Ranço*
Eis o que se liberta das recomendações do Conselho da Europa acerca do português (não) falado em Olivença. Pretende o Conselho da Europa que a pressão do castelhano impede os habitantes de Olivença de aprender português, isto apesar do mesmo português poder ser liberrimamente aprendido nas escolas públicas e privadas de Olivença. Não ocorre ao Conselho da Europa que os naturais de Olivença não queiram aprender português e que, no caso dos jovens, apostem antes em aprender inglês, tanto mais que apesar de não falarem propriamente o português se desembaraçam na versão “portunhol”. Como é óbvio o “portunhol” como segunda língua da raia colide com o discurso politicamente correcto sobre dialectos, pois estas boas almas instituíram que todas as línguas pretéritas devem ser mantidas vivas nem que seja inventando-lhes falantes. Já a possibilidade de se estarem a criar novos dialectos surge-lhes como uma conspurcação.
O pior é quando estas teses passam do domínio do folclórico para a política. Um dos factores que provavelmente mais concorreu para o desastre eleitoral dos socialistas na Galiza nas recentes eleições foi a forma como os socialistas galegos aliados ao inapresentável Bloco Nacionalista fizeram do galego uma arma política. Até para funções como bombeiro se exigiu o galego como primeira língua. Mais grave nas escolas procurou-se subalternizar o castelhano. Não admira assim que apesar da imprensa portuguesa imaginar os populares como um partido rural na Galiza, estes devam ao voto urbano boa parte da sua vitória. Os ranchos folclóricos e os desfiles etnográficos são um bom entretenimento mas transformá-los em padrão de vida foi algo que os galegos não estiveram para aturar. Porque não quiseram prestar-se a isso e porque provavelmente perceberam que tal opção se está a revelar desastrosa noutras comunidades. Por exemplo, a obsessão nacionalista torna cada vez mais provinciana aquela que foi uma das regiões mais cosmopolitas da Espanha: a Catalunha. A imposição do catalão está a levar, entre outras coisas, a que programas como o Erasmus não tenham sucesso na Catalunha pois os estudantes estrangeiros não estão interessados em ter aulas em catalão. Procurar fazer clivagens a partir das línguas nacionais e regionais tem dado protagonismo a muito boa gente, gera documentos patéticos como este do Conselho da Europa e tem levado a doideiras políticas como a do governo de Touriño na Galiza ou, numa versão ainda mais alucinada, tem colocado os belgas sem saberem literalmente de que terra são.
*PÚBLICO 6 de Março

Eu deixava de lado o português já!
É complicado, requer demasiadas palavras para transmitir ideias simples e é pouco expressivo na comunicação oral.
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Nós por cá, temos o Mirandês, esse dialeto único e imprescindível. O madeirense, inapelável e pouco reconhecível. O açoriano irreconhecível de Rabo de Peixe. E, sobretudo, o crioulo, que se fala longamente na Cova da Moura, no Bairro 6 de Maio ou na Pedreira dos Húngaros.
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Procurar fazer clivagens a partir das línguas nacionais e regionais tem dado protagonismo a muito boa gente, gera documentos patéticos como este.
É mesmo.
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Depois do ensino da língua, viriam os votos. O conselho Europeu só vem dar razão ao Pinheiro de Azevedo.
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Depois do dossier Israelita, a HM continua a revelar-se uma figura de proa na luta pela opressão dos povos.
Se o governo galego quer que um bombeiro fale galego está no seu direito, cumpriu a lei e gozou da autonomia, é assim que funciona. É a mesma merda que pedir a uma telefonista que saiba falar inglês, mas como são os cabrões dos galegos e dos catalães a fazê-lo, o alarme da HM contra aqueles que considera povos inferiores disparou imediatamente. Até descobriu que nas cidades se fala menos o galego… pudera, é justamente lá que vivem os não-galegos da Galiza, que deveriam, na óptica falangista da HM, ter o direito a trabalhar na administração pública sem falar a língua dos galegos, apesar de estarem no país deles.
Quando é Madrid a perpetuar as políticas falangistas e a subalternizar as línguas dos outros, rejeitando manuais escolares nelas escritos ou fechando rádios, revistas e jornais e estabelecendo o castelhano como a língua materna de gente que fala uma outra já é um fenómeno aceitável, visto que apenas se pretende manter a ordem estabelecidíssima que tanto apraz à HM, ela também uma acérrima defensora do centralismo doentio que Lisboa impõe sobre o resto do país, não fosse ela sulista. Se amanhã os israelitas mandarem os palestinianos falar hebraico troca-se as palavras e está feito mais um post da HM.
Já agora, falta explicar porque é que, sendo o catalão uma língua românica, algo entre o francês e o espanhol, fácil de aprender para qualquer falante de outra língua românica, os alunos fujam de Barcelona. Ou será que os restantes europeus são todos fluentes em espanhol? É a língua deles porra! Se a HM fosse de erasmus para a Polónia pedia-lhes que falassem alemão?
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Esta decisão alucinante do “Conselho da Europa”, que , além de ignorância ,revela um “quantum satis” de desprezo pelo contexto historico,habilita-nos a ter uma visão realista do que são as “doutas” e “informadas” decisôes destes “órgãos tachistas” supra-nacionais…
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«Já agora, falta explicar porque é que, sendo o catalão uma língua românica, algo entre o francês e o espanhol, fácil de aprender para qualquer falante de outra língua românica, os alunos fujam de Barcelona.» Pergunte aos estudantes que estão a recusar ir para Barcelona
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pq razão as aulas na catalunha devem ser em espanol? que absurdo completo…
lendo o link que indica o único problema que encontro é que os jovens europeus estão cada vez mais incultos:
“muchos extranjeros no se dan cuenta hasta que llegan aquí de la dimensión que tiene el uso del catalán”
hahahaha… a sério? esses devem ser os mesmos idiotas que pensam que na Katholieke Universiteit Leuven só falam francês.
“os belgas sem saberem literalmente de que terra são” ???? really???? acho que os meus amigos flamengos não tem esse problema mas imagino que seja um problema para os ignorantes francófonos que só falam francês. coitados…
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Ó cara amiga, eu também não fui estudar para a Sérvia… não falo sérvio. Também por isso não vou para a Noruega, nem para a Grécia. Há duas hipóteses, ou os conteúdos são leccionados nas línguas dos respectivos países ou, de acordo com o panorama actual, são oferecidos programas leccionados em língua inglesa (generalizando). Na Catalunha leccionam em catalão. É a língua local, que quer que lhe faça? Mate os que falam catalão e deixe os que falam espanhol. Ou então instale colonatos. Só aprende em catalão quem quer, quem quer aulas em castelhano vá aprender para Espanha. Na Finlândia ensinam em sueco? Na Ucrânia ensina-se em russo? Em Portugal ensina-se em castelhano?
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E já agora, porque não bate nos gajos de Andorra? Lá também insistem nessa aberração do .
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E já agora, porque não bate nos gajos de Andorra? Lá também insistem nessa aberração do catalão.
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Ó #5 Sadasf
Escreva lá isso em catalão, porra!
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Cuidado com a língua,que é muito traiçoeira.
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#15 trocadalho do carilho “Cuidado com a língua,que é muito traiçoeira.”
sim. pastau de bacalhéis no gabinistro do minete.
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O texto da dona Helena em catalão fica assim (cortesia do Google)
El que està lliure de les recomanacions del Consell d’Europa sobre
Portuguès (no) es parla a Olivença. Vol que el Consell d’Europa que
prevenir la pressió de la Spanish people aprendre de Olivença
Portuguès, tot i ser fins i tot el portuguès libèrrima
ensenya a les escoles públiques i privades Olivença. No es produeix quan
Consell d’Europa que els naturals Olivença no volen aprendre
Portuguès i, en el cas dels joves abans de participar en l’aprenentatge d’anglès,
sobretot perquè malgrat no parlar com si el portuguès
disencumber com “portunhol. Òbviament, el “portunhol” com
segona llengua de la frontera en conflicte amb el discurs políticament correcte
de dialectes, com aquestes bones ànimes que posar tots els idiomes
passat ha de mantenir amb vida o que és el que
oradors. Tenir l’oportunitat d’un nou dialecte
sembla com la contaminació.
El pitjor és quan aquestes teories són l’àmbit del folklore per
política. Un dels factors que més probablement contribueixen a la
desastre electoral dels socialistes a Galícia en les últimes eleccions va ser la
la forma en què el socialista gallec aliats per bloquejar inapresentável
Nacionalista Gallec ha fet una arma política. Fins i tot per a funcions com ara
bomber té l’obligació de gallec com a primera llengua. Més greu a les escoles
es subordinen a l’espanyol. No és d’estranyar que, malgrat la
Portugués imaginar la premsa popular com una de les parts en les zones rurals
Galícia, que han de votar a favor de gran part de la seva victòria urbà. Els ranxos
l’etnografia i el folklore són una bona mostra d’entreteniment, però
transformar-los en el nivell de vida és una cosa que no es els gallecs
de suportar. Per què no es presten a això i perquè
probablement ha notat que aquesta opció està demostrant ser desastroses
altres comunitats. Per exemple, l’obsessió nacionalista de convertir-se en
més una província que va ser un dels més cosmopolites d’
Espanya a Catalunya. La imposició del català està provocant, entre altres
coses, que els programes com Erasmus, no han aconseguit a Catalunya
perquè els estudiants no estan interessats en tenir experiència en
Català. Cerca de fer les divisions de les llengües nacionals i
paper regional ha estat molt bo per a nosaltres, que genera els documents
patètic com aquest Consell d’Europa i ha donat lloc a doideiras
polítiques com el Govern de Touriño a Galícia, o fins i tot una versió
més espurnes, ha posat els belgues sense saber que, literalment,
és la terra.
* Publicat el 6 de març
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Aquí o que se liberar das recomendacións do Consello de Europa acerca do
MIRANDES(non) falado en MIRANDA. Pretende o Consello de Europa que a
presión do portugués impide os habitantes de MIRANDA de aprender
mirandes, iso a pesar do mesmo portugués pode ser liberrimamente
aprender nas escolas públicas e privadas de Miranda. Non ocorre o
Consello de Europa que os naturais de Miranda non queiram aprender
mirandés e que, no caso dos mozos, aposta antes en aprender catalán,
tanto máis que a pesar de non falarem propiamente o portugués se
desembaraçam na versión “mirandesunhol”. Como é óbvio o “mirandesunhol” como
segunda lingua da raia colide co discurso politicamente correcto
sobre dialectos, pois estas boas almas Instituciones que todas as linguas
pretéritas deben ser sostida vivas nin que sexa invented-lles
falantes. Xa a posibilidade de se estar a crear novos dialectos
surxe-lles como unha conspurcação.
O peor é cando estas teses pasan do dominio do folclórico para a
política. Un dos factores que probablemente máis concorrida a
desastre electoral dos socialistas en Miranda nas recentes eleccións foi a
forma como os socialistas mirandeses aliados ao inapresentável bloque
Nacionalista Mirandés fixeron do mirandés unha arma política. Ata a funcións como
bombeiro se esixe o mirandés como primeira lingua. Máis grave nas escolas
buscou-se subalternizar o galego. Non admirar así que a pesar da
prensa galega imaxinar os populares como un partido rural na
Miranda , estes deban ao voto urbano boa parte da súa vitoria. Os ranchos
folclóricos e os desfiles etnográfico son un bo entretemento pero
transformalo los en defecto de vida foi algo que os mirandeses non estiveron
para aturar. Porque non quere prestan-se a iso, e porque
probablemente entender que tal opción se está a revelar desastre
noutras comunidades. Por exemplo, a obsessão nacionalista fai cada vez
máis provinciana aquela que foi unha das máis cosmopolitas da
Francia: a Bretaña. A imposição do bretón está a levar, entre outras
cousas, a que programas como o Erasmus non teñan éxito en Bretaña
pois os estudantes estranxeiros non están interesados en ter aulas en
bretón. Buscar facer clivagens a partir das linguas nacionais e
rexionais ten dado protagonista a moi boa xente, xera documentos
patéticos como este do Consello de Europa e ten levado a doideiras
políticas como a do goberno en Miranda ou, nunha versión aínda
máis alucinada, ten feitas os Belgas sem saberem literalmente de que
terra son.
* PÚBLICA 6 de marzo
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Na Galiza quase só se fala galego nas aldeias pelos mais velhos e não é o galego artificial que aprendem na escola e na televisão.
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O unanismimo contra as regiões, contra os patois locais:
O meu avô que não é assim tão velho, lembra-se de ver escrito nas paredes do metro em Paris, a cidade máxima da liberté, egalité : “Il est défendu de parler breton”.
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18 – Entendo razoavelmente e falo um pouqinho um dos dialectos/falares existentes em Portugal. Se me perguntar se estou disposta a tê-lo como segunda língua em, vez do inglês ou do francês, digo-lhe que não. E muito menos me parece aceitável impô-lo como acontece em algumas comunidades de Espanha – o processo de de imersão total do basco e do catalão é decalcado da imposição franquista do castelhano.
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Para quem não sabe (e não são poucos), galego e português são a mesma língua.
A única diferença relevante é que Madrid impôs ao “galego” a ortografia castelhana. O resto é sensívelmente igual, com excepção de algum vocabulário.
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#18 pois, eu tenho lá em casa um garrafão que diz “água do luso”
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A autora do post aparentemente desconhece alguns factos sobre este tema. Portanto, convém saber que:
1. A língua portuguesa ainda hoje é falada por cerca de 20% da polulação oliventina.
2. Tal acontece apesar de o uso do português ter sido interditado desde há cerca de 150 anos (1850).
3. A franquismo tentou o golpe final na língua dos oliventinos com a escolarização generalizada em castelhano, tal como nos territórios de língua não castelhana do resto de Espanha. Ficou o anátema: quem falava português era pobre e analfabeto, quem falava espanhol tinha cultura e oportunidade de reconhecimento social.
4. O pedido de protecção para o português em Olivença dirigido ao Conselho da Europa partiu de uma assiciação cultural de jovens oliventinos biligues que recusam aceitar a extinção ou a negação das raízes culturais e históricas da população e do lugar de Olivença.
5. Quando uma língua é falada por uma população mais velha e volta a ser ensinada na escola, usada na administração, essa língua é recuperada. Foi assim que o Catalão é hoje usado em toda a Catalunha, é assim que o basco recuperou da quase extinção há 30 anos atrás.
Há algo que nos distingue da generalidade dos outros povos europeus: nós pensamos que ficamos mais modernos e importantes quando minimizamos ou escarnecemos o nosso património, seja ele cultural, territorial ou linguístico.
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UM ESTRONDOSO ÊXITO, A JORNADA DO PORTUGUÊS DE OLIVENÇA DO DIA 28 DE
FEVEREIRO DE 2009
O dia amanheceu sem nuvens significativas. O Sol pareceu querer
saudar o evento. E não
era para menos!
Neste dia 28 de Fevereiro de 2009, e pela primeira vez desde 1801,
a Língua Portuguesa
manifestava-se livremente em Olivença. Mais do que isso, com a “cobertura” das
autoridades espanholas máximas a nível local e regional. E, talvez
ainda (!) mais
importante do que tudo isso, graças à iniciativa, ao esforço, à
coragem de uma associação
oliventina, a Além-Guadiana.
Não por acaso, jornais e televisões estavam representados. E
talvez por acaso, pois
outra razão seria insustentável, não estavam órgãos de comunicação
portugueses,
empenhados com outras realidades informativas. De facto, decorria o
Congresso do Partido
do Governo em Lisboa.
A Jornada do Português Oliventino decorreu na Capela do vetusto
Convento português de
São João de Deus. Num clima de alguma emoção. Estava-se a fazer
História… e quase 200
pessoas foram testemunhas disso, entre as quais o arqueólogo Cláudio
Torres, o “herói” do
mirandês Amadeu Ferreira, e… bem… fiquemos por aqui!
Falou primeiro o Presidente da Junta da Extremadura espanhola,
Guillermo Fernández
Vara. Curiosamente, um oliventino. Foi comovente ouvi-lo confessar
que, na sua casa
paterna, o Português era a língua dos afectos. Uma herança que ele
ainda conserva, apesar
de já ser bem crescidinho… e Presidente duma região espanhola.
De certa forma, estava dado o mote. O Presidente da Câmara de
Olivença, Manuel Cayado,
falou em seguida, realçando o amor pela língua portuguesa, e
acentuando o papel de
Olivença como ponto de encontro entre as culturas de Portugal e Espanha.
Joaquín Fuentes Becerra, presidente da Associação, fez então uma
breve intervenção, em
que se destacou a insistência no aspecto cultural da Jornada.
Juan Carrasco González, um conhecido catedrático, falou das
localidades extremenhas,
quase todas fronteiriças, onde se fala português, com destaque para
Olivença, e defendeu
que tal característica se deveria conservar.
Usou depois da palavra Eduardo Ruíz Viéytez, director do Instituto
dos Direitos
Humanos e Consultor do Conselho da Europa, vindo de Navarra, embora
nascido no País
Basco, que defendeu as línguas
minoritárias e explicitou a política do Conselho da Europa em relação
às mesmas. Informou
a assistência sobre o ocorrido com o Português de Olivença. De facto,
o Conselho da
Europa já havia pedido informações ao Estado Espanhol sobre este desde
2005, sem que
Madrid desse resposta. Em 2008, graças à Associação Além-Guadiana,
fora possível conhecer
detalhes, com base nos quais o Conselho fizera recomendações críticas.
Seguiu-se Lígia Freire Borges, do Instituto Camões, que destacou o
papel da Língua
Portuguesa no mundo, com assinalável ênfase e convicção. Tal discurso
foi extremamente
importante, já que, tradicionalmente, em Olivença, se procurava (e
ainda há quem procure)
menorizar o Português face ao “poderio planetário” do espanhol/castelhano.
Uma pequena mesa redonda antecedeu o Almoço. Foi a vez de ouvir a
voz de alguns
oliventinos, em Português, bem alentejano no vocabulário e no sotaque,
em intervenções
comoventes, em que não faltaram críticas e denúncias de situações de repressão
linguística não muito longe no tempo.
À tarde, falaram Domingo Frade Gaspar (pela fala galega, nascido
na raia extremenha) e
José Gargallo Gil (de Valência, a leccionar em Barcelona), ambos
professores universitários, que continuaram a elogiar políticas de
recuperação e
conservação de línguas minoritárias. O segundo fez mesmo o elogio da
existência de
fronteiras e do de seu estatuto de lugar de encontro e de compreensão
de culturas
diferentes, embora não como barreiras intransponíveis.
Seguiu-se Manuela Barros Ferreira, da Universidade de Lisboa, que relatou a
experiência significativa de recuperação, quase milagrosa, do
Mirandês, a partir de uma
muito pequena comunidade de falantes, convencidos, afinal erradamente,
de que aquela
língua tinha chegado ao
fim. O exemplo foi muito atentamente escutado pelos membros do Além-Guadiana.
Falou finalmente o Presidente da Câmara Municipal de Barrancos, a
propósito dos
projectos de salvaguardar o dialecto barranquenho e de o levar à
“oficialização”.
Queixou-se do estado de abandono em que se sentia o povo de Barrancos
face a Lisboa.
No final, foi projectado um curto filme sobre o Português
oliventino, realizado por
Mila Gritos. Nele surgiam
oliventinos a contar a história de cada um, sempre em Português, explicando os
preconceitos que rodeavam ainda o uso da Língua de Camões e contando histórias
pitorescas. A finalizar o “documentário”, uma turma de jovens alunos
de uma escola numa
aula de Português
pretendia mostrar para a câmara os caminhos do futuro.
Deu por encerrada a sessão Manuel de Jesus Sanchez Fernandez, da Associação
Além-Guadiana, que ironizou um bocado com as características
alentejanas do Português de
Olivença, comparando-o com o pseudo superior Português de Lisboa.
A noite já tinha caído quando, e não sem muitos cumprimentos e
alegres trocas de
impressões finais, os assistentes e os promotores da Jornada
abandonaram o local. Com a
convicção de que tinham assistido a algo notável.
Estremoz, 28 de Fevereiro de 2009
Carlos Eduardo da Cruz Luna carlosluna@iol.pt
___________________
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APELO A ESPANHÓIS E PORTUGUESES PARA SALVAÇÃO DE UMA LÍNGUA
A SITUAÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA EM OLIVENÇA
1)CONSIDERAÇÕES PRÉVIAS/SITUAÇÃO DO ALENTEJANO
Já não se considera, hoje em dia, que seja “natural” a desaparição de
uma língua. Muito
menos se aceita que haja línguas “superiores” e “inferiores”.
Sabemos que uma língua viva sofre evolução. Isso é diferente de
defender que uma
linguagem deva desaparecer, ainda que tal possa ocorrer.
Uma língua não é só um conjunto de sons, articulados de forma
convencional, de modo a
designar algumas necessidades básicas de comunicação. Uma língua,
sabemo-lo hoje, é um
Universo Cultural no qual, entre outras coisas, se encerram os
pensamentos, as emoções,
as percepções do Mundo. A língua reflecte a História, e influencia-a
por sua vez.
Línguas houve que não sobreviveram. Outras que foram salvas à beira da
extinção.
Lembramo-nos todos do caso do Mirandês.
Mesmo as línguas menos utilizadas mostram muito do Universo em que
evoluíram. Refletem a
História de um grupo humano.
O Português, porque é uma língua viva, não parece ter os problemas de
sobrevivência de
uma língua minoritária. Afinal, não tardará muito que tenha trezentos
milhões e
utilizadores. A sua divresidade enriquece-a permanentemente.
Mas… porque não é uniforme, nem está parada no tempo, a Língua
Portuguesa sofre
agressões. E algumas das suas, digamos, formas, podem estar ameaçadas.
Ninguém duvida,
por exemplo, que a “forma” alentejana de falar o Português esteja em
relativo declínio.
Mesmo porque ( e aqui entram aspectos políticos ), ao privilegiarem-se
unitarismos
linguísticos ditos “cultos” e centralismos castradores e
preconceituosos, não houve
grandes cuidados em preservar esse património cultural que era ( e ainda é ) o
“alentejano”.
Apesar de tudo, o “alentejano” é um dialecto, ou subdialecto, do
Português. Os falantes
do Português Padrão, os falantes actuais da língua lusa no Alentejo,
se verdadeiramente
cultos, procurarão preservá-lo, registá-lo por escrito, explicá-lo. E,
porque o
“alentejano” tem raízes conhecidas, ele será, pelo menos,
compreendido… embora corra o
risco de ser pouco “sentido”.
Àqueles que consideram o “alentejano” uma forma inferior, por só verem
o prestígio social
numa forma de se expressar e não a sua lógica interna, a sua riqueza
cultural, ou o seu
valor histórico, nada há a dizer, pois essas pessoas não poderão ser
consideradas como
verdadeiramente cultas.
Para quem a língua é mais do que isso, para aqueles que têm do
fenómeno linguístico uma
visão mais humanista, muito há a dizer.
O “alentejano” tem séculos de existência”. Numa época em que se procura tornar
impensadamente igual tudo o que rodeia o Homem, esquecendo-se que uma
das coisas que mais
o satisfaz é a diversidade, há que lutar para que não morra. Essa é
uma tarefa de todos
os alentejanos, e de todos os amigos da cultura, portugueses ou não.
A luta é difícil, mas há meios, é possível aceder a informação, e
nada, senão muitas
vezes os preconceitos dos próprios alentejanos, impede que se faça um
esforço nesse
sentido.
2) UMA REGIÃO ONDE O “ALENTEJANO” ESTÁ EM RISCO
Mas… a Língua Portuguesa, e, neste caso concreto, a sua forma
alentejana, corre riscos,
e sérios, de extinção, num espaço geográfico onde era “rei e senhor”.
Numa região que
fica junto da sua matriz natural. As opiniões políticas não são
consensuais sobre ela,
mas procuremos evitar essa polémica, embora não o possamos desdenhar
completamente, com o
risco de elaborarmos um diagnóstico incorrecto e de prováveis soluções
“curativas” não
poderem, por isso, ser eficazes.
Refiro-me à Região de Olivença, hoje constituída por dois Concelhos:
Olivença e Táliga.
No total, pouco mais de 12 000 habitantes em 463 Km.2. Aqui,
infelizmente, conforme foi
denunciado por dois estudos linguísticos bem significativos (Maria de
Fátima Resende
Matias, “A AGONIA DO PORTUGUÊS EM OLIVENÇA”, 2001 ,Revista de
Filologia Românica, vol.
18, 201, e Manuel Jesus Sánchez Fernàndez, “PORTUGUÊS DE ESPANHA.
EXEMPLO: O DE
OLIVENÇA”, 2004 ), o Português está em risco. Está “em agonia”, diz um
dos estudos.
Não é uma história bonita, esta. E está incompleta. Todavia, a
História da sobrevivência
da Língua Portuguesa em Olivença terá que ser feita um dia. Mais do
que sobrevivência, é
uma História de Resistência, dados a pressão e os condicionalismos
vários, ainda muito
mal estudados.
Mas tem que ser contada, uma e outra vez, enquanto é tempo. O drama
começou em 1801…
Tem-se aqui de se referir toda uma política. Não se pretende levantar
uma polémica, mas
não é possível compreender o que se passou, e a situação actual,
ocultando-se factos
decisivos.
Assim, já em 26 de Janeiro de 1805, suspendeu-se, naturalmente, o uso
da moeda portuguesa
em Olivença. As autoridades espanholas comunicaram então a vários
ofícios, nomeadamente
aos aguadeiros, que era obrigatório usar medidas espanholas
(referiam-se a comprimento,
peso, volume, etc.).
Claro que a Língua não tardaria a sofrer as consequências. A 20 de
Fevereiro de 1805, foi
decidido suprimir toda e qualquer escola portuguesa, bem como o ensino
do Português. A 14
de Agosto de 1805, as actas da Câmara Municipal passaram a ser
escritas obrigatoriamente
em Castelhano, o que fez uma vítima: Vicente Vieira Valério. Este,
negando-se a escrever
na Língua de Cervantes, teve de ceder o lugar a outro. E acabou por
morrer à mingua de
recursos, personificando um drama cujo desenvolvimento se processaria,
geração após
geração.
Há notícias de oposição dos oliventinos a estas medidas. As Escolas
privadas continuaram
a ministrar ensino em Português, até que são fechadas a 19 de Maio de
1813, com o
propósito (oficial) “de evitar qualquer sentimento patriótico
lusitano” ( A.M.O. leg/Carp
7/2-18, 19-05-1813, n.º 1324; revelado por Miguel Ángel Vallecillo
Teodoro, “Olivenza en
su História”, Olivença, 1999 ).
Mas, porque eram muitos os oliventinos que queriam que os seus filhos
fossem educados na
língua materna, continuaram a existir professores particulares para o fazer. O
“Ayuntamiento” não hesitou, e proibiram-se “as aulas particulares, sob
pena de multa de
20 Ducados”, em 1820 ( A.M.O. leg/Carp 8/1-171, 7-10-1820, n.º 1704;
revelado, também,
por Miguel Ángel Vallecillo Teodoro, “Olivenza en su História”,
Olivença, 1999 ).
A população oliventina mantinha as velhas tradições, a vários níveis,
procurando agir
como se nada tivesse mudado. Mas tal foi sendo cada vez mais difícil,
e muita gente foi
emigrando, principalmente para as povoações portuguesas mais próximas.
Em 1840, trinta e nove anos após a ocupação espanhola ( recorde-se:
efectuada em 1801 ),
o Português foi proibido em Olivença, inclusivamente nas Igrejas. O
combate contra a
Língua de Camões já vinha de trás, todavia.
Algumas elites forma aceitando o castelhano. O Português foi-se
mantendo, teimosamente,
principalmente a nível popular. Numa deliciosa toada alentejana, que
logo as autoridades,
vigilantes, classificaram como “chaporreo”, palavra de difícil
tradução (talvez “patois”;
talvez “deturpação”), que criou complexos de inferioridade nos
utilizadores, levando-os,
cada vez mais, a usar a Língua Tradicional apenas a nível caseiro,
dentro do aconchego do
lar, em público, quase só por distracção, ou com amigos próximos.
3) ÂNGELO BREA HERNANDEZ E AS SUAS CONCLUSÕES
Cabe aqui citar algumas considerações do autor contemporâneo Ângelo
José Brea Hernandez,
o que já fiz, sem hesitar, noutros trabalhos. A maneira como ele
descreve o fenómeno de
destruição de uma língua, tornada minoritária ,são de extrema actualidade.
Segundo o citado, é costume, no colonialismo “tradicional”, considerar
a Cultura
Dominante como muito superior às culturas dominadas. Tal situação
verifica-se sempre em
qualquer situação colonial, já que uma cultura tenta destruir a outra.
Sem nos limitarmos
apenas ao exemplo do Colonialismo Clássico, podemos analisar este
aspecto através de
outras situações. Assim, é sabido que a Cultura Urbana tenta dominar a
Cultura Rural; que
a cultura da Grande Cidade procura dominar a das pequenas cidades; que
a Cultura das
Regiões Centrais tente dominar as Culturas das Regiões Periféricas.
Todavia, nestes casos
quase não existe um conflito num sentido clássico ou violento do
termo. Já, por exemplo,
no colonialismo europeu em África, as diferenças são significativas, e
o conflito assume
formas bem violentas…
Todavia, entre culturas próximas, a cultura dominante tem evidente
facilidade em
assimilar a da sua região dominada. À partida, já muita coisa é igual!
Não obstante, e por estranho que pareça, isso nunca é completamente
possível. Isto porque
se de facto a região, mesmo pequena, tem uma cultura própria ainda que
parecida, há
muitos factores que o impossibilitam ou dificultam em externo, como a
própria dinâmica
interna da língua, a psicologia, o carácter, os nomes e apelidos, a
arquitectura, e
muitas outras coisas, de maior ou menor revelância. Por isso, por toda
a Europa, por
exemplo, em muitos Países, algumas culturas locais conseguiram
resistir e conquistar o
direito à diferença. Nacionalidades/Culturas que se julgam mortas
renasceram. Desde
talvez os Séculos XVI e XVII, o colonialismo, ou colonização, e a
aculturação forçada,
perderam quase toda a sua eficácia na maior parte da Europa. As
pequenas regiões, mesmo
falando línguas dos seus dominadores, não aceitam a sua destruição.
Também não há razões fundamentais, hoje em dia, para se considerar que
as culturas
maiores em área ou população têm mais direitos do que as menores. E
parte-se do princípio
que, entre povos e estados modernos, Estados de Direito, os problemas
culturais, ou
fronteiras, ou outros, já não são tão dramaticamente conflitivos como
noutros tempos. Por
outro lado, deixar problemas por resolver, ignorando-os, provou não
ter sido uma atitude
correcta, como o provaram os conflitos aparentemente ilógicos e cruéis
na antiga
Jugoslávia…
Também muitos argumentos de carácter económico mostraram não ser
definitivos… porque
nada é definitivo! Hoje, uma economia está mais forte… mas, no
passado, não era isso
que se verificava! E… quem pode dizer como vai ser o futuro?
Afinal, NÃO HÁ CULTURAS SUPERIORES OU INFERIORES. HÁ CULTURAS
DIFERENTES, TODAS
RESPEITÁVEIS. NÃO HÁ OUTRO CAMINHO VISIVEL PARA O FUTURO QUE NÃO SE
BASEIE NESTE
PRINCIPIO. Na verdade, a causa de muitos conflitos actuais está no NÃO
CUMPRIMENTO OU
ACEITAÇÃO deste princípio, quer no passado, quer no presente. Desta
forma, alguns dos
argumentos tradicionais para justificar algumas aculturações estão
sujeitos a uma curiosa
evolução, perdendo valor, enquanto outro tipo de argumentos ganham peso.
4) VOLTANDO A OLIVENÇA
O hábito e o amor-próprio levavam o oliventino a, quase
constantemente, “saltar” do
castelhano para o português. De tal forma que, depois de duzentos anos
de pressão, ele é
entendido e falado por cerca de, pelo menos 35% da população, segundo
cálculos da União
Europeia (Programa Mosaïc).
Como sucede, contudo, neste casos, em qualquer ponto do Globo, o
Português foi perdendo
prestígio. Não sendo utilizado nunca em documentos oficiais, na
toponímia (salvo se
traduzido e deturpado), ou em qualquer outra situação que reflectisse
a dignidade de um
idioma, manteve-se, discretamente, por vezes envergonhadamente. A
Televisão e a Rádio
vieram aumentar a pressão sobre o seu uso e compreensão.
A Ditadura Franquista acentuou a castelhanização. Agora oficialmente,
o Português era uma
Língua de quem não tinha… educação! Uma Língua de Brutos, ou, como
também se dizia, uma
Língua Bárbara!
Não obstante, ela sobreviveu. Mesmo nas ruas, surgia e ressurgia, a
cada passo…
raramente na presença da autoridades. Mesmo algumas elites continuavam
a conhecê-la,
embora numa fracção minoritária.
Nas décadas de 1940, 1950, e 1960, era raríssimo, mesmo impossível em
alguns casos,
encontrar professores, polícias, funcionários em geral, que fossem
filhos da terra
oliventina, na própria Olivença. Colonizadores inconscientes, peões
numa política geral
de destruição das diferenças por toda a Espanha.
Se há ironias na História, esta pode ser uma delas. Alguns desses
cidadãos “importados”,
com muito menos complexos que os naturais porque não tinham, quaisquer
conflitos de
identidade, ou os seus filhos, puseram-se a estudar os aspectos “curiosos”,
“específicos”, da cultura oliventina! “Oliventinizados”, por vezes
até, ainda que
ligeiramente, em termos linguísticos, acabaram por produzir trabalhos
de valor sobre a
cultura da sua Nova terra, que podem chamar para sempre, e sem
contestações, de Terra
Mãe, por adopção, por paixão, ou já por nascimento.
5) NOVOS TEMPOS/ALGUMAS PROPOSTAS DE SOLUÇÃO
A Democracia deveria ter aberto novas perspectivas, mas os fantasmas
não desapareceram de
todo. Alguns cursos de Português foram surgindo, com maior ou menor
sucesso. Por vezes ao
sabor de questões políticas, como durante a Década de 1990 por causa
dos avanços e recuos
no atribulado processo que levou à construção de uma nova Ponte da
Ajuda o Guadiana,
entre Elvas e Olivença (inaugurada em 11 de Novembro de 2000).
Em 1999/2000, continuando em 2000/2001, a Embaixada de Portugal em
Madrid, e o Instituto
Camões, passam a apoiar o apoiar o ensino do português no Ensino
Primário em todas as
Escolas de Olivença. Incluindo as Aldeias. Apenas Táliga, antiga
aldeia de Olivença
transformada no Século XIX em município independente, está ainda de
fora deste projecto,
para o qual foram destacados, primeiro três, depois quatro professores
portugueses.
Aproveite-se para dizer ser urgente acudir a Táliga, onde só 10% da
população ainda tem
algo a ver com a Língua de Camões. Urgentíssimo!
Tinha sido dado um primeiro e importante passo. Mas não se tem
revelado suficiente. O
Estado Português deverá tentar influenciar a tomada de outras medidas,
dada até a sua
posição sobre o Direito de Soberania sobre Olivença: o ensino da
História (que não é
feito em parte nenhuma em Olivença), por exemplo: a utilização prática
da Língua, em
documentos oficiais, toponímia, etc.; a continuação do Estudo do
Português até níveis de
ensino mais avançados; e tantas coisas mais que se poderiam referir!
Não resisto a citar um caso em que a omissão de dados históricos é
particularmente
significativa: muitos oliventinos pensam que há “Olivenças” na América
Latina, mas pensam
ser no México ou na Argentina, o que é falso. Ignoram,quase todos, que
há três Olivenças
no Brasil (uma no interior de Alagoas; outra na costa baiana, junto a
São Jorge de
Ilhéus; uma terceira no Amazonas, denominada São Paulo de Olivença), e
que houve uma em
Angola (hoje Capunda-Cavilongo) e outra em Moçambique (hoje
Lupulichi). Que idéia tem o
oliventino do seu papel no Mundo?
Pouco interessa aqui dar demasiada relevância ao problema que subsiste
entre os dois
maiores Estados Ibéricos. O que não se pode negar é e ele existe e
influencia esta
problemática, ainda que pouco importe aprofundar aqui quem tem razão.
Não se pode,
também, é “fingir” que está tudo perfeitamente definido ! muito menos
em nome do
politicamente correcto….
Para já, e acima de tudo, é preciso dar à Língua Portuguesa
dignidade… e utilidade.
Descolonizar/Recuperar Cultural e Linguisticamente, pelo menos em
termos psicológicos.
Revalorizar o Português que sobrevive, o qual, por ser uma variante da
fala lusa regional
do Alentejo, é vítima de comentários pouco abonatórios. Deve-se “fazer
a ponte” entre as
velhas gerações e os jovens alunos. Ensinando-lhes, por exemplo, a
partir de exemplos da
velha poesia popular e erudita oliventina, no idioma de Camões, e que
é ainda, graças a
recolhas etnográficas e a alguns poetas populares vivos,
suficientemente conhecida para
tal. Porque, sem perceberem que estão a dar continuidade à cultura dos
seus avós, os
jovens oliventinos dificilmente compreenderão que aprender a língua
lusa é muito
diferente de aprender uma língua estrangeira (Inglês, Francês,
Alemão). É preciso dizer
claramente que o Português é imprescindível para que as novas gerações
compreendam o que
as gerações anteriores quiseram transmitir.
6) EXEMPLOS DE FALA OLIVENTINA/UMA VOZ CONSCIENTE
Não resisto a dar aqui alguns exemplos da tradição popular oliventina,
dominada pela
terminologia alentejana:
Na Vila de Olivença
não se pode namorar!
As velhas saem ao Sol
e põem-se a criticar!
Ó minha mãe, minha mãe,
“companhêra” de “mê” pai,
eu “tamêm” sou “companhêra”
daquele cravo que ali vai!
Eu tenho uma silva em casa
que me chega à “cantarêra”
busque “mê” pai quem o sirva
que eu “nã” tenho quem me “quêra”!
Olha bem para o “mê” “pêto”
onde está o coração
vê lá se disto há “dirêto”
diz-me agora: sim ou não !
“Azêtona” pequenina
também vai ao lagar;
eu também sou pequenina
mas sou firme no amar.
Saudades, tenho saudades,
saudade das “fêticêras”.
Lembrança das amizades
da terra das “olivêras”.
Se eu tivesse não pedia
coisa nenhuma a “nênguém”
mas, como “nã” tenho, peço
uma filha a quem a tem.
Adeus, Largo do Calvário
por cima, por baixo não.
Por cima vão os meus olhos
por baixo, meu coração.
Textos destes poderiam multiplicar-se. Ainda, entre os idosos, há quem
conheça estas
quadras. Mas entre os jovens, poucos as conhecem. Como é possível que
não se ensine
Português aos oliventinos… começando por quadras como estas ?
Começando por ouvir
idosos declamarem-nas ?
Exemplos de que não tem sido essa a perspectiva do Ensino do Português
ora leccionado
encontram-se, por exemplo, no facto de, durante algum tempo, ter-se
considerado que
continuar o Ensino do Português no Secundário, como sucede em Badajoz
e noutros locais,
poderia ser perigoso em Olivença. Ridículo! Depois, tal foi levado a
cabo, dizem que
quase mais por insistência do Professor João Robles Ramalho, que de
outra coisa. E, como
o dito professor morreu, de repente, há uns meses… espera-se que tal
não seja usado
como desculpa para não se voltar a ensinar a língua a nível mais
avançado. Haja
esperança….
Mas a situação actual não é famosa. Há estudos que falam em “declínio
do Português em
Olivença”, no seu uso coloquial. Como dizia um jovem oliventino (Junho
de 2007), a este
respeito, «isto é uma verdadeira tragédia; depois de pouco mais de 200
anos, o português
vai desaparecer em Olivença; a alma dos povos é a lingua; a lingua é a
memória, é tudo;
em Olivença vam ficar sómente as pedras, as fachadas, do que foi o seu
passado português;
Nao há nada mais triste que conhecer que o fim vai chegar e ninguém
fiz[fez] nada para
evitá-lo; ninguém compreende que a morte do último luso-falante vai
ser a morte da alma
portuguesa, o fim de gerações falando português nas ruas, nas
moradias, no campo
oliventino, ao longo de mais de sete seculos?». E continua: «O artigo
da senhora Fátima
Matias explica perfeitamente as razoes e o contexto da agonia do
português em Olivença;
mas… agora ja nao há ditadura; Deveriamos ficar orgulhosos de ter
esta riqueza
linguística e procurar a defesa
e o ensino do português oliventino; (…) e, um pouco também, o Estado
português é também
responsavel; com independência de questões de índole soberanista,
deveria implicar-se na
promoção do português em Olivença e nao sómente não reconhecer [a
soberania espanhola] e
não fazer nada.»
Pode-se aplaudir o que se faz hoje, mas é imprescindível algo mais:
faça-se um estudo do
Português-Alentejano falado em Olivença, e ligue-se o mesmo ao
Português-Padrão ensinado
nas Escolas, de modo a fazer a ligação entre as gerações e produzir uma normal
continuidade que deveria naturalmente ter ocorrido. Assim se corrigirá
a distorção
introduzida pela pressão do Castelhano. Este estudo pode ser feito por
quem se mostre
capaz de o fazer: portugueses, mas também alguns especialistas e
linguistas extremenhos.
A nenhum Estado (Portugal ou Espanha) se poderá perdoar deixar morrer
uma cultura !
7) UMA LUTADORA EM NOME DA CULTURA E DA TRADIÇÃO
Há alguém, em Olivença, que é um exemplo. Trata-se de uma Senhora, que
não admite que
ponham em causa o seu amor a uma Olivença espanhola. Todavia, e para
honra e Espanha,
esta incansável senhora, Rita Asensio Rodríguez, tem dedicado a sua
vida a escrever
livros e mais livros, onde descreve os velhos costumes oliventinos, e,
o que mais nos
interessa aqui, a sua maneira de falar. Muitas vezes ela opina que se
trata de formas
únicas no mundo, pois desconhece o “alentejano”. Todavia, ela faz
recolha após recolha, e
é ela que mais sabe, hoje em dia, sobre a fala popular oliventina. O
seu último trabalho
(“Apuntes para una História Popular de Olivenza”, 2007), para além de
descrever inúmeras
tradições populares, algumas já desaparecidas, tem no fim uma espécie
de “pequeno
dicionário” de oliventino-espanhol.
Citar alguns exemplos é a melhor forma de justificar o tema da minha
comunicação.
Começo por termos que não foram alterados, e que são comuns ao
Português -Padrão:
Alcofa; Atrapalhado; Abóbora; Agriões; Alfazema; Bacorinho; Brincos;
Bicas; Bazófia;
Costas; Carocha; Chapéu; Coentro; Calças; Coelho; Courela;
Espalhafato; Escaravelho;
Esquecer; Ferro (de engomar); Fornalha; Grãos; Gargalo; Garfo;
Ervilhas; Lenço; Maluco;
Melão; Minhocas; Osga; Pousio; Picha; Pintassilgo; Peúgas; Poleiro;
Panela; Rola;
Roseira; Ranho; Saudade; Salsa; Turra; Tacões; Ventas (nariz); Vespa.
Sigo com termos alentejanos,ou que considerei como tais para melhor
explicar,na sua forma
original, na sua forma actual usada em Olivença, e traduzidos, se necessário:
Azevia/Açubia(-); Alguidári; Alface/Alfaça; Azêtona; Arrecadas/Arcadas
(grandes brincos);
Andorinha/Andrurinha; Alarvices; Paleio/Apaleo; Asnêras; Amanhado
(arranjado, preparado);
Alicati; Alentar/Alantar (crescer); Aventar (deitar fora, derrubar);
Vasculho/Basculho
(vassoura); Melancia/B´lancia; Barbulha (borbulha); Brócolos/Broquis;
Bebedêra/Bebedela;
Biquêra; Badana (mulher velha); Baldi; Bandalho (mal vestido);
Barranhola/Barranhali
(Banheira); Púcaro/Búcaro; Boleta (Bolota); Caliche (Caliça); Cuitadinho;
Descarada/Cascarada (!); Corremaça (correria); Cueiros/Culêros; Chico
(Francisco);
Descasqueado (Limpo); Dôtorice (jactância); Embatucado (sem palavras);
Escandalêra;
Engadanhado (impedido de usar os dedos por causa do frio);
Empolêrar-se; Esturricar;
Escancarar(abrir totalmente); Ajoelhar-se/Esvoelhar-se;
Escavacada/Escavada (!); Entrudo;
Enciêradas (gretadas de frio); Janela/Esnela; Centopeia/Entopeia;
Falhupas (chiapas de
lume); Esfregão/Fregón; Fartadela; Feij
ão-frade/Fradinho; Fanhoso; Fedorento/Fudurento; Fêtecêra; Farinhêra mole;
Ferrugento/Furrugento; Fatêxa; Garganêro (açambarcador, egoísta);
Galiquêra ou Caliquêra
(doença venérea); Libória (tonta); Lençoli/Lançoli; Leque/Lecre;
Mangação/Mangaçón
(troça); Melhoras (Boas melhoras); Monte/Monti (Herdade);
Mexeriquêra/Mixiriquêra;
Mascarra (Sujidade, Amorenado); Mondar (actividade agrícola); Nódoas/Nodas;
Pantanêro/Patamêro (lama); Cair de Pantanas (cair de costas);
Pelintra/Pilintra;
Passarola/Passarinha/Passarilha (Púbis e vulva); Piali (Poial);
Reboliço/Raboliço;
Remela/Ramela; Repesa (arrependida); Ralhar/Rayari; Rabujento/Rabulhento;
Ceroulas/Cirôlas; Chocalhos/Sacayos; Surrelfa; Saboria (Sensaboria);
Cenoura/Cinôra;
Sabola (Cebola); Tanjarina; Devagarinho/Vagarito; Velhici; Varais dos
òculos/Varales dos
ócalus; Sarrabulho (confusão, desorganização)
Lamento ter-me alongado, mas talvez assim tenha transmitido algo de
concreto que de outra
forma não seria possível. Ouviram falar “alentejano”, ou oliventino…
como queiram; e
esta senhora, Rita Asencio Rodríguez, tem mais três ou quatro livros
mais antigos
publicados dede há trinta anos.
Como se pode deixar perder tudo isto? A História não nos perdoaria.
8) ALGUNS EXEMPLOS COLHIDOS AQUI E ALI
Não resisto a lembrar algumas reacções com que me deparei em Olivença.
Por exemplo, numa aldeia, falando em Português com os donos de um
“estanco” de Tabacos,
insisti no conhecimento histórico e na preservação da língua. Os
interlocutores, falando
em Português, contestavam essas opiniões. Dei o exemplo deles
próprios, a falar a língua
lusa. A reacção foi devastadora: “Malditos dos nossos pais, que nos
deixaram esta língua!”
Outro exemplo: num Monte (herdade) oliventino, falando com uma senhora
de, talvez, trinta
anos, fui correspondido em português/alentejano. Recordo uma frase
dela, ao dirigir-se ao
marido: “Segura aqui no “minino”, para eu temperar a “selada”.
Mas, cerca de cinco minutos depois de conversação, a mesma senhora,
sem que nada o
fizesse prever, interrompia o seu discurso na língua de Camões, e
declarou, aterrada:
“Desculpe! Estou a falar em Português! É falta de Educação!”
Começou a falar em castelhano. Claro, contestei a decisão… ouvindo
aquilo que talvez
mais irrita um alentejano em Olivença (e se ouve continuamente…)
como justificação:
“Isto que a gente fala já não é Português, é um “chaporreo”.
Um outro exemplo pretende mostrar como o Português que se ensina
actualmente em Olivença
provoca choques geracionais. Um idoso de um Monte (herdade), quando
foi por mim elogiado
por falar idioma luso, ripostou-me: “isto já não é Português, nem é
nada. A minha
sobrinha, que aprende na Vila (Olivença), é que fala um Português
verdadeiro. Ela até me
critica!”
Para acabar, um exemplo mais pitoresco. Encontrei em Olivença um homem
de cerca de
cinquenta anos, que, ironizando, me disse que falava Português porque
nessa língua “não
há confusões entre Padre (sacerdote) e Pai.” Aqui, uma posição crítica
em relação ao
cristianismo ajudava a preservar a língua.
9) JÁ OS ANTIGOS SABIAM…
A atitude de muitos oliventinos, que se orgulham de já falarem
espanhol “sem acento”, e
de já não se distinguirem dos “espanhóis verdadeiros”, o que, já por
si, é uma afirmação
curiosa, faz-me lembrar uma “análise” de Tácito, sobre o modo como os
conquistados pelo
Império Romano iam aceitando a Cultura do Conquistador.
Dizia ele: “(…) os mais propensos há pouco a rejeitar a língua de
Roma ardiam agora em
zelo para a falar eloquentemente. Depois isto foi até ao vestuário que
nós temos a honra
de trajar, e a toga multiplicou-se, progressivamente. Chegaram a
gostar dos nossos
próprios vícios, do prazer dos pórticos, doa banhos e do requinte dos
banquetes, e estes
iniciados LEVAVAM A SUA INEXPERIÊNCIA A CHAMAR CIVILIZAÇÃO AO QUE NÃO
ERA SENÃO UM
ASPECTO DA SUA SUJEIÇÃO.”
Podemos transpor esta reflexão para o campo linguístico em Olivença. E
só nos podemos
espantar com “a sabedoria dos antigos”, como se costuma dizer.
10) CONCLUSÕES
Contrariar a situação de agonia do Português Popular de Olivença é uma
tarefa que não se
limita aos defensores da lusofonia. Para já, alguns possíveis
“remédios” foram propostos
ao longo deste trabalho.
Mas a questão NÃO É SÓ lusófona.
Quero deixar aqui um apelo a Espanha, e muito particularmente às
autoridades da
Extremadura Espanhola, e ainda mais particularmente às autoridades
municipais da Região
Histórica de Olivença.
Não importa que se defenda que Olivença deve ser espanhola,
portuguesa, ou até mesmo
francesa ou coreana. O que não é digno é que, em pleno Século XXI,
numa Europa que se diz
herdeira e praticante de valores humanistas e democráticos, nada se
faça para combater o
risco de desaparição de uma língua, que é o reflexo de toda uma cultura.
Não é aceitável que não se procure restituir a dignidade a uma cultura
tradicional.
Também não é muito digno que não se informe toda uma população das
suas raízes e da sua
História. Se se quiser, recorrendo a uma frase feita, “não é europeu”,
e nem sequer
politicamente correcto.
Também o Estado Português não está isento de culpas. Independentemente
de aspectos
políticos e de contestação de traçado de fronteiras, aspectos que não
importa desenvolver
aqui, Lisboa tem a obrigação de agir. Ao abrigo das suas competências,
pode, deve,
transmitir muito claramente o seu descontentamento e a sua apreensão.
Propor soluções.
Editar brochuras. Protestar contra a ocultação da História. Como faz
noutros pontos do
mundo em que há presença portuguesa.
“A minha Pátria é a Língua Portuguesa”, disse Fernando Pessoa, tão
citado por elites
variadas. Passe-se à prática este princípio !
Pela minha parte, pela nossa parte, não nos calaremos, e desde já nos
propomos a ajudar
pessoas ou instituições, independentemente da sua orientação política
ou da sua
nacionalidade, para combater a agonia do Português em Olivença.
O Primeiro passo poderá ser um Congresso, ou umas Jornadas, ou uns
Encontros, sobre o
tema, que reúna a participação de especialistas e autoridades das mais
diferentes
origens, unidos pela sua boa vontade…
Estremoz, Junho de de 2008
Carlos Eduardo da Cruz Luna
Carlos Luna Estremoz, Portugal carlosluna@iol.pt // caedlu@gmail.com
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19 – Helena Matos
Quer use o castelhano ou o catalão/português/basco, estará sempre a fazer uma imposição.
A não ser que permita que se frequente livremente uma escola da lingua que se quiser. Por outro lado, se metade da população só souber uma das linguas e a outra metade a outra, isso significa que grande parte das pessoas no mesmo país não se vai entender.
Agora, isto vale para o ensino básico/secundário.
Quanto a contratações, parece-me que a lingua não deve à partida ser um factor de escolha (mas falar as duas é factor de preferência), e quanto às universidades… por mim, que estudei gestão, as aulas deveriam ser em português e inglês (senão todas em inglês)… mas creio que cada universidade deve ser livre de escolher o que pensa ser melhor para si.
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“Nada se faça para combater o risco de desaparição de uma língua, que é o reflexo de toda uma cultura.”
As línguas não são um zoológico. Se uma língua deixa de ser falada, é porque perdeu a sua utilidade (pressupondo obviamente uma situação de liberdade entre quem a fala).
Outra coisa é reconhecer a utilidade que tem para nós, portugueses, que os galegos e oliventinos continuem a falar português (e conseguirmos “vender-lhes” essa ideia e apoiá-los na perpetuação da língua).
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Carlos Luna,,
parece-me perigoso considerar que existe um Oliventino, como se este fosse um dialecto tal como o mirandês.
O Oliventino que descreve é puro português, embora com alguns vocabulos regionais. Aliás, nesse sentido não existe Oliventino nem Alentejano, nem minhoto, nem lisboeta.
Se o falar de Olivença for considerado um dialecto, é meio caminho para a sua morte definitiva.
A propósito disso veja-se o que os castelhanos têm vindo a fazer com o galego, que é tentar afastá-lo o mais possível do português. Falar português (ainda que com vocábulos e características regionais) é de grande valia para quem o falar. Falar mirandês ou oliventino, ou mesmo galego, não passa de uma “curiosidade”, com algum valor cultural e até emocional, sem grande valor económico para quem o fizer (que é o que em último caso determina a sobrevivência de uma língua).
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SEGREDOS DO ALQUEVA…
A vossa reportagem (25-Agosto-2007) sobre o Alqueva, o “Lago dos Milhões”, pareceu-me
óptima.
Há, todavia, um aspecto raramente abordado, e que tem alguma importância. Basta
verificar od mapas OFICIAIS da própria EDIA (Empresa do Alqueva), para verificar uma
pequena “anomalia”. Na verdade, a fronteira entre Porugal e Espanha é nele assinalada,
por sobre as aguas do novo lago, menos na região entre as ribeiras de Olivença e de
Alconchel (ou de Táliga).
A razão é simples: Portugal joga aqui, a seu favor, com a velha Questão de Olivença, o
que lhe permite controlar as águas da albufeira numa escala à superior do que sucederia
se reconhecesse a fronteira na região.
Curiosamente, isto é pouco falado. Exceptua-se o Dicionário Jurídico da Administração
Pública,«ultima edição (1999), onde se lê: “(…) Existem, por conseguinte, três troços
da fronteira terrestre luso-espanhola a considerar: o primeiro, que vai do Rio Minho à
confluência do Caia com o Guadiana, definido pelo Tratado de 1864; o segundo, que vai do
Rio Cuncos até à Foz do Guadiana, definido pelo convénio de 1926; e o TERCEIRO,
CONSTITUÍDO PELA PARTE DA FRONTEIRA QUE VAI DA CONFLUÊNCIA DO CAIA COM O GUADIANA ATÉ AO
RIO CUNCOS, que se ACHA POR DEFINIR POR ACORDO COM ESPANHA em virtude DA QUESTÃO DE
OLIVENÇA.;(…) A razão desta delimitação proveio do facto do troço de fronteira ao sul
do Caia até ao Rio Cuncos, correspondendo à região de Olivença,n unca ter sido
reconhecida por Portugal que, desde 1815, contestou a posse de Olivença pela Espanha.
(…)”.
Também o livro do prof. Jorge Miranda, de 1994 (“Manual de Direito Constitucional”),
a propósito da Artigo 5.º da Constituição (“Portugal abrange o território historicamente
definido no continente europeu e os arquipélagos dos Açores e da Madeira”), esclarecia,
em nota, que “a definição do território nacional inculca a inclusão de Olivença; e a da
Madeira, a do arquipélago das Selvagens, que historicamente (embora não geograficamente)
lhe pertencem”.
Muito mais actual, o recente livro (de Fevereiro de 2007), CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA
PORTUGUESA – ANOTADA, de J. J. Gomes Canotilho e de Vital Moreira, nos comentários ao
Artigo 5.º (recordemos:”1. Portugal abrange o território historicamente definido no
continente europeu e os arquipélagos dos Açores e da Madeira.”), se esclarece: “O
“território historicamente definido no continente europeu” é obviamente o território
ibérico confinante com a Espanha (note-se que a fórmula “historicamente definido” permite
deixar em aberto a questão de Olivença)”.
Igualmente, todos os mapas OFICIAIS portugueses apresentam sempre uma interrupção na
linha de fronteira no Guadiana na Região de Olivença.
Há a lamentar aqui muita hipocrisia e muito secretismo, injustificável numa época de
boas relações ibéricas e de diplomacia sem segredos. Não me parece que fosse demasiado
perturbador referir este aspecto mais vezes, e mais abertamente. Afinal, entre Estados
Democráticos, tudo pode ser discutido. E a Espanha também tem as suas reivindicações…
que não esconde.
Os segredos do Alqueva são, afinal, em maior número do que se poderia pensar à
primeira vista…
Carlos Eduardo da Cruz Luna
ESTREMOZ
carlosluna@iol.pt caedlu@gmail.com
________
DOIS RELATÓRIOS DA C.I.A. SOBRE OLIVENÇA
AS HESITAÇÕES DA C.I.A.(RELATóRIO MAIS RECENTE; O MAIS ANTIGO VEM DEPOIS…. )
AS HESITAÇÕES DA C.I.A.
Tudo começou em 2003. A instituição norte-americana C.I.A. publica, desde há muito,
uma espécie de relatório anual, o “The World Factbook”, agora na “Internet”. Esse
relatório, actualizado anualmente, contém dados de todo o tipo sobre todos os países e
territórios do mundo. Como estatística. Não se trata de uma selecção com intuitos
políticos, ainda que, como sabemos, nada seja neutro neste mundo.
No que toca a disputas territoriais, eram assinaladas mais de 160, incluindo
discordâncias fronteiriças entre o México e os próprios Estados Unidos. O que era
novidade era a inclusão de mais uma disputa. De facto, lia-se, no que a Portugal dizia
respeito : “Portugal tem periodicamente reafirmado reivindicações sobre os territórios em
redor da cidade de Olivença (Espanha)”.
Claro que, no que a Espanha se referia, também era assinalada a disputa:”Os habitantes
de Gibraltar votaram esmagadoramente em referendo contra o “acordo de total partilha de
soberania” discutido entre a Espanha e o Reino Unido para mudar trezentos anos de governo
da colónia; Marrocos protesta contra o controle espanhol sobre os enclaves costeiros de
Ceuta, Melilla, o Peñon de Velez de la Gomera, as ilhas de Peñon de Alhucemas, as ihas
Chafarinas e as águas circundantes; Marrocos rejeita também o traçado unilateral de uma
linha média a partir das Canárias em 2002 para estabelecer limites à exploração de
recursos marinhos e interdição de refugiados; Marrocos aceitou que os pescadores
espanhóis pescassem temporariamente na costa do Sahará Ocidental, depois de um derrame de
crude ter sujado bancos de pesca espanhóis;Portugal tem periodicamente reafirmado
reivindicações sobre os territórios em redor da cidade de Olivenza (Espanha)”.
A disputa de Olivença surgia, pois, naturalmente, entre outras reivindicações ibéricas
e mais de uma centena e meia de outras por todo o mundo.
As reacções em Espanha, todavia, excederam o compreensível. Vários jornais noticiaram
que a C.I.A. comparava Olivença a Caxemira e a Gaza, e davam a entender que a C.I.A. via
movimentos terroristas (?) na Terra das Oliveiras. Chegou-se ao cúmulo de se fazerem
entrevistas com autoridades locais, que troçaram da estupidez da C.I.A. e desafiaram os
seus agentes a procurar terroristas por aqueles lados. Nenhum, mas nenhum mesmo, jornal
ou revista espanhóis publicou o texto original da C.I.A.! E isto apesar de todos terem
recebido, repetidas vezes, o mesmo, em inglês, castelhano, português, e catalão !
O mais bizarro sucederia no ano seguinte. A C.I.A. reformulou o seu relatório, e, no
que toca a Olivença, 2004 viu surgir a espantosa afirmação de que “alguns grupos
portugueses mantêm reivindicações adormecidas sobre os territórios cedidos a Espanha em
redor da Cidade de Olivenza”. Note-se que este discurso é, quase palavra por palavra, o
discurso “oficial” espanhol sobre este contencioso.
Era possível, todavia, fazer pior. Em 2005, desaparecia do relatório da C.I.A.
qualquer referência a Olivença. Portugal, no que toca a disputas/reivindicações
internacionais, surgia classificado com um “none” (isto é, “nenhuma”; uma só
palavra…talvez para poupar espaço…
A bizarria ia mais longe. Um pequeno mapa de Espanha acompanhava o texto sobre este
país. Pela primeira vez, Olivença surgia nele. Ao lado de cidaes como Córdova, Sevilla,
Granada, Madrid (naturalmente), Valladolid, e outras, todas capitais de províncias, não o
sendo a cidade em litígio. Duma forma afinal cómica, o Mapa não mostrava cidades como
Badajoz, Cáceres, Mérida, Salamanca, ou Pamplona. Era evidente que “Olivenza” fora
incluída, digamos, “à força”.
O que causa espanto e indignação neste caso é a facilidade com que a C.I.A., tida como
a mais poderosa e “sabedora” organização de informações do mundo, antes decerto de se
informar, por exemplo, junto do Governo Português, se foi aparentemente deixando
“seduzir” por pontos de vista espanhóis.
Felizmente, em 2006, a situação foi recolocada em termos, em geral, correctos. Decerto
“alguém” do Estado Português, verificando o erro, se deu ao trabalho de informar a C.I.A.
de que Portugal mantém mesmo reservas sobre a soberania espanhola em Olivença. Recorde-se
que esta questão ganhou nova importância com o Alqueva, dados os problemas ligados à
posse das águas no Guadiana.
Assim, desde Maio de 2006, pode-se ler na “CIA Homepage”, sobre Portugal, no que toca
a disputas internacionais, o seguinte: “Portugal não reconhece a soberania espanhola
sobre o território de Olivença com base numa diferença de interpretação do Congresso de
Viena de 1815 e do Tratado de Badajoz de 1801.” No que a Espanha diz respeito, pode
ler-se : “em 2003, os habitantes de Gibraltar votaram esmagadoramente, por referendo, a
favor de permanecerem como colónia britânica, e contra uma solução de “partilha total de
soberania”, exigindo também participação em conversações entre o Reino Unido e a Espanha.
A Espanha desaprova os planos do Reino Unido no sentido de dar maior autonomia a
Gibraltar; Marrocos contesta o domínio da Espanha sobre os enclaves costeiros de Ceuta,
Melilla, e sobre as ilhas Peñon de Velez de la Gomera, Peñon de Alhucemas e Ilhas
Chafarinas, e as águas adjacentes; Marrocos funciona como a mais importante base de
migração ilegal do Norte de África com d
estino a Espanha;Portugal não reconhece a soberania espanhola sobre o território de
Olivença com base numa diferença de interpretação do Congresso de Viena de 1815 e do
Tratado de Badajoz de 1801.”
A ver vamos se esta “versão”, que é razoavelmente correcta, se mantem, e se o Estado
Português estará atento a novas “alterações”.
Na verdade, o conflito (pacífico) fica circunscrito às suas verdadeiras dimensões: um
entre outros da Península Ibérica, e entre mais de centena e meia de outros por esse
mundo fora, que os interessados deverão resolver quando surjir ocasião. Como deve ser
sempre.
O que, afinal, já tinha sido escrito em 2003.
Estremoz, 28-Maio-2006
Carlos Eduardo da Cruz Luna
B.I. 4737795 Rua General Humberto Delgado, 22, r/c 7100-123-ESTREMOZ (Portugal)
tlf. 268322697 tlm.939425126
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Eu, que regressei de viver em Espanha há coisa de 15 dias, afirmo que só os estrangeiros que querem viver na Catalunha é que aprendem catalão. E fazem-no porque são forçados. Se não o fizerem não os atendem no hospital, nas repartições públicas, nas escolas, etc. Um catalão deixa morrer um castelhano à porta do hospital apenas por questão idiomática. Isto não é hipérbole: é a verdade. Quanto aos estrangeiros que estão ali temporariamente a resposta é fácil: quem quer investir num idioma que é falado por 7 milhões de pessoas em todo o mundo quando pode aprender o castelhano que é falado por centenas de milhões de pessoas em todo o mundo?
E sobre Olivença: quem quer saber disso para alguma coisa? Eu não, com toda a certeza.
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João Silva
Tem toda a razão. Quem agora quer promover o português em Olivença disso. Sabem que se deve caminhar para o português do outro lado do rio, e não para particularismos de um dialecto que foi menorizado ao longo de 200 anos. Falar um dialecto não é vantagem e ninguém quer saber. Falar uma lingua internacional, é uma vantagem.
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Marcos Garrido
É verdade, os “espanhóis” detestam-se uns aos outros. Também já ouvi contar outras formas de expressarem ódio entre eles, embora não conhecesse essa de uns deixarem morrer os outros à porta do hospital.
São formas de miséria que geralmente não nos são contadas pelos adoradores de grandezas alheias. Eles lá têem as suas razões para se detestarem uns aos outros.
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Há aqui só um pormenor: o catalão não é um simples “falar/dialecto”. A sua história começou antes da do catalão. Há aprox. 10 milhões de pessoas que compreendem português na Europa. Há aprox. 10 milhões de pessoas que compreendem catalão na Europa.
Mas, claro, se perdesse a utilidade, continuar a falá-lo apenas porque sim seria o mesmo que manter um cadáver em respiração assistida. Não é o caso: com ou sem imposições, há uma sociedade que ainda existe em catalão e não deixa de aprender espanhol: não há um único catalão que não saiba também espanhol – apenas não quer deixar de falar também a sua língua e que a mesma seja uma das línguas oficiais na sua própria região. Isto não implica que defenda os excessos da política de normalização linguística da Catalunha.
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“começou muito antes da do castelhano”.
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Penso que se confunde coisas…. os galegos tb falam castellano, coisa que infelizmente n se passa com muitos catalães…. Isso acontece por causa de uma tentativa nacionalista de expulsão do castellano da vida catala. As crianças são criadas numa cultura do orgulhosamente sós, que tudo à sua esquerda é Africa. Numa festa de anos de miudos observou um amigo meu que o único que não conseguia interagir com os outros era o catalão, mesmo os filhos de ingleses estavam melhor preparados para ser bilingues do que o catalão. O problema na catalunha não é ensinarem o catalão, o problema é não se preocuparem com o castellano.
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O miúdo catalão não devia ainda ter entrado na escola. Na escola, todos aprendem também castelhano.
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@ MN
Cuidado! Eu vivi um ano na casa de um catalão que tinha 40 anos. Só falava castelhano há quatro e era porque se tinha mudado para Madrid e porque tinha casado com uma colombiana. Tinha se ser eu a corrigi-lo nas calinadas que dizia. E sou bem Português, veja lá o ridículo da situação!
Quanto às crianças: na escolas da Catalunha só se ensina castelhano no ano curricular em que se ensina também o inglês e francês. Ou seja, é equiparado a língua estrangeira.
Quanto a números: catalão fala-se na Catalunha espanhola e francesa, na parte sul da Sardenha e acabou-se. Já o número de falantes do português em todo o mundo é incomparavelmente superior. Basta pensar no Brasil e nos países africanos de língua portuguesa.
E sim, sem dúvida: catalão não é um dialecto, é um idioma.
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Marcos Garrido:
Experiências diferentes 🙂 Já conheci imensos catalães, de todos os tipos, e nunca encontrei nenhum que não soubesse castelhano, mas admito que haja. De qualquer forma, parece-me que, na Catalunha, os que têm a língua catalã como língua materna sabem muito mais castelhano do que os que têm o castelhano como língua materna sabem catalão.
Quanto a números, estava a falar da Europa: fala-se na Catalunha, em Valência (muito menos), nas baleares e é a única língua oficial de Andorra. É mais falado do que o sueco, dinamarquês, etc.
Até breve!
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“10 milhões de pessoas que compreendem português na Europa. ”
Permita-me corrigi-lo: serão pelo menos 12,5 milhões a ser nativos de portugues, isto excluindo emigrantes. 10,5 milhões de portugueses, mais cerca de 50% dos galegos (que são 3,5 milhões) e mais uns “pós” para os oliventinos.
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Tudo bem, aceito a correcção, se aceitarmos que o galego é português (algo que não é pacífico). De facto, o que não deixa de ser curioso é existir esta língua falada por milhões, do outro lado da península, da qual poucos portugueses ouviram falar.
Continuando a questão inicial: a questão aqui não são os extremismos linguísticos, que existem na Catalunha, na Bélgica, etc. (Já agora: em relação a estes “histerismos” linguísticos, a autora do post não referiu o Quebeque.) A questão é que são regiões que oficializaram línguas anteriormente não oficiais. Isto, em si, não tem mal nenhum: na Bélgica, a maioria da população fala holandês (ou flamengo, se quisermos), mas o país tinha, até muito tarde, uma única língua oficial: o francês. Essa também não era uma situação normal. A situação actual, de histeria, apenas reflecte uma realidade escondida quando o francês era a única língua nacional (e 60% da população ia engolindo sapos até chegarmos onde chegámos hoje). Não são são questões simples, mas parece-me que esconder tudo debaixo do tapete duma só língua dá mau resultado.
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#19
helenafmatos disse
9 Março, 2009 às 11:07 am
A imposição do castellano na Galiza, País Vasco ou Catalunha, como outros dialectos de Valência ou Maiorca, não é de Franco. Já acontecia à data de Franco.
Nuno
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Carlos Eduardo da Cruz Luna disse
9 Março, 2009 às 11:48 am
A questão de Olivença coloca-se de uma forma simples: É PORTUGUESA!
Espanha tem lá a pata e parece que os Portugueses (neste caso, deveria ser escrito com minúscula) não têm tomates para tratar do assunto.
Conheço muitos Espanhóis e eles admiram-se de Portugal não reclamar veementemente Olivença como sua.
Nuno
PS – Os Alentejanos constituem, talvez, o melhor Povo de Portugal. Não têm um dialecto; têm uma pronúncia bonita e melodiosa, daí a maravilha dos “cantares alentejanos”.
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Não concordo. Não é patético a defesa de uma língua e de uma cultura. Patético é fingir que em Olivença não existe um problema de politica de defesa da cultura portuguesa, para além disso não é de todo desconhecimento das pessoas que existe um problema de soberania que ainda não está resolvido e que a fronteira politica naquele território não está definida. Por isso não é nada patético que após termos apoiado as autodeterminações de uns e outros chegue também a hora de defender a integridade de Portugal.
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Relativamente a esses estudantes, possivelmente é ignorância, pura ignorância… Sabe porquê? Em Coimbra há estudantes de Erasmus que pensam que em Portugal falando “Espanhol”, Castelhano é suficiente, só depois descobrem que afinal isto aqui é diferente. O mesmo se passa na Catalunha, querem ir divertir-se, estudar, deveriam ter conhecimento que a Catalunha é uma nação, uma realidade histórica, que já foi estado, hoje com uma ampla autonomia, com as sua cultura e politicas… Pura ignorância e volto a repetir. É pena a propaganda espanhola não correponder à realidade social das várias autonomias. E é pena que o programa Erasmus não potencialize o respeito pelas culturas e sobretudo informe as pessoas para onde vão, o que devem saber, guiá-los nesse projecto.
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Nestes tempos de”uniões” europeias e de desejos (cada vez mais esfumados…) de paz e concórdia universais , tende a esquecer-se – ou, face ao estado do ensino em geral e da História em particular,se ignora pura e simplesmente – que estas “correcções por decreto” ,regra geral, custam mortos . Milhares deles.
E , no caso concreto dos nossos vizinhos , a prova foi feita na segunda metade do sec. passado. Claro que a questão não era ùnicamente idiomática.Mas ajudou…
Temo que, com aquilo que nos vai cair em cima,em termos globais, a tradicional tendência espanhola do diálogo,compreensão e bom entendimento entre os povos venha, uma vez mais, ao de cima…
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DE UM OLIVENTINO
(Manuel Sanchez)
A ignorância, já disse, é livre e gratuita. A senhora Matos acaba por dizer, por ignorância ou por má-fé, algumas…enfim…mentiras, que ficam mal num jornal tão prestigiado. Ao defender um tão grande desrespeito pelas culturas de menor expressão, parece aproximar-se de posições muuuito à direita. Pensei, origalmente, que assim era… antes de conhecer o seu livro sobre Salazar, ainda que não o tenha ainda lido. Fiz até um comentário exagerado nesse sentido ! Embora há também pessoas que me parecem um tanto fascistóides em Portugal(e pode ser apenas uma opinião algo exagerada, mas é o que deduzo de certas leituras de jornal) , como na pérola atlântica, sei agora que não é o seu caso, Dona Helena Matos. Mas…deixe lá Olivença tranquila, com o seu português (não portunhol), que nunca fez mal a Portugal. Pelo contrário, Olivença foi vítima de Espanha e de Portugal (além daquilo de ser filha e neta delas). Desculpe lá, mas figura de ignorantes fazem todas as pessoas que opensam que em Olivença se fala portuñol, mas todos podem aprender, já que a maldade é só de uns poucos, acho eu. Devem se informar melhor antes.
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Caro Manuel Fernandez,
Creia que nem todos em Portugal partilham desta atitude preguiçosa e de desinteresse que pode ver no post e em alguns comentários.
E por falar em comentários, faço ressaltar um pequeno parágrafo de um comentador:
“Há algo que nos distingue da generalidade dos outros povos europeus: nós [portugueses] pensamos que ficamos mais modernos e importantes quando minimizamos ou escarnecemos o nosso património, seja ele cultural, territorial ou linguístico.”
É por esta atitude que nem sequer tiramos proveito de estar na União Europeia, resultado de pensarmos que os outros vão defender os nossos interesses.
Um abraço, e felicidades para a árdua tarefa que vos espera. Vale que, por uma vez, alguns ventos correm a favor. É uma janela que há que aproveitar.
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