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Ranço*

8 Março, 2009

Eis o que se liberta das recomendações do Conselho da Europa acerca do português (não) falado em Olivença. Pretende o Conselho da Europa que a pressão do castelhano impede os habitantes de Olivença de aprender português, isto apesar do mesmo português poder ser liberrimamente aprendido nas escolas públicas e privadas de Olivença. Não ocorre ao Conselho da Europa que os naturais de Olivença não queiram aprender português e que, no caso dos jovens, apostem antes em aprender inglês, tanto mais que apesar de não falarem propriamente o português se desembaraçam na versão “portunhol”. Como é óbvio o “portunhol” como segunda língua da raia colide com o discurso politicamente correcto sobre dialectos, pois estas boas almas instituíram que todas as línguas pretéritas devem ser mantidas vivas nem que seja inventando-lhes falantes. Já a possibilidade de se estarem a criar novos dialectos surge-lhes como uma conspurcação.
O pior é quando estas teses passam do domínio do folclórico para a política. Um dos factores que provavelmente mais concorreu para o desastre eleitoral dos socialistas na Galiza nas recentes eleições foi a forma como os socialistas galegos aliados ao inapresentável Bloco Nacionalista fizeram do galego uma arma política. Até para funções como bombeiro se exigiu o galego como primeira língua. Mais grave nas escolas procurou-se subalternizar o castelhano. Não admira assim que apesar da imprensa portuguesa imaginar os populares como um partido rural na Galiza, estes devam ao voto urbano boa parte da sua vitória. Os ranchos folclóricos e os desfiles etnográficos são um bom entretenimento mas transformá-los em padrão de vida  foi algo que os galegos não estiveram para aturar. Porque não quiseram prestar-se a isso e porque provavelmente perceberam que tal opção se está a revelar desastrosa noutras comunidades. Por exemplo, a obsessão nacionalista torna cada vez mais provinciana aquela que foi uma das regiões mais cosmopolitas da Espanha: a Catalunha. A imposição do catalão está a levar, entre outras coisas, a que programas como o Erasmus não tenham sucesso na Catalunha pois os estudantes estrangeiros não estão interessados em ter aulas em catalão. Procurar fazer clivagens a partir das línguas nacionais e regionais tem dado protagonismo a muito boa gente, gera documentos patéticos como este do Conselho da Europa e tem levado a doideiras políticas como a do governo de Touriño na Galiza ou, numa versão ainda  mais alucinada, tem colocado os belgas sem saberem literalmente de que terra são.

*PÚBLICO 6 de Março

46 comentários leave one →
  1. bandiduh's avatar
    bandiduh permalink
    8 Março, 2009 12:45

    Eu deixava de lado o português já!

    É complicado, requer demasiadas palavras para transmitir ideias simples e é pouco expressivo na comunicação oral.

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  2. Desconhecida's avatar
    8 Março, 2009 12:58

    Nós por cá, temos o Mirandês, esse dialeto único e imprescindível. O madeirense, inapelável e pouco reconhecível. O açoriano irreconhecível de Rabo de Peixe. E, sobretudo, o crioulo, que se fala longamente na Cova da Moura, no Bairro 6 de Maio ou na Pedreira dos Húngaros.

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  3. Piscoiso's avatar
    8 Março, 2009 13:23

    Procurar fazer clivagens a partir das línguas nacionais e regionais tem dado protagonismo a muito boa gente, gera documentos patéticos como este.

    É mesmo.

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  4. olhão's avatar
    olhão permalink
    8 Março, 2009 13:44

    Depois do ensino da língua, viriam os votos. O conselho Europeu só vem dar razão ao Pinheiro de Azevedo.

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  5. Desconhecida's avatar
    sadasf permalink
    8 Março, 2009 14:01

    Depois do dossier Israelita, a HM continua a revelar-se uma figura de proa na luta pela opressão dos povos.

    Se o governo galego quer que um bombeiro fale galego está no seu direito, cumpriu a lei e gozou da autonomia, é assim que funciona. É a mesma merda que pedir a uma telefonista que saiba falar inglês, mas como são os cabrões dos galegos e dos catalães a fazê-lo, o alarme da HM contra aqueles que considera povos inferiores disparou imediatamente. Até descobriu que nas cidades se fala menos o galego… pudera, é justamente lá que vivem os não-galegos da Galiza, que deveriam, na óptica falangista da HM, ter o direito a trabalhar na administração pública sem falar a língua dos galegos, apesar de estarem no país deles.

    Quando é Madrid a perpetuar as políticas falangistas e a subalternizar as línguas dos outros, rejeitando manuais escolares nelas escritos ou fechando rádios, revistas e jornais e estabelecendo o castelhano como a língua materna de gente que fala uma outra já é um fenómeno aceitável, visto que apenas se pretende manter a ordem estabelecidíssima que tanto apraz à HM, ela também uma acérrima defensora do centralismo doentio que Lisboa impõe sobre o resto do país, não fosse ela sulista. Se amanhã os israelitas mandarem os palestinianos falar hebraico troca-se as palavras e está feito mais um post da HM.

    Já agora, falta explicar porque é que, sendo o catalão uma língua românica, algo entre o francês e o espanhol, fácil de aprender para qualquer falante de outra língua românica, os alunos fujam de Barcelona. Ou será que os restantes europeus são todos fluentes em espanhol? É a língua deles porra! Se a HM fosse de erasmus para a Polónia pedia-lhes que falassem alemão?

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  6. JJ Pereira's avatar
    8 Março, 2009 14:44

    Esta decisão alucinante do “Conselho da Europa”, que , além de ignorância ,revela um “quantum satis” de desprezo pelo contexto historico,habilita-nos a ter uma visão realista do que são as “doutas” e “informadas” decisôes destes “órgãos tachistas” supra-nacionais…

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  7. helenafmatos's avatar
    helenafmatos permalink
    8 Março, 2009 14:49

    «Já agora, falta explicar porque é que, sendo o catalão uma língua românica, algo entre o francês e o espanhol, fácil de aprender para qualquer falante de outra língua românica, os alunos fujam de Barcelona.» Pergunte aos estudantes que estão a recusar ir para Barcelona

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  8. Desconhecida's avatar
    8 Março, 2009 17:15

    pq razão as aulas na catalunha devem ser em espanol? que absurdo completo…

    lendo o link que indica o único problema que encontro é que os jovens europeus estão cada vez mais incultos:

    “muchos extranjeros no se dan cuenta hasta que llegan aquí de la dimensión que tiene el uso del catalán”

    hahahaha… a sério? esses devem ser os mesmos idiotas que pensam que na Katholieke Universiteit Leuven só falam francês.

    “os belgas sem saberem literalmente de que terra são” ???? really???? acho que os meus amigos flamengos não tem esse problema mas imagino que seja um problema para os ignorantes francófonos que só falam francês. coitados…

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  9. Desconhecida's avatar
    sadasf permalink
    8 Março, 2009 18:08

    Ó cara amiga, eu também não fui estudar para a Sérvia… não falo sérvio. Também por isso não vou para a Noruega, nem para a Grécia. Há duas hipóteses, ou os conteúdos são leccionados nas línguas dos respectivos países ou, de acordo com o panorama actual, são oferecidos programas leccionados em língua inglesa (generalizando). Na Catalunha leccionam em catalão. É a língua local, que quer que lhe faça? Mate os que falam catalão e deixe os que falam espanhol. Ou então instale colonatos. Só aprende em catalão quem quer, quem quer aulas em castelhano vá aprender para Espanha. Na Finlândia ensinam em sueco? Na Ucrânia ensina-se em russo? Em Portugal ensina-se em castelhano?

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  10. Desconhecida's avatar
    sadasf permalink
    8 Março, 2009 18:14

    E já agora, porque não bate nos gajos de Andorra? Lá também insistem nessa aberração do .

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  11. Desconhecida's avatar
    sadasf permalink
    8 Março, 2009 18:15

    E já agora, porque não bate nos gajos de Andorra? Lá também insistem nessa aberração do catalão.

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  12. Pi-Erre's avatar
    Pi-Erre permalink
    8 Março, 2009 19:49

    Ó #5 Sadasf

    Escreva lá isso em catalão, porra!

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  13. trocadalho do carilho's avatar
    trocadalho do carilho permalink
    8 Março, 2009 21:33

    Cuidado com a língua,que é muito traiçoeira.

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  14. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    8 Março, 2009 21:42

    #15 trocadalho do carilho “Cuidado com a língua,que é muito traiçoeira.”
    sim. pastau de bacalhéis no gabinistro do minete.

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  15. Pedro's avatar
    Pedro permalink
    8 Março, 2009 23:26

    O texto da dona Helena em catalão fica assim (cortesia do Google)
    El que està lliure de les recomanacions del Consell d’Europa sobre
    Portuguès (no) es parla a Olivença. Vol que el Consell d’Europa que
    prevenir la pressió de la Spanish people aprendre de Olivença
    Portuguès, tot i ser fins i tot el portuguès libèrrima
    ensenya a les escoles públiques i privades Olivença. No es produeix quan
    Consell d’Europa que els naturals Olivença no volen aprendre
    Portuguès i, en el cas dels joves abans de participar en l’aprenentatge d’anglès,
    sobretot perquè malgrat no parlar com si el portuguès
    disencumber com “portunhol. Òbviament, el “portunhol” com
    segona llengua de la frontera en conflicte amb el discurs políticament correcte
    de dialectes, com aquestes bones ànimes que posar tots els idiomes
    passat ha de mantenir amb vida o que és el que
    oradors. Tenir l’oportunitat d’un nou dialecte
    sembla com la contaminació.
    El pitjor és quan aquestes teories són l’àmbit del folklore per
    política. Un dels factors que més probablement contribueixen a la
    desastre electoral dels socialistes a Galícia en les últimes eleccions va ser la
    la forma en què el socialista gallec aliats per bloquejar inapresentável
    Nacionalista Gallec ha fet una arma política. Fins i tot per a funcions com ara
    bomber té l’obligació de gallec com a primera llengua. Més greu a les escoles
    es subordinen a l’espanyol. No és d’estranyar que, malgrat la
    Portugués imaginar la premsa popular com una de les parts en les zones rurals
    Galícia, que han de votar a favor de gran part de la seva victòria urbà. Els ranxos
    l’etnografia i el folklore són una bona mostra d’entreteniment, però
    transformar-los en el nivell de vida és una cosa que no es els gallecs
    de suportar. Per què no es presten a això i perquè
    probablement ha notat que aquesta opció està demostrant ser desastroses
    altres comunitats. Per exemple, l’obsessió nacionalista de convertir-se en
    més una província que va ser un dels més cosmopolites d’
    Espanya a Catalunya. La imposició del català està provocant, entre altres
    coses, que els programes com Erasmus, no han aconseguit a Catalunya
    perquè els estudiants no estan interessats en tenir experiència en
    Català. Cerca de fer les divisions de les llengües nacionals i
    paper regional ha estat molt bo per a nosaltres, que genera els documents
    patètic com aquest Consell d’Europa i ha donat lloc a doideiras
    polítiques com el Govern de Touriño a Galícia, o fins i tot una versió
    més espurnes, ha posat els belgues sense saber que, literalment,
    és la terra.

    * Publicat el 6 de març

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  16. Mirandes's avatar
    Mirandes permalink
    8 Março, 2009 23:33

    Aquí o que se liberar das recomendacións do Consello de Europa acerca do
    MIRANDES(non) falado en MIRANDA. Pretende o Consello de Europa que a
    presión do portugués impide os habitantes de MIRANDA de aprender
    mirandes, iso a pesar do mesmo portugués pode ser liberrimamente
    aprender nas escolas públicas e privadas de Miranda. Non ocorre o
    Consello de Europa que os naturais de Miranda non queiram aprender
    mirandés e que, no caso dos mozos, aposta antes en aprender catalán,
    tanto máis que a pesar de non falarem propiamente o portugués se
    desembaraçam na versión “mirandesunhol”. Como é óbvio o “mirandesunhol” como
    segunda lingua da raia colide co discurso politicamente correcto
    sobre dialectos, pois estas boas almas Instituciones que todas as linguas
    pretéritas deben ser sostida vivas nin que sexa invented-lles
    falantes. Xa a posibilidade de se estar a crear novos dialectos
    surxe-lles como unha conspurcação.
    O peor é cando estas teses pasan do dominio do folclórico para a
    política. Un dos factores que probablemente máis concorrida a
    desastre electoral dos socialistas en Miranda nas recentes eleccións foi a
    forma como os socialistas mirandeses aliados ao inapresentável bloque
    Nacionalista Mirandés fixeron do mirandés unha arma política. Ata a funcións como
    bombeiro se esixe o mirandés como primeira lingua. Máis grave nas escolas
    buscou-se subalternizar o galego. Non admirar así que a pesar da
    prensa galega imaxinar os populares como un partido rural na
    Miranda , estes deban ao voto urbano boa parte da súa vitoria. Os ranchos
    folclóricos e os desfiles etnográfico son un bo entretemento pero
    transformalo los en defecto de vida foi algo que os mirandeses non estiveron
    para aturar. Porque non quere prestan-se a iso, e porque
    probablemente entender que tal opción se está a revelar desastre
    noutras comunidades. Por exemplo, a obsessão nacionalista fai cada vez
    máis provinciana aquela que foi unha das máis cosmopolitas da
    Francia: a Bretaña. A imposição do bretón está a levar, entre outras
    cousas, a que programas como o Erasmus non teñan éxito en Bretaña
    pois os estudantes estranxeiros non están interesados en ter aulas en
    bretón. Buscar facer clivagens a partir das linguas nacionais e
    rexionais ten dado protagonista a moi boa xente, xera documentos
    patéticos como este do Consello de Europa e ten levado a doideiras
    políticas como a do goberno en Miranda ou, nunha versión aínda
    máis alucinada, ten feitas os Belgas sem saberem literalmente de que
    terra son.

    * PÚBLICA 6 de marzo

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  17. LPedroMachado's avatar
    9 Março, 2009 04:33

    Na Galiza quase só se fala galego nas aldeias pelos mais velhos e não é o galego artificial que aprendem na escola e na televisão.

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  18. Desconhecida's avatar
    O puto novo no bairro permalink
    9 Março, 2009 10:55

    O unanismimo contra as regiões, contra os patois locais:

    O meu avô que não é assim tão velho, lembra-se de ver escrito nas paredes do metro em Paris, a cidade máxima da liberté, egalité : “Il est défendu de parler breton”.

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  19. helenafmatos's avatar
    helenafmatos permalink
    9 Março, 2009 11:07

    18 – Entendo razoavelmente e falo um pouqinho um dos dialectos/falares existentes em Portugal. Se me perguntar se estou disposta a tê-lo como segunda língua em, vez do inglês ou do francês, digo-lhe que não. E muito menos me parece aceitável impô-lo como acontece em algumas comunidades de Espanha – o processo de de imersão total do basco e do catalão é decalcado da imposição franquista do castelhano.

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  20. PMS's avatar
    9 Março, 2009 11:12

    Para quem não sabe (e não são poucos), galego e português são a mesma língua.

    A única diferença relevante é que Madrid impôs ao “galego” a ortografia castelhana. O resto é sensívelmente igual, com excepção de algum vocabulário.

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  21. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    9 Março, 2009 11:25

    #18 pois, eu tenho lá em casa um garrafão que diz “água do luso”

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  22. João Silva's avatar
    João Silva permalink
    9 Março, 2009 11:27

    A autora do post aparentemente desconhece alguns factos sobre este tema. Portanto, convém saber que:

    1. A língua portuguesa ainda hoje é falada por cerca de 20% da polulação oliventina.

    2. Tal acontece apesar de o uso do português ter sido interditado desde há cerca de 150 anos (1850).

    3. A franquismo tentou o golpe final na língua dos oliventinos com a escolarização generalizada em castelhano, tal como nos territórios de língua não castelhana do resto de Espanha. Ficou o anátema: quem falava português era pobre e analfabeto, quem falava espanhol tinha cultura e oportunidade de reconhecimento social.

    4. O pedido de protecção para o português em Olivença dirigido ao Conselho da Europa partiu de uma assiciação cultural de jovens oliventinos biligues que recusam aceitar a extinção ou a negação das raízes culturais e históricas da população e do lugar de Olivença.

    5. Quando uma língua é falada por uma população mais velha e volta a ser ensinada na escola, usada na administração, essa língua é recuperada. Foi assim que o Catalão é hoje usado em toda a Catalunha, é assim que o basco recuperou da quase extinção há 30 anos atrás.

    Há algo que nos distingue da generalidade dos outros povos europeus: nós pensamos que ficamos mais modernos e importantes quando minimizamos ou escarnecemos o nosso património, seja ele cultural, territorial ou linguístico.

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  23. Carlos Eduardo da Cruz Luna's avatar
    Carlos Eduardo da Cruz Luna permalink
    9 Março, 2009 11:44

    UM ESTRONDOSO ÊXITO, A JORNADA DO PORTUGUÊS DE OLIVENÇA DO DIA 28 DE
    FEVEREIRO DE 2009
    O dia amanheceu sem nuvens significativas. O Sol pareceu querer
    saudar o evento. E não
    era para menos!
    Neste dia 28 de Fevereiro de 2009, e pela primeira vez desde 1801,
    a Língua Portuguesa
    manifestava-se livremente em Olivença. Mais do que isso, com a “cobertura” das
    autoridades espanholas máximas a nível local e regional. E, talvez
    ainda (!) mais
    importante do que tudo isso, graças à iniciativa, ao esforço, à
    coragem de uma associação
    oliventina, a Além-Guadiana.
    Não por acaso, jornais e televisões estavam representados. E
    talvez por acaso, pois
    outra razão seria insustentável, não estavam órgãos de comunicação
    portugueses,
    empenhados com outras realidades informativas. De facto, decorria o
    Congresso do Partido
    do Governo em Lisboa.
    A Jornada do Português Oliventino decorreu na Capela do vetusto
    Convento português de
    São João de Deus. Num clima de alguma emoção. Estava-se a fazer
    História… e quase 200
    pessoas foram testemunhas disso, entre as quais o arqueólogo Cláudio
    Torres, o “herói” do
    mirandês Amadeu Ferreira, e… bem… fiquemos por aqui!
    Falou primeiro o Presidente da Junta da Extremadura espanhola,
    Guillermo Fernández
    Vara. Curiosamente, um oliventino. Foi comovente ouvi-lo confessar
    que, na sua casa
    paterna, o Português era a língua dos afectos. Uma herança que ele
    ainda conserva, apesar
    de já ser bem crescidinho… e Presidente duma região espanhola.
    De certa forma, estava dado o mote. O Presidente da Câmara de
    Olivença, Manuel Cayado,
    falou em seguida, realçando o amor pela língua portuguesa, e
    acentuando o papel de
    Olivença como ponto de encontro entre as culturas de Portugal e Espanha.
    Joaquín Fuentes Becerra, presidente da Associação, fez então uma
    breve intervenção, em
    que se destacou a insistência no aspecto cultural da Jornada.
    Juan Carrasco González, um conhecido catedrático, falou das
    localidades extremenhas,
    quase todas fronteiriças, onde se fala português, com destaque para
    Olivença, e defendeu
    que tal característica se deveria conservar.
    Usou depois da palavra Eduardo Ruíz Viéytez, director do Instituto
    dos Direitos
    Humanos e Consultor do Conselho da Europa, vindo de Navarra, embora
    nascido no País
    Basco, que defendeu as línguas
    minoritárias e explicitou a política do Conselho da Europa em relação
    às mesmas. Informou
    a assistência sobre o ocorrido com o Português de Olivença. De facto,
    o Conselho da
    Europa já havia pedido informações ao Estado Espanhol sobre este desde
    2005, sem que
    Madrid desse resposta. Em 2008, graças à Associação Além-Guadiana,
    fora possível conhecer
    detalhes, com base nos quais o Conselho fizera recomendações críticas.
    Seguiu-se Lígia Freire Borges, do Instituto Camões, que destacou o
    papel da Língua
    Portuguesa no mundo, com assinalável ênfase e convicção. Tal discurso
    foi extremamente
    importante, já que, tradicionalmente, em Olivença, se procurava (e
    ainda há quem procure)
    menorizar o Português face ao “poderio planetário” do espanhol/castelhano.
    Uma pequena mesa redonda antecedeu o Almoço. Foi a vez de ouvir a
    voz de alguns
    oliventinos, em Português, bem alentejano no vocabulário e no sotaque,
    em intervenções
    comoventes, em que não faltaram críticas e denúncias de situações de repressão
    linguística não muito longe no tempo.
    À tarde, falaram Domingo Frade Gaspar (pela fala galega, nascido
    na raia extremenha) e
    José Gargallo Gil (de Valência, a leccionar em Barcelona), ambos
    professores universitários, que continuaram a elogiar políticas de
    recuperação e
    conservação de línguas minoritárias. O segundo fez mesmo o elogio da
    existência de
    fronteiras e do de seu estatuto de lugar de encontro e de compreensão
    de culturas
    diferentes, embora não como barreiras intransponíveis.
    Seguiu-se Manuela Barros Ferreira, da Universidade de Lisboa, que relatou a
    experiência significativa de recuperação, quase milagrosa, do
    Mirandês, a partir de uma
    muito pequena comunidade de falantes, convencidos, afinal erradamente,
    de que aquela
    língua tinha chegado ao
    fim. O exemplo foi muito atentamente escutado pelos membros do Além-Guadiana.
    Falou finalmente o Presidente da Câmara Municipal de Barrancos, a
    propósito dos
    projectos de salvaguardar o dialecto barranquenho e de o levar à
    “oficialização”.
    Queixou-se do estado de abandono em que se sentia o povo de Barrancos
    face a Lisboa.
    No final, foi projectado um curto filme sobre o Português
    oliventino, realizado por
    Mila Gritos. Nele surgiam
    oliventinos a contar a história de cada um, sempre em Português, explicando os
    preconceitos que rodeavam ainda o uso da Língua de Camões e contando histórias
    pitorescas. A finalizar o “documentário”, uma turma de jovens alunos
    de uma escola numa
    aula de Português
    pretendia mostrar para a câmara os caminhos do futuro.
    Deu por encerrada a sessão Manuel de Jesus Sanchez Fernandez, da Associação
    Além-Guadiana, que ironizou um bocado com as características
    alentejanas do Português de
    Olivença, comparando-o com o pseudo superior Português de Lisboa.
    A noite já tinha caído quando, e não sem muitos cumprimentos e
    alegres trocas de
    impressões finais, os assistentes e os promotores da Jornada
    abandonaram o local. Com a
    convicção de que tinham assistido a algo notável.
    Estremoz, 28 de Fevereiro de 2009
    Carlos Eduardo da Cruz Luna carlosluna@iol.pt
    ___________________

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  24. Carlos Eduardo da Cruz Luna's avatar
    Carlos Eduardo da Cruz Luna permalink
    9 Março, 2009 11:48

    APELO A ESPANHÓIS E PORTUGUESES PARA SALVAÇÃO DE UMA LÍNGUA
    A SITUAÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA EM OLIVENÇA

    1)CONSIDERAÇÕES PRÉVIAS/SITUAÇÃO DO ALENTEJANO

    Já não se considera, hoje em dia, que seja “natural” a desaparição de
    uma língua. Muito
    menos se aceita que haja línguas “superiores” e “inferiores”.
    Sabemos que uma língua viva sofre evolução. Isso é diferente de
    defender que uma
    linguagem deva desaparecer, ainda que tal possa ocorrer.
    Uma língua não é só um conjunto de sons, articulados de forma
    convencional, de modo a
    designar algumas necessidades básicas de comunicação. Uma língua,
    sabemo-lo hoje, é um
    Universo Cultural no qual, entre outras coisas, se encerram os
    pensamentos, as emoções,
    as percepções do Mundo. A língua reflecte a História, e influencia-a
    por sua vez.
    Línguas houve que não sobreviveram. Outras que foram salvas à beira da
    extinção.
    Lembramo-nos todos do caso do Mirandês.
    Mesmo as línguas menos utilizadas mostram muito do Universo em que
    evoluíram. Refletem a
    História de um grupo humano.
    O Português, porque é uma língua viva, não parece ter os problemas de
    sobrevivência de
    uma língua minoritária. Afinal, não tardará muito que tenha trezentos
    milhões e
    utilizadores. A sua divresidade enriquece-a permanentemente.
    Mas… porque não é uniforme, nem está parada no tempo, a Língua
    Portuguesa sofre
    agressões. E algumas das suas, digamos, formas, podem estar ameaçadas.
    Ninguém duvida,
    por exemplo, que a “forma” alentejana de falar o Português esteja em
    relativo declínio.
    Mesmo porque ( e aqui entram aspectos políticos ), ao privilegiarem-se
    unitarismos
    linguísticos ditos “cultos” e centralismos castradores e
    preconceituosos, não houve
    grandes cuidados em preservar esse património cultural que era ( e ainda é ) o
    “alentejano”.
    Apesar de tudo, o “alentejano” é um dialecto, ou subdialecto, do
    Português. Os falantes
    do Português Padrão, os falantes actuais da língua lusa no Alentejo,
    se verdadeiramente
    cultos, procurarão preservá-lo, registá-lo por escrito, explicá-lo. E,
    porque o
    “alentejano” tem raízes conhecidas, ele será, pelo menos,
    compreendido… embora corra o
    risco de ser pouco “sentido”.
    Àqueles que consideram o “alentejano” uma forma inferior, por só verem
    o prestígio social
    numa forma de se expressar e não a sua lógica interna, a sua riqueza
    cultural, ou o seu
    valor histórico, nada há a dizer, pois essas pessoas não poderão ser
    consideradas como
    verdadeiramente cultas.
    Para quem a língua é mais do que isso, para aqueles que têm do
    fenómeno linguístico uma
    visão mais humanista, muito há a dizer.
    O “alentejano” tem séculos de existência”. Numa época em que se procura tornar
    impensadamente igual tudo o que rodeia o Homem, esquecendo-se que uma
    das coisas que mais
    o satisfaz é a diversidade, há que lutar para que não morra. Essa é
    uma tarefa de todos
    os alentejanos, e de todos os amigos da cultura, portugueses ou não.
    A luta é difícil, mas há meios, é possível aceder a informação, e
    nada, senão muitas
    vezes os preconceitos dos próprios alentejanos, impede que se faça um
    esforço nesse
    sentido.

    2) UMA REGIÃO ONDE O “ALENTEJANO” ESTÁ EM RISCO

    Mas… a Língua Portuguesa, e, neste caso concreto, a sua forma
    alentejana, corre riscos,
    e sérios, de extinção, num espaço geográfico onde era “rei e senhor”.
    Numa região que
    fica junto da sua matriz natural. As opiniões políticas não são
    consensuais sobre ela,
    mas procuremos evitar essa polémica, embora não o possamos desdenhar
    completamente, com o
    risco de elaborarmos um diagnóstico incorrecto e de prováveis soluções
    “curativas” não
    poderem, por isso, ser eficazes.
    Refiro-me à Região de Olivença, hoje constituída por dois Concelhos:
    Olivença e Táliga.
    No total, pouco mais de 12 000 habitantes em 463 Km.2. Aqui,
    infelizmente, conforme foi
    denunciado por dois estudos linguísticos bem significativos (Maria de
    Fátima Resende
    Matias, “A AGONIA DO PORTUGUÊS EM OLIVENÇA”, 2001 ,Revista de
    Filologia Românica, vol.
    18, 201, e Manuel Jesus Sánchez Fernàndez, “PORTUGUÊS DE ESPANHA.
    EXEMPLO: O DE
    OLIVENÇA”, 2004 ), o Português está em risco. Está “em agonia”, diz um
    dos estudos.
    Não é uma história bonita, esta. E está incompleta. Todavia, a
    História da sobrevivência
    da Língua Portuguesa em Olivença terá que ser feita um dia. Mais do
    que sobrevivência, é
    uma História de Resistência, dados a pressão e os condicionalismos
    vários, ainda muito
    mal estudados.
    Mas tem que ser contada, uma e outra vez, enquanto é tempo. O drama
    começou em 1801…
    Tem-se aqui de se referir toda uma política. Não se pretende levantar
    uma polémica, mas
    não é possível compreender o que se passou, e a situação actual,
    ocultando-se factos
    decisivos.
    Assim, já em 26 de Janeiro de 1805, suspendeu-se, naturalmente, o uso
    da moeda portuguesa
    em Olivença. As autoridades espanholas comunicaram então a vários
    ofícios, nomeadamente
    aos aguadeiros, que era obrigatório usar medidas espanholas
    (referiam-se a comprimento,
    peso, volume, etc.).
    Claro que a Língua não tardaria a sofrer as consequências. A 20 de
    Fevereiro de 1805, foi
    decidido suprimir toda e qualquer escola portuguesa, bem como o ensino
    do Português. A 14
    de Agosto de 1805, as actas da Câmara Municipal passaram a ser
    escritas obrigatoriamente
    em Castelhano, o que fez uma vítima: Vicente Vieira Valério. Este,
    negando-se a escrever
    na Língua de Cervantes, teve de ceder o lugar a outro. E acabou por
    morrer à mingua de
    recursos, personificando um drama cujo desenvolvimento se processaria,
    geração após
    geração.
    Há notícias de oposição dos oliventinos a estas medidas. As Escolas
    privadas continuaram
    a ministrar ensino em Português, até que são fechadas a 19 de Maio de
    1813, com o
    propósito (oficial) “de evitar qualquer sentimento patriótico
    lusitano” ( A.M.O. leg/Carp
    7/2-18, 19-05-1813, n.º 1324; revelado por Miguel Ángel Vallecillo
    Teodoro, “Olivenza en
    su História”, Olivença, 1999 ).
    Mas, porque eram muitos os oliventinos que queriam que os seus filhos
    fossem educados na
    língua materna, continuaram a existir professores particulares para o fazer. O
    “Ayuntamiento” não hesitou, e proibiram-se “as aulas particulares, sob
    pena de multa de
    20 Ducados”, em 1820 ( A.M.O. leg/Carp 8/1-171, 7-10-1820, n.º 1704;
    revelado, também,
    por Miguel Ángel Vallecillo Teodoro, “Olivenza en su História”,
    Olivença, 1999 ).
    A população oliventina mantinha as velhas tradições, a vários níveis,
    procurando agir
    como se nada tivesse mudado. Mas tal foi sendo cada vez mais difícil,
    e muita gente foi
    emigrando, principalmente para as povoações portuguesas mais próximas.
    Em 1840, trinta e nove anos após a ocupação espanhola ( recorde-se:
    efectuada em 1801 ),
    o Português foi proibido em Olivença, inclusivamente nas Igrejas. O
    combate contra a
    Língua de Camões já vinha de trás, todavia.
    Algumas elites forma aceitando o castelhano. O Português foi-se
    mantendo, teimosamente,
    principalmente a nível popular. Numa deliciosa toada alentejana, que
    logo as autoridades,
    vigilantes, classificaram como “chaporreo”, palavra de difícil
    tradução (talvez “patois”;
    talvez “deturpação”), que criou complexos de inferioridade nos
    utilizadores, levando-os,
    cada vez mais, a usar a Língua Tradicional apenas a nível caseiro,
    dentro do aconchego do
    lar, em público, quase só por distracção, ou com amigos próximos.

    3) ÂNGELO BREA HERNANDEZ E AS SUAS CONCLUSÕES

    Cabe aqui citar algumas considerações do autor contemporâneo Ângelo
    José Brea Hernandez,
    o que já fiz, sem hesitar, noutros trabalhos. A maneira como ele
    descreve o fenómeno de
    destruição de uma língua, tornada minoritária ,são de extrema actualidade.
    Segundo o citado, é costume, no colonialismo “tradicional”, considerar
    a Cultura
    Dominante como muito superior às culturas dominadas. Tal situação
    verifica-se sempre em
    qualquer situação colonial, já que uma cultura tenta destruir a outra.
    Sem nos limitarmos
    apenas ao exemplo do Colonialismo Clássico, podemos analisar este
    aspecto através de
    outras situações. Assim, é sabido que a Cultura Urbana tenta dominar a
    Cultura Rural; que
    a cultura da Grande Cidade procura dominar a das pequenas cidades; que
    a Cultura das
    Regiões Centrais tente dominar as Culturas das Regiões Periféricas.
    Todavia, nestes casos
    quase não existe um conflito num sentido clássico ou violento do
    termo. Já, por exemplo,
    no colonialismo europeu em África, as diferenças são significativas, e
    o conflito assume
    formas bem violentas…
    Todavia, entre culturas próximas, a cultura dominante tem evidente
    facilidade em
    assimilar a da sua região dominada. À partida, já muita coisa é igual!
    Não obstante, e por estranho que pareça, isso nunca é completamente
    possível. Isto porque
    se de facto a região, mesmo pequena, tem uma cultura própria ainda que
    parecida, há
    muitos factores que o impossibilitam ou dificultam em externo, como a
    própria dinâmica
    interna da língua, a psicologia, o carácter, os nomes e apelidos, a
    arquitectura, e
    muitas outras coisas, de maior ou menor revelância. Por isso, por toda
    a Europa, por
    exemplo, em muitos Países, algumas culturas locais conseguiram
    resistir e conquistar o
    direito à diferença. Nacionalidades/Culturas que se julgam mortas
    renasceram. Desde
    talvez os Séculos XVI e XVII, o colonialismo, ou colonização, e a
    aculturação forçada,
    perderam quase toda a sua eficácia na maior parte da Europa. As
    pequenas regiões, mesmo
    falando línguas dos seus dominadores, não aceitam a sua destruição.
    Também não há razões fundamentais, hoje em dia, para se considerar que
    as culturas
    maiores em área ou população têm mais direitos do que as menores. E
    parte-se do princípio
    que, entre povos e estados modernos, Estados de Direito, os problemas
    culturais, ou
    fronteiras, ou outros, já não são tão dramaticamente conflitivos como
    noutros tempos. Por
    outro lado, deixar problemas por resolver, ignorando-os, provou não
    ter sido uma atitude
    correcta, como o provaram os conflitos aparentemente ilógicos e cruéis
    na antiga
    Jugoslávia…
    Também muitos argumentos de carácter económico mostraram não ser
    definitivos… porque
    nada é definitivo! Hoje, uma economia está mais forte… mas, no
    passado, não era isso
    que se verificava! E… quem pode dizer como vai ser o futuro?
    Afinal, NÃO HÁ CULTURAS SUPERIORES OU INFERIORES. HÁ CULTURAS
    DIFERENTES, TODAS
    RESPEITÁVEIS. NÃO HÁ OUTRO CAMINHO VISIVEL PARA O FUTURO QUE NÃO SE
    BASEIE NESTE
    PRINCIPIO. Na verdade, a causa de muitos conflitos actuais está no NÃO
    CUMPRIMENTO OU
    ACEITAÇÃO deste princípio, quer no passado, quer no presente. Desta
    forma, alguns dos
    argumentos tradicionais para justificar algumas aculturações estão
    sujeitos a uma curiosa
    evolução, perdendo valor, enquanto outro tipo de argumentos ganham peso.

    4) VOLTANDO A OLIVENÇA

    O hábito e o amor-próprio levavam o oliventino a, quase
    constantemente, “saltar” do
    castelhano para o português. De tal forma que, depois de duzentos anos
    de pressão, ele é
    entendido e falado por cerca de, pelo menos 35% da população, segundo
    cálculos da União
    Europeia (Programa Mosaïc).
    Como sucede, contudo, neste casos, em qualquer ponto do Globo, o
    Português foi perdendo
    prestígio. Não sendo utilizado nunca em documentos oficiais, na
    toponímia (salvo se
    traduzido e deturpado), ou em qualquer outra situação que reflectisse
    a dignidade de um
    idioma, manteve-se, discretamente, por vezes envergonhadamente. A
    Televisão e a Rádio
    vieram aumentar a pressão sobre o seu uso e compreensão.
    A Ditadura Franquista acentuou a castelhanização. Agora oficialmente,
    o Português era uma
    Língua de quem não tinha… educação! Uma Língua de Brutos, ou, como
    também se dizia, uma
    Língua Bárbara!
    Não obstante, ela sobreviveu. Mesmo nas ruas, surgia e ressurgia, a
    cada passo…
    raramente na presença da autoridades. Mesmo algumas elites continuavam
    a conhecê-la,
    embora numa fracção minoritária.
    Nas décadas de 1940, 1950, e 1960, era raríssimo, mesmo impossível em
    alguns casos,
    encontrar professores, polícias, funcionários em geral, que fossem
    filhos da terra
    oliventina, na própria Olivença. Colonizadores inconscientes, peões
    numa política geral
    de destruição das diferenças por toda a Espanha.
    Se há ironias na História, esta pode ser uma delas. Alguns desses
    cidadãos “importados”,
    com muito menos complexos que os naturais porque não tinham, quaisquer
    conflitos de
    identidade, ou os seus filhos, puseram-se a estudar os aspectos “curiosos”,
    “específicos”, da cultura oliventina! “Oliventinizados”, por vezes
    até, ainda que
    ligeiramente, em termos linguísticos, acabaram por produzir trabalhos
    de valor sobre a
    cultura da sua Nova terra, que podem chamar para sempre, e sem
    contestações, de Terra
    Mãe, por adopção, por paixão, ou já por nascimento.

    5) NOVOS TEMPOS/ALGUMAS PROPOSTAS DE SOLUÇÃO

    A Democracia deveria ter aberto novas perspectivas, mas os fantasmas
    não desapareceram de
    todo. Alguns cursos de Português foram surgindo, com maior ou menor
    sucesso. Por vezes ao
    sabor de questões políticas, como durante a Década de 1990 por causa
    dos avanços e recuos
    no atribulado processo que levou à construção de uma nova Ponte da
    Ajuda o Guadiana,
    entre Elvas e Olivença (inaugurada em 11 de Novembro de 2000).
    Em 1999/2000, continuando em 2000/2001, a Embaixada de Portugal em
    Madrid, e o Instituto
    Camões, passam a apoiar o apoiar o ensino do português no Ensino
    Primário em todas as
    Escolas de Olivença. Incluindo as Aldeias. Apenas Táliga, antiga
    aldeia de Olivença
    transformada no Século XIX em município independente, está ainda de
    fora deste projecto,
    para o qual foram destacados, primeiro três, depois quatro professores
    portugueses.
    Aproveite-se para dizer ser urgente acudir a Táliga, onde só 10% da
    população ainda tem
    algo a ver com a Língua de Camões. Urgentíssimo!
    Tinha sido dado um primeiro e importante passo. Mas não se tem
    revelado suficiente. O
    Estado Português deverá tentar influenciar a tomada de outras medidas,
    dada até a sua
    posição sobre o Direito de Soberania sobre Olivença: o ensino da
    História (que não é
    feito em parte nenhuma em Olivença), por exemplo: a utilização prática
    da Língua, em
    documentos oficiais, toponímia, etc.; a continuação do Estudo do
    Português até níveis de
    ensino mais avançados; e tantas coisas mais que se poderiam referir!
    Não resisto a citar um caso em que a omissão de dados históricos é
    particularmente
    significativa: muitos oliventinos pensam que há “Olivenças” na América
    Latina, mas pensam
    ser no México ou na Argentina, o que é falso. Ignoram,quase todos, que
    há três Olivenças
    no Brasil (uma no interior de Alagoas; outra na costa baiana, junto a
    São Jorge de
    Ilhéus; uma terceira no Amazonas, denominada São Paulo de Olivença), e
    que houve uma em
    Angola (hoje Capunda-Cavilongo) e outra em Moçambique (hoje
    Lupulichi). Que idéia tem o
    oliventino do seu papel no Mundo?
    Pouco interessa aqui dar demasiada relevância ao problema que subsiste
    entre os dois
    maiores Estados Ibéricos. O que não se pode negar é e ele existe e
    influencia esta
    problemática, ainda que pouco importe aprofundar aqui quem tem razão.
    Não se pode,
    também, é “fingir” que está tudo perfeitamente definido ! muito menos
    em nome do
    politicamente correcto….
    Para já, e acima de tudo, é preciso dar à Língua Portuguesa
    dignidade… e utilidade.
    Descolonizar/Recuperar Cultural e Linguisticamente, pelo menos em
    termos psicológicos.
    Revalorizar o Português que sobrevive, o qual, por ser uma variante da
    fala lusa regional
    do Alentejo, é vítima de comentários pouco abonatórios. Deve-se “fazer
    a ponte” entre as
    velhas gerações e os jovens alunos. Ensinando-lhes, por exemplo, a
    partir de exemplos da
    velha poesia popular e erudita oliventina, no idioma de Camões, e que
    é ainda, graças a
    recolhas etnográficas e a alguns poetas populares vivos,
    suficientemente conhecida para
    tal. Porque, sem perceberem que estão a dar continuidade à cultura dos
    seus avós, os
    jovens oliventinos dificilmente compreenderão que aprender a língua
    lusa é muito
    diferente de aprender uma língua estrangeira (Inglês, Francês,
    Alemão). É preciso dizer
    claramente que o Português é imprescindível para que as novas gerações
    compreendam o que
    as gerações anteriores quiseram transmitir.

    6) EXEMPLOS DE FALA OLIVENTINA/UMA VOZ CONSCIENTE

    Não resisto a dar aqui alguns exemplos da tradição popular oliventina,
    dominada pela
    terminologia alentejana:

    Na Vila de Olivença
    não se pode namorar!
    As velhas saem ao Sol
    e põem-se a criticar!

    Ó minha mãe, minha mãe,
    “companhêra” de “mê” pai,
    eu “tamêm” sou “companhêra”
    daquele cravo que ali vai!

    Eu tenho uma silva em casa
    que me chega à “cantarêra”
    busque “mê” pai quem o sirva
    que eu “nã” tenho quem me “quêra”!

    Olha bem para o “mê” “pêto”
    onde está o coração
    vê lá se disto há “dirêto”
    diz-me agora: sim ou não !

    “Azêtona” pequenina
    também vai ao lagar;
    eu também sou pequenina
    mas sou firme no amar.

    Saudades, tenho saudades,
    saudade das “fêticêras”.
    Lembrança das amizades
    da terra das “olivêras”.

    Se eu tivesse não pedia
    coisa nenhuma a “nênguém”
    mas, como “nã” tenho, peço
    uma filha a quem a tem.

    Adeus, Largo do Calvário
    por cima, por baixo não.
    Por cima vão os meus olhos
    por baixo, meu coração.

    Textos destes poderiam multiplicar-se. Ainda, entre os idosos, há quem
    conheça estas
    quadras. Mas entre os jovens, poucos as conhecem. Como é possível que
    não se ensine
    Português aos oliventinos… começando por quadras como estas ?
    Começando por ouvir
    idosos declamarem-nas ?
    Exemplos de que não tem sido essa a perspectiva do Ensino do Português
    ora leccionado
    encontram-se, por exemplo, no facto de, durante algum tempo, ter-se
    considerado que
    continuar o Ensino do Português no Secundário, como sucede em Badajoz
    e noutros locais,
    poderia ser perigoso em Olivença. Ridículo! Depois, tal foi levado a
    cabo, dizem que
    quase mais por insistência do Professor João Robles Ramalho, que de
    outra coisa. E, como
    o dito professor morreu, de repente, há uns meses… espera-se que tal
    não seja usado
    como desculpa para não se voltar a ensinar a língua a nível mais
    avançado. Haja
    esperança….
    Mas a situação actual não é famosa. Há estudos que falam em “declínio
    do Português em
    Olivença”, no seu uso coloquial. Como dizia um jovem oliventino (Junho
    de 2007), a este
    respeito, «isto é uma verdadeira tragédia; depois de pouco mais de 200
    anos, o português
    vai desaparecer em Olivença; a alma dos povos é a lingua; a lingua é a
    memória, é tudo;
    em Olivença vam ficar sómente as pedras, as fachadas, do que foi o seu
    passado português;
    Nao há nada mais triste que conhecer que o fim vai chegar e ninguém
    fiz[fez] nada para
    evitá-lo; ninguém compreende que a morte do último luso-falante vai
    ser a morte da alma
    portuguesa, o fim de gerações falando português nas ruas, nas
    moradias, no campo
    oliventino, ao longo de mais de sete seculos?». E continua: «O artigo
    da senhora Fátima
    Matias explica perfeitamente as razoes e o contexto da agonia do
    português em Olivença;
    mas… agora ja nao há ditadura; Deveriamos ficar orgulhosos de ter
    esta riqueza
    linguística e procurar a defesa
    e o ensino do português oliventino; (…) e, um pouco também, o Estado
    português é também
    responsavel; com independência de questões de índole soberanista,
    deveria implicar-se na
    promoção do português em Olivença e nao sómente não reconhecer [a
    soberania espanhola] e
    não fazer nada.»
    Pode-se aplaudir o que se faz hoje, mas é imprescindível algo mais:
    faça-se um estudo do
    Português-Alentejano falado em Olivença, e ligue-se o mesmo ao
    Português-Padrão ensinado
    nas Escolas, de modo a fazer a ligação entre as gerações e produzir uma normal
    continuidade que deveria naturalmente ter ocorrido. Assim se corrigirá
    a distorção
    introduzida pela pressão do Castelhano. Este estudo pode ser feito por
    quem se mostre
    capaz de o fazer: portugueses, mas também alguns especialistas e
    linguistas extremenhos.
    A nenhum Estado (Portugal ou Espanha) se poderá perdoar deixar morrer
    uma cultura !

    7) UMA LUTADORA EM NOME DA CULTURA E DA TRADIÇÃO

    Há alguém, em Olivença, que é um exemplo. Trata-se de uma Senhora, que
    não admite que
    ponham em causa o seu amor a uma Olivença espanhola. Todavia, e para
    honra e Espanha,
    esta incansável senhora, Rita Asensio Rodríguez, tem dedicado a sua
    vida a escrever
    livros e mais livros, onde descreve os velhos costumes oliventinos, e,
    o que mais nos
    interessa aqui, a sua maneira de falar. Muitas vezes ela opina que se
    trata de formas
    únicas no mundo, pois desconhece o “alentejano”. Todavia, ela faz
    recolha após recolha, e
    é ela que mais sabe, hoje em dia, sobre a fala popular oliventina. O
    seu último trabalho
    (“Apuntes para una História Popular de Olivenza”, 2007), para além de
    descrever inúmeras
    tradições populares, algumas já desaparecidas, tem no fim uma espécie
    de “pequeno
    dicionário” de oliventino-espanhol.
    Citar alguns exemplos é a melhor forma de justificar o tema da minha
    comunicação.
    Começo por termos que não foram alterados, e que são comuns ao
    Português -Padrão:
    Alcofa; Atrapalhado; Abóbora; Agriões; Alfazema; Bacorinho; Brincos;
    Bicas; Bazófia;
    Costas; Carocha; Chapéu; Coentro; Calças; Coelho; Courela;
    Espalhafato; Escaravelho;
    Esquecer; Ferro (de engomar); Fornalha; Grãos; Gargalo; Garfo;
    Ervilhas; Lenço; Maluco;
    Melão; Minhocas; Osga; Pousio; Picha; Pintassilgo; Peúgas; Poleiro;
    Panela; Rola;
    Roseira; Ranho; Saudade; Salsa; Turra; Tacões; Ventas (nariz); Vespa.
    Sigo com termos alentejanos,ou que considerei como tais para melhor
    explicar,na sua forma
    original, na sua forma actual usada em Olivença, e traduzidos, se necessário:
    Azevia/Açubia(-); Alguidári; Alface/Alfaça; Azêtona; Arrecadas/Arcadas
    (grandes brincos);
    Andorinha/Andrurinha; Alarvices; Paleio/Apaleo; Asnêras; Amanhado
    (arranjado, preparado);
    Alicati; Alentar/Alantar (crescer); Aventar (deitar fora, derrubar);
    Vasculho/Basculho
    (vassoura); Melancia/B´lancia; Barbulha (borbulha); Brócolos/Broquis;
    Bebedêra/Bebedela;
    Biquêra; Badana (mulher velha); Baldi; Bandalho (mal vestido);
    Barranhola/Barranhali
    (Banheira); Púcaro/Búcaro; Boleta (Bolota); Caliche (Caliça); Cuitadinho;
    Descarada/Cascarada (!); Corremaça (correria); Cueiros/Culêros; Chico
    (Francisco);
    Descasqueado (Limpo); Dôtorice (jactância); Embatucado (sem palavras);
    Escandalêra;
    Engadanhado (impedido de usar os dedos por causa do frio);
    Empolêrar-se; Esturricar;
    Escancarar(abrir totalmente); Ajoelhar-se/Esvoelhar-se;
    Escavacada/Escavada (!); Entrudo;
    Enciêradas (gretadas de frio); Janela/Esnela; Centopeia/Entopeia;
    Falhupas (chiapas de
    lume); Esfregão/Fregón; Fartadela; Feij
    ão-frade/Fradinho; Fanhoso; Fedorento/Fudurento; Fêtecêra; Farinhêra mole;
    Ferrugento/Furrugento; Fatêxa; Garganêro (açambarcador, egoísta);
    Galiquêra ou Caliquêra
    (doença venérea); Libória (tonta); Lençoli/Lançoli; Leque/Lecre;
    Mangação/Mangaçón
    (troça); Melhoras (Boas melhoras); Monte/Monti (Herdade);
    Mexeriquêra/Mixiriquêra;
    Mascarra (Sujidade, Amorenado); Mondar (actividade agrícola); Nódoas/Nodas;
    Pantanêro/Patamêro (lama); Cair de Pantanas (cair de costas);
    Pelintra/Pilintra;
    Passarola/Passarinha/Passarilha (Púbis e vulva); Piali (Poial);
    Reboliço/Raboliço;
    Remela/Ramela; Repesa (arrependida); Ralhar/Rayari; Rabujento/Rabulhento;
    Ceroulas/Cirôlas; Chocalhos/Sacayos; Surrelfa; Saboria (Sensaboria);
    Cenoura/Cinôra;
    Sabola (Cebola); Tanjarina; Devagarinho/Vagarito; Velhici; Varais dos
    òculos/Varales dos
    ócalus; Sarrabulho (confusão, desorganização)
    Lamento ter-me alongado, mas talvez assim tenha transmitido algo de
    concreto que de outra
    forma não seria possível. Ouviram falar “alentejano”, ou oliventino…
    como queiram; e
    esta senhora, Rita Asencio Rodríguez, tem mais três ou quatro livros
    mais antigos
    publicados dede há trinta anos.
    Como se pode deixar perder tudo isto? A História não nos perdoaria.

    8) ALGUNS EXEMPLOS COLHIDOS AQUI E ALI

    Não resisto a lembrar algumas reacções com que me deparei em Olivença.
    Por exemplo, numa aldeia, falando em Português com os donos de um
    “estanco” de Tabacos,
    insisti no conhecimento histórico e na preservação da língua. Os
    interlocutores, falando
    em Português, contestavam essas opiniões. Dei o exemplo deles
    próprios, a falar a língua
    lusa. A reacção foi devastadora: “Malditos dos nossos pais, que nos
    deixaram esta língua!”
    Outro exemplo: num Monte (herdade) oliventino, falando com uma senhora
    de, talvez, trinta
    anos, fui correspondido em português/alentejano. Recordo uma frase
    dela, ao dirigir-se ao
    marido: “Segura aqui no “minino”, para eu temperar a “selada”.
    Mas, cerca de cinco minutos depois de conversação, a mesma senhora,
    sem que nada o
    fizesse prever, interrompia o seu discurso na língua de Camões, e
    declarou, aterrada:
    “Desculpe! Estou a falar em Português! É falta de Educação!”
    Começou a falar em castelhano. Claro, contestei a decisão… ouvindo
    aquilo que talvez
    mais irrita um alentejano em Olivença (e se ouve continuamente…)
    como justificação:
    “Isto que a gente fala já não é Português, é um “chaporreo”.
    Um outro exemplo pretende mostrar como o Português que se ensina
    actualmente em Olivença
    provoca choques geracionais. Um idoso de um Monte (herdade), quando
    foi por mim elogiado
    por falar idioma luso, ripostou-me: “isto já não é Português, nem é
    nada. A minha
    sobrinha, que aprende na Vila (Olivença), é que fala um Português
    verdadeiro. Ela até me
    critica!”
    Para acabar, um exemplo mais pitoresco. Encontrei em Olivença um homem
    de cerca de
    cinquenta anos, que, ironizando, me disse que falava Português porque
    nessa língua “não
    há confusões entre Padre (sacerdote) e Pai.” Aqui, uma posição crítica
    em relação ao
    cristianismo ajudava a preservar a língua.

    9) JÁ OS ANTIGOS SABIAM…

    A atitude de muitos oliventinos, que se orgulham de já falarem
    espanhol “sem acento”, e
    de já não se distinguirem dos “espanhóis verdadeiros”, o que, já por
    si, é uma afirmação
    curiosa, faz-me lembrar uma “análise” de Tácito, sobre o modo como os
    conquistados pelo
    Império Romano iam aceitando a Cultura do Conquistador.
    Dizia ele: “(…) os mais propensos há pouco a rejeitar a língua de
    Roma ardiam agora em
    zelo para a falar eloquentemente. Depois isto foi até ao vestuário que
    nós temos a honra
    de trajar, e a toga multiplicou-se, progressivamente. Chegaram a
    gostar dos nossos
    próprios vícios, do prazer dos pórticos, doa banhos e do requinte dos
    banquetes, e estes
    iniciados LEVAVAM A SUA INEXPERIÊNCIA A CHAMAR CIVILIZAÇÃO AO QUE NÃO
    ERA SENÃO UM
    ASPECTO DA SUA SUJEIÇÃO.”
    Podemos transpor esta reflexão para o campo linguístico em Olivença. E
    só nos podemos
    espantar com “a sabedoria dos antigos”, como se costuma dizer.

    10) CONCLUSÕES

    Contrariar a situação de agonia do Português Popular de Olivença é uma
    tarefa que não se
    limita aos defensores da lusofonia. Para já, alguns possíveis
    “remédios” foram propostos
    ao longo deste trabalho.
    Mas a questão NÃO É SÓ lusófona.
    Quero deixar aqui um apelo a Espanha, e muito particularmente às
    autoridades da
    Extremadura Espanhola, e ainda mais particularmente às autoridades
    municipais da Região
    Histórica de Olivença.
    Não importa que se defenda que Olivença deve ser espanhola,
    portuguesa, ou até mesmo
    francesa ou coreana. O que não é digno é que, em pleno Século XXI,
    numa Europa que se diz
    herdeira e praticante de valores humanistas e democráticos, nada se
    faça para combater o
    risco de desaparição de uma língua, que é o reflexo de toda uma cultura.
    Não é aceitável que não se procure restituir a dignidade a uma cultura
    tradicional.
    Também não é muito digno que não se informe toda uma população das
    suas raízes e da sua
    História. Se se quiser, recorrendo a uma frase feita, “não é europeu”,
    e nem sequer
    politicamente correcto.
    Também o Estado Português não está isento de culpas. Independentemente
    de aspectos
    políticos e de contestação de traçado de fronteiras, aspectos que não
    importa desenvolver
    aqui, Lisboa tem a obrigação de agir. Ao abrigo das suas competências,
    pode, deve,
    transmitir muito claramente o seu descontentamento e a sua apreensão.
    Propor soluções.
    Editar brochuras. Protestar contra a ocultação da História. Como faz
    noutros pontos do
    mundo em que há presença portuguesa.
    “A minha Pátria é a Língua Portuguesa”, disse Fernando Pessoa, tão
    citado por elites
    variadas. Passe-se à prática este princípio !
    Pela minha parte, pela nossa parte, não nos calaremos, e desde já nos
    propomos a ajudar
    pessoas ou instituições, independentemente da sua orientação política
    ou da sua
    nacionalidade, para combater a agonia do Português em Olivença.
    O Primeiro passo poderá ser um Congresso, ou umas Jornadas, ou uns
    Encontros, sobre o
    tema, que reúna a participação de especialistas e autoridades das mais
    diferentes
    origens, unidos pela sua boa vontade…

    Estremoz, Junho de de 2008
    Carlos Eduardo da Cruz Luna

    Carlos Luna Estremoz, Portugal carlosluna@iol.pt // caedlu@gmail.com

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  25. PMS's avatar
    9 Março, 2009 15:18

    19 – Helena Matos

    Quer use o castelhano ou o catalão/português/basco, estará sempre a fazer uma imposição.

    A não ser que permita que se frequente livremente uma escola da lingua que se quiser. Por outro lado, se metade da população só souber uma das linguas e a outra metade a outra, isso significa que grande parte das pessoas no mesmo país não se vai entender.

    Agora, isto vale para o ensino básico/secundário.
    Quanto a contratações, parece-me que a lingua não deve à partida ser um factor de escolha (mas falar as duas é factor de preferência), e quanto às universidades… por mim, que estudei gestão, as aulas deveriam ser em português e inglês (senão todas em inglês)… mas creio que cada universidade deve ser livre de escolher o que pensa ser melhor para si.

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  26. PMS's avatar
    9 Março, 2009 15:23

    “Nada se faça para combater o risco de desaparição de uma língua, que é o reflexo de toda uma cultura.”

    As línguas não são um zoológico. Se uma língua deixa de ser falada, é porque perdeu a sua utilidade (pressupondo obviamente uma situação de liberdade entre quem a fala).

    Outra coisa é reconhecer a utilidade que tem para nós, portugueses, que os galegos e oliventinos continuem a falar português (e conseguirmos “vender-lhes” essa ideia e apoiá-los na perpetuação da língua).

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  27. PMS's avatar
    9 Março, 2009 15:37

    Carlos Luna,,
    parece-me perigoso considerar que existe um Oliventino, como se este fosse um dialecto tal como o mirandês.

    O Oliventino que descreve é puro português, embora com alguns vocabulos regionais. Aliás, nesse sentido não existe Oliventino nem Alentejano, nem minhoto, nem lisboeta.

    Se o falar de Olivença for considerado um dialecto, é meio caminho para a sua morte definitiva.

    A propósito disso veja-se o que os castelhanos têm vindo a fazer com o galego, que é tentar afastá-lo o mais possível do português. Falar português (ainda que com vocábulos e características regionais) é de grande valia para quem o falar. Falar mirandês ou oliventino, ou mesmo galego, não passa de uma “curiosidade”, com algum valor cultural e até emocional, sem grande valor económico para quem o fizer (que é o que em último caso determina a sobrevivência de uma língua).

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  28. caedlu's avatar
    caedlu permalink
    9 Março, 2009 16:02

    SEGREDOS DO ALQUEVA…
    A vossa reportagem (25-Agosto-2007) sobre o Alqueva, o “Lago dos Milhões”, pareceu-me
    óptima.
    Há, todavia, um aspecto raramente abordado, e que tem alguma importância. Basta
    verificar od mapas OFICIAIS da própria EDIA (Empresa do Alqueva), para verificar uma
    pequena “anomalia”. Na verdade, a fronteira entre Porugal e Espanha é nele assinalada,
    por sobre as aguas do novo lago, menos na região entre as ribeiras de Olivença e de
    Alconchel (ou de Táliga).
    A razão é simples: Portugal joga aqui, a seu favor, com a velha Questão de Olivença, o
    que lhe permite controlar as águas da albufeira numa escala à superior do que sucederia
    se reconhecesse a fronteira na região.
    Curiosamente, isto é pouco falado. Exceptua-se o Dicionário Jurídico da Administração
    Pública,«ultima edição (1999), onde se lê: “(…) Existem, por conseguinte, três troços
    da fronteira terrestre luso-espanhola a considerar: o primeiro, que vai do Rio Minho à
    confluência do Caia com o Guadiana, definido pelo Tratado de 1864; o segundo, que vai do
    Rio Cuncos até à Foz do Guadiana, definido pelo convénio de 1926; e o TERCEIRO,
    CONSTITUÍDO PELA PARTE DA FRONTEIRA QUE VAI DA CONFLUÊNCIA DO CAIA COM O GUADIANA ATÉ AO
    RIO CUNCOS, que se ACHA POR DEFINIR POR ACORDO COM ESPANHA em virtude DA QUESTÃO DE
    OLIVENÇA.;(…) A razão desta delimitação proveio do facto do troço de fronteira ao sul
    do Caia até ao Rio Cuncos, correspondendo à região de Olivença,n unca ter sido
    reconhecida por Portugal que, desde 1815, contestou a posse de Olivença pela Espanha.
    (…)”.
    Também o livro do prof. Jorge Miranda, de 1994 (“Manual de Direito Constitucional”),
    a propósito da Artigo 5.º da Constituição (“Portugal abrange o território historicamente
    definido no continente europeu e os arquipélagos dos Açores e da Madeira”), esclarecia,
    em nota, que “a definição do território nacional inculca a inclusão de Olivença; e a da
    Madeira, a do arquipélago das Selvagens, que historicamente (embora não geograficamente)
    lhe pertencem”.
    Muito mais actual, o recente livro (de Fevereiro de 2007), CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA
    PORTUGUESA – ANOTADA, de J. J. Gomes Canotilho e de Vital Moreira, nos comentários ao
    Artigo 5.º (recordemos:”1. Portugal abrange o território historicamente definido no
    continente europeu e os arquipélagos dos Açores e da Madeira.”), se esclarece: “O
    “território historicamente definido no continente europeu” é obviamente o território
    ibérico confinante com a Espanha (note-se que a fórmula “historicamente definido” permite
    deixar em aberto a questão de Olivença)”.
    Igualmente, todos os mapas OFICIAIS portugueses apresentam sempre uma interrupção na
    linha de fronteira no Guadiana na Região de Olivença.
    Há a lamentar aqui muita hipocrisia e muito secretismo, injustificável numa época de
    boas relações ibéricas e de diplomacia sem segredos. Não me parece que fosse demasiado
    perturbador referir este aspecto mais vezes, e mais abertamente. Afinal, entre Estados
    Democráticos, tudo pode ser discutido. E a Espanha também tem as suas reivindicações…
    que não esconde.
    Os segredos do Alqueva são, afinal, em maior número do que se poderia pensar à
    primeira vista…
    Carlos Eduardo da Cruz Luna
    ESTREMOZ

    carlosluna@iol.pt caedlu@gmail.com
    ________
    DOIS RELATÓRIOS DA C.I.A. SOBRE OLIVENÇA
    AS HESITAÇÕES DA C.I.A.(RELATóRIO MAIS RECENTE; O MAIS ANTIGO VEM DEPOIS…. )
    AS HESITAÇÕES DA C.I.A.
    Tudo começou em 2003. A instituição norte-americana C.I.A. publica, desde há muito,
    uma espécie de relatório anual, o “The World Factbook”, agora na “Internet”. Esse
    relatório, actualizado anualmente, contém dados de todo o tipo sobre todos os países e
    territórios do mundo. Como estatística. Não se trata de uma selecção com intuitos
    políticos, ainda que, como sabemos, nada seja neutro neste mundo.
    No que toca a disputas territoriais, eram assinaladas mais de 160, incluindo
    discordâncias fronteiriças entre o México e os próprios Estados Unidos. O que era
    novidade era a inclusão de mais uma disputa. De facto, lia-se, no que a Portugal dizia
    respeito : “Portugal tem periodicamente reafirmado reivindicações sobre os territórios em
    redor da cidade de Olivença (Espanha)”.
    Claro que, no que a Espanha se referia, também era assinalada a disputa:”Os habitantes
    de Gibraltar votaram esmagadoramente em referendo contra o “acordo de total partilha de
    soberania” discutido entre a Espanha e o Reino Unido para mudar trezentos anos de governo
    da colónia; Marrocos protesta contra o controle espanhol sobre os enclaves costeiros de
    Ceuta, Melilla, o Peñon de Velez de la Gomera, as ilhas de Peñon de Alhucemas, as ihas
    Chafarinas e as águas circundantes; Marrocos rejeita também o traçado unilateral de uma
    linha média a partir das Canárias em 2002 para estabelecer limites à exploração de
    recursos marinhos e interdição de refugiados; Marrocos aceitou que os pescadores
    espanhóis pescassem temporariamente na costa do Sahará Ocidental, depois de um derrame de
    crude ter sujado bancos de pesca espanhóis;Portugal tem periodicamente reafirmado
    reivindicações sobre os territórios em redor da cidade de Olivenza (Espanha)”.
    A disputa de Olivença surgia, pois, naturalmente, entre outras reivindicações ibéricas
    e mais de uma centena e meia de outras por todo o mundo.
    As reacções em Espanha, todavia, excederam o compreensível. Vários jornais noticiaram
    que a C.I.A. comparava Olivença a Caxemira e a Gaza, e davam a entender que a C.I.A. via
    movimentos terroristas (?) na Terra das Oliveiras. Chegou-se ao cúmulo de se fazerem
    entrevistas com autoridades locais, que troçaram da estupidez da C.I.A. e desafiaram os
    seus agentes a procurar terroristas por aqueles lados. Nenhum, mas nenhum mesmo, jornal
    ou revista espanhóis publicou o texto original da C.I.A.! E isto apesar de todos terem
    recebido, repetidas vezes, o mesmo, em inglês, castelhano, português, e catalão !
    O mais bizarro sucederia no ano seguinte. A C.I.A. reformulou o seu relatório, e, no
    que toca a Olivença, 2004 viu surgir a espantosa afirmação de que “alguns grupos
    portugueses mantêm reivindicações adormecidas sobre os territórios cedidos a Espanha em
    redor da Cidade de Olivenza”. Note-se que este discurso é, quase palavra por palavra, o
    discurso “oficial” espanhol sobre este contencioso.
    Era possível, todavia, fazer pior. Em 2005, desaparecia do relatório da C.I.A.
    qualquer referência a Olivença. Portugal, no que toca a disputas/reivindicações
    internacionais, surgia classificado com um “none” (isto é, “nenhuma”; uma só
    palavra…talvez para poupar espaço…
    A bizarria ia mais longe. Um pequeno mapa de Espanha acompanhava o texto sobre este
    país. Pela primeira vez, Olivença surgia nele. Ao lado de cidaes como Córdova, Sevilla,
    Granada, Madrid (naturalmente), Valladolid, e outras, todas capitais de províncias, não o
    sendo a cidade em litígio. Duma forma afinal cómica, o Mapa não mostrava cidades como
    Badajoz, Cáceres, Mérida, Salamanca, ou Pamplona. Era evidente que “Olivenza” fora
    incluída, digamos, “à força”.
    O que causa espanto e indignação neste caso é a facilidade com que a C.I.A., tida como
    a mais poderosa e “sabedora” organização de informações do mundo, antes decerto de se
    informar, por exemplo, junto do Governo Português, se foi aparentemente deixando
    “seduzir” por pontos de vista espanhóis.
    Felizmente, em 2006, a situação foi recolocada em termos, em geral, correctos. Decerto
    “alguém” do Estado Português, verificando o erro, se deu ao trabalho de informar a C.I.A.
    de que Portugal mantém mesmo reservas sobre a soberania espanhola em Olivença. Recorde-se
    que esta questão ganhou nova importância com o Alqueva, dados os problemas ligados à
    posse das águas no Guadiana.
    Assim, desde Maio de 2006, pode-se ler na “CIA Homepage”, sobre Portugal, no que toca
    a disputas internacionais, o seguinte: “Portugal não reconhece a soberania espanhola
    sobre o território de Olivença com base numa diferença de interpretação do Congresso de
    Viena de 1815 e do Tratado de Badajoz de 1801.” No que a Espanha diz respeito, pode
    ler-se : “em 2003, os habitantes de Gibraltar votaram esmagadoramente, por referendo, a
    favor de permanecerem como colónia britânica, e contra uma solução de “partilha total de
    soberania”, exigindo também participação em conversações entre o Reino Unido e a Espanha.
    A Espanha desaprova os planos do Reino Unido no sentido de dar maior autonomia a
    Gibraltar; Marrocos contesta o domínio da Espanha sobre os enclaves costeiros de Ceuta,
    Melilla, e sobre as ilhas Peñon de Velez de la Gomera, Peñon de Alhucemas e Ilhas
    Chafarinas, e as águas adjacentes; Marrocos funciona como a mais importante base de
    migração ilegal do Norte de África com d

    estino a Espanha;Portugal não reconhece a soberania espanhola sobre o território de
    Olivença com base numa diferença de interpretação do Congresso de Viena de 1815 e do
    Tratado de Badajoz de 1801.”
    A ver vamos se esta “versão”, que é razoavelmente correcta, se mantem, e se o Estado
    Português estará atento a novas “alterações”.
    Na verdade, o conflito (pacífico) fica circunscrito às suas verdadeiras dimensões: um
    entre outros da Península Ibérica, e entre mais de centena e meia de outros por esse
    mundo fora, que os interessados deverão resolver quando surjir ocasião. Como deve ser
    sempre.
    O que, afinal, já tinha sido escrito em 2003.
    Estremoz, 28-Maio-2006
    Carlos Eduardo da Cruz Luna
    B.I. 4737795 Rua General Humberto Delgado, 22, r/c 7100-123-ESTREMOZ (Portugal)
    tlf. 268322697 tlm.939425126

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  29. Marcos Garrido's avatar
    Marcos Garrido permalink
    9 Março, 2009 18:04

    Eu, que regressei de viver em Espanha há coisa de 15 dias, afirmo que só os estrangeiros que querem viver na Catalunha é que aprendem catalão. E fazem-no porque são forçados. Se não o fizerem não os atendem no hospital, nas repartições públicas, nas escolas, etc. Um catalão deixa morrer um castelhano à porta do hospital apenas por questão idiomática. Isto não é hipérbole: é a verdade. Quanto aos estrangeiros que estão ali temporariamente a resposta é fácil: quem quer investir num idioma que é falado por 7 milhões de pessoas em todo o mundo quando pode aprender o castelhano que é falado por centenas de milhões de pessoas em todo o mundo?

    E sobre Olivença: quem quer saber disso para alguma coisa? Eu não, com toda a certeza.

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  30. João Silva's avatar
    João Silva permalink
    9 Março, 2009 18:13

    João Silva

    Tem toda a razão. Quem agora quer promover o português em Olivença disso. Sabem que se deve caminhar para o português do outro lado do rio, e não para particularismos de um dialecto que foi menorizado ao longo de 200 anos. Falar um dialecto não é vantagem e ninguém quer saber. Falar uma lingua internacional, é uma vantagem.

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  31. João Silva's avatar
    João Silva permalink
    9 Março, 2009 18:19

    Marcos Garrido

    É verdade, os “espanhóis” detestam-se uns aos outros. Também já ouvi contar outras formas de expressarem ódio entre eles, embora não conhecesse essa de uns deixarem morrer os outros à porta do hospital.

    São formas de miséria que geralmente não nos são contadas pelos adoradores de grandezas alheias. Eles lá têem as suas razões para se detestarem uns aos outros.

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  32. MN's avatar
    9 Março, 2009 19:17

    Há aqui só um pormenor: o catalão não é um simples “falar/dialecto”. A sua história começou antes da do catalão. Há aprox. 10 milhões de pessoas que compreendem português na Europa. Há aprox. 10 milhões de pessoas que compreendem catalão na Europa.

    Mas, claro, se perdesse a utilidade, continuar a falá-lo apenas porque sim seria o mesmo que manter um cadáver em respiração assistida. Não é o caso: com ou sem imposições, há uma sociedade que ainda existe em catalão e não deixa de aprender espanhol: não há um único catalão que não saiba também espanhol – apenas não quer deixar de falar também a sua língua e que a mesma seja uma das línguas oficiais na sua própria região. Isto não implica que defenda os excessos da política de normalização linguística da Catalunha.

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  33. MN's avatar
    9 Março, 2009 19:17

    “começou muito antes da do castelhano”.

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  34. AGG's avatar
    AGG permalink
    9 Março, 2009 19:22

    Penso que se confunde coisas…. os galegos tb falam castellano, coisa que infelizmente n se passa com muitos catalães…. Isso acontece por causa de uma tentativa nacionalista de expulsão do castellano da vida catala. As crianças são criadas numa cultura do orgulhosamente sós, que tudo à sua esquerda é Africa. Numa festa de anos de miudos observou um amigo meu que o único que não conseguia interagir com os outros era o catalão, mesmo os filhos de ingleses estavam melhor preparados para ser bilingues do que o catalão. O problema na catalunha não é ensinarem o catalão, o problema é não se preocuparem com o castellano.

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  35. MN's avatar
    9 Março, 2009 19:25

    O miúdo catalão não devia ainda ter entrado na escola. Na escola, todos aprendem também castelhano.

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  36. Marcos Garrido's avatar
    Marcos Garrido permalink
    9 Março, 2009 20:05

    @ MN

    Cuidado! Eu vivi um ano na casa de um catalão que tinha 40 anos. Só falava castelhano há quatro e era porque se tinha mudado para Madrid e porque tinha casado com uma colombiana. Tinha se ser eu a corrigi-lo nas calinadas que dizia. E sou bem Português, veja lá o ridículo da situação!

    Quanto às crianças: na escolas da Catalunha só se ensina castelhano no ano curricular em que se ensina também o inglês e francês. Ou seja, é equiparado a língua estrangeira.

    Quanto a números: catalão fala-se na Catalunha espanhola e francesa, na parte sul da Sardenha e acabou-se. Já o número de falantes do português em todo o mundo é incomparavelmente superior. Basta pensar no Brasil e nos países africanos de língua portuguesa.

    E sim, sem dúvida: catalão não é um dialecto, é um idioma.

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  37. MN's avatar
    9 Março, 2009 21:24

    Marcos Garrido:

    Experiências diferentes 🙂 Já conheci imensos catalães, de todos os tipos, e nunca encontrei nenhum que não soubesse castelhano, mas admito que haja. De qualquer forma, parece-me que, na Catalunha, os que têm a língua catalã como língua materna sabem muito mais castelhano do que os que têm o castelhano como língua materna sabem catalão.

    Quanto a números, estava a falar da Europa: fala-se na Catalunha, em Valência (muito menos), nas baleares e é a única língua oficial de Andorra. É mais falado do que o sueco, dinamarquês, etc.

    Até breve!

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  38. PMS's avatar
    9 Março, 2009 23:20

    “10 milhões de pessoas que compreendem português na Europa. ”

    Permita-me corrigi-lo: serão pelo menos 12,5 milhões a ser nativos de portugues, isto excluindo emigrantes. 10,5 milhões de portugueses, mais cerca de 50% dos galegos (que são 3,5 milhões) e mais uns “pós” para os oliventinos.

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  39. MN's avatar
    10 Março, 2009 00:48

    Tudo bem, aceito a correcção, se aceitarmos que o galego é português (algo que não é pacífico). De facto, o que não deixa de ser curioso é existir esta língua falada por milhões, do outro lado da península, da qual poucos portugueses ouviram falar.

    Continuando a questão inicial: a questão aqui não são os extremismos linguísticos, que existem na Catalunha, na Bélgica, etc. (Já agora: em relação a estes “histerismos” linguísticos, a autora do post não referiu o Quebeque.) A questão é que são regiões que oficializaram línguas anteriormente não oficiais. Isto, em si, não tem mal nenhum: na Bélgica, a maioria da população fala holandês (ou flamengo, se quisermos), mas o país tinha, até muito tarde, uma única língua oficial: o francês. Essa também não era uma situação normal. A situação actual, de histeria, apenas reflecte uma realidade escondida quando o francês era a única língua nacional (e 60% da população ia engolindo sapos até chegarmos onde chegámos hoje). Não são são questões simples, mas parece-me que esconder tudo debaixo do tapete duma só língua dá mau resultado.

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  40. anti-liberal's avatar
    anti-liberal permalink
    10 Março, 2009 03:53

    #19
    helenafmatos disse
    9 Março, 2009 às 11:07 am

    A imposição do castellano na Galiza, País Vasco ou Catalunha, como outros dialectos de Valência ou Maiorca, não é de Franco. Já acontecia à data de Franco.

    Nuno

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  41. anti-liberal's avatar
    anti-liberal permalink
    10 Março, 2009 04:26

    Carlos Eduardo da Cruz Luna disse
    9 Março, 2009 às 11:48 am

    A questão de Olivença coloca-se de uma forma simples: É PORTUGUESA!
    Espanha tem lá a pata e parece que os Portugueses (neste caso, deveria ser escrito com minúscula) não têm tomates para tratar do assunto.
    Conheço muitos Espanhóis e eles admiram-se de Portugal não reclamar veementemente Olivença como sua.

    Nuno

    PS – Os Alentejanos constituem, talvez, o melhor Povo de Portugal. Não têm um dialecto; têm uma pronúncia bonita e melodiosa, daí a maravilha dos “cantares alentejanos”.

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  42. Sebastião Mello's avatar
    Sebastião Mello permalink
    10 Março, 2009 14:09

    Não concordo. Não é patético a defesa de uma língua e de uma cultura. Patético é fingir que em Olivença não existe um problema de politica de defesa da cultura portuguesa, para além disso não é de todo desconhecimento das pessoas que existe um problema de soberania que ainda não está resolvido e que a fronteira politica naquele território não está definida. Por isso não é nada patético que após termos apoiado as autodeterminações de uns e outros chegue também a hora de defender a integridade de Portugal.

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  43. Sebastião Mello's avatar
    10 Março, 2009 14:20

    Relativamente a esses estudantes, possivelmente é ignorância, pura ignorância… Sabe porquê? Em Coimbra há estudantes de Erasmus que pensam que em Portugal falando “Espanhol”, Castelhano é suficiente, só depois descobrem que afinal isto aqui é diferente. O mesmo se passa na Catalunha, querem ir divertir-se, estudar, deveriam ter conhecimento que a Catalunha é uma nação, uma realidade histórica, que já foi estado, hoje com uma ampla autonomia, com as sua cultura e politicas… Pura ignorância e volto a repetir. É pena a propaganda espanhola não correponder à realidade social das várias autonomias. E é pena que o programa Erasmus não potencialize o respeito pelas culturas e sobretudo informe as pessoas para onde vão, o que devem saber, guiá-los nesse projecto.

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  44. JJ Pereira's avatar
    10 Março, 2009 14:37

    Nestes tempos de”uniões” europeias e de desejos (cada vez mais esfumados…) de paz e concórdia universais , tende a esquecer-se – ou, face ao estado do ensino em geral e da História em particular,se ignora pura e simplesmente – que estas “correcções por decreto” ,regra geral, custam mortos . Milhares deles.
    E , no caso concreto dos nossos vizinhos , a prova foi feita na segunda metade do sec. passado. Claro que a questão não era ùnicamente idiomática.Mas ajudou…
    Temo que, com aquilo que nos vai cair em cima,em termos globais, a tradicional tendência espanhola do diálogo,compreensão e bom entendimento entre os povos venha, uma vez mais, ao de cima…

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  45. Manuel de Jesús Sánchez Fernández's avatar
    Manuel de Jesús Sánchez Fernández permalink
    10 Março, 2009 23:21

    DE UM OLIVENTINO
    (Manuel Sanchez)

    A ignorância, já disse, é livre e gratuita. A senhora Matos acaba por dizer, por ignorância ou por má-fé, algumas…enfim…mentiras, que ficam mal num jornal tão prestigiado. Ao defender um tão grande desrespeito pelas culturas de menor expressão, parece aproximar-se de posições muuuito à direita. Pensei, origalmente, que assim era… antes de conhecer o seu livro sobre Salazar, ainda que não o tenha ainda lido. Fiz até um comentário exagerado nesse sentido ! Embora há também pessoas que me parecem um tanto fascistóides em Portugal(e pode ser apenas uma opinião algo exagerada, mas é o que deduzo de certas leituras de jornal) , como na pérola atlântica, sei agora que não é o seu caso, Dona Helena Matos. Mas…deixe lá Olivença tranquila, com o seu português (não portunhol), que nunca fez mal a Portugal. Pelo contrário, Olivença foi vítima de Espanha e de Portugal (além daquilo de ser filha e neta delas). Desculpe lá, mas figura de ignorantes fazem todas as pessoas que opensam que em Olivença se fala portuñol, mas todos podem aprender, já que a maldade é só de uns poucos, acho eu. Devem se informar melhor antes.

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  46. P.Porto's avatar
    P.Porto permalink
    11 Março, 2009 12:19

    Caro Manuel Fernandez,

    Creia que nem todos em Portugal partilham desta atitude preguiçosa e de desinteresse que pode ver no post e em alguns comentários.

    E por falar em comentários, faço ressaltar um pequeno parágrafo de um comentador:
    “Há algo que nos distingue da generalidade dos outros povos europeus: nós [portugueses] pensamos que ficamos mais modernos e importantes quando minimizamos ou escarnecemos o nosso património, seja ele cultural, territorial ou linguístico.”

    É por esta atitude que nem sequer tiramos proveito de estar na União Europeia, resultado de pensarmos que os outros vão defender os nossos interesses.

    Um abraço, e felicidades para a árdua tarefa que vos espera. Vale que, por uma vez, alguns ventos correm a favor. É uma janela que há que aproveitar.

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