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Leituras: The return of history and the end of dreams.

4 Julho, 2008
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Publicado em 2008, “The return of History and the end of dreams” é uma obra de Robert Kagan. A edição analisada é a 1ª edição da editora Atlantic Books, London.

O título da obra leva de imediato o leitor a compreender estar perante uma crítica à conhecida teoria sobre o fim da História – uma teoria que, em larga medida, Kagan procura refutar. O autor acredita estar o mundo essencialmente dividido em dois campos fundamentais, mas, ao contrário de outros, não acredita em qualquer choque de civilizações, antes prefere debruçar-se sobre a clivagem entre Democracias e o que designa por Autocracias – envolvendo neste campo países como a China, A Rússia ou o Irão.

Para o autor, “The world has become normal again” – a competição entre nações está novamente a processar-se em larga escala, passadas que teriam sido as ilusões pós-1989. A primeira metade do livro desenvolve as ideias do autor sobre a Rússia, a China, o Japão, a Índia, e o Irão, terminando nos EUA. As Autocracias estariam, para o autor, a conseguir promover o crescimento da riqueza nacional, abrindo a actividade económica ao mesmo tempo que fecham o sistema político “…people making money willl keep their noses out of politics, especially if they know their noses will be cut off” (pág. 57).

Os autocratas, segundo Kagan, “believe in autocracy” (pág. 59), e estariam na companhia de figuras como Platão e Aristóteles, entre outros, na crítica à Democracia. Mais ainda, “To nonliberals, the international liberal order is not progress. It is oppression” (pág. 67). Para o autor, existe um cisma entre Democracias a Autocracias, e se “the autocrats share common interests” (pág.70), não seria menos verdade que “a global competition is under way” (pág.70). O domínio americano do mundo seria em alguns casos, segundo Kagan, tolerado e até apoiado na qualidade de “mal menor” – muitos países teriam maior receio dos seus vizinhos do que dos EUA (pág. 91).

Na parte final da obra, o autor insta as Democracias a concertarem as suas acções, eventualmente através da criação de uma entidade própria (pág. 97) a qual poderia suprir alguns problemas encontrados na ONU, uma entidade onde têm assento as Autocracias. Numa palavra, “the world´s democrats will have to stick together” (pág. 98), uma vez que as vitórias das Democracias (WW2, Guerra fria) “were not inevitable, and they need not be lasting” (pág. 105).

Como comentário a esta interessante obra, diria que Robert Kagan poderá eventualmente ser criticado por colocar a par, sob a designação de Autocracias, regimes políticos com algumas diferenças significativas. Deve ser tomado em linha de conta o aviso de que a actual supremacia das Democracias poderá não durar para sempre. Poderemos sempre recordar a guerra entre Atenas e Esparta, e recordar o respectivo desfecho. É que, se para Péricles o seu regime era chamado uma Democracia por ser administrado no interesse não de poucos mas antes de muitos (Tucídides), tal não impediu o fim da Democracia Ateniense. Já a união entre Democracias, um objectivo importante, seria talvez mais fácil de atingir pela reconversão e alargamento da NATO ao conjunto do mundo democrático (F.L., 2004).

José Pedro Lopes Nunes

5 comentários leave one →
  1. CAA's avatar
    4 Julho, 2008 18:42

    Excelente escolha, texto muito bom e magnífica fotografia.

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  2. Pi-Erre's avatar
    Pi-Erre permalink
    4 Julho, 2008 19:56

    Cada vez há mais utopistas neste mundo. Este é um deles.

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  3. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    4 Julho, 2008 19:56

    Muitos dos países que estão a crescer em forte ritmo são Democracias, mas tiveram a sorte de não terem passado pela contra-cultura e o Maio de 68 que destruiu as bases da educação sem substituí-las por algo válido.
    Mas como alguns dos mais emblemáticos são ditaduras estou de acordo que a partir do momento em que começar a chegar ao comum habitante Europeu o crescimento económico (pode acontecer por ex: várias empresas começarem a serem compradas) por contraste com o muito menor crescimento nos seus países, adicionando um comportamento vergonhoso da classe política Europeia a ter um conceito sui generis de Democracia até votarem “SIM” as probabilidades da democracia perder um pouco de brilho são fortes.

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  4. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    4 Julho, 2008 20:17

    “Os autocratas, segundo Kagan, “believe in autocracy” (pág. 59), e estariam na companhia de figuras como Platão e Aristóteles, entre outros, na crítica à Democracia.”

    É normal os autocratas acreditarem na autocracia. Mas adiante-se, que é falso que Platão ou Aristóteles alguma vez tenham feito criticas à Democracia. A ideia (conceito) que temos de Democracia, por exemplo, é totalmente diferente da dos gregos antigos. Erro crasso do autor, que devia saber isso.

    Diz igualmente o livro que Aristóteles e Platão seriam a favor de Oligarquias / Autocracias, o que é complemente falso.

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  5. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    4 Julho, 2008 20:26

    Já ouviram ultima? O exame de portugues foram tao fáceis, tao fáceis … que a média nacional é inferior a 10!!! Entao eram tao fáceis e é só negativas?!?! Bolas.

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