Uma palavra aos liberais por vezes descrentes do liberalismo (4)
É a política, estúpido! *
Em toda a parte ouço dizer que o capitalismo está a falhar. Nos EUA, onde a Reserva Federal evitou a falência da AIG poucos dias após o colapso da Lehman Brothers. E por cá, onde a Galp faz o que quer dos preços dos combustíveis abusando alegremente da posição dominante.
Mas o liberalismo, a veste política do sistema capitalista, não está em derrocada nem há nada que prove que os seus pressupostos se achem errados. O mercado livre requer regras de concorrência que impeçam monopólios e que não permitam a autodestruição dos mercados enquanto lógica de liberdade.
Aqui e nos EUA é a política que falha: a administração Bush salvou a AIG da falência para preservar as hipóteses da candidatura de John McCain; por cá, deixa-se a Galp em roda livre por meras razões de conveniência política.
O liberalismo vive da liberdade política e económica – privado de algum desses elementos, nega-se a si mesmo. Quando a lógica liberal é afastada, como agora acontece, os pretextos têm aparência económica mas, quase sempre, as suas reais motivações são políticas e antiliberais. E é essa política e os políticos que a defendem que estão a errar em toda a parte.

Muito eloquente !
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Parece-me que querias dizer “zero palavras”. Falhaste por uma.
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hummm… este ‘acha’ que o bushamos devia deixar que milhões ficassem sem seguros e pensões só para deixar o mercado funcionar e ser ‘liberal’. o capitalismo liberal espatifa-se estrondosamente e os ‘liberais’ ‘acham’ que deviamos todos cair na miséria para provar que têm razão. o que me custa nesta merda toda é que o meu dinheiro sirva para safar um monte de filhos da puta ‘liberais’ de ganãncia ilimitada. a nacionalização devia ser total e irreversível porque o que se vai passar é que as bestas rapidamente esquecerão a merda que fizeram e tudo voltará ao mesmo dentro de um ano ou dois.
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O Capitalismo não é a intervenção de BUSH, essa foi socialista, o Capitalismo é isto:
O Lehman Brothers, banco americano recentemente falido e motivo pelo qual o Banco Central Europeu injectou 30 mil milhões de euros no mercado, pagou 5,7 mil milhões de dólares em prémios aos seus gestores.
O Citigroup, cujas acções perderam 70% do seu valor num ano, pagou 10 milhões de bónus, mais 28 milhões em acções, e um milhão e meio por ano de reforma ao ex-presidente.
A Merril Lynch, que perdeu 80% do seu valor e foi salva da falência pela nacionalização do estado norte-americano, pagou um prémio de 10,6 milhões e uma reforma de 161 milhões de dólares ao seu presidente.
Em 2007 a AIG pagou 2,7 milhões de euros em bónus a Martin Sullivan, a Fannie Mae 1,6 milhões de euros a Daniel Mudd, e a Freddie Mac 1,5 milhões de euros ao seu CEO.
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por cá, deixa-se a Galp em roda livre por meras razões de conveniência política.
Por aí estarei de acordo, por cá deixa-se muita coisa à toa por nos distrair do governo, que governa como quer, preocupados que andamos com a injustiça que nos faz de o aturarmos 70% desde há trinta anos.
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bush salvou a AIG da falência por causa da candidatura d McCain??!! Isso é fulanizar questões sistémicas relevantes! A AIG precisava de ser salva para defesa da economia, k continua a ser d mercado. A reacção das bolsas assim o diz. E haverá mais problemas nos países k vivem das exportações para os USA do k nos USA. Para onde vão vender os produtos? Esquimós? Patagónia? A vaca leiteira USA emagreceu. Já se nota nas previsões do PIB da UE, China, Índia, japão,etc. Os russos, obcecados com armas, já fecharam as 2 bolsas…
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3-ninguém te obriga a aturar e pagar capitalistas liberais. Podes emigrar para os socialistas.
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O que parece ter falhado em toda a linha é o capitalismo selvagem e agressivo de matriz americana. O que se torna mais do que necessário é a intervenção estadual, no sentido de regular mercados e redistribuir a riqueza criada. Mais do que nunca, recordo uma velha frase de Bernstein: “O objectivo da Social-Democracia não é o fim da burguesia: é o aburguesamento geral”.
Tenho muita pena que o PSD não lute como devia, pelo aburguesamento geral da população portuguesa e se tenha deixado enredar por derivas liberalizantes que não levam a lado algum e muito menos permitem vencer eleições.
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Caro CAA
Já ontem escreveu que Bush tinha salvo a AIG por causa da candidatura de McCain. Não faz o mínimo sentido aquilo que escreve. A AIG não podia cair, fosse o presidente republicano ou democrata. Pergunte ao Obama e ele dir-lhe-á que está de acordo com o Bush.
A AIG emprega mais de 100 mil pessoas, está presente em mais 90 países. Não é só uma companhia de seguros: tem um banco, gere fundos de pensões, faz gestão de activos, tem uma empresa de leasing de aviões, etc, etc. Nem imagina o tsunami que atingiria a economia mundial se a AIG falisse.
O título do seu post devia ser “É a economia, estúpido!”. Não tem nada a ver com política. Procure informar-se melhor.
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Quanto mais conheço os mercados financeiros mais gosto da Feira da Ladra.
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Brilhante “post”.
Há por aí muita incongruência nos anti-liberais, então aplaudem a medida de Bush de salvar a AIG, por causa das pensões e dos segurados, mas depois, ficam mal porque têm que pagar as tropelias dos capitalisatas? Em quê que ficamos?
A Leahman foi à falência porque Hank Paulson queria mostrar que o capitalismo funciona a sério. A AIG não foi à falência proque é demasiado grande, e não só por causa de McCain.
A falência da AIG poria em causa toda uma rede de bancos e seguradoras Europeias (Allianz, Zurich, AXA, etc.) e Asiáticas, e poderia ser a morte do sistema por uns anos.
Quanto à saúde dos exportadores para os EUA, pois…….o consumidor Americano vai ser obrigado a pagar os 800 mil milhões de dolares e logo comprar menos no Wall Mart ou carros japoneses e alemães.
That’s the economy!
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Isto é que “that’s the economy (liberal), ó estúpido”:
O Lehman Brothers, banco americano recentemente falido e motivo pelo qual o Banco Central Europeu injectou 30 mil milhões de euros no mercado, pagou 5,7 mil milhões de dólares em prémios aos seus gestores.
O Citigroup, cujas acções perderam 70% do seu valor num ano, pagou 10 milhões de bónus, mais 28 milhões em acções, e um milhão e meio por ano de reforma ao ex-presidente.
A Merril Lynch, que perdeu 80% do seu valor e foi salva da falência pela nacionalização do estado norte-americano, pagou um prémio de 10,6 milhões e uma reforma de 161 milhões de dólares ao seu presidente.
Em 2007 a AIG pagou 2,7 milhões de euros em bónus a Martin Sullivan, a Fannie Mae 1,6 milhões de euros a Daniel Mudd, e a Freddie Mac 1,5 milhões de euros ao seu CEO.
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Pois é, o capitalismo! Não é bom nem mau, é dinheiro.
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se o mercado funcionasse na republica nacional-socialista e paroquial de portugal raras empresas públicas ainda existiam
o socialismo “mexe no meu bolso”
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Continuo a achar que esta leitura dos acontecimentos é errada. Quem faliu e em massa foram as famílias americanas. Deixaram de pagar empréstimos, vendeu-se a torto e a direito, baixou tanto que nenhum empréstimo tinha cobertura pela hipoteca.
Cá estamos em sério risco de isto acontecer. Eu tenho muito receio pessoal de que as famílias comecem a não pagar e com isso a minha taxa de juro dispare e depois também eu não pague.
As empresas de crédito faliram, as detentoras de “acções” desses créditos faliram e por aí diante… Não houve má gestão empresarial, o risco é que cresceu brutalmente.
Como fazer crescer o rendimento das famílias? Na minha opinião, com a Flexisegurança. Liberdade de emprego e liberdade de desemprego. Quem não quiser trabalhar que saia de boa vontade. Quem quer trabalhar e seja bom que ganhe muito dinheiro. Se o estado me pagar o mesmo rendimento que tenho agora para toda a minha vida, eu continuarei a trabalhar, porque gosto e porque o faço bem. Esta é a maior crítica que faço ao actual governo, cuja primeira medida foi “escravizar” os velotes de 60 anos (com o pretexto justo de equiparar função pública e privados) a trabalhar. No fundo, o que eu defendo é que se recue a reforma para os 30 anos com defende a flexisegurança. Isto desperta medos em todos aqueles que estão habituados a escravizar… claro que nós andamos nisso muito tempo, talvez demasiado.
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O crime compensa.
http://dragoscopio.blogspot.com/2008/09/bnus.html
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” o sátiro Diz:
22 Setembro, 2008 às 4:47 am
3-ninguém te obriga a aturar e pagar capitalistas liberais. Podes emigrar para os socialistas.”
prefiro matar todos esses filhos duma prostituta do que emigrar!
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Se o liberalismo for a discussão de como tornar o ser humano mais livre e responsável, eu estarei lá. Se for a discussão sobre como dar mais liberdade às empresas e monopólios, eu não estou lá. O que eu tenho visto por cá é mais a segunda parte, com honrosas excepções.
As empresas necessitam de regulação, senão extravasam as liberdades dos seus clientes. Por exemplo, se uma empresa de vendas for verdadeiramente “agressiva” vai conseguir levar o cliente à falência, em consequência disso a própria empresa cai. O Gestor sai bem, porque até aumentou as vendas até que a conjuntura piorou.
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Caro António Parente,
«Já ontem escreveu que Bush tinha salvo a AIG por causa da candidatura de McCain. Não faz o mínimo sentido aquilo que escreve.»
Claro que faz. Evidentemente que se tratou de um feixe de razões mas as que decorrem da campanha eleitoral nos EUA são fundamentais.
«A AIG não podia cair, fosse o presidente republicano ou democrata. Pergunte ao Obama e ele dir-lhe-á que está de acordo com o Bush.»
É verdadeiramente impressionante o modo sistemático como quem julga saber de economia não percebe nada, nada, nada, de política!
É claro que o Obama tem de estar de acordo com o intervencionismo de Bush porque isso casa com a sua visão do mundo, com crise ou sem ela. Mas não preciso de ‘perguntar ao Obama’ se preferia que o Bush não tivesse feito nada (e deixado o McCain enterrar-se nas sondagens que desceram a pique quando este numa manhã defendeu a abstenção governativa na AIG – discurso que teve de alterar ao fim da tarde desse mesmo dia…) em vez de tentar estancar um tema que prometia tanto para a sua campanha.
Mais uma coisa: com alguma humildade, talvez excessiva, submeto-me às críticas de quem as quiser fazer nesta caixa de comentários. Curiosamente, cada vez mais, vejo comentários impantes na sua razão insindicável, plenos de certezas absolutas e que mandam ‘informar-se’ quem não vê os mesmos gráficos em que os seus autores passam os dias. Ainda por cima, como é o seu caso, com a exibição de uma candura política que até enternece…
Talvez alguma dose de modéstia não ficaria mal a quem critica, digo eu.
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Caro CAA,
No WSJ de hoje, as duas páginas centrais são dedicadas à crise financeira dos EUA. Não foi o Bush que encontrou a solução. Foram Paulson e Bernanke. Se McCain emendou as suas declarações fê-lo porque tomou conhecimento da gravidade da situação e do que ia acontecer a seguir. Relacionar economia com política da forma como o fez, misturar liberalismo e intervenção estatal, não faz sentido nenhum. É a minha opinião.
Não o conheço, nem sei o que significam as iniciais do seu nome. Por isso, peço-lhe que não leve os meus comentários para o campo pessoal. Provavelmente foi excessivo da minha parte “mandá-lo” informar-se. Procurarei escolher melhor as palavras da próxima vez.
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Caro António Parente,
Duas questões:
-Na primeira, há uma divergência de opinião acerca de quem detém o primado nesta e noutras crises: se a economia ou a política. O António Parente tem uma visão eu prefiro outra. E vou escrever um pouco mais sobre isso.
– Na segunda. V. tem toda a razão – ultimamente ando um pouco enxofrado com algumas discussões na caixa de comentários que baixam até ao nível do subsolo. O que, manifestamente, não é o seu caso. Infelizmente, reagi pressionado por lamentáveis episódios recentes: peço-lhe para não dar relevância ao último parágrafo do meu comentário.
Porque se o Blasfémias tem comentários abertos é para que existam debates como o António Parente quis – e espero que ainda queira – levantar.
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Monday, September 22, 2008
The Rasmussen Reports daily Presidential Tracking Poll for Monday shows—for the third straight day–Barack Obama attracting 48% of the vote while John McCain earns 47% (see trends). Obama is viewed favorably by 55%, McCain by 54%. Rasmussen Markets data currently gives Obama a 51.5% chance of victory.
http://www.rasmussenreports.com/public_content/politics/election_20082/2008_presidential_election/daily_presidential_tracking_poll
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Caro CAA
A sua resposta foi educada. Terei o maior prazer em comentar os seus artigos no futuro.
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Excelente post de CAA, dos poucos blasfemos a saber que há (ou deve haver) mais liberalismo (liberdade) que apenas para os mercados.
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Curiosamente, sou um deles. O liberalismo de mercado é consequência das verdadeiras liberdades individuais e não o oposto.
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Ainda bem, José Rocha. Interessante sem dúvida a sua frase, e penso que tendo a concordar.
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