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Justiça social

10 Fevereiro, 2009

De acordo com os conceitos vigentes de “justiça social” os ricos devem ganhar menos e os pobres mais. Porquê? Porque sim. Este conceito de justiça é independente das qualidades de cada um ou do seu esforço para atingir um determinado nível de rendimento. Este discurso é incompatível com um discurso de exigência no ensino ou no trabalho, a que os mesmos que defendem a “justiça social” frequentemente recorrem. Pois se o que é justo é os ricos ganharem menos e os pobres ganharem mais, é injusto que as pessoas sejam recompensadas pelas suas qualidades naturais ou pelo seu esforço. De acordo com a noção de “justiça social” é também injusto que alguém seja compensado pela riqueza produzida pela sociedade pelo valor que a sociedade, através do mercado, atribui a essa riqueza. A “justiça social” obriga a que os ricos recebam menos que o seu contributo para a produção de riqueza e que os pobres recebam mais.

24 comentários leave one →
  1. tonibler's avatar
    10 Fevereiro, 2009 12:49

    Se os impostos fossem de facto justos não eram impostos, eram voluntários. Justiça Social é um eufemismo para “temos que ir buscar dinheiro onde ele existe”

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  2. Desconhecida's avatar
    10 Fevereiro, 2009 12:51

    ah ah ah ah ah A “justiça social” obriga a que os ricos recebam menos que o seu contributo para a produção de riqueza ah ah não consigo parar de rir

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  3. Luis Melo's avatar
    10 Fevereiro, 2009 12:53

    Isto de ser ano eleitoral… faz-nos fazer e dizer tanta barbaridade… ai Sr. Sócrates, o senhor consegue olhar-se no espelho e levar-se a sério?

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  4. Nuno Vieira Matos's avatar
    10 Fevereiro, 2009 13:37

    “De acordo com os conceitos vigentes de “justiça social” os ricos devem ganhar menos e os pobres mais. Porquê?”

    Eu diria que: De acordo com o conceito de justiça social, e usando os conceitos vigentes, os ricos e os pobres teriam iguais oportunidades no acesso à educação e, mas tarde, ao mercado de trabalho. Ou seja, eu colocaria a tónica a montante dos impostos. Mas isto sou só eu que vivo no país europeu com uma das maiores desigualdades de rendimentos e com revelações de casos de corrupção onde vigora o amiguismo político e não só.

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  5. Miguel Madeira's avatar
    10 Fevereiro, 2009 13:51

    O argumento do JM parte de uma premissa que precisa de ser demonstrada: que o rendimento de um individuo corresponderá à rqueza que ele produz (e argumentos “alguém seja compensado pela riqueza produzida pela sociedade pelo valor que a sociedade, através do mercado, atribui a essa riqueza” não funcionam porque a “sociedade” não existe).

    Por exemplo, podemos imaginar uma situação em que o Pedro ganha mais que o Francisco, não por “produzir mais riqueza” que o Francisco, mas por ter um trabalho mais dificil de supervisionar que o Francisco, o que leva a que esse trabalho tenha um “salário de eficiência” maior (para a razão porque os trabalhos dificies de supervisionar tendem a ter um “salário de eficiência” maior, procurem na internet porque não me apetece estar a explicar).

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  6. celestine's avatar
    celestine permalink
    10 Fevereiro, 2009 13:53

    Não se preocupe, ó Miranda, que os pobres entre nós nunca haverão de ganhar muito. Eh, deixe-se lá ficar no meio dos ricos, descansado, que tão cedo não irá passar-lhe a perna o bando de pobres outros.

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  7. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    10 Fevereiro, 2009 14:11

    Muito bem, Miguel Madeira #5.

    Um tipo dá um pontapé numa pedra e encontra uma fortuna.
    Merece-a.
    Outro tipo trabalha arduamente a vida inteira para conseguir uma pobre subsistência e morre precocemente, vítima desse esforço.
    Bem feito.
    É justo

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  8. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    10 Fevereiro, 2009 14:15

    Se o pai do Miranda tivesse sido um pobre operário com emprego precário.
    A mãe uma ocasional mulher a dias.
    Ele tivesse começado a trabalhar numa fábrica aos 10 anos, sem nunca ter brincado.
    Talvez percebesse hoje o que o filho do rico nunca perceberá.

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  9. Piscoiso's avatar
    10 Fevereiro, 2009 14:16

    O post pressupõe que as pessoas ricas têm mais qualidades naturais.
    A minha tia Renata é podre de rica e é um estafermo.

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  10. Mula da Comprativa's avatar
    Mula da Comprativa permalink
    10 Fevereiro, 2009 14:26

    Justo é receber por exemplo um pigmeu das florestas húmidas do Congo e nacionalizá-lo cá dando-lhe as luzes e o dinheiro como a um cidadão nacional qualquer sem fazer perguntas.E desculpar todos os incómodos duma actuação de bom selvagem…

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  11. JoaoMiranda's avatar
    JoaoMiranda permalink*
    10 Fevereiro, 2009 14:32

    ««Por exemplo, podemos imaginar uma situação em que o Pedro ganha mais que o Francisco, não por “produzir mais riqueza” que o Francisco, mas por ter um trabalho mais dificil de supervisionar que o Francisco»»

    Não estou a ver muito bem como se faz essa avaliação. Se o mercado paga ao Pedro mais que ao Francisco, então essa é a melhor avaliação da produção dos dois. Note-se que podemos de facto tentar corrigir a avaliação do mercado, mas será sempre para pior. Se existir uma avaliação melhor, ela não será certamente descoberta pelo governo que nem conhece o Francisco nem o Pedro.

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  12. jcd's avatar
    10 Fevereiro, 2009 14:34

    “Se o pai do Miranda tivesse sido um pobre operário com emprego precário. A mãe uma ocasional mulher a dias.”

    Está a descrever um dos meus melhores amigos. Hoje é professor universitário, com um doutoramento feito nos States.

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  13. Desconhecida's avatar
    Quim Tressa permalink
    10 Fevereiro, 2009 14:57

    “jcd disse
    10 Fevereiro, 2009 às 2:34 pm

    “Se o pai do Miranda tivesse sido um pobre operário com emprego precário. A mãe uma ocasional mulher a dias.”

    Está a descrever um dos meus melhores amigos. Hoje é professor universitário, com um doutoramento feito nos States.”

    Isso é porque o seu amigo, se calhar, tem algum valor, sei lá, até pode ser inteligente e capaz (é verdade, existem mesmos alguns (poucos) professores universitários inteligentes e capazes…

    Claro que ´facto de ser amigo do jcd, já coloca um bocado em causa essa tese, mas…

    O rapaz até pode ser isso tudo e ser pouco selectivo na escolha das amizades, ou…

    Enfim, o jcd tem amigos, e isso é que é importante…

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  14. Mula da Comprativa's avatar
    Mula da Comprativa permalink
    10 Fevereiro, 2009 15:20

    Outra injustiça:O Sócrates anda por aí a engonhar com as novas oportunidades.É logo á nascença que deve distribuir os canudos pá…

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  15. a presença das formigas's avatar
    10 Fevereiro, 2009 15:31

    JM, raras vezes ser rico tem a ver com mérito. A maioria são ricos porque estão no sitio certo por onde circula a massa, e quem parte e reparte fica sempre com a melhor parte.
    Até o FT já se deu conta disso:
    http://blogs.ft.com/lex-wolf-blog/2009/02/09/populism-over-bankers-pay/

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  16. jtmota's avatar
    jtmota permalink
    10 Fevereiro, 2009 16:27

    Anónimo 8 e Quim Tressa

    Está a descrever um amigo meu tambem. E se retirarmos o vector profissional está a descrever mais de metade dos meus amigos.

    Quase todos filhos de operarios fabris, quase todos com formação académica e profissões que segundo os critérios aqui expostos os elegem como ricos. Os outros são profissionais altamente qualificados que ainda conseguem ter rendimentos superiores.

    Mas isso é coisa de malta que viu o que os pais sofreram para eles estudarem e decidiram arregaçar as mangas em vez de esperar que o tio estado os ajude, ou pior verberarem quem consegue.

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  17. DSC's avatar
    DSC permalink
    10 Fevereiro, 2009 17:15

    Livro: Malcom glazer – “outliers”….

    Anónimo #8

    Parto do princípio que como o meu pai não é operário e a minha mãe não é dona casa (também não são ricos) eu fico assim que numa zona cinzenta.

    Por um lado brinquei quando tinha 10 anos por isso agora não posso dizer que sei o que é a vida. Um verdadeiro mandrião chupista que ganha uma batecalada de dinheiro.

    Por outro lado, os meus pais, e eu por sinal, não somos ricos por isso eu até posso compreender o filho do operário. Sim compreender, porque, como lhe demonstrei, não faço a mínima do que é o sacrifício ou a responsabilidade ou a noção de que para me safar tenho de lombar duro.

    tábem!

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  18. Desconhecida's avatar
    Quim Tressa permalink
    10 Fevereiro, 2009 17:41

    “jtmota disse
    10 Fevereiro, 2009 às 4:27 pm

    Anónimo 8 e Quim Tressa

    Está a descrever um amigo meu tambem. E se retirarmos o vector profissional está a descrever mais de metade dos meus amigos….”

    Donde
    O jtmota e o jcd tem um amigo comum.

    Se o blasfémias fosse o facebook (ou outro qualquer no género)estava na altura do jtmota e o jcd passarem também a ser amigos.

    Mas assim
    Se o jcd já for amigo do jtmota, mais de metade dos amigos do jtmota, “é” o tal senhor filho do operário e da senhora da limpeza a dias que é doutor e foi aos states, menos de metade dos amigos do jtmota….. “é” o jcd.

    Grandes amigos que se arranjam por aqui

    Chiça…

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  19. Zé's avatar
    permalink
    10 Fevereiro, 2009 18:10

    Bem, desde que o país mais poderoso do mundo elegeu um idiota como presidente e desde que os melhores gestores do mundo afundaram a economia global que a conversa da meritocracia cheira mal.

    E o que vem a ser isso de “os ricos”? Ninguém nega que muita gente com capacidade tenha conseguido subir a pulso. Agora duvido muito que se passe de “zero to hero” apenas pelo mérito. Ou por acaso o Armando Vara é algum herói?

    O problema é ninguém quer reconhecer a sorte que teve. Ninguém quer reconhecer que se o vizinho tivesse tido as mesmas oportunidades provavelmente faria tão bem ou melhor.

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  20. Desconhecida's avatar
    10 Fevereiro, 2009 22:34

    ” e neste país desgraçado,
    quem não rouba ou não herda,
    não sai da m…”
    Ricos ? ou roubaram ou herdaram…

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  21. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    10 Fevereiro, 2009 22:46

    #8 #12 #13 #16

    Eu confirmo.
    Por acaso não é meu amigo, mas todos o conhecemos.
    Chama-se Armando Vara.

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  22. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    11 Fevereiro, 2009 09:44

    Avaliar a produção de riqueza criada por um indíviduo com base no salário que esse indivíduo ganha não é uma outra forma de perpetuar as desigualdades sociais? Dizer que “o mercado é que paga” ao indivíduo não é conceber-nos a todos – e, em particular, quem paga e quem recebe – como seres abstractos a viver no maravilhoso país dos conceitos ?

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  23. jtmota's avatar
    jtmota permalink
    11 Fevereiro, 2009 11:42

    Admito que tenho uma visão inquinada da realidade. Nascido numa cidade industrial carregada de trabalhadores fabris, filho de dois deles, amigo dos filhos de muitos outros, e verificando que hoje esa cidade tem a mais alta ratio de licenciados (hoje muitos quadros médios ou superiores de empresas nacionais) e operários especializados de Portugal, sou levado a pensar que com trabalho se consegue alguma coisa.

    Afinal estou enganado, tivemos todos a sorte de sermos filhos de operários.

    Admitio sem ironias que a sorte faz parte do jogo, que a cunha é decisiva, mas será apenas isso?

    Atençaõ que de acordo com o que aqui se vinha discutindo um quadro médio de uma empresa é rico. Isto mais grave é quando em tempos num blog se discutia se um agregado familiar com € 2.500,00 de rendimento mensal era rico ou não!

    Vivemos no pais em que nos preocupamos mais com o que os outros têm do que com o que não temos.

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  24. amber's avatar
    4 Março, 2009 17:45

    Não encontrei nenhuma resposta boa para passar

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