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Cherry

10 Agosto, 2008

Acho má comparação. É que não consta que os checoslovacos e húngaros tenham disparado um tiro, feito qualquer violência, ou sequer ameaçado quem quer que seja. Estavam lá sossegados a tratar dos seus destinos quando foram invadidos. O senhor que agora grita «ó pai, ó pai olha que eles me estão a bater» ordenou uma invasão de um território, com bombardeamentos aéreos, tanques, tropas, mortos, feridos, refugiados e coisas assim. Agora está a levar por tabela. Calculou mal as coisas. Azar o dele mas sobretudo de quem sofre por sua responsabilidade. O «horror imperial» existe e é porventura o mesmo. Mas não se confundam as coisas. A dignidade de quem foi realmente invadido, como os húngaros e checoslovacos, merece respeito e creio não ser nem de longe comparável a um rufião que não hesitou em atacar com todas as forças populações que há 17 anos vivem, de facto e por vontade expressa, separadas.

18 comentários leave one →
  1. Luis Moreira's avatar
    Luis Moreira permalink
    10 Agosto, 2008 23:06

    O Presidente invasor tem 40 anos e foi formado nos US !Tem a visão do Busch.Armamos a tenda e logo se vê.Danos colaterais? A bem da nação .

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  2. Helder's avatar
    10 Agosto, 2008 23:23

    Gabriel,

    esta tem alguma lógica:

    http://odiplomata.blog.com/3495666/

    (via comentários do teu link)

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  3. João's avatar
    10 Agosto, 2008 23:26

    A comparação não é possível porque em 1956 e 1968, o que estava eram dois países que pretendiam sair da esfera política soviética e integrar o mundo ocidental.

    Hoje o que está em causa é impedir que um país restaure a sua integridade territorial, tal como ela foi reconhecida aquando da sua independência. Os meios foram condenáveis [em nenhuma circunstância é aceitável atacar civis; infelizmente estamos dependentes da Rússia para saber quantas foram as vítimas, o que é o mesmo que dizer que nunca vamos saber com exactidão] mas o estado dispõe do direito à utilização da força dentro do seu território para assegurar o cumprimento da sua autoridade – ou será que um estado deve simplesmente permitir que se formem dentro do seu território entidades separatistas que expulsam a sua autoridade e ainda são apoiadas por países terceiros?

    A separação de populações é condenável e o recurso ao separatismo quando não existe uma legitimidade sólida para tal é inaceitável. Quando isso acontece, demonstra que existe uma profunda falta de cultura política e um desrespeito pela lei e pela sociedade – algo na linha de “não gosto de viver no mesmo país que estes, quero separar-me deles” e que normalmente acaba com milhares e milhares de deslocados e refugiados dentro do seu próprio país. Qual a legitimidade de expulsar os vizinhos em nome da autodeterminação apenas por eles serem de uma origem diferente?

    Infelizmente, no espaço da ex-URSS não existe a mesma cultura política e o mesmo respeito pelos cidadãos que existe, por exemplo, na ex-Checoslováquia, onde a separação foi feita de forma pacífica e onde não houve consequências graves, nem na altura, nem a longo prazo – porque razão há certas regiões da Europa em que é aceitável recorrer às armas quando não gostamos de viver junto dos “outros” quando noutras regiões, isso faz parte da História?

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  4. Miguel Madeira's avatar
    10 Agosto, 2008 23:30

    “um país restaure a sua integridade territorial, tal como ela foi reconhecida aquando da sua independência.”

    Penso que, quando a “comunidade internacional” reconheceu a independÊncia da Georgia, já a Ossetia do Sul tinha proclamado a sua.

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  5. josé Manuel Faria's avatar
    10 Agosto, 2008 23:38

    Impressionante nunca um tema dividiu tanto. Direita, esquerda e esquerda radical partida ao meio. Da extrema-direita não sei. O PNR irá tomar posição talvez amanhã.

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  6. Desconhecida's avatar
    JOÃO CARLOS permalink
    10 Agosto, 2008 23:39

    Leiam o Jose Milhazes – Da Russia , e pode ser que aprendam alguma coisa sobre o conflito e a avidez russa em reconquistar o império perdido.

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  7. João's avatar
    10 Agosto, 2008 23:42

    A Ossétia do Sul começou por, em 1990, ainda sob a URSS e quando se chamava Oblast Autónomo da Ossétia do Sul, declarar a sua secessão da República Socialista Soviética da Geórgia e afirmou pretender integrar a RSS Rússia.

    Isto não aconteceu e quando a Geórgia se tornou independente em 1991, a Ossétia do Sul declarou a sua independência [desta vez, não para integrar a Rússia mas para se tornar num estado soberano] que não foi reconhecida por ninguém. Milhares de georgianos foram expulsos das suas casas [uma tradição em vários países da ex-URSS e da ex-Jugoslávia, quando se festeja algo, expulsam-se os vizinhos de origem diferente] e foi combatida uma guerra civil entre os separatistas ossetes e o governo georgiano. A guerra terminou em 1994, com um cessar-fogo e com a Rússia a desempenhar o papel de intermediária, além de manter uma força de manutenção de paz no território separatista integralmente composta por russos.

    Muito pouco se avançou desde então e a Ossétia do Sul passou a protagonizar os chamados “conflitos gelados”, onde as hostilidades foram suspensas mas não se avançou em direcção a nenhuma solução.

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  8. Desconhecida's avatar
    JOÃO CARLOS permalink
    10 Agosto, 2008 23:49

    O Luis Moreira vive obcecado com o Bush. A Russia invade e bombardeia a Georgia ( que eu saiba não foi a Georgia que invadiu a Russia e que eu saiba o território em questão é parte soberano da Georgia, reconhecido desde 94 pela comunidade internacional)mas ele lembra-se de quem ? claro está, do Bush….esse perigoso imperialista.

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  9. João's avatar
    10 Agosto, 2008 23:53

    Quando o Bush sair da presidência……o homem vai ser tão desejado por mais de metade da população mundial, culpar Obama ou McCain não vai dar nem metade do gozo que dá culpar Bush.

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  10. Luis Moreira's avatar
    Luis Moreira permalink
    11 Agosto, 2008 00:55

    João Carlos quando o Busch vem dizer que a Russia não pode utilizar o seu poderio militar (é disso que se trata) e nos lembramos dos argumentos para invadir o Iraque …

    Admito que não será assim tão linear mas anda próximo.

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  11. Desconhecida's avatar
    Zenóbio permalink
    11 Agosto, 2008 00:57

    Mas alguêm ainda tem pachorra para a Câncio?

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  12. HO's avatar
    11 Agosto, 2008 05:05

    Um rufião? Que maneira de destratar o líder político eleito mais liberal e pró-capitalista em todo o mundo. Aconselharia o Gabriel a ver, por exemplo, este vídeo:

    Atente nesta citação: “The government is going to help you in the best way possible by doing nothing for you, by getting out of your way (…). Of course, we will provide the infrastructure and help by getting rid of corruption, but you have all succeed by your own initiative and enterprise, so you should congratulate yourselves” – President Mikheil Saakashvili

    Quando foi a última vez que o Gabriel ouviu um governante ocidental proferir algo remotamente similar ao citado? Como afirma o Glenn Beck: “Sir, you sound like an American Founding Father and we have lost that in our own country”. E, mais que oleodutos, foram estas ideias – e, comme toujours, as suas consequências ( verifique-se a evolução da Georgia nos rankings de liberdade económica, corrupção, crescimento, desenvolvimento e bem-estar) – a causa última dos recentes acontecimentos. É por isso que a analogia com as agressões soviéticas do século XX não são descabidas, muito pelo contrário. Hoje como há 5 décadas, o poder político russo não pode tolerar que a liberdade prospere de forma tão florescente na sua zona de influência. Daí a sucessão de ataques terroristas nos territórios da Ossétia do Sul e da Abecásia – e, em particular, a sua intensificação desde a criação do governo autónomo da Ossétia, surgido graças ao acordo diplomático entre os ex-rebeldes ossetas e o governo georgiano há ano e meio (e o extraordinário desenvolvimento económico da região desde esse momento) -, que acabaram por provocar a necessidade de mobilizar as forças militares para proteger cidadãos e propriedades.

    Creio que as ilações a retirar desta crise passam, essencialmente, pela evidência da necessidade em integrar a Georgia, um país que partilha e encarna in toto a tradição civilizacional e política do Ocidente, nas instituições internacionais de segurança e económicas formais (e.g. NATO) o mais rapidamente possível e, em simultâneo, por assumir o completo falhanço que foi a tentativa de integração da Rússia em instituições similares (e.g. G8, Partnership for Peace). Não duvido que os norte-americanos já o perceberam.

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  13. jcd's avatar
    11 Agosto, 2008 09:04

    “A Ossétia do Sul começou por, em 1990, ainda sob a URSS e quando se chamava Oblast Autónomo da Ossétia do Sul, declarar a sua secessão da República Socialista Soviética da Geórgia e afirmou pretender integrar a RSS Rússia.”

    Declarou, como? Através de eleições?

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  14. Miguel Madeira's avatar
    11 Agosto, 2008 09:32

    “Que maneira de destratar o líder político eleito mais liberal”

    Novembro de 2007:

    Troops flooded the center of the Georgian capital on Thursday to enforce a state of emergency imposed after a violent crackdown on anti-government protesters.

    News broadcasts on independent stations were halted and all demonstrations banned.

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  15. carlos's avatar
    carlos permalink
    11 Agosto, 2008 10:50

    Aqueles que agora acham que um país tem direito a exercer a sua soberania em todo o seu território, mesmo massacrando a população civil, são os mesmos que negaram esse direito à Sérvia.

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  16. João's avatar
    11 Agosto, 2008 11:29

    Carlos: então e aqueles como eu que foram contra a independência do Kosovo, onde encaixam?

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  17. HO's avatar
    11 Agosto, 2008 21:39

    Miguel Madeira (comentário 14):

    E então? Um governo não é mais ou menos liberal por preservar a ordem pública. Nesse caso foi decretada uma situação de excepção dentro dos limites consitucionais e do estado de direito.

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  18. Desconhecida's avatar
    Sem Anestesia permalink
    11 Agosto, 2008 23:36

    Apesar de manter um sorriso amarelo … não consigo deixar de pensar no , ou no .

    (http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1338598&idCanal=11)

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