Piar fininho
15 Agosto, 2008
Lembram-se da entrevista ao JN da juíza Amália Morgado? Vejam aqui, aqui, aqui e aqui.
Pois a magistrada foi sancionada pelo digníssimo Conselho Superior da Magistratura. A mensagem só pode ser uma: ‘se falares, tens de dizer que na Justiça portuguesa tudo está bem, sempre esteve bem e que, apesar de ser quase impossível, ainda será melhor no futuro‘.
Tudo funciona bem, não há “chocas”, os magistrados são abnegados e excelentes, o sistema está perto da perfeição.
Convém que tudo isto seja compulsivamente repetido em coro e ritmo compassado. Amén.
14 comentários
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Estou espantado! A Amália, foi sancionada, mas não por falar. O Eurico Reis farta-se de dizer disparates e falar na tv sobre processos pendentes e dizer asneiras, e ninguém o incomoda demasiado. É sindicalista, agora. Descobriu a imunidade.
Mas vamos ao assunto: a Amália foi punida porque falou de mais. E o que disse de grave- porque é grave, de facto- foi insinuar que certos magistrados do Porto, indicando um nome quase a dedo, faziam jeitos ao poder do futebol e não só.
CAA: A Amália, foi punida disciplinarmente, porque insinuou que o futebol ” e não só”, tinha amigos do peito na magistratura do Porto. E foi também acusada penalmente, pelo MP, de difamação agravada.
Há limites para o que se pode e deve dizer, publicamente sobre a honra das pessoas que se identificam.
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Precisando: segundo o Expresso, os tais jeitos, eram só relativamente ao “a não só”. O futebol ficava de fora das insinuações. Infelicidades da Amália.
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O “e não só” será o juiz que avisou a senhora Fátima Felgueiras para que se pirase a tempo?
Realmente não havia necessidade.
Depois de umas reais férias no Brasil, a senhora foi cá recebida em ombros e com música!
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Eu disto não percebo nada, por isso abstenho-me de comentar.
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Pois, e o Mourinho venceu o 1º troféu da época. E Portugal vai começar com uma cabazada ás ilhas faroe correspondente à nossa II distrital de Braga!
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a respeito de conselhos escreveu antónio botto
«o que eu gosto é de fedelhos
ir-lhes ao cu, dar-lhes conselhos»
uns são mais supremos que outros
gosto mais de supremos de porco
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pois, pois, quando se fala de corrupções viradas a norte, está tudo bem, aqui vamos nós falar dela, ainda que a senhora não tenha provas, denunciou, tem razão.
mas quando se fala de relações estranhas entre super procuradores – de lisboa – com elementos do conselho superior do mp – de lisboa – com o consorte de um desses procuradores – de lisboa, aí já está tudo mal, não se pode falar…
a moralidade tem de ser imposta a norte, porque a sul…comem todos?
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O Dr. Eurico Reis fala efectivamente demais. Mais preocupante ainda: fala mal. (juridiquês e português)
José: A Dra Amália, bem como toda a cidade do Porto, sabe quem são esses magistrados. Só num país miserável como o nosso, com magistrados do MP sempre na defensiva – Juizes de Instrução Criminal idem- é que não abundam inquéritos e acusações contra essa gentinha.
PS: Por falar no caso Fátima Felgueiras: Alguém sabe o resultado dos processos disciplinares e/ou penais que (eventualmente) foram movidos contra o senhor conselheiro? Desconheço. Contudo gostaria de saber. Avanço já com o desfecho: Arquivamento. Insuficiência de indicios.
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Celan,
Sobre o que diz de Eurico Reis discordo absolutamente.
Só tenho pena que os juízes portugueses prefiram como modelo referencial o queirosiano Conselheiro Acácio em vez de quem tem uma visão contemporânea do direito e da magistratura.
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O Eurico, uma visão contemporânea?
De onde? Do entendimento que os juízes são o supra-sumo da sabedoria e inteligência?
Já o ouviu com atenção, a defender um sistema onde o indivíduo nunca teria lugar?
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O Eurico não resiste a uma conversa de meia hora, com qualquer pessoa minimamente entendida nestas matérias.
O que ele defende é fazer tábua rasa de toda a arquitectura judicial portuguesa, que demorou séculos a erguer e precisa de aggiornamento. Mas não de um novo Termidor.
Para terrorismo, o Eurico poderia começar pela sua própria casa. Que saia da magistratura, já que não gosta do modelo e depois vê-se o seu valor. E se a SIC o continuará a contratar como opinador residente.
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O modelo de Eurico, já se percebeu há muito: por os juízes a investigar, a acusar ( preparando o corpo de delito) e a julgar.
O sistema inquisitório puro, portanto.
Pergunto: alguém ficaria seguro com esta nova República de Juízes, em que se multiplicariam os baltazar Garzón por tudo quanto é sítio?
É esta a concepção preferível?
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V, CAA, deixa-se levar por esse canto de sereia dos Euricos. Mas seria o primeiro a lamentar o equívoco se o sistema, fosse como eles querem ( o Eurico e o Noronha, em parte). Nunca aceitaram que o sistema tenha pesos e contra-pesos em que os juízes sejam controlados por outros que não eles mesmos.
Duvida? Leia o que escrevem e dizem e conclua por si.
O próprio PGR, Pinto Monteiro, tinha um pouco essa concepção, quando chegou ao MP. Mas já percebeu onde está e qual é a opção preferível. Por alguma razão, o Noronha não o grama e vice-versa.
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José,
O PGR ainda fala e pensa como Juiz, e penso que a única vantagem dele – obviamente não aos olhos da opinião pública e do jornalismo centralista – é dar um relevo cada vez maior ao excelente – embora mediaticamente desajeitado – do Dr. Souto Moura.
Penso que o nosso Garzón está bem perto do PGR e, dessem-lhe o poder, seria o mais acérrimo defensor do juiz-inquisidor, embora partindo esse movimento de “conjugação” do MP…
O Eurico Reis é apenas a prova que no nosso país quem aparece na televisão passa logo a especialista e a supra-sumo em qualquer matéria…qualquer dia temos no nosso país “fatwas” jurídicas ditadas pelos ditos especialistas televisivos…
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