Em defesa da GALP
Declarações de interesse: não tenho nem nunca tive qualquer ligação profissional à GALP, directa ou indirecta; não sou nem nunca fui seu accionista, mas gostaria de ter sido.
Francisco Louçã propôs há uns dias que se voltasse ao regime de preços controlados dos combustíveis. De uma forma recorrente, assistimos a intervenções indignadas, mesmo de responsáveis políticos, sobre os lucros especulativos da GALP, a ponto de ter justificado a criação de uma ridícula taxa “Robin dos Bosques”, que ainda não foi regulamentada e ninguém sabe se o será. Obviamente que já ninguém se lembra dos efeitos perversos dos preços administrativos de diversos bens que vigoraram nas décadas de 70 e 80, com o espiral de inflação diferida e fiscalidade agravada que se lhes seguiram. Exceptuando frei Louçã, que conhecerá muito bem a lógica dos preços dos combustíveis, mas é exímio na demagogia, toda a diabolização da GALP feita pela propaganda governamental e por jornalistas ignorantes, não resiste à análise dos números.
No gráfico abaixo, espelha-se a evolução do preço de venda ao público (PVP) da Gasolina e respectivos componentes desde Janeiro de 1999 a Setembro de 2008. Na sua construção consideraram-se:
- Os valores médios mensais de preços e fiscalidade dos combustíveis divulgados pela DGEG;
- Os preços spot diários do Brent, a base das nossas importações de crude, convertidos em euros pela utilização dos câmbios médios mensais divulgados pelo Banco de Portugal;
- A capacidade padrão de um barril de petróleo, corrigida das perdas na refinação (cerca de 1%).
A evolução apresentada no gráfico equivalerá, basicamente, às condições de exploração da GALP, uma vez que é o único refinador em Portugal e a quem as outras gasolineiras adquirem o grosso dos produtos refinados que vendem no mercado interno. O custo do crude apresentado – cotações spot do Brent – tenderá, em média, a ser muito próximo do suportado pela GALP. A empresa, na valorização das matérias primas para efeito de custeio industrial, utiliza custos de reposição (vulgo, NIFO, next in, first out), pelo que, abastecendo-se através da negociação de contratos geralmente indexados aos futuros a 1 mês, são mínimos os desvios entre estes e as cotações spot. Por outro lado, a fixação do preço no retalhista (PSI – preço sem impostos) não depende apenas do custo do barril do petróleo, mas também da margem daquele e sobretudo do preço à saída da refinaria, indexado este às cotações CIF (cost, insurance & freight) dos produtos refinados no mercado de Roterdão os quais, por diversas razões (capacidade de refinação, picos de procura sazonal ou outras), apresentam frequentemente evoluções bem diferenciadas face às das cotações do crude (vd. Gráfico 5, pág. 27 do Relatório da Autoridade da Concorrência). Supostamente, a diferença entre o referido PSI e o custo da matéria prima (faixa a verde claro no gráfico) deve cobrir todos os custos industriais de refinação (amortização do equipamento e respectivos custos de financiamento, bem como mão de obra e outros consumos), custos de armazenagem, de comercialização e de distribuição e incorporar ainda a margem do refinador e do retalhista.
Algumas conclusões interessantes:
- Entre Janeiro de 1999 e Setembro de 2008, o PSI médio mensal da gasolina subiu 240% (13,5% em termos de média anual), enquanto que o preço final ao consumidor (PVP) subiu apenas 81% (6,3% por ano); no mesmo período, o custo do barril de petróleo, expresso em euros, aumentou 606% (22,4% ao ano);
- Por muito que custe à opinião asinina que por aí vai sendo publicada, as empresas acomodam sempre uma parte do aumento das matérias primas. É isso que explica a enorme diferença entre o aumento percentual do custo do crude e do preço sem impostos, amortecido este pela redução de outros custos e pelo estrangulamento da margem de refinação;
- O preço ao consumidor sofre ainda outro amortecimento dado pela componente fiscal. O peso desta na estrutura do preço final baixou de 76,9% em Janeiro de 1999 para 56,7% em Setembro de 2008;
- Estes “amortecedores” funcionam quer na alta, quer na baixa do preço do crude. Assim se explica que as acentuadas descidas do barril de petróleo desde meados de Julho, não tenham idêntica repercussão percentual no preço da gasolina, facto que traz algumas mentes tão furibundas;
- Curiosamente, a margem do refinador terá sido mais dilatada até 2002, altura em que a GALP deixou de ser 100% pública, com a venda de 1/3 do seu capital à ENI. De Janeiro de 1999 a Dezembro de 2001, período do consulado guterrista em que ainda vivíamos no regime de preços administrativos, o crude subiu 119%, mas o PVP da gasolina apenas se agravou 13,7%, tendo-se usado de forma activa a “almofada” do ISP que, no mesmo prazo, baixou quase 39%. Uma parte desta descida terá, indubitavelmente, engrossado a margem do refinador. Estivéssemos nessa altura já no regime de preços livres e, mantendo-se constantes todas as componentes do preço, este teria aumentado cerca de 41% naquele período. Mas em regime de preços livres e com importação de produtos refinados por parte de qualquer das petrolíferas, a margem do refinador seria menor, porque limitada pela concorrência e o aumento do preço final não atingiria aquele nível. Seria porém claramente superior ao que se verificou, com inerentes ganhos ao nível do défice público e da balança comercial, por força da retracção do consumo que então se verificaria.
- A partir de 2002 há um aumento brusco do ISP, terminando o seu “efeito-almofada” e em 2003 dá-se a liberalização total dos preços dos combustíveis, tornando-se livre a partir daí a sua fixação por parte das petrolíferas e retalhistas. Desde então, o preço antes de impostos tem evoluído em sintonia com os preços do crude, com algumas discrepâncias que ocorrem geralmente no Verão, em que é maior a procura de combustível refinado.
- Certo é que, a partir de então, a faixa a verde claro que, como acima se disse, inclui custos de refinação, armazenagem, distribuição e as margens ditas escandalosas das petrolíferas e retalhistas, tem-se vindo gradualmente a estreitar. Se considerarmos a estrutura de preços indicada pela Autoridade da Concorrência (vd. Relatório, mapa 91), 23% do PSI equivale à margem do retalhista e a custos de armazenagem. Aplicando esta percentagem aos seus valores médios mensais, chegamos a um montante que, durante praticamente todo o ano de 2008, supera a diferença entre o PSI e o custo do crude (a já referida faixa a verde claro do gráfico). Isto significa que o PSI não tem coberto integralmente os custos da GALP e esta tem operado ao longo de todo o corrente ano com margens de refinação negativas, que só se terão invertido em Setembro.
- Ou seja, as grandes margens do negócio do petróleo não se encontram na fase da refinação, mas a montante, na extracção, facto que, não é pelos vistos do conhecimento dos nossos analistas e dirigentes políticos. São as grandes petrolíferas internacionais, detentoras de concessões de poços há vários anos e com investimentos já efectuados e largamente amortizados, que se vêm locupletando com margens “oceânicas”. O custo para estas de um barril de petróleo varia entre menos de 10 dólares, se proveniente dos poços pouco profundos do Médio Oriente, até um máximo de 30 dólares, se extraído dos locais mais recônditos do Alaska ou da Sibéria.
- A actividade de extracção da GALP tem ainda um peso marginal, restringindo-se aos poços que explora em Angola. Irá aumentar significativamente no futuro – facto com que nos devemos congratular – quando a exploração dos poços recém descobertos no Brasil entrar em cruzeiro, o que não acontecerá antes de 6/7 anos.
Em síntese, a GALP não é o vilão que por aí se apregoa e nos tem explorado com a imposição de preços de monopolista, desenvolvendo antes a sua actividade num mercado extremamente concorrencial e transparente como é o das commodities. O seu contributo é e será relevante a vários níveis, seja para o PIB, para o emprego e mesmo para o desenvolvimento tecnológico. Trata-se, em suma, de uma Instituição nacional que deveríamos prezar e não vilipendiar.
Não tenho porém qualquer veleidade em mudar as opiniões já formatadas, por mais fundamentos que apresente. Como disse em tempos um ilustre pensador da nossa praça, não há argumento que vença o preconceito.


LR,
Pelo menos, a GALP é monopolista na refinação. Ou não é?
Depois, será Louçã igual a Jardim (que impôs preços administrativos)?
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.
O que lhes interessa é continuar a SACAR o dinheirinho aos cidadãos no ISP e o resto dos Impostos quando vão à bomba de gaolina. O resto é conversa. E claro a culpa é dos outros. Ora bem. Admira-me, isto não tem nenhuma discussão profunda. É apenas isto.
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Nem me dei ao trabalho de ler o post. A GALP é daquelas empresas que já deviam estar em extinção. O Petróleo é arcaico e criminoso.
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-O Petroleo é arcaico e criminoso –
Acompanho, eu diria mais, suga-me a algabra
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“o custo do barril de petróleo, expresso em euros, aumentou 606% ”
Esta a brincar ?
O crude custa hoje em euros menos de 50 euros/barril. Para ter aumentado 606% teria de custar 7 euros/barril em 99. O que equivaleria a menos de US$8/barril.
O minimo que o barril atingiu foi, efectivamente em Janeiro de 99 US $16. Ao aumento da producao do Iraque somou-se a crise economica asiatica. Logo subiu aos $35, que equivaliam a mais de 40 euros. Felizmente (para quem?) o Iraque foi invadido e a especulacao nos futuros fez com que o petroleo fosse de record em record.
Quanto ao preco no consumidor era de 105$00 a gasolina e 59$00 o gasoleo, Ou seja triplicou o preco da gasolina e quadruplicou o do gasoleo.
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O Sr. Vitor Pimenta consegue encontrar algum substituto do petroleo assassino e criminoso?
Eu imagino que use um teclado feito à base de plástico, num computador feito à base de plástico. Liga-se à internet com cabos revestido de plástico.
Que alternativa propõe? Barro?
Se não gosta do petroleol, por que motivo o usa? Se as suas convições são muito fortes, então aja em consonância com elas. Mude o mundo, começando por si mesmo.
Ou apenas dá exemplos orais e escritos?
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Bom post.
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Só para lemvrar que podem encontrar uma análise semelhante em
http://caldeiradadeneutroes.blogspot.com/2008/08/volatilidades.html
http://caldeiradadeneutroes.blogspot.com/2008/08/volatilidades-ii.html
http://caldeiradadeneutroes.blogspot.com/2008/08/volatilidades-iii.html
http://caldeiradadeneutroes.blogspot.com/2008/09/volatilidades-iv.html
http://caldeiradadeneutroes.blogspot.com/2008/09/volatilidades-v.html
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Eu diria que é no mínimo curioso que não tenha incluído o mês de Outubro. Quando o preço do petróleo realmente desceu. Os dados estão disponíveis….
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Isto entrou em declive, palha para esta gente, de Abrantes
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– Governo ‘repõe’ donativos por meio bancário –
Então não pode ser em dinheiro vivo?
O PSD esta a rasca, penso eu
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J,
“Os valores médios mensais de preços e fiscalidade dos combustíveis divulgados pela DGEG;” só estão disponíveis depois de acabar o mês de Outubro…
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O senhor Vítor Pimenta tem o direito de dizer o que lhe apetece e de ser incongruente quando nao tem alternativa, caro Sem Anestesia. Sim, ele há alternativas é só uma questão de puxar pela cabeça desta humanidade. Ou vai tar sempre a cagar e comer plástico? Sabe perfeitamente, caro Sem Anestesia, que este tipo de coorporações, das mais bem instaladas e lucrativas, muito dinheiro vai meter no cu de muita gente para que as “alternativas” só o sejam quando lhes der jeito ou então quando arrebentar o planeta pelas custuras de tanto plasticoplancton.
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ordralfabeletix,
Se se desse ao trabalho de olhar para os números veria que não “está a brincar”. Um exercício simples:
Preço do Brent na 1ª semana de 1999: 10,94 $/b; Câmbio dolar/EUR em Jan99: 1,16
Preço Brent na última semana de Agosto 2008: 113,49; Câmbio dolar/EUR em Ago08: 1,5
Preço crude em EUR início Jan99: 10,94/1.16=9,42
Preço crude em EUR final Ago08: 113,49/1.5=75,79
Taxa de crescimento do preço do crude entre Jan99 e Ago08= 75,79/9,42 – 1= 7,04, ou seja, 704%
Fiz as contas com Agosto porque a fonte apresentada pelo LR para a taxa de câmbio AUR/dólar não apresenta dados para Setembro. Calculo que as contas de LR terão sido feitas para Setembro de 2008 tendo entrado em linha com o recente abaixamento do preço do crude.
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Tarzan,
É verdade mas os preços de Outubro já lá estão na tabela “Preços de Combustíveis Líquidos e Gasosos em Portugal (2004 a 2008)”. Não era preciso muito trabalho para retirar IVA e ISP e pelo menos tirar conclusões prévias. Ou pelo menos ressalvar que a tendência este mês pode não ser esta e que era interessante avaliá-la.
mais um gráfico para a discussão http://fliscorno.blogspot.com/2008/10/gasolina-gasoleo-crude-precos.html
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O Pimenta está agarradinho ao petroleo e exige que alguem invente uma nova droga para ele manter o seu conforto.
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J,
“Pelo menos, a GALP é monopolista na refinação. Ou não é?”
É. Mas qualquer das outras petrolíferas é livre de importar produto refinado. O que naturalmente farão, trazendo-o das refinarias que têm em Espanha ou adquirindo-o no mercado de Roterdão, desde que o preço CIF + custos de armazenagem seja inferior ao preço à saída das refinarias da GALP.
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-O que lhes interessa é continuar a SACAR o dinheirinho aos cidadãos no ISP e o resto dos Impostos quando vão à bomba de gaolina.-
A mim sacam muito pouco, ando de transportes publicos – de comboio e camioneta.
So sacam a quem pode
A Gasolina e de 1ª necessidade?.. não, forçosamente
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Talvez um novo álbum dos Black Sabath…
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Ou seja comparou o valor minimo que o petroleo atingiu com o maximo. Experimente comparar Setembro de 2000 com Outubro de 2008.
Em Setembro de 2000 o barril custava US$35. O euro valia $0.8525. Ou eja o barril custava 41 euros.
Ou seja de Setembro de 2000 a Outubro de 2008 o preco do barril de petroleo aumentou menos de 20%.
Esta afirmacao e tao seria como a dos 606% do post.
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Quer dizer, ó L. R., na sua, a Galp está a fazer-nos um serviço do carago, qual escrava incompreendida e mal paga. E o frei Louçã é que é demagogo.
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Ordralfabeletix (5 e 20)/ Tarzan (14),
A análise foi feita sempre com base em PREÇOS MÉDIOS MENSAIS de Janeiro de 1999 a Setewmbro de 2008 retirados das fontes indicadas. A média mensal dos preços do crude foram por mim calculados a partir dos preços spot diários do Brent divulgados pela EIA. Assim:
Prç bbl US$ / Câmbio / Prç bbl €
Jan 99 11,11450 / 1,1608 / 9,57486
Set 08 97,23476 / 1,4394 / 67,55435
Variação percentual do barril em € =
= (67,55435/9,57486-1)*100 = 605,54%
O câmbio médio de Setembro ainda não estava disponível no site do Banco de Portugal. Calculei-o a partir deste site:
PREÇOS MÉDIOS MENSAIS de venda ao público do litro de gasolina divulgados no site da DGEG:
Jan 99 – €0,803; Set 08 – €1,456
Aplicando a mesma fórmula acima indicada, temos um aumento percentual de 81,32%.
Todas as minhas afirmações são sérias e os cálculos perfeitamente auditáveis.
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Deduzo que o Sr. Pimenta subtraiu-se preventivamente aqueles que devem puxar pela cabeça da humanidade. E vive felizpensando que isso, por si só, é um factor positivo.
A sua contribuição é dizer que algo está mal, agora os outros que façam o resto, que o esforço é demasiado.
Eu não esperaria outra coisa.
No entanto, o meu erro é esperançar em vão.
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“Eu diria que é no mínimo curioso que não tenha incluído o mês de Outubro. Quando o preço do petróleo realmente desceu. Os dados estão disponíveis…”
O mês de Outubro ainda não acabou e, obviamente ainda não há dados completos. Mas tem a certeza que isso poria em causa as conclusões? Posso antecipar (apenas mero palpite) que a margem da GALP irá crescer.
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“Todas as minhas afirmações são sérias e os cálculos perfeitamente auditáveis.”
Nao duvido. Mas faco-lhe o desafio. Compare Setembro de 2000 com Outubro de 2008. E depois diga qualquer coisinha.
E ja agora explique porque escolheu Janeiro de 99? Foi por o petroleo ter atingido o seu valor minimo?
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Caro LR,
Os números podem estar certos mas daí às afirmações serem sérias permita-me as minhas reservas. podia não ter dito que aumentou 606% (algo verdadeiro mas que pode dar uma ideia distorcida e certamente esta escolha não foi inocente). Podia ter começado a análise em 1996 e nesse caso provavelmente a diferença seria menor. Podia ter começado em setembro de 2000 e seria só 20% como disse o Ordralfabeletix. é uma questão de malabarismos de números que todos podemos fazer. não ser crítico à metodologia que usa é um primeiro passo para eu achar que a análise não é séria.
Outra coisa que ainda não percebi é esta comparação de preços sem actualizar os valores do dinheiro para um ano base. A taxa de inflação foi a mesma em portugal, na Europa, e nos Estados Unidos? Isto não devia ser tido em conta?
E o Outubro deste ano?
São dúvidas que vou tendo e que acho mereciam alguma referência neste texto antes de explanar conclusões tão definitivas. Nenhuma análise é absoluta e saber reconhecer os pontos fracos é útil para se aumentar o conhecimento e quem sabe validar as suas conclusões.
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Vi agora que já tinha respondido em relação ao Outubro. Como vê um mês para a frente um mês para trás altera significativamente as conclusões. Era aí que queria chegar.. Como ficaria a conclusão 1 por exemplo?
Conclusões demasiado taxativas para uma análise que varia brutalmente consoanto o mês de começo e de fim…
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“Nao duvido. Mas faco-lhe o desafio. Compare Setembro de 2000 com Outubro de 2008. E depois diga qualquer coisinha.
E ja agora explique porque escolheu Janeiro de 99? Foi por o petroleo ter atingido o seu valor minimo?”
Como disse acima, ainda não tenho valores médios de Outubro – a DGEG só os publicará em meados de Novembro. Mas posso fazer-lhe a comparação de Setembro de 2000 com Setembro de 2008. Aí vai, em termos de variações percentuais:
Preço do crude (US$): + 193,4%
Preço do crude (€) : + 77,7%
Preço/lt sem impostos: + 30,6%
Preço/lt ISP: + 111,0%
Preço/lt IVA: + 88,1%
Preço de venda público: + 64,0%
Ou seja, a GALP, que só pode ser responsabilizada pelo preço antes de impostos (+ 30,6%), continua a sair muito bem na fotografia. Os maiores crescimentos foram para o Estado.
Escolhi Jan 99 porque pretendi fazer uma análise no período mais longo possível e os preços disponíveis na DGEG são apenas desde essa altura. Por muito que tente, não conseguirá encontrar qualquer intenção malévola da minha parte.
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J Outro (26 e 27),
Se você tiver valores médios mensais por litro de gasolina desde Janeiro de 1996 (preço sem impostos, ISP, IVA e preço de venda ao público), remeta-mos por e-mail, que eu actualizo a base.
Quanto à análise a partir de Setembro de 2000, vd. comentário 28. Mas independentemente do período que você considere – desde que minimamente longo, pois se comparar 2 meses seguidos, isso não é conclusivo – o ponto é que há regras na formação de preços, explicitadas na posta e que a GALP respeita.
Não percebi essa sua intenção de considerar as taxas de inflação. Isso só atenuaria os níveis de subida ou de descida, mas não alteraria as conclusões.
Fica prometida a actualização quando eu tiver dados médios de Outubro. Como eu já disse acima, palpita-me que se irá alargar a faixa a verde claro e talvez permitir uma cobertura total dos custos de refinação e libertar alguma margem à GALP. E isso é positivo.
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Esta análise muito bonita só não explica o porquê de os preços nas postos Feira Nova serem 8 cêntimos inferiores aos da Galp, sabendo nós que a Feira Nova (como todos os outros) vai comprar às refinarias da Galp.
Esta analise também não explica porque é que: se levarmos talões de desconto dados em hipermercados, os próprios postos da Galp já podem vender mais barato.
A verdade é que o preço podia ser pelo menos 10cts mais barato nos postos de abastecimento,mas, como todas as grandes companhias se guiam pela líder de mercado, temos esta vergonha a passar-se em Portugal.
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Esta análise muito bonita só não explica o porquê de os preços nas postos Feira Nova serem 8 cêntimos inferiores aos da Galp, sabendo nós que a Feira Nova (como todos os outros) vai comprar às refinarias da Galp.
Esta analise também não explica porque é que: se levarmos talões de desconto dados em hipermercados, os próprios postos da Galp já podem vender mais barato.
A verdade é que o preço podia ser pelo menos 10cts mais barato nos postos de abastecimento,mas, como todas as grandes companhias se guiam pela líder de mercado, temos esta vergonha a acontecer em Portugal.
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EM vez de mostrar as percentagens podia mostrar como chega ate elas?
E que segundo a EIA “September 20 Oil prices close at $37.20 on the New York Mercantile Exchange (NYMEX)”. O euro valia entao 0.8525 euros. Dava 43.6 euros/barril.
O barril hoje vale 63.22$. O euro vale hoje 1.2742$. O barril hoje vale 49.61 euros.
O barril valorizou de Setembro de 2000 ate Outubro de 2008 13.7%.
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“Esta análise muito bonita só não explica o porquê de os preços nas postos Feira Nova serem 8 cêntimos inferiores aos da Galp, sabendo nós que a Feira Nova (como todos os outros) vai comprar às refinarias da Galp.
Esta analise também não explica porque é que: se levarmos talões de desconto dados em hipermercados, os próprios postos da Galp já podem vender mais barato.”
O preço médio vigente em Portugal antes de impostos em Setembro último foi de € 0,63/litro. Se considerarmos que a margem média do retalhista é de 19,5% (estudo da Autoridade da Concorrência linkado no ponto 7. da posta), isto dará €0,12/litro. Quanto baste para o Feira Nova e outros hipermercados abdicarem de 8 cêntimos na respectiva margem. A venda de combustíveis não é o seu negócio principal, funcionando apenas como uma forma de rendibilizar a área disponível e, sobretudo, atrair potenciais clientes para o hipermercado. A concorrência também passa por aqui.
A utilização de talões de desconto dos hipermercados nos postos da GALP é uma forma de ela responder à concorrência dos Feira Nova e quejandos. Mais uma vez, é a margem de retalho que é sacrificada que geralmente não é da GALP, mas de franchisados.
Mas isso não é tudo em benefício do consumidor? Toda esta diversidade do mercado acaba, no final, por conduzir a uma pressão dos preços para a baixa. Ou seja, existe de facto concorrência.
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Ordralfabeletix,
“EM vez de mostrar as percentagens podia mostrar como chega ate elas?
E que segundo a EIA “September 20 Oil prices close at $37.20 on the New York Mercantile Exchange (NYMEX)”. O euro valia entao 0.8525 euros. Dava 43.6 euros/barril.
O barril hoje vale 63.22$. O euro vale hoje 1.2742$. O barril hoje vale 49.61 euros.
O barril valorizou de Setembro de 2000 ate Outubro de 2008 13.7%.”
Já acima disse que a minha análise foi efectuada com base em VALORES MÉDIOS MENSAIS, sejam do crude ou dos diversos componentes do preço da gasolina. Todas as percentagens que indiquei são portanto calculadas com base nos ditos valores médios. Você está a comparar preços diários de duas datas precisas e eu calculei a evolução de preços médios ao longo de quase 10 anos. Quando dispuser dos preços médios de Outubro, actualizarei a base, mas isso não irá alterar a conclusão base: a de que a GALP não se aproveita da sua posição de líder para impôr preços abusivos, dado que estes acompanham as cotações dos produtos refinados.
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a galp
e o nosso escalpe
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“não há argumento que vença o preconceito”
argumentos e preconceitos cada um tem os seus e não consigo deixar de pensar no abuso de posição dominante (nem que seja na arrogância com que trata o mercado), por um lado, e na falta de sensibilidade na relação com os clientes, por outro, que a Galp tem demonstrado. Pior ainda quando o Estado – e por tabela todos os contribuintes – é accionista.
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Já que foi referido, aqui fica o anterior gráfico com dados mais recentes:
http://fliscorno.blogspot.com/2008/10/precos-gasolina-gasoleo-brent-2008.html
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Portela menos 1,
“argumentos e preconceitos cada um tem os seus e não consigo deixar de pensar no abuso de posição dominante (nem que seja na arrogância com que trata o mercado), por um lado, e na falta de sensibilidade na relação com os clientes, por outro, que a Galp tem demonstrado. Pior ainda quando o Estado – e por tabela todos os contribuintes – é accionista.”
Podia p.f. fundamentar?
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Fundamentar?…
1)abuso de posição dominante, nem que seja na arrogância com que trata o mercado – é só ouvir o que dizem os concessionários.
2)falta de sensibilidade na relação com os clientes – é só relembrar as posições públicas e os argumentos da administração e do porta voz, por cada vez que os consumidores se perguntavam porquê as diferentes velocidades na reposição dos preços na baixa e na alta do crude/petróleo.
3)Pior ainda quando o Estado é accionista – se LR se sente confortável enquanto contribuinte, eu não.
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e não deixa de ser preocupante a análise do gráfico no período entre 5/Setembro/08 e 26/Setembro/08 (comentário #37)
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Portela Menos 1,
“abuso de posição dominante, nem que seja na arrogância com que trata o mercado – é só ouvir o que dizem os concessionários.”
Os concessionários não representam todo o mercado, apenas uma componente da cadeia da oferta e que pretende maximizar a sua quota parte da cadeia de valor. De resto, eles têm para si uma margem mádia de 19,5% antes de impostos, claramente superior à margem de refinação da GALP que muitas vezes tem sido negativa.
“falta de sensibilidade na relação com os clientes – é só relembrar as posições públicas e os argumentos da administração e do porta voz, por cada vez que os consumidores se perguntavam porquê as diferentes velocidades na reposição dos preços na baixa e na alta do crude/petróleo.”
“Pior ainda quando o Estado é accionista – se LR se sente confortável enquanto contribuinte, eu não.”
Enquanto accionista normal, o Estado pretenderia um preço que maximizasse os lucros da empresa. Mas enquanto extorsor de impostos que é a qualidade em que ele sabe melhor actuar, interessa-lhe um preço que maximize a litragem vendida, a base da imposição do ISP. Enquanto contribuinte sinto-me sempre desconfortável a pagar impostos. Enquanto consumidor racional de energia, entendo que o Estado não deve baixar a carga fiscal, pois estaria a dar um incentivo errado à economia.
O gráfico que apresento mostra que essa ilação é incorrecta. E como explico na posta, o preço antes de impostos não se baseia directamente nas cotações do crude, mas sim na dos produtos refinados (vd. gráfico 5, pág 27 do Relatório da Autoridade da Concorrência acima linkado). A evolução das cotações dos refinados não está perfeitamente ajustada com as do crude e isso pode favorecer ou penalizar pontualmente a GALP. No gráfico assinalo inclusivamente alguns períodos em que existem discrepâncias, coincidentes sempre com os meses de Verão.
“e não deixa de ser preocupante a análise do gráfico no período entre 5/Setembro/08 e 26/Setembro/08”
Preocupante era a situação quando o crude atingiu o pico em que no gráfico que refere o preço antes de impostos da gasolina e do gasóleo eram praticamente iguais ao preço do crude. Se a situação fosse sempre essa a GALP e todos os outros refinadores fechavam e você não teria quem lhe fornecesse combustível. De resto, quem lhe garante que no tal período de 20 dias que refere a GALP está com lucros fabulosos? Como explico na posta, a diferença entre a linha do preço e a linha do crude abarca custos de refinação, seguros, transporte, armazenagem e a margem do retalhista.
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LR
Várias notas e sugestões:
1) Este post do LR é um exemplo de serviço público. Obrigado.
2) O LR faz muito bem em não incluir os dados parciais de Outubro. Primeiro porque seria incoerente face ao critério de se usar médias mensais. Depois porque é possível que as médias parciais possam ser distorcidas face às totais. Por exemplo, tenho a ideia de que há contratos futuros sobre o petróleo que fecham perto do fim do mês. A aproximação dessas datas podem gerar variações bruscas diárias de preço, como ocorreu recentemente. Se muitos investidores entraram “curtos” (i.e. “shortaram”) e vão fechar, isso introduz uma pressão compradora perto do fecho que faz subir bastante o preço.
3) Janeiro de 1999 é a melhor data para início do gráfico pois foi nessa data que nasceu o euro (os câmbios das moedas nacionais da Zona Euro face ao euro foram fixados em 31/12/1998). Para datas anteriores, teríamos de usar o escudo. Seria assim um gráfico com preços em duas moedas diferentes, o que poderia introduzir distorções e conclusões erradas. Para incluir datas anteriores, teria de se escolher outra moeda, o dólar naturalmente. Ou então o ouro. Escolher uma data posterior, além de arbitrário, não faz sentido, pois quanto maior o intervalo de tempo em análise, melhor.
4) Sugiro a feitura dum gráfico em dólares e também outro em ouro e/ou prata. O uso do ouro seria uma maneira de satisfazer o comentador que se queixou da não consideração da inflação, além de que seria um gráfico interessante por si mesmo.
5) Porque não discriminar a margem da refinação da margem do retalho? Basta introduzir mais uma linha e uma cor.
6) Também seria boa ideia fazer um gráfico com o preço do crude, e com os preços para o consumidor, com e sem impostos, dos combustíveis, da média da UE e de vários países desta. Para ver se Portugal é assim tão diferente dos outros países…
Obrigado.
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LR,
“Preocupante era a situação quando o crude atingiu o pico em que no gráfico que refere o preço antes de impostos da gasolina e do gasóleo eram praticamente iguais ao preço do crude.”
O gráfico é em base100, com as escalas ajustadas em função dos respectivos máximo. O pico em que as três linhas convergem significa apenas que nesse ponto as três grandezas atingiram o respectivo máximo. Isto é, não se pode afirmar que “o preço antes de impostos da gasolina e do gasóleo eram praticamente iguais ao preço do crude.”
O intuito deste gráfico é ajudar a perceber se as grandezas evoluem de forma equivalente.
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Jorge,
Ok, mas no meu gráfico dá para entender que, por alturas de Maio, Junho e Julho, a diferença entre o preço sem impostos e o custo do crude era assaz estreita. E como eu disse, a GALP terá andado praticamente durante todo o ano com margens de refinação negativas. Eventualmente elas irão inverter em Setembro/Outubro. E ainda bem.
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LR, um outro ponto de vista é que nos restantes períodos andou com margens assaz largas. 🙂 Não ligue, just teasing.
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Caro LPedroMachado,
Obrigado pelas sugestões, todas elas bem pertinentes. Vou tentar pesquisar e compilar dados adicionais. Será por exemplo difícil estimar a margem média do retalhista ao longo de quase 10 anos em que terá havido várias alterações de critérios. Mas talvez se arrange alguma coisa.
Um abraço
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Jorge,
“LR, um outro ponto de vista é que nos restantes períodos andou com margens assaz largas. 🙂 Não ligue, just teasing.”
Tenho de repetir pela enésima vez: a diferença entre o preço sem impostos e o custo do crude NÃO É APENAS MARGEM. Engloba os custos de refinação (você acha que os custos de investimento e manutenção de uma refinaria são nulos???), de transporte, armazenagem seguros e as margens do refinador e do retalhista. A GALP só teve margens grandes – e isso é visível no meu gráfico – até finais de 2001. Nessa altura, era empresa pública e estávamos em regime de preços administrativos.
Faça este pequeno exercício: no seu ficheiro, multiplique o preço sem impostos por 0,77 (retirando 19,5% para a margem do retalhista e 3,5% para custos de transporte – dados da Autoridade da Concorrência). O resultado dar-lhe-á, basicamente, o preço à saída da refinaria. Depois subtraia-lhe o custo/litro do crude. O resultado deve incorporar os custos de refinação, armazenagem, seguros, custos comerciais e administrativos e a margem do refinador. Diga-me depois em quanto estima os lucros escandalosos da GALP.
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“Tenho de repetir pela enésima vez: a diferença entre o preço sem impostos e o custo do crude NÃO É APENAS MARGEM. Engloba os custos de refinação (você acha que os custos de investimento e manutenção de uma refinaria são nulos???), de transporte, armazenagem seguros e as margens do refinador e do retalhista.”
Calma LR 🙂 Era uma piadola.
Sobre as contas que sugere: creio que não percebi bem. De um barril de brent derivam-se vários produtos (cf aqui). Para concluir sobre as margens de refinação teria que olhar para o conjunto destes produtos refinados e para os respectivos preços sem impostos. Só assim posso concluir sobre essas margens.
Os dados de que disponho são PsT_IO95, ISP_Gasóleo, PsT_Gasóleo e Brent_EUR (ver forlha de cáculo aqui).
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o primeiro “aqui” é:
http://fliscorno.blogspot.com/2008/05/produtos-refinados-partir-dum-barril-de.html
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Atendendo unicamente à gasolina s/ch 95 e aos gasóleo, em 05-01-2007:
barril de brent dá 73.44 litros de gasolina
barril de brent dá 29.53 litros de diesel
PSI_IO95=0.48317
PSI_Gasóleo=0.46451562
Brent_EUR=43.135
(73.44*0.48317+29.53*0.46451562)*0.7 – 43.135 = -8.694 euros
E ainda faltam 65.86 litros de outros produtos refinados. Se estes valerem 8.694 euros, já deu lucro.
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Racioncínio semelhante para 17-10-2008:
barril de brent dá 73.44 litros de gasolina
barril de brent dá 29.53 litros de diesel
PSI_IO95=0.54533
PSI_Gasóleo=0.648973333
Brent_EUR=53.241
(73.44*0.54533+29.53*0.648973333)*0.7 – 53.241 = -11.792 euros
Haverá lucro se os tais 65.86 litros de outros produtos refinados valerem 11.792 euros.
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Jorge, não complique. Não interessa para o caso a estrutura de destilação do barril nem a hipotética compensação das perdas em alguns produtos com ganhos noutros. Tendencialmente, todos os produtos finais de uma empresa devem libertar margem, senão aquela corre o risco de “não ganhar para o petróleo”.
Nas condições de produção da GALP, 1 litro de crude dá para produzir cerca de 0,99 litros de gasolina ou gasóleo (perda de cerca de 1% com a retirada de água que existe sempre no crude). A partir daqui, os cálculos por litro são lineares.
Por outro lado, não pode tirar nenhuma conclusão relevante com cálculos pontuais para 2 datas específicas. A análise deve ser feita em períodos longos e numa base mensal, que pode depois ser confrontada com o fecho de contas das empresas. Posso dizer-lhe que, com base nos meus cálculos e depois de retirados os acima referidos 23% (margem do retalhista + custos de transporte) aos PSI médios mensais, a diferença destes para o custo do crude deu os seguintes valores (€/litro):
JAN08 0,010917311
FEV08 -0,016024515
MAR08 -0,012014455
ABR08 -0,024822358
MAI08 -0,062246413
JUN08 -0,068825461
JUL08 -0,042747003
AGO08 -0,020793365
SET08 0,029312931
Para determinar a margem do refinador, teria ainda de subtrair aos valores acima os custos de refinação, armazenagem e comerciais. Ou seja, margens da GALP claramente negativas. E aqueles valores pecarão por excesso se os confrontar com os indicadores hoje divulgados pela GALP relativos ao 3º trimestre (vd. “margem cracking de Roterdão, logo na 1ª página):
Click to access FR20723.pdf
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LR,
também não quero complicar, apreciei o seu esforço para atenuar os meus “preconceitos” … e sabe como um desses preconceitos se manifesta? – com os lucros pornográficos das várias galps deste país.
como os americanos, também acho que o Lucro não é uma palavra maldita mas, resultados de mais de 300 milhões (9 meses?), mesmo com queda de 30% face ao período homólogo do ano anterior (exemplo de um banco apresentado hoje), só pode deixar qualquer sujeito que ganha, quando ganha, 1.000€ … com preconceitos! – não falando das Manuelas que são contra 24 € de aumento do SMínimo.
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LR, nada disso, pretendi perceber o que tinha dito com os dados que dispunha. Nomeadamente, os que dizem o que é possível refinar com um barril de brent.
“Nas condições de produção da GALP, 1 litro de crude dá para produzir cerca de 0,99 litros de gasolina ou gasóleo ”
Ou seja, a Galp destila completamente um barril de brent em gasolina e gasóelo??? Não tenho acesso a estas informações…
Não pretendi tirar conclusões com duas datas. E, como pode ver, não o fiz. Apenas peguei em duas delas e apliquei o que julguei que me estava a dizer.
“Ou seja, margens da GALP claramente negativas”
Eu que sou leigo na matéria pergunto: como tem então a Galp lucro?
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Jorge,
Da refinação de um barril de facto resultam todos os produtos que você indicou na sua posta. a estrutura pode é varia de acordo com a tecnologia usada na refinação (p.e., em Portugal, só a refinaria de Sines é que tem o “cracking”, o que, entree outras coisas, permite destilar uma percentagem maior de gasóleo. Mas o que é relevante na nossa análise é o volume de crude necessário para produzir um litro de gasolina ou de gasóleo. E são necessários cerca de 1,01 litros de crude, como eu acima disse.
Como tem a GALP lucro? Posso dizer-lhe que, neste momento, a sua actividade mais rentável será a do gás natural em que as margens são bem mais simpáticas do que na miséria dos refinados. Mas aguardemos pelos resultados trimestrais que serão publicados em 12 de Novembro e verá que coisa ínfima eles irão apresentar.
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Portela Menos 1,
Você raciocina na base de um conceito totalmente errado, mas infelizmente generalizado: o de que os lucros de uns fazem a miséria de outros. Não entendem que a economia é um sistema de benefícios mútuos, um jogo de soma positivo. Nós deveríamos congratular-nos que todas as nossas empresas fossem muito rentáveis e com lucros crescentes. É o lucro que lhes confere capacidade para crescerem, investirem e criarem empregos. Empresas deficitárias geram contracção económica e desemprego.
Aliás, há pouco menos de um ano, andava meio mundo a vociferar contra os lucros escandalosos dos Bancos. Os lucros estão em sumiço e oxalá não se transformem em breve em prejuízos. Posso adiantar-lhe que já se fala na possibilidade de despedimentos maciços na Banca. Acha que ficaremos todos melhor com isso?
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LR,
você “não quis ler” o que escrevi no #53…é um direito seu.
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Portela Menos 1,
Mas quanto é que acha que deveriam cair os lucros das empresas para você ficar sem preconceitos? 50%? 80%? 100%? Não tenho dúvidas que muitos ficariam instantâneamente mais felizes, ou não fosse a inveja uma das nossas características. Mas tem a certeza que a prazo ficaríamos todos melhor?
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LR,
…eu acho que não há “ambiente” para alguém defender a maneira como as instituições financeiras são(têm sido)geridas.
A crise financeira e as repercussões na economia das empresas pode ser pior do que a de 1929 e quem andou a vociferar contra os ganhos pornográficos das administrações de bancos e outras organizações financeiras, tem toda a razão do mundo.
Não creio que o sistema de economia de mercado vá acabar.
Agora, alguma coisa tem que mudar para que este casino royal do capitalismo se focalize mais no bem estar das pessoas e menos nas “stock options” de alguns milhares de CEO’s, CFO’s e
Administradores.
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Portela Menos 1,
Podemos discutir a “economia de casino”, a gestão bancária, todas essas coisas. Mas o que tem isso a ver com a GALP? O meu ponto, e julgo ter fundamentado na posta, é que ela não se aproveita da posição dominante nem tem lucros de monopolista como para aí tem sido dito. Prove-me que não tenho razão.
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A empresa Galp há muito que deixou de ser uma empresa pública e à luz disso toda esta discussão deixa de ter qualquer sentido. Como empresa do PSI 20 o seu objectivo é maximizar o lucro aproveitando o diferencial CIF-FOB e aproveitando o facto de que pode vender a qualquer empresa que venda em Portugal CIF de Ambers-Roterdão-Amsterdão menos x. A conta é simples, o que no meio disto tudo é inadmissível é que o senhor Ferreira de Oliveira dê ares de funcionário de empresa pública pela golden-share do estado protuguês quando tal lhe convêm, dizendo que as margens estão baixas e que estão perdendo dinheiro a refinar num cenário de preços altos e num mercado em contango (Entrevista Expresso de 28 de Junho). É falso e tal foi bem patente na apresentação de resultados de 2008.
Tenho dito.
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hum
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