Lucros da banca
29 Setembro, 2008
Parece estar resolvido aquele grave problema de há seis meses atrás. A banca deixou de ter lucros escandalosos. Vivemos, portanto, num mundo melhor.
Parece estar resolvido aquele grave problema de há seis meses atrás. A banca deixou de ter lucros escandalosos. Vivemos, portanto, num mundo melhor.
Foi por causa dos lucros escandalosos que foram à falencia. Secaram a fonte dos rendimentos.
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Agora só falta descerem a tributação dos portugueses para um nível normal, parecido com o da banca…
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Deixou?
Onde?
Nos monopólios que se estão a organizar?
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Se calhar não. Foi a economia que alanvacou com tudo isto. Foi o mercado que criou os monopólios e estatização que está a acontecer.
Na verdade, não foi nenhum facto político nem nada que não esteja a funcionar tão organicamente como sempre funcionou.
Quando é tempo de vacas gordas, engorda tudo e massifica-se o engano de se poder viver do ar.
Quando dessa devora maluca, vem a crise, chegam as vacas magras e os tubatões papam os mais pequeninos.
Nada de novo- é a lei da selva a funcionar.
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E o Estado nunca deixa de estar em todo o processo. Essa é que é a mentira comunista. Alimenta o monstro, engana com ele e apara-o na fase da eleição dos privilegiados monopolistas.
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Tirando isso, a utopia do eficientismo à escala global é partilhada por comunas e neoliberais.
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Ambos vendem paraísos. Chega uma altura em que ficam as duas utopias em cena.
Uma também alimenta a outra. Renova-a. Deu-lhe alento para criar os novos famélicos da terra, tal como os novos monopólios globais.
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No fundo, toda a gente passa a vida a esquecer-se de uma das permissas principais da economia (e do próprio universo): os bens são escassos. E quem diz bens, diz recursos, matérias primas, o que seja.
Basicamente, o universo é um imenso esquema em pirâmide, mas só nos lembramos disso quando estamos na base da mesma (ou seja, quando somos como o mexilhão).
Seria interessante começar a governar com essa permissa em mente, em vez de acharmos que tudo é infinito: os recursos, os bens, o capital, a paciência das pessoas.
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«Seria interessante começar a governar com essa permissa em mente, em vez de acharmos que tudo é infinito: os recursos, os bens, o capital, a paciência das pessoas.»
Mas precisamente. A banca cria dinheiro a partir do ar e esse sim, é um sistema de crescimento até ao infinito.
E há-de ser por isso que marxismo e liberalismo também se equivalem- o capitalismo é electricidade.
Claro que a base, a da produção, nada tem a ver com isto- essa sim, está limitada por recursos. Por alguma razão quem os controla também domina.
E o controle não está na mão da Europa.
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Ao contrário do que se diz, não são os esquerdalhos centralistas e totalitários com a pancada do Pai dos Povos na figura do Estado que estão a colher dividendos de nada.
Em termos teóricos é a vez dos conservadores mostrarem que tinham razão.
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Zazie:
Em relação ao facto da banca criar dinheiro do ar, aí vem-me à cabeça uma questão de criança: “E se as pessoas todas levantarem o dinheiro que têm nos bancos ao mesmo tempo?” ou então “E se as pessoas deixarem todas de pagar as dívidas aos bancos ao mesmo tempo?” “Ora ora” diz o ancião com ar paciente “isso é quase impossível de acontecer e nunca aconteceu antes”… E no entanto… Até o infinito tem os seus “limites” teóricos eheheh
Por outro lado, o esquema em pirâmide da Segurança Social é parecido: funciona tudo muito bem enquanto nascerem mais cidadãos do que morrerem. Então e se o pessoal começar a deixar de ter filhos? Ah pois é… A população activa que resta tem que trabalhar durante mais tempo para manter a pirâmide a funcionar. Ou então colapsa tudo.
Estamos a viver tempos interessantes. Começam a aparecer uma série de “cisnes negros” (o 9/11, o colapso dos mercados financeiros, quem sabe o colapso interno dos EUA), e talvez ainda durante o nosso tempo tenhamos que resolver o “dilema da democracia”: não é perfeita, mas até agora é o melhor sistema que conseguimos inventar. E se de repente tivéssemos que encontrar outro sistema de governo, devido aos sistemáticos abusos que já vimos que a democracia permite?
Nota: não sou “comuna”, nem “anti-comuna”, nem nenhum dos outros “rótulos” habituais (alguns nem sei bem o que significam). Sou apenas um “cidadão anónimo” que observa o que se vai passando à sua volta com curiosidade.
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