Uma palavra aos liberais por vezes descrentes do liberalismo
18 Setembro, 2008
– É possível ser liberal e não aceitar que a Galp abuse alegremente da sua posição dominante no mercado nacional.
– É possível ser liberal e julgar que um mercado só poderá ser verdadeiramente livre se algumas regras forem cumpridas, designadamente as que visam assegurar uma lógica de transparência e condições equitativas para os agentes desse mercado.
– É possível ser liberal e não subscrever o estilo e as declarações extraordinárias do Dr. José Horta, lídimo herdeiro do estilo auto-apologético do saudoso ex-ministro da Informação iraquiano de Saddam.
– É possível ser liberal e ajuizar que alguns dos melhores defensores do capitalismo (a versão económica do liberalismo), embora animados das melhores intenções, não têm razão.
15 comentários
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sim, é possível.
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CAA,
Esse post não tem argumento nenhum que leve alguém a mudar de opinião nos pontos actualmente em discussão.
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João,
«Esse post não tem argumento nenhum que leve alguém a mudar de opinião nos pontos actualmente em discussão.»
É verdade. É só ‘uma palavra’. Como se costuma dizer, uma palavra de esperança ou que pretende sê-lo. É, também, uma primeira palavra. Chegarão outras.
Os argumentos virão mais tarde.
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Não tem argumentos mas traça a diferença entre o liberalismo económico e a libertinagem económica.
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sim, é possivel ter vicios privados e virtudes publicas…
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“é possivel ter vicios privados e virtudes publicas”
não só possível, como desejável.
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Isto é uma admissão que o liberalismo não é, na sua essência, uma doutrina económica?
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“É MUITO DIFÍCIL QUE NÃO SENDO HONRADOS OS PRINCIPAIS CIDADÃOS DE UM ESTADO, OS OUTROS QUEIRAM SER HOMENS DE BEM; QUE AQUELES ENGANEM E ESTES SE CONFORMEM COM SER ENGANADOS.”
MONTESQUIEU, De l’Esprit des Lois,I:III,5
Este é o frontispício do meu blogue e o espírito básico do que eu entendo por liberalismo, neste velho princípio devia poder resumir-se tudo o resto… Infelizmente, e por isso não me canso de o relembrar, não é o que vemos quando olhamos para este Portugal, cada vez mais, baluarte de esperança e adega do mundo… Onde faunos insaciáveis se alimentam impunemente do nosso sangue e espírito virginal. Até ao dia, meus caros faunos, até ao dia…
Vão até http://porquemedizem.blogspot.com/2008/09/como-poupar-no-combustvel.html#links e vejam como é fácil… Talvez esse seja o primeiro dia do resto das suas vidas…
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É isso mesmo, é possível e desejável que o mercado seja o menos possível regulado mas ainda assim que não caia na lei da selva, em que ganha o mais forte do momento. Que as mentes criativas dos financeiros e banqueiros não percam de vista que há uma economia real,composta por produtos,serviços e pessoas.E, por último,que há sempre uma margem de segurança na economia que não deve ser,nunca, objecto de especulação e de jogos de casino.A não ser assim, é o fartar vilanagem a que estamos a assistir!
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“…capitalismo (a versão económica do liberalismo)”
Mas o liberalismo tem mais versões? Quais são?
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eles querem sol na eira e chuva no nabal
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O liberalismo não é apenas uma teoria económica – isso é uma perigosa redução.
O maior liberal que conheço é Alexis de Tocqueville. Era jurista, destacou-se como pensador e nas suas obras não falava de economia.
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O problema que se coloca é mesmo esse: sem uma regulamentação estrita não pode existir liberalismo de alguma ordem. Um dos erros dos liberais portuenses tem sido não admitir este facto com evidente e favorável às suas ideias.
O que interessa é o que o Estado seja pequeno: não interessa que o Estado seja fraco.
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Esse erro não é só dos ‘liberais portuenses’ – infelizmente contagia muitos mais.
Mas esta frase: «O que interessa é o que o Estado seja pequeno: não interessa que o Estado seja fraco», merece reflexão cuidada. Este esforço pode constituir uma tentativa impossível.
Li o livro de Fukuyama “State Building” mal este saiu e – apesar de não se dedicar directamente ao foco da discussão – quando o fechei, concluí que se tratava se uma teoria sem aplicação prática.
Porque quando um Estado é forte quer ser mais forte ainda; quanto mais forte mais interventivo será; e um Estado grande tende a ser forte.
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