Pede-se uma explicitação
Apesar das várias alegações de esta crise prova que é necessária mais regulação, ainda não vi uma explicitação desta tese em todos os seus detalhes. Refiro-me a uma explicitação que aborde os seguintes tópicos:
1. Que regulação é que existia antes da crise? Nenhuma?
2. Que propostas concretas é que os defensores de mais regulação defenderam ao longo dos últimos anos e de que forma é que essas propostas teriam evitado a crise?
3. O que é que a SEC e o FED faziam e porque é que isso não era regulação?
4. Que medidas é que a SEC e o FED podiam ter tomado e não tomaram porque estavam impedidos de o fazer?
5. Porque é que a injecção de moeda pelo FED pode ser considerada uma forma de falta de regulação?
6. Como é que o regulador antecipa necessidades de regulação se muitas vezes nem sequer compreende os mercados (José Sócrates descobriu o “short Selling” há um mês)?
7. Como é que o aumento de regulação pode tornar os mercados melhores? Note-se que não basta reconhecer que os mercados têm defeitos. É necessário reconhecer também que os reguladores são frequentemente incompetentes e ideologicamente motivados e que por isso também têm defeitos. É necessário ainda mostrar que os defeitos do mercado são superiores aos defeitos da regulação.
8. Suponho que não basta aumentar a regulação. É necessário encontrar a regulação adequada. Quem é que o vai fazer, por que método e que garantias é existem de que o resultado será superior à auto-regulação dos mercados?
9. Aumentar a regulação implica aumentar o poder dos políticos para interferir no mercado. Estamos a falar de Durão Barroso, José Sócrates, Sarkozy, Zapatero e Berlusconi? Ou estamos a falar de políticos ideais que nunca ninguém viu?

o socialismo do nepotismo da gamela saiu do largo dos ratos para se implantar a nível nacional
a comunicação social está cad dia mais coprofágica
os que se vergam à maioria acabam sodomizados
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João Miranda,
Sabem bem que as únicas respostas que lhe irão dar é que simplesmente deve haver mais regulação. Ninguém sabe muito o que se deve regulamentar, como nem porquê. Se a maior parte da opinião pública e do poder político nunca viu um processo de crédito, um contrato futuro, um cfd, um cds, um hedge fund, o que é a política monteria, a oferta e procura, SEC, FED, BCE, FMI, short selling, cobertura de risco, cobertura cambial, forex, alavancagem, SPREAD, EURIBOR, LIBOR, OT, obrigações perpétuas, obrigações de taxa variável, call option, put option, warrants, etc… Como pode querer uma resposta?
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Porque é que muitos dos ex-prémios de economia como Markovitz e Splitz andam a apresentar propostas de como regular os mercados? Porque é que andam a debater o assunto e incluem bases de dados para se saber o que é o que, se não é porque também consideram que a falta de regulação eficaz num mercado global pode levar à falencia das empresas e ao caos económico?
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.. os economistas andam a debater o assunto e os políticos a ouvi-los. Não esperem que sejam os politicos que vão regular o que não entendem. É que até os economistas se estão a ver gregos no assunto.
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3.
Posso-lhe dar outros tantos exemplos de economistas que são contra uma maior regulamentação dos mercados. Não vale a pena começar a contar espingardas.
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Então dispare aí Pizarro. Porque não acredito que encontre nenhum.
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“ainda não vi uma explicitação desta tese em todos os seus detalhes.”
O que é evidente não carece de explicação, quanto mais de explicitação.
“Posso-lhe dar outros tantos exemplos de economistas que são contra uma maior regulamentação dos mercados”
Pois.
E dos bons.
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João,
O que me impressiona é que você aceita que haja uns fulanos “do mercado” que joguem a bel prazer com a sua/nossa vida, a sua/nossa reforma, etc que se fizerem asneira o “mercado” castiga-los-á, e de caminho também a si e a nós, que nos limitamos a ser trabalhadores e cuidadosos.
O com seu ponto de vista, sinto a si e a nós, como os escravos duma plantação que aguentavam os dislates dos seus senhores $do mercado$ (de escravos, de açucar, do algodão, etc).
Julgava que o 25 de Abril, apesar de tudo o que se passou, lhe tinha dado o direito de, pelo menos, poder opinar sobre a sua vida, em vez de se deixar escravizar pelo mercado, gerido por outros, e se lhe ligar a si e a nós pevia.
Podia pelo menos propôrn que, em vez do dinheiro ser dado a bancos directamente, fosse canalizado para “reformas & “ordenados”, que se traduziriam na compra de productos “no mercado” a firmas, que pagariam os seus empréstimos aos bancos
Por outras palavras, em vez dos bancos gozarem sózinhos no início, só gozavam depois de você e nós termos gozado, e rea se houve dinheiro…..
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Juan Enriquez: Debt, Denial, and Destruction… And Rebirth?
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Viva o Liberalismo!
Abaixo a Regulação!
Viva a Lei do Mais Forte!
Abaixo os vencidos!
Honra aos vencedores!
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Anónimo 7.
Não percebi muito bem o que quer dizer. Os bons são aqueles que dizem o que quer ouvir?
Anónimo 6.
Não sei se é o 7 ou se é um anónimo diferente. De qualquer maneira, se quer quantidade podia começar a debitar economistas da escola Austríaca. Mas não me parece interessante. Cito-lhe só um ou dois exemplos que eventualmente achará interessante consultar. Richard Ebeling e uma referência mais mediática, Peter Schiff. Gosto principalmente deste último pela sua excepcional análise sobre a economia e o papel dos agentes económicos, bem como as previsões sobre a economia americana, mais especificamente.. Pode também consultar algumas opiniões do Congressista Ron Paul. Este presumo que conheça.
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Regulamentação primeira, os gajos, lá gestores e presidentes, lá cambada que se sabe, não deve, não pode ganhar além do moral e socialmente decente, sem excepção do presidente do Banco de Portugal, do BCP, da Caixa e mais coutadas, como é a Galp e a Engil do país de batoteiros.
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Creio que Ebeling é contra a regulação pelo estado mas a favor duma regulação, de regras. Schiff é um bocado estranho demais para mim e vive do mercado, por isso ele lá sabe como ganha mais dinheiro e a fed está a estragar-lhe os planos não deixando crashar o mercado se calhar.
Mas está certo tinha-me esquecido dos economistas libertários. Eles existem!
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1. Que regulação é que existia antes da crise? Nenhuma?
Em alguns mercados existia regulação. Mas nos mercados derivados do crédito CDS não existia. Os reguladores tinham que a crença que a melhor regulação era a auto-regulação.
2. Que propostas concretas é que os defensores de mais regulação defenderam ao longo dos últimos anos e de que forma é que essas propostas teriam evitado a crise?
Eu falo por mim. Eu há nos que defendo regulação dos cds, desligar as remunerações dos CEO’s a objectivos de curto prazo, eliminação do conflito de interesse das agências de rating, limitação do credito ao consumo, etc
3. O que é que a SEC e o FED faziam e porque é que isso não era regulação?
Faziam regulação. A ausência d regulação também é uma forma de regulação.
4. Que medidas é que a SEC e o FED podiam ter tomado e não tomaram porque estavam impedidos de o fazer?
Não estavam impedidos de o fazer. Apenas estavam convencidos que quanto menor fosse a regulação mais eficiente era o funcionamento do mercado. Podiam, por exemplo, determinar que o trabalho das agências de rating não fosse pago pelos avaliados. Outro exemplo: podiam limitar as alavancagens dos bancos de investimento , impedindo que atingissem valores na ordem das 50 vezes o seu capital. Outro exemplo ainda: intencionalmente fecharam os olhos às maiores manigâncias contabilísticas dos bancos.
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5. Porque é que a injecção de moeda pelo FED pode ser considerada uma forma de falta de regulação?
Não, não pode.
6. Como é que o regulador antecipa necessidades de regulação se muitas vezes nem sequer compreende os mercados (José Sócrates descobriu o “short Selling” há um mês)?
Ahahahah!!!
7. Como é que o aumento de regulação pode tornar os mercados melhores? Note-se que não basta reconhecer que os mercados têm defeitos. É necessário reconhecer também que os reguladores são frequentemente incompetentes e ideologicamente motivados e que por isso também têm defeitos. É necessário ainda mostrar que os defeitos do mercado são superiores aos defeitos da regulação.
Claro que os reguladores são frequentemente incompetentes e ideologicamente motivados, mas é que temos. Temos que ir aprendendo com os erros. É que deixar o mercado livremente sem qualquer regulação conduz à loucura. Em alguns países africanos onde impera o lema,cada um por si e Deus por todos, somente os fortes sobrevivem; cabendo aos fracos conformarem-se com a exclusão natural.
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“Mas nos mercados derivados do crédito CDS não existia.”
Claro que existia e não era pouca. O que não existia era uma bolsa, que permitiria formar preços com transparência. Os compradores de CDS, muitas vezes não tinham capacidade de avaliar o risco do que compravam.
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8. Suponho que não basta aumentar a regulação. É necessário encontrar a regulação adequada. Quem é que o vai fazer, por que método e que garantias é existem de que o resultado será superior à auto-regulação dos mercados?
A regulação mais adequada será encontrada pelos seres humanos mais habilitados para o efeito, à face da terra. As experiências mostram que a com a auto-regulação só os melhores triunfam. Parece que a sociedade também quer que os mais fracos tenham direito a uma vida digna. Manias!
9. Aumentar a regulação implica aumentar o poder dos políticos para interferir no mercado. Estamos a falar de Durão Barroso, José Sócrates, Sarkozy, Zapatero e Berlusconi? Ou estamos a falar de políticos ideais que nunca ninguém viu?
Temos que trabalhar com o que temos. Podia ser bem melhor. Concordo. Mas nestas matériaas os políticos só fazem o que os experts lhes dizem para fazer. Por isso, não que ter muito receio.
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««Eu falo por mim. Eu há nos que defendo regulação dos cds,»»
Que regulação dos CDS é que defende?
Pode garantir que se essa regulação tivesse ocorrido não teria havido crise?
««desligar as remunerações dos CEO’s a objectivos de curto prazo,»»
Como é que isso se faz?
O que impede os CEO’s de se remunerarem a si próprios de outras formas? Por exemplo, orientando a empresas para satisfazer caprichos pessoais?
«« eliminação do conflito de interesse das agências de rating, »»
O conflito de interesses das agências de rating resulta da regulação. Resulta da regulação que atribui às agências de rating um papel público.
««limitação do credito ao consumo, etc»»
Como é que se limita o crédito ao consumo? O que é que impede os bancos de disfarçarem crédito ao consumo sob a forma de outras formas de crédito?
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“Claro que existia e não era pouca. O que não existia era uma bolsa, que permitiria formar preços com transparência. Os compradores de CDS, muitas vezes não tinham capacidade de avaliar o risco do que compravam.”
Se o JCD o diz eu não tenho razões para duvidar. O que é certo é que esse mercado representa triliões e a anda em redea totalmente solta.
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««Podiam, por exemplo, determinar que o trabalho das agências de rating não fosse pago pelos avaliados. »»
Mas o que é que isso tem a ver com o debate entre o laisser faire e o intervencionismo? As agências de rating só são relevantes porque a regulação lhes atribui um papel público. Trata-se de um problema de regulação mal pensada. Não se trata de um problema de laisser faire.
««podiam limitar as alavancagens dos bancos de investimento , impedindo que atingissem valores na ordem das 50 vezes o seu capital.»»
Mas não foi o regulador (neste caso o FED) que criou o crédito barato necessário para que a alavancagem chegasse a esse ponto? Que responsabilidade é que o laisser faire pode ter no facto de a injecção monetária levar os agentes a alavancar dessa forma?
«« Outro exemplo ainda: intencionalmente fecharam os olhos às maiores manigâncias contabilísticas dos bancos.»»
E o que é que o laisser faire tem a ver com isso? Se os reguladores não cumprem as suas funções, isso não é uma prova de falha de regulação? Para que é necessária mais regulação se os reguladores nem sequer aplicam a que existe?
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««5. Porque é que a injecção de moeda pelo FED pode ser considerada uma forma de falta de regulação?
Não, não pode.»»
Nusprit,
Reconheça que a injecção de moeda pelo FED é um excesso de intervencionismo e que não pode ser da responsabilidade da filosofia de laisser faire.
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Ó João Miranda, obviamente que não vou responder a todas essas questões que colocas. Todas pertinentes,diga-se. Desde logo porque ainda não tenho a solução final. Estou a trabalhar nisso. Mas quando a tive´r, lamento informar, nãó é aqui que a vou revelar. Conto ser remunerado por este trabalho que estou a fazer agora.
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««Claro que os reguladores são frequentemente incompetentes e ideologicamente motivados, mas é que temos. Temos que ir aprendendo com os erros. »»
Não respondeu ao que eu perguntei. Eu perguntei pelas evidências que mostram que a regulação é menos falível que o mercado.
««É que deixar o mercado livremente sem qualquer regulação conduz à loucura. »»
Onde é que existem mercados sem qualquer regulação?
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“Reconheça que a injecção de moeda pelo FED é um excesso de intervencionismo e que não pode ser da responsabilidade da filosofia de laisser faire.”
Claro. Aqui houve um equivoco da minha parte. É obvio que é uma forma de intervencionismo. Já o disse aqui várias vezes.
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««A regulação mais adequada será encontrada pelos seres humanos mais habilitados para o efeito, à face da terra.»»
Pois. Troca-se um sistema impessoal como os mercados por políticos. Quando se chama a atenção para as debilidades dos políticos, a desculpa é que temos que viver com o que temos. Porque é que o mercado não pode ter também a mesma desculpa?
«« As experiências mostram que a com a auto-regulação só os melhores triunfam. »»
A ideia é mesmo essa. Com a regulação política dos mercados triunfam os mais corruptos.
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Há aqui um equivoco: Não se trata de mais regulação; trata-se de melhor. Até pode ser que se chegue à conclusão que melhor significa menos. Uma coisa é certa: o laissez faire é desastroso. Não é uma crença. São as evidências empíricas que o ditam.
Crença é dizer que com a regulação política dos mercados triunfam os mais corruptos. Alguns triunfarão. Mas fazer uma generalização é um exagero.
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««Há aqui um equivoco: Não se trata de mais regulação; trata-se de melhor.»»
Pois, mas isso não é a tese das pessoas a quem o post se dirige.
Melhor regulação é como melhores hospitais, melhores escolas ou melhor segurança social. Se fosse fácil, já estava feito.
«« Até pode ser que se chegue à conclusão que melhor significa menos. Uma coisa é certa: o laissez faire é desastroso. Não é uma crença. São as evidências empíricas que o ditam.»»
É isso que falta provar. O que não falta é gente a interpretar as evidências empíricas de forma errada.
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no séc. xix engels e outros profetas proclamaram a morte de Deus.
neste momento os socialista preparam-se para fazer o mesmo ao capitalismo privado.
esperem para a nova Jihad
este mundo (verdadeiro ludus puerorum) continua na mãos de intolerantes imbecis
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caro João, um pequeno off topic. já viu esta?
http://www.publico.clix.pt/videos/?v=20081030174146&z=1
fiquei sinceramente chocado e nitidamente convertido ao anti- palinismo que por aí cirandava. agora percebo-o… acho que se fosse americano qq dúvida que pudesse ter hj tinha sido desfeita…
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caro João Miranda, já vem sendo tempo de colocar o ente lectual nos links.
Já agora, o post está bom: sucinto e incisivo o bastante para que não se consiga dar uma resposta nos mesmos termos, sem entrar na retórica elabora de um, digamos, joao galamba. Seja como for, há aí um aspecto a que o João Miranda não faz referência, que são as instâncias intermédias de poder ou de aconselhamento. São os conselheiros económicos que definem a postura dos governos perante o mercado, o primeiro ministro ou o presidente, nisto como no resto, é só a cara. Cara bem feia, como se vê nos exemplos dados, reconheço.
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Como é que a regulação é u mal devido a incompetencia e/ou corrupção dos reguladores e o “laisser faire” é uma maravilha apesar dos agentes incompetentes e/ou corruptos?
Visto que os corruptos estao só do lado do regulador, então deve se eliminar toda a regulação dos mercados. Isso implica retirar os impostos sobre essas actividades certo? É que imposto é regulação por agentes externos ao sistema.
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Miranda,
Respondendo a tudo – alocação de capitais a funding gaps e mercado organizado de dinheiro. Foram as duas propostas que ouvi e que fazem algum sentido.
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««Como é que a regulação é u mal devido a incompetencia e/ou corrupção dos reguladores e o “laisser faire” é uma maravilha apesar dos agentes incompetentes e/ou corruptos?»»
Isso é o básico da teoria do mercado livre. Num mercado livre os agentes incompetentes são avaliados pelos clientes. Quanto aos agentes corruptos, o conceito só faz sentido se estiverem envolvidos dinheiros públicos, caso em que não estaremos num regime de laisser faire.
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“Em alguns mercados existia regulação. Mas nos mercados derivados do crédito CDS não existia. Os reguladores tinham que a crença que a melhor regulação era a auto-regulação.”
Não? Vejamos: http://www.fdic.gov/news/news/financial/2008/fil08069a.html
1. An FDIC document on the risk weights of different bank assets. The higher the weight, the more capital the bank has to hold against that asset. As I read table 1 and table 3, if you originate a loan with a down payment of 20 to 40 percent, the risk weight is 35. But if you buy a AA-rated security, the risk weight is only 20. So if a junk mortgage originator can pool loans with down payments of less than 5 percent, carve them into tranches, and get a rating agency to rate some of the tranches as AA or higher, it can make those more attractive to a bank than originating a relatively safe loan. If you want to know why securitization dominated the mortgage market, this explains it. Regulatory arbitrage, pure and simple.
http://www.econlib.org/
Citação do blogue de Arnold Kling
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Concordo em absoluto. Chama-se a isto substituir a prática seguida por um “comportamento lícito alternativo” sendo que com um (o que foi seguido) ou outro (o alternativo) se chegaria provavelmente ao mesmo resultado.
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Para quê complicar ? As coisas são tão simples ! O João Miranda tem dificuldades em perceber uma evidência muito simples : que foi a ausência de regulação em produtos derivados uma das grandes causas desta crise. A ausência de regulação justifica-se por uma “crença” de que os mercados de derivados se regulariam a si próprios. Cientificamente, ficou provado que a ideia é elegante, mas que não funciona…
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“Isso é o básico da teoria do mercado livre. Num mercado livre os agentes incompetentes são avaliados pelos clientes.”
E quando os clientes não têm competência para avaliar os agentes incompetentes ?
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««E quando os clientes não têm competência para avaliar os agentes incompetentes ?»»
Quando não têm competência para avaliar os agentes incompetentes também não têm competência para escolher os políticos que vão regular o mercado.
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««Para quê complicar ? As coisas são tão simples ! O João Miranda tem dificuldades em perceber uma evidência muito simples : que foi a ausência de regulação em produtos derivados uma das grandes causas desta crise. A ausência de regulação justifica-se por uma “crença” de que os mercados de derivados se regulariam a si próprios. Cientificamente, ficou provado que a ideia é elegante, mas que não funciona…»»
Esta é a resposta típica de quem, perante um pedido de explicitação de uma teoria, prefere reafirmá-la sem a justificar. Já tinhamos percebido que os defensores de mais regulação não sabem jurtificar essa opção.
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Caro Jorge,
O que é que o levou a mudar de nome para Rute Marlene? Tem vergonha das suas opiniões?
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“Quando não têm competência para avaliar os agentes incompetentes também não têm competência para escolher os políticos que vão regular o mercado.”
Se não serve para A, logo não serve para B. É esta a lógica ?
Para além de fugir à questão, o argumento é despropositado. Qual é a semelhança entre decidir entre votar em Mcain ou Obama ou investir em produtos derivados, p.exemplo ??
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Caro João,
Deparei-me com outro Jorge por estas andanças ontem, por isso achei por bem escolher um nome mais artístico. Basicamente Rute Marlene aka Jorge, nunca com vergonha !
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««Se não serve para A, logo não serve para B. É esta a lógica ?
Para além de fugir à questão, o argumento é despropositado.»»
Fugir à questão? Então não se está a comparar a regulação pública com a auto-regulação dos mercados? Se a Rute Marlene/Jorge alega que os cidadãos não são suficientemente espertos para avaliar os seus fornecedores de serviços, não devia explicar o que é que torna os mesmos cidadãos competentes para escolher políticos?
«« Qual é a semelhança entre decidir entre votar em Mcain ou Obama ou investir em produtos derivados, p.exemplo ??»»
Existe pelo menos uma diferença relevante: todos podem escolher o presidente (que regulará, directa ou indirectamente, o mercado de derivados), mas poucos se arriscam no mercado de derivados. E os que o fazem arriscam o próprio dinheiro e não o dinheiro dos outros.
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“Fugir à questão?”
Sim, ela mantém-se : quando os clientes não têm competência para avaliar os agentes incompetentes ? Ainda nao li a resposta.
“Se a Rute Marlene/Jorge alega que os cidadãos não são suficientemente espertos para avaliar os seus fornecedores de serviços, não devia explicar o que é que torna os mesmos cidadãos competentes para escolher políticos?
Passo a explicar então. Em primeiro lugar não foi essa a minha alegação. Trata-se de uma distorção. Porque não é uma questão de esperteza mas de conhecimentos técnicos. No geral, os consumidores votam nas pessoas que consideram mais capazes, neste caso tecnicamente, de defender os seus interesses.
E por outro lado, assumindo que os cidadãos não são competentes para escolher políticos, não implica que estes necessariamente, e particularmente o regulador não tenham a clarividência e competencia tecnicas necessárias.
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««Sim, ela mantém-se : quando os clientes não têm competência para avaliar os agentes incompetentes ? Ainda nao li a resposta.»»
Ainda não percebeu que a análise tem que ser comparativa? Existem agentes incompetentes? Claro que existe. São os mesmos que votam nos reguladores. A incompetência dos agentes não dá à regulação pública qualquer vantagem sobre o laisser faire porque para cada agente incompetente existe um eleitor incompetente.
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««E por outro lado, assumindo que os cidadãos não são competentes para escolher políticos, não implica que estes necessariamente, e particularmente o regulador não tenham a clarividência e competencia tecnicas necessárias.»»
Ou seja, acredita que eleitores incompetentes podem escolher reguladores competentes.
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Mas se acredita eleitores incompetentes podem escolher reguladores competentes também devia acreditar que agentes económicos incompetentes podem escolher produtos financeiros de qualidade.
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“Ou seja, acredita que eleitores incompetentes podem escolher reguladores competentes.”
Não rejeito. Porque a escolha é filtrada. Primeiro pelo leque de politicos à disposição (numa democracia ocidental, os melhores) e depois pelo leque de reguladores à disposição (aspas).
“A incompetência dos agentes não dá à regulação pública qualquer vantagem sobre o laisser faire porque para cada agente incompetente existe um eleitor incompetente.”
Este príncipio, com a devida reformulação, aplicar-se-ia a todas as áreas do governo. Porque não se aplica ?
Uma vantagem da regulação publica, é que para além dos consumidores defenderem os seus interesses (naturalmente, como no em qualquer sistema!), têm alguém mais competente cuja função é salvaguardar os mesmos. Ou seja, quando os consumidores nao tiverem a competencia tecnica para salvaguardar os seus interesses, existe uma segunda defesa. É como que um pára-quedas sobressalente.
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“Mas se acredita eleitores incompetentes podem escolher reguladores competentes também devia acreditar que agentes económicos incompetentes podem escolher produtos financeiros de qualidade.”
Claro que acredito ! O que defendo é quando agentes económicos incompetentes escolhem produtos financeiros tóxicos, tem de haver reguladores competentes.
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“O que não falta é gente a interpretar as evidências empíricas de forma errada.”
A começar pelo próprio JM
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««Claro que acredito ! O que defendo é quando agentes económicos incompetentes escolhem produtos financeiros tóxicos, tem de haver reguladores competentes.»»
Ainda não resolveu a questão que eu coloquei. Como é que compatibiliza a desconfiança das escolhas dos agentes económicos com a confiança nos eleitores que escolhem os reguladores?
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««Não rejeito. Porque a escolha é filtrada. Primeiro pelo leque de politicos à disposição (numa democracia ocidental, os melhores) e depois pelo leque de reguladores à disposição (aspas).»»
O que é que lhe garante que o leque de políticos e reguladores à disposição é melhor que o leque de políticos e reguladores excluídos pela luta dentro dos partidos políticos? Acha que o sistema de selecção dentro dos partidos políticos selecciona os melhores ou os mais corruptos?
Por outro lado, o mercado também selecciona os melhores compradores de produtos financeiros. E temos a certeza que esse processo é eficiente porque os compradores incompetentes tendem a ir à falência (excepto, claro, se o regulador o impedir).
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««Este príncipio, com a devida reformulação, aplicar-se-ia a todas as áreas do governo. Porque não se aplica ?»»
Claro que se aplica.
««Uma vantagem da regulação publica, é que para além dos consumidores defenderem os seus interesses (naturalmente, como no em qualquer sistema!), têm alguém mais competente cuja função é salvaguardar os mesmos. Ou seja, quando os consumidores nao tiverem a competencia tecnica para salvaguardar os seus interesses, existe uma segunda defesa. É como que um pára-quedas sobressalente.»»
Tudo isso é muito bonito, mas pressupõe que a regulaçao é infalível. Pressupõe que o processo político não é corruptível, pressupõe que os partidos seleccionam pessoas competentes etc
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…pressupõe que, a votos, eleitores sabem E querem discernir entre grupelhos de aproveitadores que aceitam o ónus de que lhes chamem nomes durante 4 anos a troco da toma das decisões que houver, e gente séria…
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O que é muito bonito, é pressupor que o mercado se auto-regula, quando as evidências dizem o contrário. Estas discussões filosóficas são giras, mas nada como aprender com os factos. Está cientificamente provado. Até ver, a regulação “política” é a solução menos má.
Uma questão : na óptica de mercado livre, o governo deve intervir para salvar bancos ?
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“O que é que lhe garante que o leque de políticos e reguladores à disposição é melhor que o leque de políticos e reguladores excluídos pela luta dentro dos partidos políticos? ”
Nada ! Mas acredito na democracia. Até ver, tem resultado.
“Acha que o sistema de selecção dentro dos partidos políticos selecciona os melhores ou os mais corruptos?”
Globalmente, selecciona os melhores. Não sou partidário da máxima generalizada político=corrupto. Então no que diz respeito a entidades financeiras reguladoras, corrupção é algo raro mesmo.
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“Por outro lado, o mercado também selecciona os melhores compradores de produtos financeiros. E temos a certeza que esse processo é eficiente porque os compradores incompetentes tendem a ir à falência (excepto, claro, se o regulador o impedir).”
Dada a complexidade e dimensão dos sistemas financeiros actuais, como é possivel acreditar numa “selecção de mercado” ? Uma AIG falir ? Nao estamos a falar das mercearias da esquina, que vendem os melhores produtos mais baratos. Não estamos no séc.XIX.
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“O que é muito bonito, é pressupor que o mercado se auto-regula, quando as evidências dizem o contrário. Estas discussões filosóficas são giras, mas nada como aprender com os factos. Está cientificamente provado.”
Onde é que está cientificamente provado?
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