Dinossáurios não extintos
14 Novembro, 2008
O presidente da Câmara de Vila do Conde era um dos casos paradigmáticos de que me lembrei sempre aquando da discussão acerca do limites de mandatos autárquicos. Invariavelmente, os titulares políticos que criaram musgo nos seus cargos transbordam vícios que inquinam o núcleo duro da democracia, desrespeitam quotidianamente as pessoas que não estão do mesmo lado e constituem um exemplo negativo dos efeitos perversos da democracia – felizmente, os benefícios gerais da lógica democrática excedem em muito estes desvios concretos.
Vejam este caso. Alguém capaz de arquitectar publicamente uma indignidade destas, se o deixarem, ainda fará muito pior.
22 comentários
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Infelizmente há muitos mais casos destes. É só fazer uma pesquisa rápida e chegará a conclusões lastimosas por todo o país!
Como é possível falar de regionalização com uma classe política desta estírpe?
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«Como é possível falar de regionalização com uma classe política desta estírpe?»
Subscrevo inteiramente este comentário.
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É acerca de casos como este que Alfredo Barroso publica hoje, no seu blogue, uma crónica intitulada «Paranóias políticas» [v. aqui], de que seguidamente se transcreve o último parágrafo:
«(…) Se quisermos aplicar à actualidade política portuguesa, continental e insular, esta grelha de perturbações mentais – na qual se entrecruzam megalomania, paranóia, autismo e perversidade – facilmente concluiremos que não serão assim tão poucos os políticos lusitanos cujos comportamentos paranóides os situam na antecâmara do manicómio».
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Curioso: A leitura da notícia do JN, trouxe-me à memória o Caso Charrua, a vítima de Margarida Moreira, aquela senhora que, antes daquela dorzinha pela hipotética ofensa ao seu menino de ouro, passava discreta entre pares e ora é visita residente dos palcos televisivos. Daí ao Ministério é um passo de salto alto…
Há muita similitude nos dois casos.
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«Como é possível falar de regionalização com uma classe política desta estírpe?»
Será preciso (ainda) relembrar que este e outros que tais vivificaram num sistema centralizado que é a que temos?
A regionalização NÃO EXISTE, logo não pode ser inculpada por factos e situações que fazem parte da actual realidade…
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o careca vai morrer no lugar
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O Jardim também…!
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Isto é de fazer corar um bode do monte.
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«Como é possível falar de regionalização com uma classe política desta estirpe?»
É por termos uma classe política desta estirpe que a regionalização é necessária e urgente, sem esquecer que a limitação de mandatos é outra medida importante de saneamento da situação. Hoje estes senhores têm competências que, normalmente, seriam atribuídas a uma autoridade regional, o que piora as coisas.
Uma autoridade intermédia regional (fala-se em cinco para cobrir o País) parcimoniosamente organizada sem portas abertas às clientelas partidárias, não seria mais cara que os actuais Governos Civis que seriam extintos e ainda ficariam muitos palacetes devolutos. Teria não só enormes ganhos em desburocracia, coordenação e sinergia, como poderia assumir um papel dinamizador na resolução de conflitos que se arrastam “ad eternium” nos tribunais. Um exemplo: uma criatura como a que se discute hoje – há inúmeras por este País – pode provocar prejuízos irreparáveis a cidadãos e empresas, já que o actual sistema não prevê recurso hierárquico. Com a regionalização essa via era criada podendo evitar decisões diferentes para casos iguais, correntes hoje em dia, em que, o que parece mais importante, muitas vezes, é a cara do freguês. Noutra vertente, hoje há acumulação de máquinas com pouco uso que podeiam e deviam ser partilhadas por municípios próximos, evitando um enorme desperdício, etc, etc. Do que me tem sido dado observar, no segundo mandato já parecem donos e, a partir daí, regra geral, ganham vícios que os tornam imprestáveis para um desempenho decente da função. Casos como o deste blog são o pão nosso de cada dia um pouco por todo o lado.
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CAA comentário 5
Isto não tem nada a ver com regionalização ou centralização, tem apenas que ver com carácter e verticalidade, honra, o que lhe queiram chamar. O que é patente é que toda a estrutura de poder e os seus próximas estão impregnados desta ralé, que bufa do vizinho em troca de qualquer coisa. Alias suspeito mesmo que é o país que está impregnado deste tipo de merdas.
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a vítima de Margarida Moreira,
Essa agora, então professor Charrua que estava a apodrecer numa secretária foi enviado para dar aulas e o senhor chama a isso uma vitimização?
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O Prof. Charrua estava onde queria estar e por direito próprio. Não me diga que, enquanto cidadão livre e profissional, ele não sentiu as ferroadas da perseguição. Política, acrescento eu.
Ademais este foi um caso entre muitos em que campeou a bufisse ou delação, como queira entender. Vieira do Minho, por exemplo, lembra-se?
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Raskolnikov
acertou na mouche !
Há muitos mais casos idênticos, persecutórios, partidariamente obscenos, mesquinhos, no continente e nas ilhas.
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Claro que a delação e a escuta já funcionam por todo o lado. A informação é coligida para os devidos efeitos, centralizada e focalizada e é de crer que o irmão gémeo aprova.
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Jupiter,
Oh, se funcionam ! E fermentam !…
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O Prof. Charrua estava onde queria estar e por direito próprio.
Essa agora ainda é melhor.
O Doutor Charrua (não gosto de escrever professor pois há quinze anos que não dava aulas)estava requisitado à escola onde devia estar a leccionar para ocupar um cargo administrativo numa qualquer direcção.
O senhor chama a isto direito próprio?
Direito próprio é estar a dar aulas e julgo que ele hoje deve estar muito feliz por o fazer.
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5.
Penso que não se está a inculpar um coisa que não existe.
Está-se, sim, a antecipar o funcionamento de um novo regime jurídico de autonomia regional, de que estes senhores farão parte integrante. Se os governadores civis que funcionam como uma espécie de embaixadores dentro dos seus próprios distritos, limitando-se à política do “cocktail”, do tráfico de influências e da manutenção de uma pesada máquina burocrática, nunca contribuiram para a moralização junto das populações das vantagens e da necessidade da existência de um poder regional mais descentralizado, a quem é que, com toda a propriedade, poderiam ser dadas essas atribuições?
Por outro lado, o CAA importa-se que eu tenha a minha própria opinião sobre a regionalização?
A última coisa a que quero assistir é aos desmandos de meia dúzia de ditadores de trazer por casa a governar os destinos de núcleos regionais do meu país, sem que exista alguém superiormente capaz de os enfrentar quando necessário, como é o caso do que se está a passar com a região autónoma da Madeira.
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O Manuel de Almeida é useiro e vezeiro nestas coisas. Veja-se este caso passado em 2005:
http://ovilacondense2.blogspot.com/2005/11/da-porta-da-biblioteca-para-debaixo-do.html
Diz quem o conhece que não há lista para os corpos gerentes das colectividades locais que não passe primeiro pelo crivo do seu exame prévio.
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Queria dizer obviamente o Mário de Almeida
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É uma pena.
Quando se fala no mártir Charrua à primeira resposta calam-se logo.
Não dão luta.
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Não dão luta.
Não é uma questão para luta.
A única luta que interessa é não permitir, de novo, a bufisse e as perseguições políticas, venham elas de onde vierem. E os casos de delação já começam a ser muito evidentes…
Quanto ao prof. Charrua, tenho a percepção de que o senhor me está a tentar convencer de que a sua transferência compulsiva foi uma acção concertada com a delatora. Sendo assim, que posso mais acrescentar?!
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de que a sua transferência compulsiva
Não houve nada que se parecesse com isso.
Tem que se informar melhor.
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