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Iludir a direita *

28 Agosto, 2008

A direita portuguesa é fácil de ludibriar.
Há tempos, um grupo de magistrados, sob anonimato, fez chegar ao Presidente da República um ‘estudo’, no qual se defendia que o Governo queria dominar o poder judicial (mais tarde, alguns signatários deram a cara). Citavam a Lei sobre a Organização Judicial, a da Segurança Interna e a do Divórcio, traduzindo interesses corporativos e as angústias dos mais conservadores.
Cavaco Silva jogou magistralmente:
(i) promulgou a primeira lei dando um ar de que é imune a pressões;
(ii) vetou a Lei do Divórcio e reconverteu-se em herói da direita mais granítica;
(iii) na matéria mais relevante, a da Segurança Interna, esteve ao lado do Governo.
O resto do seu mandato será composto destas relações sinuosas com o Governo.

* Correio da Manhã, 27.VIII.2008

18 comentários leave one →
  1. Desconhecida's avatar
    anti-comuna permalink
    28 Agosto, 2008 00:10

    Já ninguém se lembra do que é isto?

    Glass-Steagall

    É bom que se relembrem, pois bem vamos precisar. Glup!

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  2. tric's avatar
    tric permalink
    28 Agosto, 2008 00:27

    “vetou a Lei do Divórcio e reconverteu-se em herói da direita mais granítica”

    não tenha duvidas que é a direita mais granitica, é que não ha lugar para panelirices de valores…

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  3. JoaoMiranda's avatar
    JoaoMiranda permalink*
    28 Agosto, 2008 00:31

    ««(ii) vetou a Lei do Divórcio e reconverteu-se em herói da direita mais granítica;»»

    Não é preciso pertencer à direita, muito menos à granítica, para ser a favor da existência de contratos de casamento verdadeiramente diferenciados da união de facto e consistentes.

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  4. Ruben's avatar
    Ruben permalink
    28 Agosto, 2008 04:14

    A Europa sem saída ? A Dinamarca foi o 1º país a inaugurar a recessão europeia. O prenuncio da implosão da UE ?
    .
    O problema da Europa é Economico. Na maioria dos outros Países ninguém subjuga gerações de Cidadãos com “combates” a Deficits Publicos. Muito menos quando para isso obrigam o Nacional a empobrecer á força ‘por razões cientificas’.
    .
    Os fundos dos Paises Emergentes compram crescentemente as Empresas europeias da sua escolha. Em resposta a Alemanha optou por uma legislação restritiva em vez de mobilizar as suas fontes de financiamento internas para mais investimento produtivo.
    .
    Em França, e especialmente no Paises mais Pobres da EU, é preciso fazer gerar uma produção de capital suficiente para “eurofinanciar” com emergência o crescimento de mais investimento produtivo.
    .
    Os deficits sociais e publicos, colados a Impostos elevadissimos, esterilizam e devastam uma parte importantissima das fontes financeiras dos Cidadãos. Deveriam já estar ao serviço do crescimento das Empresas, do Emprego e da Economia. Os Estados tem de recuar fortemente fazendo o mesmo e melhor com muito menos dinheiro de Impostos retirados ao Rendimento salarial ou não. Para evitar explosões sociais violentas manifestadas em Criminalidade, Motins e posteriormente Sublevações Populares.
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    Incitar e possibiltar aos cidadãos Poupança de Longo Prazo, através de Imposto só sobre o Consumo, eliminando toda a taxação sobre o Rendimento e a Propriedade Imobiliària.
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    Não há outra capacidade pacifica para lutar na Competitividade Mundial com “partners” cuja “magia de produção e competitividade” assenta no abandono massivo dos seus nacionais (fome, barracas, analfabetismo, doença e miséria infantil). Mas a cidadania e os direitos humanos “ocidentais” serão assimilados por esses cidadãos. Muita das actuais reacções anti- “Ocidentais” não serão afinal o sinal de obscurantismos instalados a sentirem-se ameaçados pelos seus cidadãos ?
    .
    E qual o problema Português ? Reside na Politica “old-fashion” de subsconsciente parado nos tempos do cómodismo politico/partidário do colonialismo, acusando abusivamente os Portugeses de incapazes. Mas é a gente ordinária que faz coisas extraordinárias. Ao invés a Politica continua desde 1928 só com 2 Projectos Nacionais: o Comunista e o Outro. Os Portugueses não se revêm nisto, já não votam nisto. Até o Muro de Berlim já caiu !!
    .
    Não há Inovação Politica. Não é gerada pelos movimentos partidários. Confronto de mais Projectos Nacionais, simples mas inovadores, em todas as àreas. Batendo-se entre si. Que restaurem o entusiasmo dos Portugueses e sua crença na Democracia: Têm de dar o lugar a novos politicos, fóra dos vicios partidários, capazes de sair desta empobrecida Governança de Gestão Corrente de Portugal, sem Soluções, Inovação e Criatividade. Para o Futuro. Rumos para onde ? E para quê ? E que ganha o dia-a-dia de cada Português com isso ?
    .
    Porque da parte dos Cidadãos, dos que ainda conseguem trabalho nesta Economia Portuguesa a empobrecer sempre mais, trabalha-se cada vez mais, melhor, com mais inovação e criatividade até perderem também o entusiasmo no País e na crença da Democracia

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  5. sam, the kid's avatar
    sam, the kid permalink
    28 Agosto, 2008 07:55

    quem é que chamou democracia e estado de direito a esta merda?
    os socialista continuam a brincar aos países
    PQP

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  6. MJRB's avatar
    28 Agosto, 2008 09:21

    A Direita em Portugal não teve talento, energia, sabedoria, querença suficientes para aproveitar, post 25 de Novembro de 1975, a tradicional tendência conservadora (e a ignorância) da maioria dos portugueses.
    O PPD aproveitou.
    Mas o PS tem aproveitado mais.

    A maioria do eleitorado continua ignaro e volátil.

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  7. MJRB's avatar
    28 Agosto, 2008 09:30

    Adenda:
    nem “projecto” consentâneo para a realidade portuguesa.

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  8. caodeguarda's avatar
    28 Agosto, 2008 09:39

    O sr. silva nunca há de convencer ou converter a direita “mais granítica”, que está farta da sua falta de valores e esquerdismo que tem sido acentuado pelo apoio ignóbil ao sr. pinto de sousa… não são dois ou três vetos para português ver que vão mudar isso…

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  9. PMS's avatar
    28 Agosto, 2008 10:33

    “vetou a Lei do Divórcio e reconverteu-se em herói da direita mais granítica”

    Continuo à espera de contra-argumentação às razões que o presidente utilizou para o veto. Nem o CAA, nem a Fernanda Câncio, nem Guilherme Oliveira as deram. O CAA, porque não apresentou qualquer argumento. Suponho que nem saiba o que a lei diz. A Fernanda Câncio, porque não respondeu a nenhum dos argumentos do presidente. Limitou-se a afirmar que existindo uma parte mais débil num divórcio, esta não é a mulher (?) e, sem apresentar qualquer argumento, concluir que o presidente á simplesmente contra a ideia divórcio, “ignorando” o facto daquele não ter apresentado qualquer objecção cuja resposta impeça a criação do divórcio sem culpa. Aliás, o próprio Guilherme Oliveira, que diz que a argumentação jurídica do presidente é de uma pobreza extrema, também não procura demonstrar este facto. Na verdade, confirma não só aquilo que Cavaco diz, como acrescenta que foi intenção do diploma que se penalizassem as mulheres que optaram, conjuntamente com o marido, por ficar em casa a cuidar da família, obrigando-as a pagar uma indemnização ao marido aquando do divórcio.

    Se está tão seguro de que era uma boa lei, não vejo qual a dificuldade que um jurista como o Sr. tem para proceder à respectiva réplica. Até a obter, de si ou de quem defende esta lei, irei continuar a considerar que se tratam de pessoas que são visceralmente contra a ideia de casamento. O que não é um defeito: cada um leva a vida que quer, e até a pode defender para os outros. O que não vos fica nada bem, é defenderem que as vossas ideias sobre a vida íntima das pessoas devam ser impostas a quem não as deseja. No caso de um liberal, não só não fica bem, como é um contra-senso.

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  10. PMS's avatar
    28 Agosto, 2008 10:43

    Acrescente-se ainda que dificilmente este veto seria apoiado pela direita mais granítina: machista, conservadora e alto-burguesa.

    Esta lei é uma maravilha para os homens ricos com mulheres que não trabalham. Podem cometer abertamente todas as infidelidades que quiserem, que as mulheres nunca pedirão o divórcio por muito que o queiram, devido à dependência económica e impossibilidade prática de pagar a indemnização definida pelo PS.

    Mas, por outro lado, se eles se quiserem divorciar é muito fácil: basta invocar a própria culpa, e ainda recebem uma indemnização da mulher porque esta não trabalhava.

    Como esta é desempregada, sem rendimentos e com dívidas, dificilmente o juíz lhe entregará a guarda. Assim, o marido pode decidir o que quer: ou fica com as crianças, ou abre os cordões à bolsa, voluntariamente, para que a mulher trate do assunto.

    Para quem parece não querer saber, a dependência económica foi sempre a maior razão até há 30 anos, para que as mulheres com maridos promíscuos não os abandonassem. É isto que o PS vem defender, e não vejo onde a direita empedernida não aplauda…

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  11. Desconhecida's avatar
    28 Agosto, 2008 11:08

    Ruben,

    Excelente comentário.

    ————————————

    CAA,

    O “homem” quer ficar com a Maria, mais 5 anos na Ajuda. E é com políticos que pensam nos seus interesses pessoais (3 ou 4 reformas, um ou dois lugares nas administrações de empresas de construção, etc.) e sem valores é que Portugal se vai afundando lenta, mas firmemente.

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  12. Alves da Costa's avatar
    28 Agosto, 2008 14:43

    Caro Sr. CAA, considero perfeitamente normal que V. avalize as políticas – especialmente, a fiscal – do PS e seu Governo.
    Limita-se, bem vistas as coisas, a defender os seus interesses. É que, por exemplo, se a parvoíce e a falta de senso pagassem imposto, há muito que V. estaria na falência…

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  13. CAA's avatar
    28 Agosto, 2008 15:38

    João,

    Evidentemente que não me estava a referir aos argumentos que apresentaste contra essa lei.

    Mas os teus e os do Carlos Loureiro, por exemplo, foram a excepção n mar de razões que, pura e simplesmente, são contra o divórcio. E que acham que já que este existe deve ser o mais dificultado possível. Era a esses – alguns já comentaram nesta posta – que me referia.

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  14. CAA's avatar
    28 Agosto, 2008 15:40

    PMS,

    «Continuo à espera de contra-argumentação às razões que o presidente utilizou para o veto. Nem o CAA, nem a Fernanda Câncio, nem Guilherme Oliveira as deram. O CAA, porque não apresentou qualquer argumento. Suponho que nem saiba o que a lei diz.»

    Está distraído, como de costume.
    Na parte que me toca, até já fiz um resumo da lei num comentário de uma posta (que não era minha) sobre o assunto. Procure, se quiser, que agora não tenho tempo.

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  15. caodeguarda's avatar
    28 Agosto, 2008 17:26

    o sr. silva deu mais uma machadada na liberdade individual e mais um passo para o colectivismo socialista ao promolgar a lei de autorização legislativa para a colocação dos chips nos carros…

    primeiro foi nos cães, depois é nos carros… querem adivinhar onde é a seguir?

    http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/396056

    estou demasiado indignado para ser bem educado por isso não faço mais nenhum comentário… FDP.

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  16. PMS's avatar
    28 Agosto, 2008 20:02

    Não preciso de um resumo, posso ir à lei directamente. O que eu queria mesmo é saber porque motivo discordam politicamente das razões invocadas pelo presidente para o veto.

    Porque o Guilherme Oliveira discorda juridicamente é fácil de compreender: está convencido que por ter escrito a lei, é também o fiel interpretador dela. Ora, quem interpreta a lei não é o legislador, mas os juízes, e nada impede que estes tenham a mesma interpretação que o PR. E pelos vistos têm, uma vez que até se dirigiram ao PR para lhe manifestarem as suas preocupações. E suponho também que o PR não esteja assessorado pelos piores juristas do país, pelo que a sua interpretação será, no mínimo, legítima.

    Há, no entanto, situações em que não há dúvidas na interpretação: por exemplo quando o Estado não só acaba com um regime de bens, como impõe aos conjuges um que estes expressamente rejeitaram. (Recordo nesta situação que tenho um casal amigo que casou recentemente e que escolheram conscientemente o regime de comunhão geral de bens. E digo conscientemente porque um deles é advogado e em todo o caso não me parece que o patrimonio inicial de cada um seja muito distinto ou sequer relevante)

    Mas é certo e sabido que a esquerda “progressista” gosta de promover a irresponsabilidade individual e a menorização dos cidadãos.

    Ficam as questões no ar:
    – Que interpretações do PR não são legítimas?
    – Em quais, sendo a interpretação legítima, existe discordância política?
    – E em quais, havendo interpretação legítima e concordância política, não se justifica o veto por serem questões de reduzida importância?

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  17. Rui Garrido's avatar
    28 Agosto, 2008 22:52

    Caro CAA, peço desculpa pela intrusão. Quero apenas deixar o recado aos colegas que lêem este blog, que começou hoje uma petição para fazer frente ao projecto governamental SIEV (obrigatoriedade dos chips de matrícula).
    O SIEV coloca em risco as nossas liberdades individuais dos portugueses, para além de ser um mecanismo de taxação dissimulada.
    Podem contribuir para parar este processo, assinando a ‘Petição Contra a Colocação Obrigatória de Chips de Vigilância nas Matrículas dos Veículos Automóveis’. A petição visa não apenas parar o processo, como também funcionar como instrumento de consciencialização pública alargada.

    A petição está em http://www.ipetitions.com/petition/siev/

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  18. Portugal Decosta's avatar
    29 Agosto, 2008 02:27

    Comunicado da Associacao para a Defesa dos Direitos dos Granitos

    Caros senhores,
    queremos manifestar o nosso repudio por nos confundirem com determinado tipo de ideias reaccionarias.
    Nos nobres granitos, suportamos este pais desde que existe!
    Sem nos ja estaria no fundo ha muito tempo!
    Aguentamos estoicamente os vossos passos; as vossas maquinas; as vossas construcoes.
    Mas nao temos de suportar os vossos insultos!
    Por isso mesmo exigimos respeito!
    Vivam os Granitos!
    Vivam!

    De pé, ó vítimas da fome!
    De pé, famélicos da terra!
    Da ideia a chama já consome
    A crosta bruta que a soterra.
    Cortai o mal bem pelo fundo!
    De pé, de pé, não mais senhores!
    Se nada somos neste mundo,
    Sejamos tudo, oh produtores!

    Bem unidos façamos,
    Nesta luta final,
    Uma terra sem amos
    A Internacional.

    Messias, Deus, chefes supremos,
    Nada esperemos de nenhum!
    Sejamos nós quem conquistemos
    A Terra-Mãe livre e comum!
    Para não ter protestos vãos,
    Para sair deste antro estreito,
    Façamos nós por nossas mãos
    Tudo o que a nós diz respeito!

    O crime do rico a lei o cobre,
    O Estado esmaga o oprimido.
    Não há direitos para o pobre,
    Ao rico tudo é permitido.
    À opressão não mais sujeitos!
    Somos iguais todos os seres.
    Não mais deveres sem direitos,
    Não mais direitos sem deveres!

    Abomináveis na grandeza,
    Os reis da mina e da fornalha
    Edificaram a riqueza
    Sobre o suor de quem trabalha!
    Todo o produto de quem sua
    A corja rica o recolheu.
    Querendo que ela o restitua,
    O povo só quer o que é seu!

    Nós fomos de fumo embriagados,
    Paz entre nós, guerra aos senhores!
    Façamos greve de soldados!
    Somos irmãos, trabalhadores!
    Se a raça vil, cheia de galas,
    Nos quer à força canibais,
    Logo verá que as nossas balas
    São para os nossos generais!

    Pois somos do povo os activos
    Trabalhador forte e fecundo.
    Pertence a Terra aos produtivos;
    Ó parasitas, deixa o mundo!
    Ó parasita que te nutres
    Do nosso sangue a gotejar,
    Se nos faltarem os abutres
    Não deixa o sol de fulgurar!

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