebolistas, e é aqui que está o custo de tudo isto.

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  73. ordralfabeletix's avatar
    ordralfabeletix permalink
    1 Julho, 2008 00:22

    “De que importa o jaez do ensino, a miséria dos salários, o nepotismo dos políticos e a promiscuidade entre os governos e a alta finança”

    Claro que importa. Mas e onde é que uma coisa colide com a outra? E porque é que o preocupa que a imagem de Portugal melhore?

    Sabe que hoje há uma coisa chamada Google que faz com que as pessoas digitam “Portugal” e descubram o país. E o país, para que saiba, apesar da jaez do ensino, da miséria dos salários, do nepotismo dos políticos e da promiscuidade entre os governos e a alta finança tem-se desenvolvido. Menos que o desejável? Certamente. Não se fizeram reformas estruturantes? Claro.

    Nas é o país onde vivemos. E do qual podemos ter orgulho. Noutros países bem mais desenvolvidos (p.e USA o ensino e a saúde pública são de uma jaez que nem se fala, há montes de miseráveis e a promiscuidade entre os governos e a alta finança é lá que moram porque é lá que há a alta finança).

    É isso que lhe falta. Se no nosso país sabemos que no Inverno chove muito, faz sentido queixarmos da chuva? Do nosso triste fado. Bem, podemos sempre falar do aquecimento global, mas aí o João Miranda salta-nos em cima.

    Não sou dos que acham que temos o país mais belo, nem a melhor comida, nem a melhor música. Mas porque conheço muito países saiba que acho que não estamos assim tão mal como pensa. Temos uma história e um passado de que nos podemos orgulhar. E temos de nos deixar de lamúrias e discursos tipo bota-abaixo e trabalhar. Para que o país avance um bocadinho. Temos de, lembrando JFK, deixar pensar o que é que o País nos pode dar, e pensar o que podemos fazer pelo País.

    PS: Se outros estados gastam milhões em publicidade para dar notoriedade aos seus países, visando atrair investimento e turismo, o Euro 2004 foi um investimento não foi um desperdício. Poderíamos é certo ter construído menos estádios. Mas o grosso das despesas não foram os estádios. Foram as infraestruturas. Que ficaram. Bem como a notoriedade. E a festa que tomtinhos de toda a Europa trouxeram até cá.

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  74. ordralfabeletix's avatar
    ordralfabeletix permalink
    1 Julho, 2008 00:27

    “Depois questione o custo de oportunidade de tudo aquilo, imagine que os pais berravam mecânica quântica ou amplificadores ou Platão ou pagavam 25 euros para que isso fosse berrado aos putos.”

    Como é que quer que os pais berrem mecânica quântica se nem uma conta de multiplicar sabem fazer? Se consomem reality shows e os Carreira? O que leva os pais às escolas de futebol é o que os leva ao “Ídolos”. A perspectiva de chegar a o sucesso pelo lado mais fácil e imediato, e o lado de pai/mãe coruja. “O meu filho é o melhor do mundo”, “aquele pé esquerdo”…

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  75. Desconhecida's avatar
    1 Julho, 2008 01:25

    Claro que importa. Mas e onde é que uma coisa colide com a outra?

    No exacto momento em que se diz que patriotismo é bramar pela selecção, sem que se inclua o civismo na definição.

    E porque é que o preocupa que a imagem de Portugal melhore?

    Porque é apenas a imagem, isto é, a carapaça exterior. O fulcro do país fica deteriorado, apesar de termos melhor aspecto. A maquilhagem não faz das mulheres seres humanos melhores, e a fama do «Rónaldo» não faz de Portugal uma nação melhor. Ora, o patriotismo deve decorrer de alterações fulcrais, e nunca de uma imagem melhor.

    Sabe que hoje há uma coisa chamada Google que faz com que as pessoas digitam “Portugal” e descubram o país. E o país, para que saiba, apesar da jaez do ensino, da miséria dos salários, do nepotismo dos políticos e da promiscuidade entre os governos e a alta finança tem-se desenvolvido. Menos que o desejável? Certamente. Não se fizeram reformas estruturantes? Claro.

    Nas é o país onde vivemos. E do qual podemos ter orgulho. Noutros países bem mais desenvolvidos (p.e USA o ensino e a saúde pública são de uma jaez que nem se fala, há montes de miseráveis e a promiscuidade entre os governos e a alta finança é lá que moram porque é lá que há a alta finança).

    O que de nada importa: com um incêndio na casa do vizinho posso eu bem. Na minha é que não. E nõ me orgulho da minha casa se sei que nela não há pão, só porque há gente que, ao passar, me gaba muito os vasos e o alpendre.

    É isso que lhe falta. Se no nosso país sabemos que no Inverno chove muito, faz sentido queixarmos da chuva?

    A chuva é irreversível. A promiscuidade entre políticos e ricaços, bem como a desigualdade gritante, não.

    Não sou dos que acham que temos o país mais belo, nem a melhor comida, nem a melhor música. Mas porque conheço muito países saiba que acho que não estamos assim tão mal como pensa. Temos uma história e um passado de que nos podemos orgulhar.

    Remeto-o para a frase de Eça que deixei no comentário 59. Cai como uma luva.

    E temos de nos deixar de lamúrias e discursos tipo bota-abaixo e trabalhar. Para que o país avance um bocadinho. Temos de, lembrando JFK, deixar pensar o que é que o País nos pode dar, e pensar o que podemos fazer pelo País.

    Podemos, desde logo, deixar de dizer que é patriotismo apoiar a selecção, e de tentar negar que o apoio que se lhe dá decorre de uma alienação.

    o Euro 2004 foi um investimento não foi um desperdício. Poderíamos é certo ter construído menos estádios. Mas o grosso das despesas não foram os estádios. Foram as infraestruturas. Que ficaram. Bem como a notoriedade.

    Mas qual notoriedade, qual carapuça! Notoriedade não é haver meia dúzia de pessoas que sabem apontar o nosso país num planisfério: é termos peso na política internacional, na economia do Globo,é sermos um país respeitado, cuja voz se ouve. Sermos a tugolândia saloia onde se fazem uns campeonatos giros e se vai, no Verão, beber umas «loiras» e comer broa, de nada nos serve enquanto Estado – ganham-se uns cobres, mas o estatuto da Nação no Mundo não sai objectivamente engrandecido. Fama não é força, e notoriedade não é notabilidade.
    Quanto a mim, há que pugnar por isso. E só o poderemos obter quando os cidadãos exigirem ou impuserem a alteração dos comportamentos da classe política para que esta guie Portugal à prosperidade. Ora, só o obteremos quando as pessoas perceberem que é esse tipo de atitude que se reveste de carácter patriótico, e não uma choraminguice sem pés nem cabeça quando o Rónaldo começa a cantar «A Portuguesa» enquanto pensa na próxima boazona que vai engatar e no carro que vai comprar com os milhares que ganhou no anúncio do BES.

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  76. tonibler's avatar
    1 Julho, 2008 10:18

    “Como é que quer que os pais berrem mecânica quântica se nem uma conta de multiplicar sabem fazer?”

    Também não sabem jogar futebol. Só sabem que dá dinheiro, gajas e sucesso.

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  77. Desconhecida's avatar
    1 Julho, 2008 12:03

    Porque não Hitler versus Franco?

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  78. CAA's avatar
    1 Julho, 2008 18:21

    «Porque não Hitler versus Franco?»

    Porque esse só sabiam dar chutos às pessoas…

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  79. CAA's avatar
    1 Julho, 2008 18:21

    Digo ‘esses’.

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  80. ordralfabeletix's avatar
    ordralfabeletix permalink
    2 Julho, 2008 02:31

    “Podemos, desde logo, deixar de dizer que é patriotismo apoiar a selecção, e de tentar negar que o apoio que se lhe dá decorre de uma alienação.”

    Podemos então dizer que o Rei Juan Carlos é um pateta dum pseudopatriota alienado que além de ir a Viena ver o jogo em (claro, não foi representar o Estado; nem Zapatero) ainda desceu aos balneários onde foi fotografado todo sorridente a segurar a Taça.

    PS: Pelos links do seu blog percebe-se donde lhe vem a inspiração e o patriotismo. Mais o Dia da raça. Mas olhe que o doutor AOS também acarinhava o futebol. E que bem lhe cairam as vitórias do Benfica e as lágrimas do Eusébio em 66.

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  81. Desconhecida's avatar
    2 Julho, 2008 09:40

    Podemos então dizer que o Rei Juan Carlos é um pateta dum pseudopatriota alienado que além de ir a Viena ver o jogo em (claro, não foi representar o Estado; nem Zapatero) ainda desceu aos balneários onde foi fotografado todo sorridente a segurar a Taça

    Não sei se seria um alienado ou se estaria a fazer simples aproveitamento político. Em todo o caso, a proceder erradamente por conferir ao futebol uma importância que não tem.
    No que ao resto diz respeito, o ataque ad hominem é falácia tipificada. Como o Ordralfabeletix não sabe o que há-de responder à tese que postulo, tenta denegri-la apelando para as ideias que tenho ou deixo de ter. Não demonstra um grande carácter, nem uma capacidade intelectiva especial: mas o que esperar num caso ou noutro de alguém que se diz um patriota só porque dá uns berros no sofá quando o «Rónaldo» manda bolas à trave?

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  82. ordralfabeletix's avatar
    ordralfabeletix permalink
    3 Julho, 2008 00:59

    “mas o que esperar num caso ou noutro de alguém que se diz um patriota só porque dá uns berros no sofá quando o «Rónaldo» manda bolas à trave?”

    Nem dou berros no sofá nem me digo patriota. Só não me considero alienado. Nem tenho uma visão negativa e saudosista do meu país. Nem avalio ocarácter de quem conheço. Apenas tento compreender os argumentos da outra parte pela análise da ideologia que lhe está subjacente. Que não é, já se percebe, a do Fado, Fátima e “helas” Futebol.

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  83. ordralfabeletix's avatar
    ordralfabeletix permalink
    3 Julho, 2008 01:00

    “Nem avalio ocarácter de quem conheço”

    Obviamente, queria dizer: Nem avalio o carácter de quem não conheço.

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  84. ordralfabeletix's avatar
    ordralfabeletix permalink
    3 Julho, 2008 01:03

    “Em todo o caso, a proceder erradamente por conferir ao futebol uma importância que não tem.”

    Diz você. Mas não dizem o Zapatero, a Merkel, o Juan Carlos, o velhinho Sandro Pertini,o Lula. E como vê não tem nada aver cm ideologia. Tem a ver com paixão. Só isso. Por isso a sua frase é tão disparatada como dizer que o amor não tem importância nem faz avançar o País.

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  85. Desconhecida's avatar
    3 Julho, 2008 14:13

    Nem avalio o carácter de quem não conheço

    Qualquer pessoa que recorre ao ataque ad hominem para vencer uma discussão tem evidentemente mau carácter. Quem não se cinge à discussão dos pontos de vista e tenta rebater uma tese apelando para o que quer que a outra pessoa pensa sobre um tema qualquer, está puramente a tomar um caminho inaceitável do ponto de vista moral. A fazer lembrar, por exemplo, uma discussão qualquer que houve entre Mário Soares e Sá Carneiro, nos anos 70, em que o socialista, numa altura em que estava a ser cilindrado pelo social-democrata, contra-atacou dizendo que este vivia com uma mulher sem estar casado com ela. Ou seja, trouxe para a discussão pública um tema em que em nada se relacionava com as propostas políticas que deveriam ser discutidas em campanha. Ora, no caso vertente, a única coisa que importa para o debate é saber se a minha opinião é ontologicamente correcta ou não. Isso descobre-se discutindo-a em si mesma, tentando perceber se a sua estruturação enferma de algum erro. O que eu penso sobre outros assuntos quaisquer de nada importa para o caso – ou o Ordralfabeletix propugna que o ensino do pensamento de Heidegger seja banido de todas as Universidades e universalmente considerado como erróneo só porque o homem apoiou o nazismo?

    Apenas tento compreender os argumentos da outra parte pela análise da ideologia que lhe está subjacente

    Não, não «tentou compreender» o meu argumento, mas descredibilizá-lo pelo recurso ao pensamento político que eventualmente tenho. Basta ler o seu comentário 80 – pelos links do seu blog percebe-se donde lhe vem a inspiração e o patriotismo. Mais o Dia da raça.
    Isto é a afirmação clara de que (1) não há aqui tentativa de compreensão mas demonstração clara de que já se percebeu, e (2) pela contextualização e pela linguagem empregue se infere ser sua intenção dar a entender que os meus argumentos não têm procedência porque hipoteticamente relevam da doutrina salazarista, ou coisa que o valha. Isto não é uma linguagem «compreensiva», ou seja, de quem está, como disse, a tentar analisar melhor os argumentos alheios percebendo que opiniões políticas tem o seu autor: é sim o tipo de retórica de quem tenta apoucar o que o adversário diz trazendo à colação características que ele tem mas que em nada se relacionam com o assunto em debate. É, como disse, um ataque ad hominem, com todas as consequências acima enunciadas.

    Diz você.

    Digo-o eu e percebe-o qualquer pessoa que não esteja a tentar esconder(-se de) uma evidência. O futebol é uma simples actividade desportiva que em nada contribui para o desenvolvimento objectivo dos países. O Brasil não deixou de ter dezenas de milhões de pessoas a viver em favelas porque ganhou cinco campeonatos do Mundo. Pelo que transmitir a ideia de que o futebol é importante constitui um erro grave na enunciação das coisas, e serve, por outro lado, para projectar a imagem dos políticos e/ou para esconder os males do país pelo circo que se dá ao povoléu.

    Mas não dizem o Zapatero, a Merkel, o Juan Carlos, o velhinho Sandro Pertini,o Lula.

    Argumentos de autoridade? Não pegam. E de resto não referiu um único político que não precisasse de se projectar às custas do futebol para se manter à tona.

    E como vê não tem nada aver cm ideologia.

    Eu não disse que tinha a ver com ideologia. Disse que se tratava de aproveitamento político. A ditadura militar brasileira também cunhou a expressão de que a selecção é «a Pátria de chuteiras», e, honra lhes seja, nenhum dos políticos que referiu está ideologicamente próximo de Garrastazu Médici. A minha ideia era bastante mais comezinha: disse apenas que quando os políticos estão apertados dizem às pessoas que gostam muito da selecção, que esta é um símbolo da Pátria, e que o fervor que depositam em acompanhá-la é o mesmo que eles depositam a acompanhá-la. Conseguem, com isso, pôr as pessoas a pensar que «o tipo é um porreiro, até gosta do país», sem perceberem que gostar efectivamente do país passa por uma atitude de vigilância cívica e de exigência para com os políticos no que toca ao progresso objectivo da vida das pessoas, e não por futebóis.

    Por isso a sua frase é tão disparatada como dizer que o amor não tem importância nem faz avançar o País

    O amor à Pátria consiste em lutar pelo seu desenvolvimento objectivo, do ponto de vista económico, educativo, administrativo, diplomático. Ter amor aos 11 tolinhos da bola em nada fomenta o desenvolvimento da Nação. Pode fazer com que dois ou três tipos de Basileia queiram vir cá comer sardinhas no Verão, mas isso não constitui uma alteração estrutural do nível de vida das populações. Espero que à séptima ou oitava vez que lho digo tenha finalmente percebido a ideia.

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  86. Desconhecida's avatar
    ordralfabeletix permalink
    3 Julho, 2008 15:12

    “E de resto não referiu um único político que não precisasse de se projectar às custas do futebol para se manter à tona.”

    O Juan Carlos precisa do futebol para se manter à tona? Essa é nova para mim.

    “O amor à Pátria consiste em … Ter amor aos 11 tolinhos da bola…”

    Não sei se não entende ou não quer entender. Não tenho amor a nenhum dos “11 tolinhos da bola”. Até acho que alguns nem deviam ter lá estado. Falo de paixão pelo jogo. Oe se tem ou não. Se não tem, alheie-se. E deixe que os outros a tenham e sejam felizes com isso.

    !

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  87. Desconhecida's avatar
    3 Julho, 2008 19:06

    O Juan Carlos precisa do futebol para se manter à tona? Essa é nova para mim.

    O que não abona de todo em seu favor: é sabidoque a popularidade de Juan Carlos não anda exactamente em alta: a censura a uma caricatura do prícipe Filipe e da mulher, a que se seguiram declarações insólitas de Juan Carlos, dizendo que a monarquia sustenta a constituição e não vice-versa (como sucede em todos os Estados monárquicos constitucionais do Mundo), causaram profundo constrangimento em Espanha. O Rei ainda não conseguiu descolar-se da imagem que gerou por essa altura, e vem precisando restaurar a sua imagem de encarnação natural da Nação Espanhola desde aí. Ora, o futebol e a mentalidade da selecção-pátria-de-chuteiras é uma das formas mais safadas e, graças a gente com a mentalidade que o Ordralfabeletix aplaude, mais frutuosas de o fazer.
    Pode verificar o que acabo de lhe dizer na republicaníssima BBC:

    http://news.bbc.co.uk/hi/spanish/international/newsid_7023000/7023139.stm

    http://news.bbc.co.uk/hi/spanish/international/newsid_7096000/7096255.stm

    Os monarcas também precisam de apoio popular. Se o não tiverem, a população força os políticos a tomar medidas republicanizantes. Já aconteceu mais de uma vez na História da Europa, e inclusivamente em Espanha. Juan Carlos sabe disso, e está a tentar colar os cacos: a tomada de posição que teve ante Chavez também foi lida como tal – como uma forma de demonstrar que era um «macho español» que manda calar os outros.

    “O amor à Pátria consiste em … Ter amor aos 11 tolinhos da bola…”

    Não tenho amor a nenhum dos “11 tolinhos da bola”. Até acho que alguns nem deviam ter lá estado. Falo de paixão pelo jogo.

    Não, não fala nadade paixão pelo jogo. O Ordralfabeletix disse claramente que para si ter paixão pela selecção equivale a ter amor à Pátria, e que de uma coisa se passa à outra. Está aqui, com clareza: não tem nada aver cm ideologia. Tem a ver com paixão. Só isso. Por isso a sua frase é tão disparatada como dizer que o amor não tem importância nem faz avançar o País.
    Se estava a falar simplesmente de paixão pelo futebol, esta do «sem amor não se faz andar o país está aqui a martelo e totalmente a despropósito. No mínimo.

    Se não tem, alheie-se. E deixe que os outros a tenham e sejam felizes com isso.

    Vamos ver se é desta: alegria quando se está a viver mal, num país fraco em todos os aspectos, onde a economia é péssima, as pessoas desesperam sem dinheiro, sem educação, com uma saúde inenarrável, e nenhuma perspectiva de melhoria no curto/médio prazo, é objectivamente imposível. Se essa alegria é alcançada sem ser porque ao menos um destes factores teve alterações, se decorre do facto de uns tipo que ninguém conhece pessoalmente foram dar pontapés na bola depois de cantarem o hino, então as pessoas estão sentir-se alegres com uma coisa que em nada as beneficia, que nada altera na sua vida. Estão alegres por nada, porque estão a viver fora de si mesmas e a vibrar com algo que não lhes diz respeito. Esta é a definição de alienação, e confundir as duas coisas denota um problema grave.
    No México, onde tenho amigos, é comum ouvir dizer aos senhores de posição que as pessoas dos bairros de lata não precisam de salários melhores porque se tiverem uma televisão para ver a novela já ficam contentes. O processo é idêntico – estão a tomar uma dose de anestesiante para se esquecerem dos problemas factuais, e acham que a embriaguez é a verdadeira alegria. Não é. E o civismo consiste em demonstrar isto e lutar contra quem quer manter as coisas neste pé.

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  88. ordralfabeletix's avatar
    ordralfabeletix permalink
    3 Julho, 2008 22:50

    “não tem nada a ver cm ideologia. Tem a ver com paixão. Só isso.”

    Tem a ver com paixão. Só isso. Paixão pelo jogo. Só isso.

    “Estão alegres por nada, porque estão a viver fora de si mesmas..”

    Estão alegres porque têm família, porque têm gente que os ama e que amam, porque têm uma profissão que os realiza. Porque têm um livro para ler, um filme para ver, uma música para ouvir, um quadro para olhar. Um jogo de futebol ou rugby para vibrar. Uma garrafa de um Douro para saborear. E mesmo que o que lhes cause alegria não mude a sua vida, o momento é importante. E um momento de felicidade faz bem até à saúde.

    “…e a vibrar com algo que não lhes diz respeito”

    Mas porque é que não lhes pode dizer respeito?

    “propugna que o ensino do pensamento de Heidegger seja banido de todas as Universidades”

    É curioso que invoque Heidegger, um existencialista. Que valorizava o primado da existência, da individualidade e da subjectividade. Que o JV não quer entender. Fique sabendo que também bebi Heidegger. E Nietzsche. E Rilke. E Wagner. Todos eles eram apreciados por Hitler? E depois. Hitler também gostava de Cranach e Kandinsky.

    É ainda curioso que invoque Heidegger porque na mjnha incursão pelo Euro fiquei em Freiburg, onde Heidegger viveu, ensinou e morreu.

    “é sabido que a popularidade de Juan Carlos não anda exactamente em alta”

    A minha memória é farta. E lembro-me que no Mundial de 82 Juan Carlos também ia ao futebol. E aí, a sua popularidade estava bem alta. Acabadinho de esmagar com um discurso o golpe de Tejero.Aliás, a família real espanhola sempre esteve presente em eventos desportivos. Até como atletas olímpicos. De vela, como a rainha Sofia em 1960, o próprio rei em 72, a infanta Cristina em 88, o Principe Filipe em 92 e Iñaki Urdigarain em 96 em andebol. Por isso não vejo a participação de Juan Carlos como uma atitude interesseira, antes genuína.

    Por isso, caro JV, aplico a mim mesmo a frase de Juan Carlos “Por que no te callas”. Porque esta nossa troca de impressões não leva a nada. Nem contribui para a minha felicidade nem para o desenvolvimento do País. E ainda por cima o post já está fora da página.

    E faço de conta que não li “Não demonstra um grande carácter, nem uma capacidade intelectiva especial”

    Termino voltando ao ínicio citando o post do CAA. “Há uma pose ‘intelectualista’ da ‘esquerda caviar’ e da ‘direita snob’ que se desmancha perante a hipótese de o País se portar bem. Confundem alegria com alienação.”

    Pelos links do seu blog percebo que não é da esquerda caviar. Daí fazer todo o sentido lembrar-lhe que é da direita snob.

    Adeus e até à próxima.

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  89. Desconhecida's avatar
    3 Julho, 2008 23:42

    não tem nada a ver cm ideologia. Tem a ver com paixão. Só isso.”

    Tem a ver com paixão. Só isso. Paixão pelo jogo. Só isso.

    Volto a dizer que não era disso que estava a falar, bastando para isso ler que, logo a seguir, disse que só com amor é que o país progride. Portanto, acoplou e associou essencialmente as duas coisas. Não lhe adianta agora tentar, com ademanes e sofismas, fazer crer que não disse o que qualquer um pode ler. Há-de ter reparado que o truque não surtiu efeito quando diz dar a entender que se referiu à ideologia que hipoteticamente tenho não para proceder a um ataque «ad hominem» mas antes para perceber melhor o que eu queria dizer. Parecia-me que, por um processo de indução lógica possível a qualquer criança que consiga alguma sorte de raciocínio abstracto, veria que não conseguia fazer a mesma coisa com outra situação e ter sucesso. Constato que o sobrestimei.

    “Estão alegres por nada, porque estão a viver fora de si mesmas..”

    Estão alegres porque têm família, porque têm gente que os ama e que amam, porque têm uma profissão que os realiza. Porque têm um livro para ler, um filme para ver, uma música para ouvir, um quadro para olhar. Um jogo de futebol ou rugby para vibrar. Uma garrafa de um Douro para saborear. E mesmo que o que lhes cause alegria não mude a sua vida, o momento é importante. E um momento de felicidade faz bem até à saúde.

    Englobar num mesmo sofisma coisas ontologicamente diferentes dando a entender, pelo tipo de linguagem usada, que são sequer comparáveis, só cimenta o apodo de sofista que já lhe foi aqui diagnosticado. Ter uma família é de facto uma alegria, porque constitui a criação de uma célula de realização afectiva, pessoal e humana. Bem como ter uma profissão de que se gosta. Quanto ao resto, a menos que se viva em hiper-êxtase sensitivo, não causará propriamente alegria, mas quando muito fruição estética ou satisfação. Coisas profundamente diferentes.
    Além disso, do que falávamos era de alegria radicando em orgulho pátrio. E não é com base em nenhuma dessas coisas – nomeadamente, por ser o tema da discussão, com base no futebol – que tal se deve alcançar. Por uma questão de saúde, no caso, ou até mental.

    “…e a vibrar com algo que não lhes diz respeito”

    Mas porque é que não lhes pode dizer respeito?

    Porque nada ganham com isso, nem material nem espiritualmente. Ficam satisfeitos por uns momentos, dão uns gritos, uns abraços ao vizinho, têm o seu «orgasmo de portugalidade postiça» como escrevia em tempos Maria Filomena Mónica. Mas findo o Euro, o que significou isso para a sua vida? Realizaram-se como seres humanos? Estão melhor? Estão mais sábios? Estão mais ricos? Estão mais livres? Estão na mesma. Estar feliz porque se está na mesma, só porque se teve contacto com uma circunstância exterior altamente extasiante chama-se psychadelis, em Grego. Aristóteles achava que era isso que punha os homens mais próximos dos animais, e por conseguinte mais aptos à escravidão – sabe-se lá porquê…

    “propugna que o ensino do pensamento de Heidegger seja banido de todas as Universidades”

    É curioso que invoque Heidegger, um existencialista. Que valorizava o primado da existência, da individualidade

    Mas eu não. E, em todo o caso, não fica satisfeita nem a dimensão individual nem a dimensão subjectiva (a menos que tenhamos o tal hiper-êxtase sensitivo que já referi) da pessoa em questão com a fruição do show futebolístico, como provei bastamente acima.

    “é sabido que a popularidade de Juan Carlos não anda exactamente em alta”

    lembro-me que no Mundial de 82 Juan Carlos também ia ao futebol. E aí, a sua popularidade estava bem alta. Acabadinho de esmagar com um discurso o golpe de Tejero.Aliás, a família real espanhola sempre esteve presente em eventos desportivos. Até como atletas olímpicos. De vela, como a rainha Sofia em 1960 o próprio rei em 72, a infanta Cristina em 88, o Principe Filipe em 92 e Iñaki Urdigarain em 96 em andebol. Por isso não vejo a participação de Juan Carlos como uma atitude interesseira, antes genuína

    Em 1960 e em 1972 não havia «Rainha Sofia» nem «Rei Juan Carlos». Essa vasta memória precisa de uns consertos, está visto, ou de um par de aulas de História sobre as três últimas décadas do séc. XX. E, de resto, em 1982 a anfitriã do Mundial era Espanha. Mal seria se o Rei não fosse. Tal como para os Jogos Olímpicos de 1992, que se celebraram em Barcelona. Sobra, por isso, um evento desportivo, as Olimpíadas de Seul – onde, pelo que me diz, quem esteve presente foi a filha mais nova do Rei, o que diz muito do interesse devotado pelo monarca à competição. Já nem falo de Iñaki Urdangarin, por ser duque de Palma de Maiorca enquanto consorte Cristina. Um homem que nem tem sangue real – eis uma representação de peso da Casa de Borboun, está visto. De facto, quando a popularidade não interessava ao Rei ela estava lá sempre, ou mandava sempre gente de peso em sua representação. Não há dúvidas.

    Por isso, caro JV, aplico a mim mesmo a frase de Juan Carlos “Por que no te callas”. Porque esta nossa troca de impressões não leva a nada.

    Porque o Ordralfabeletix insiste em querer dizer que o futebol não é uma forma de alienação, contra todas as provas que avancei nesse sentido e que nunca foi capaz de discutir em termos. Mandar-me calar é o mesmo que supor que, fechando uma porta, a realidade exterior desaparece. Não será assim. As coisas continuaram a ser como são, e não é porque as cala que as muda.

    E faço de conta que não li “Não demonstra um grande carácter, nem uma capacidade intelectiva especial”

    Eu, no seu lugar, preocupava-me em melhorar essa situação. Ter-se servido de um argumento «ad hominem» revelam falhas graves aos dois níveis.

    Termino voltando ao ínicio citando o post do CAA. “Há uma pose ‘intelectualista’ da ‘esquerda caviar’ e da ‘direita snob’ que se desmancha perante a hipótese de o País se portar bem. Confundem alegria com alienação.”

    Já que o faz, repito-lhe a resposta que dei a CAA, e que nem ele nem ninguém logrou rebater: termino citando uma passagem das Farpas de Eça de Queiroz, que serve de epígrafe ao meu blogue: «Os que sabem dar a verdade à sua pátria não a adulam, não a iludem, não lhe dizem que é grande porque tomou Calecute; dizem-lhe que é pequena porque não tem escolas. Gritam-lhe sem cessar a verdade rude e brutal. Gritam-lhe: tu és pobre, trabalha! Tu és ignorante, estuda! Tu és fraca, arma-te!».
    Substitua o «porque tomou Calecute» por um aggiornato «porque tem o Cristiano Rónaldo entre os titulares da selecção» e perceberá o total alcance do meu comentário anterior
    .
    É isto que é essencial reter.

    Pelos links do seu blog percebo que não é da esquerda caviar. Daí fazer todo o sentido lembrar-lhe que é da direita snob.

    É verdadeiramente um elogio ser declarado snob por alguém que é, como o senhor, um futeboleiro colaboracionista com a mentalidade mediocrizante da pátria de chuteiras e está disposto a negar à outrance que o futebol constitui um mecanismo de alienação, mesmo com evidências à frente, nem que para isso seja preciso recorrer à sofística. Um sincero obrigado, e até sempre.

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  90. ordralfabeletix's avatar
    ordralfabeletix permalink
    4 Julho, 2008 14:27

    Homem, você é que revela flhas graves a nivel da compreensão.

    “Volto a dizer que não era disso que estava a falar” Então o meu amigo sabe melhor do que eu aquilo de que falo? Já é tique.

    “Mandar-me calar”. Eu não mando ninguém calar. Mandei-me calar a mim próprio.

    “Em 1960 e em 1972 não havia «Rainha Sofia» nem «Rei Juan Carlos».” Não eram rei nem rainha mas participaram nos Jogos Olimpicos representando os seus países na Vela. Como está escrito.

    “Porque nada ganham com isso” Porque é que havemos de ficar a ver o pôr do sol se não ganhamos nada com isso?

    “É verdadeiramente um elogio ser declarado snob” E era mesmo um elogio. Já qeu eu, mero vendedor de peixe numa aldeia gaulesa, consigo trocar ideias respeitando os outros e sem recorrer a insultos.

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  91. Desconhecida's avatar
    4 Julho, 2008 14:50

    “Volto a dizer que não era disso que estava a falar” Então o meu amigo sabe melhor do que eu aquilo de que falo?

    Basta analisar o tipo de linguagem que utilizou e o contexto em que o fez. Não há aqui solipsismo: na circunstância em que falou e do modo que o fez, estava a associar o amor ao futebol ao amor à Pátria, e a dizer que de uma coisa se passa à outra. O seu discurso é um objecto em si mesmo, não lhe adiantando dizer que o significado da frase depende da vontade do sujeito da enunciação. O significado da frase avalia-se pelos termos que lá estão no momento e da forma que foram expressos. Ora, vendo estes ângulos todos, não há como não inferir que o Ordralfabeletix acoplou amor à selecção e amor à Pátria, dizendo que é preciso amar a selecção porque sem amor os países não progridem.

    “Em 1960 e em 1972 não havia «Rainha Sofia» nem «Rei Juan Carlos».”Não eram rei nem rainha mas participaram nos Jogos Olimpicos representando os seus países na Vela. Como está escrito.

    Também está escrito que eram Rei e Rainha, e isso é falso. Em todo o caso, o franquismo, como todas as ditaduras, precisava destas encenações para viver.

    “Porque nada ganham com isso” Porque é que havemos de ficar a ver o pôr do sol se não ganhamos nada com isso?

    Alegria porque se vê um pôr do sol? Por uma fruição estética momentânea e sem consequência? Onde é que isto é motivo de júbilo, de satisfação, de felicidade? Só em estado de embriaguez.

    “É verdadeiramente um elogio ser declarado snob” E era mesmo um elogio. Já qeu eu, mero vendedor de peixe numa aldeia gaulesa, consigo trocar ideias respeitando os outros e sem recorrer a insultos.

    Não, não consegue. O facto, sobejamente provado, de que recorreu aos ataques «ad hominem» para apoucar a minha argumentação, prova-o: é que esse tipo de arrazoado é não só sofístico mas também insultuoso, ou, pelo menos caviloso. E o mesmo facto atesta de ter recorrido ao ataque «ad hominem» demonstra, cabalmente, como eu também já disse mais do que uma vez, que é objectivamente verdade que o Ordralfabeletix tem os defeitos de carácter de capacidade intelectiva que lhe apontei. Pelo que quando o afirmei não teci nenhum insulto – dado o seu procedimento prévio limitei-me a reportar o seu estado.
    Um coxo não pode sentir-se aviltado porque lhe dizem que manca. Um comprovado sofista, analogamente, tem tão-só de aceitar como evidente a sua desonestidade intelectual. Se o Ordralfabeletix, depois de por mais de uma vez ter sido apanhado em falso na utilização de argumentos falaciosos, está descontente, só tem uma coisa a fazer: tornar-se uma pessoa melhor. Não ganha nada em culpar os outros de um mal que é só seu.

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