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Regulação e desresponsabilização II

18 Setembro, 2008

Luís Rainha escreve os seguinte em comentário ao post regulação e desresponsabilização:

Então quem adquirisse produtos financeiros do Lehman tinha de saber que este se tinha exposto em demasia a coisas maradas? Senão devia ir à falência por cupidez ou burrice em excesso? E se o LB tivesse ocultado tal exposição arriscada?

Luís Rainha parece chocado com uma regra essencial de um mercado livre: as decisões de um agente são da sua inteira responsabilidade e não de terceiros. Segue-se que, se um agente aceita ser credor de uma entidade financeira tem que aceitar todas as consequências do negócio, incluindo a possibilidade de falência. Informar-se sobre a solidez da Lehman era obrigação e trabalho dos clientes. Aliás, neste tipo de negócios, a recolha de informações sobre os parceiros de negócio constitui uma parte substancial do trabalho. Se o agente não está disposto a aceitar esta regra, também não é obrigado a fazer o negócio.

A alegação de que existe assimetria de informação é irrelevante e não justifica a introdução de reguladores. O efeito da assimetria de informação num negócio é reduzir o preço de venda até um valor que compense o risco. Segue-se que, quem está na posição de ocultar informação pode escolher entre tornar-se mais transparente, submeter-se voluntariamente a um auditor ou receber um valor mais baixo (ou pagar um valor mais alto). O mercado acabará por encontrar as soluções mais adequadas a cada caso.

PS- João Pinto e Castro parece estar convencido que é o único que tem conhecimentos de assimetria de informação (o que por si só é um problema de assimetria de informação), mas parece não entender que o mercado tem mecanismos para lidar com ela. Em relação ao problema da responsabilidade dos agentes, a assimetria de informação justifica por si só mais precauções. Quem opta por negociar numa posição de assimetria de informação deve ser responsabilizado por isso.

11 comentários leave one →
  1. Zé do Boné permalink
    18 Setembro, 2008 19:13

    No Público de hoje pode ler-se a seguinte frase atribuída a Friedrich Hayek – o principal ideólogo dos blafesmos :
    “Entre o idealista dedicado e o fanático, muitas vezes vai apenas um passo”
    Porque é que associei imediatamente o JM como possível destinatário desta frase?

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  2. Carecatiraboina permalink
    18 Setembro, 2008 19:53

    Ainda bem que explicou, JM.
    Se o Liberalismo é isso, então fique lá com ele, que pessoas bem formadas nunca aceitarão tal imoralidade.

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  3. lucklucky permalink
    18 Setembro, 2008 20:12

    As coisas maradas só o são depois de acontecer, até lá é risco. Quantos investimentos “marados” e de alto risco não deram resultados? Quantos sondagens falhadas(investimentos marados) no fundo do mar fez a Petrobrás até descobrir os milhões em Petróleo? E se amanhã o petróleo deixar de valer?…O Google é investimento certo hoje? e amanhã é junk? Não sabemos porque tudo muda. Na economia o valor é dinâmico, as pessoas vão tomando decisões. A Microsoft em 1990 era um investimento certo?

    Por isso é que todos os livros aconselham a diversificação.

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  4. Curiosamente permalink
    18 Setembro, 2008 20:51

    JMiranda.

    Curiosamente, concordo consigo em grande parte. E vamos dizer que duvido de um certo banco como muitos portugueses, digamos. Como é que faço isso que defende, sendo eu um pobre mancebo como muitos(as), e não um expert como outros aqui ?
    Nem percebi metade do seu texto, ehe.

    Vocês , os experts, oferecem a vossa ajuda, graciosamente aos mancebos como eu? Ou por % baixa ? E se descobrimos umas maroscas, aparecem uns advogados pro-bono ?
    Ou isso tudo é , bem à portuguesa, conversa da treta ?

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  5. 18 Setembro, 2008 21:15

    O fantástico é os anti-liberais virem agora achar que os investimentos em sociedades liberais (ou a cupidez e ganância) devem ser garantidos pelo Estado, i.e. pelos contribuintes.

    Quando milhares de pessoas estão a ficar sem casa e que nem tem acesso à Saúde mais básica nos USA, é imoral a quantidade de dinheiro que o Estado está a injectar em empresas falidas pela sua própria usura e cupidez e que certos gestores de empresas recentemente na margem da falência continuem a ganhar prémios de valores escandalosos.

    Liberalismo (ou Capitalismo) não é o temos hoje nos USA. O que lá temos é um país a saque de meia dúzia de cowboys.

    O que falhou e falha é a falta imoral e propositada de fiscalização que acaba por garantir aos acionistas especuladores o mínimo de prejuízo e aos clientes e contribuintes a responsabilidade de garantia total.

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  6. Pi-Erre permalink
    18 Setembro, 2008 22:14

    Quem viaja de avião deve previamente inspeccionar o aparelho em que vai viajar. Ora toma!

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  7. Luis Moreira permalink
    18 Setembro, 2008 22:15

    Se eu num negócio me colocar na posição que o JM defende,quanto à informação posso ser acusado de má fé! Para o JM é apenas uma regra do mercado .As pessoas devem estar informadas.Principalmente, com a informação distorcida que, dolosamente,o mercado me dá pela mão dos interessados! Se o JM quisesse, olhava em volta e via mil exemplos dessa má fé negocial!

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  8. Anónimo permalink
    18 Setembro, 2008 22:45

    JM, eu concordo com o que diz, mas estas coisas estão a ficar complexas. Quem nos protege das aldrabices ? Os accionistas e os clientes tem mesmo a hipotese de ter acesso a tudo ? Como é que o Lehman distribuiu quase 5 mil milhões de dólares de prémios aos seus gestores e passado 8 meses vai à falência ?

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  9. Curiosamente permalink
    20 Setembro, 2008 00:32

    Este texto de JMiranda, dos melhores escritos por ele, marca o fim do Individualismo. Por vários exemplos já na parte 1, e agora com Pi-Erre, LMoreira, e Anónimo8, é manifestamente impossivél a um Indivíduo (a que JMiranda chama entre Consumidor e Agente ) ter qualquer hipotese de investigar qual Judiciária ou entidade financeira todas as compras que faz.

    JMiranda, vive ainda no tempo em que todas as compras eram feitas na Aldeia de Asterix. O Peixe, a Carne, e os Menires, e não passava muito disso, e qualquer Individuo resolvia o assunto, senão chamava o primo ou a tia com o rolo da massa. Em ultimo caso o Chefe da Aldeia resolvia a questão.

    Hoje, as relações não são entre Indivíduos e Indivíduos, mas sim entre Indivíduos e Estado. Indivíduos e Empresas. E quando são entre Indivíduos e Indivíduos , uns são mais indivíduos que outros.

    Quase todas as nossas compras são feitas a empresas. Por vezes muito grandes. Muitas das relações são feitas com o Estado.
    Até relações sociais são feitas com colegas, e por vezes com clientes, ou com motivos profissionaiss (que envolvem entidades como empresas e estado).

    Teimar falar de Individualismo, quando o Social até está abafado e até casamentos se fazem em circulos de colegas.

    O que JMiranda deverá falar, é da Invididualidade, que sempre existiu e deverá existir. O que JMiranda deverá falar (se me permite) é precisamente do oposto, da pressão que o Individuo e a Indivuadualidade sente perante tantas organizações e entidades (sem dúvida, muitas beneficas, não é isso que está em causa ).

    Quanto à parte Ideológica, e como JMiranda é bom rapaz, e ninguém do povo fica a perder – quantas mais opções houverem melhor – não é com textos destes que vai ganhar adeptos, pois por mais que se seja responsável, é puramente impossivél seguir o que está escrito.
    Terá que ser a Direita, os Liberais, o que quiser chamar, a criar estruturas privadas, ou as pessoas muito naturalmente, irão à primeira dificuldade correr para quem lhes abrir a porta. Se for a esquerda, será a esquerda, se for o Estado será ao estado, porque para ouvirem coisas destas “devias ter visto onde depositavas o dinheiro “, mandam a direita ou os liberais ou o que quiser chamar, para um certo lado, naturalmente.
    Então as pessoas de Direita (e de esquerda) confiam o seu direito a insituições de direita, tiram-lhe por assim dizer, e depois dizem “deviam ter visto onde punham o seu dinheiro ” ?
    É o fim daquilo que defendem, moralmente, e na prática, desculpe lá.

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  10. Curiosamente permalink
    20 Setembro, 2008 20:30

    Para além de um ou outro erro que o texto tenha, há um que desvirtua o sentido no último parágrafo. Onde diz “direito” deveria ler-se “dinheiro” pois é esse o contexto.
    Acrescentei mais umas palavras a maiúsculas.

    Fica assim :
    ” Então as pessoas de Direita (e de Esquerda) confiam o seu DINHEIRO a instituições de direita (melhor, CAPITALISTAS), tiram-lhe por assim dizer, e depois dizem OS DEFENSORES DO CAPITALISMO :
    “deviam ter visto onde punham o seu dinheiro ” !?
    É o fim daquilo que defendem, moralmente. E na prática, desculpem lá.

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Trackbacks

  1. cinco dias » Aos poucos, o João Miranda vai lá

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