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Desemprego e Socialismo

5 Dezembro, 2009

José Sócrates anunciou ontem no Parlamento:

– um aumento do salário mínimo de 5%
– uma redução das contribuições para a segurança social das empresas com trabalhadores que auferem salário mínimo. Esta redução é de cerca de 1% do salário.
– ajudas às empresas em alguns sectores onde predomina o salário mínimo.

Estas medidas são o reconhecimento de que os aumentos do salário mínimo prejudicam as empresas e consequentemente tendem a gerar desemprego.

Os defensores do aumento do salário mínimo costumam dizer que o país não precisa de empresas que não consigam suportar aumentos de 25 euros em salários de 450 euros mensais. O governo, com razão, acredita que uma redução de cerca de 5 euros mensais nas contribuições para a segurança social pode fazer alguma diferença. O problema é que o aumento do salário mínimo é 5 vezes superior à redução das contribuições para a segurança social e muitas empresas acabarão por fechar ou por trocar trabalhadores por um qualquer sistema automático de vendas. Os subsídios do governo às empresas com trabalhadores a auferir o salário mínimo até poderão ser usados para fazer a substituição de trabalhadores por máquinas.

12 comentários leave one →
  1. Desconhecida's avatar
    ourição permalink
    5 Dezembro, 2009 11:10

    O bote, acho que falar no titanic é um exagero, afunda-se a olhos vistos, já sinto os pés molhados. Esta conversa sobre salário mínimo lembra a última musiquinha celestial da orquestra.

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  2. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    5 Dezembro, 2009 11:43

    Nunca penei ver o João Miranda defender o modelo chinês de criaçã de postos de trabalho. Porém, para se atingir mesmo o pleno emprego seria melhor acabar com salários e as empresas apenas fornecerem comida aos seus trabalhadores. Assim como na escravatura.

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  3. DesconfiandoSempre's avatar
    DesconfiandoSempre permalink
    5 Dezembro, 2009 13:07

    Que circo, feira ou mercado teria um espectáculo melhor que o de ontem?
    Pois, JM,os aumentos dos salários mínimos prejudicam as empresas!
    Que pena o artista do post não ganhar o salário mínimo nacional.
    Desconfio que no tempo do Salazar é que era bom, Ó artista. Não havia salário mínimo, as empresas pagavam bem, eram geradoras de empregos e sobretudo de riqueza. eheheh

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  4. tina's avatar
    tina permalink
    5 Dezembro, 2009 13:19

    “Os defensores do aumento do salário mínimo costumam dizer que o país não precisa de empresas que não consigam suportar aumentos de 25 euros em salários de 450 euros mensais. O governo, com razão, acredita que uma redução de cerca de 5 euros mensais nas contribuições para a segurança social pode fazer alguma diferença.”

    ahaha, bem observado. Brilhante, como sempre.

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  5. tina's avatar
    tina permalink
    5 Dezembro, 2009 13:23

    A atitude daqueles que querem um aumento de salário mínimo mesmo que leve pessoas ao desemprego, é a mesma dos funcionários públicos que querem aumentos mesmo que isto implique maior peso do estado, mais impostos e menos crescimento com consequente aumento de desemprego. É cada um a pensar só em si.

    Primiero dimnui-se a despesa do estado, depois dão-se aumentos. Mas o governo incapaz, toma as medidas mais fáceis e populistas.

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  6. DesconfiandoSempre's avatar
    DesconfiandoSempre permalink
    5 Dezembro, 2009 13:37

    Não é que para ficar à frente do paulinho a manelinha vai atrás do populismo

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  7. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    5 Dezembro, 2009 13:46

    Tenho uma minúscula micro-empresa de serviços a meias com uma pessoa de família. Dá para nos sustentarmos, pagar os impostos e a nossa segurança social, e não dever nada aos fornecedores. Como apesar da crise temos tido trabalho, tínhamos pensado este ano que passou admitir um empregado para nos ajudar, já que há muito tempo que trabalhamos cerca de 10 horas por dia, os fim-de-semana são lá de vez em quando, e as férias reduzidas ao mínimo. Iríamos admitir uma pessoa a ganhar o salário mínimo; o trabalho não exige qualquer qualificação especial.

    O aumento de 24€ do salário mínimo de 2008 para 2009 inviabilizou esse propósito. É que por pouco que fosse, o acréscimo de cerca de 400€ de custo anual (diferencial de salário mais segurança social) representava 1/3 do nosso orçamento para publicidade (3 inserções em revistas da especialidade), do qual não podíamos prescindir.

    Compreendo que o salário mínimo é baixíssimo para se viver com um mínimo de conforto (e os pensionistas ainda estão pior), e podem dizer que se a minha empresa não pode dispensar esses 400€ por ano é porque é mal gerida, pouco produtiva, e mais valia fechar as portas.

    Mas o que é certo é que mesmo tendo de fazer as contas ao tostão (ou ao cêntimo, para ser europeu) dá para duas famílias não pesarem no orçamento de estado, e antes pelo contrário contribuírem para ele, mesmo que pouco. Se calhar uma terceira família podia ter passado a pesar menos… Assim continuamos sem fim-de-semana, o marido e filhos ajudam nas horas livres, mas ainda não fechamos a porta …por enquanto.

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  8. Desconhecida's avatar
    Jorge Ferreira permalink
    5 Dezembro, 2009 16:56

    Porque razão não apresenta o PSD na assembleia uma proposta de não aumento do salário minimo? isso é que seria ser coerente uma vez que são contra.
    Em relação ao desemprego é verdade que a Dona(MFL) foi à Alemanha criticar a sua amiga que lá governa pelo aumento de desemprego também na Alemanha

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  9. Eduardo F.'s avatar
    Eduardo F. permalink
    5 Dezembro, 2009 18:07

    A propósito do salário mínimo nacional e dos socratinos:

    1 – É óptimo distribuir benesses – mesmo que simples “rebuçados de tostão” -, à custa de outros. Se o governo pretende garantir um dado rendimento a quem trabalha, poderia sempre atribuir um subsídio destinado a compensar o trabalhador da diferença entre o salário a cargo do empregador e o mínimo considerado, pelo governo, “socialmente desejável”. Por que não o faz então? Desde logo porque isso implicaria, mais cedo ou mais tarde mais impostos (no presente ou no futuro); por outro lado, porque tal constituiria (mais) um fortíssimo incentivo à fraude, fenómeno de que padecem, em grande escala, as diferentes prestações sociais, em particular o “subsídio de desemprego” e o denominado “rendimento social de inserção”.

    2 – A camarilha socialista, socratina e adjacentes, costuma acusar os países asiáticos de praticar baixíssimos salários e, com isso, promover uma concorrência “desleal” com as economias ocidentais alvo de severas regulações e salários “dignos”. É verdade (embora já tenha sido muito mais verdade do que é hoje…) que os países asiáticos praticam baixos salários. O que estes internacionalistas de pacotilha não percebem é que, antes destes empregos, centenas de milhões viviam, quando não vegetavam e morriam de fome e doença, de uma agricultura de subsistência numa armadilha de pobreza faminta. Depois, e progressivamente, nestes últimos 20 anos, com a chamada globalização, ou seja, com a aceleração das trocas internacionais, o crescimento económico acelerou tremendamente e, pela primeira vez na História, num espaço de tempo tão curto, centenas de milhões de pessoas sairam e estão a sair da pobreza absoluta. Veja-se como a Índia e sobretudo a China, muito rapidamente se tornaram centros de produção de tecnologia de ponta e de “massa” científica com a “produção” de milhões de engenheiros por ano.

    3 – A discussão sobre o SMN é já muito antiga (desde finais do século XIX quando foi introduzido na Oceania (Nova Zelândia e Austrália) e, como toda a interferência estatal nos mercados, é alvo de disputa quanto à sua eficácia.

    Porém, de um ponto de vista estrito da ciência económica, não existe uma doutrina formalizada que procure demonstrar que a existência de um SMN provova mais efeitos positivos que negativos. O argumento habitual a seu favor, no âmbito do “senso comum”, reside em questões morais ligadas ao que as sociedades consideram ser, num dado momento, o limite da dignidade para a remuneração de um trabalhador.

    Já os cépticos da bondade da intervenção estatal sem ser à custa do orçamento, ou seja, directamente dos impostos, e antes à custa dos empregadores, apontam normalmente as seguintes desvantagens:

    a) Quanto ao limite do SMN. Se o mesmo é muito baixo relativamente aos salários praticados numa economia, então os efeitos tendem a ser nulos; se o mesmo for “alto”, então o impacto na economia é real podendo daí acontecer: i) que o ganho para aqueles que permanecerem empregados seja inferior ao daqueles que perderem os seus empregos e, ponto muito importante, daqueles que não irão conseguir encontrar um emprego por esse facto. Deste modo, a economia como um todo fica a perder; ii) é bem provável que a mera existência de um salário mínimo ajude a baixar os salários caso ele não existisse, isto é: eu, empresário, poderia pagar 100 mas, havendo um salário mínimo, por essa razão, só vou pagar 80 até porque o Estado me “legitima” a tal. Resultado: a parte do rendimento nacional que cabe ao ao factor trabalho diminuirá em vez de aumentar; iii) para aqueles que defendem que a existência de um SMN, pelo seu valor diminuto, não tem efeitos significativos na economia, talvez seja melhor perguntarem-se, como bem recorda João Miranda neste post, qual então a razão porque o Governo entendeu “subsidiar” esse aumento em 2010 através da redução da TSU?

    4 – A Economia é uma disciplina muito “participada” pelo que todos os cidadãos tendem a achar que sabem da temática. Neste sentido é, talvez, a área do saber mais “democrática” o que sendo saudável, porque induz a participação na discussão dos problemas, tem também efeitos alguns efeitos preversos. Nomeadamente quanto à forma como se interpretam os recursos do Estado.

    Se nas nossas casas, no nosso orçamento familiar, facilmente compreendemos que há um limite para o endividamento crescente resultante de, ano após ano, gastarmos mais do que o rendimento obtido, já a comum percepção das finanças do Estado é outra. Como se o Estado possuísse alguma característica mágica que escapasse à simplicidade da economia caseira. Ora, o Estado nunca teve essa magia. NUNCA. Mesmo quando nos “dava” aumentos salariais de 20% ao ano quando, na realidade, correspondiam a diminuições do rendimento real das famílias por efeito de uma inflação ainda maior. Fenómeno que um Estado “gordo” até tinha vantagens em promover pois, era uma forma ínvia, mas muito eficaz, de embaratecer o custo real da sua própria dívida.

    5 – Na sociedade portuguesa, conhecemos bem uma outra medida “social”: a do congelamento das rendas que, uma certa mitologia, atribui a Salazar mas que, na realidade, provém do início da I República. Basta ir às “Baixas” de Lisboa e Porto para perceber que a promoção de medidas sociais à custa, não do orçamento gerido pelo Estado, mas à conta de particulares tem, a longo prazo, um custo gigantesco. No caso, o esvaziamento das cidades. Lisboa, hoje, tem menos cem mil habitantes que em 1930! Quanto ao Porto, a estimativa para 2011 aponta para uma população de cerca de 200 mil habitantes, muito próxima dos 183 mil existentes em 1911.

    4 – Por último, se o Estado resolve impôr, nas circunstâncias actuais, para toda a economia, independentemente do sector, exportador ou não, um aumento de 5.5% do salário a cerca de 340 mil trabalhadores (esperemos que não venham a ser menos, o que duvido muito…), então vou ficar à espera que faça algo de semelhante para aqueles que vivem com pensões inferiores a 300 euros mensais. Por que razão tenho a certeza que o não fará? Será porque acha que é um valor aceitável?

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  10. ALICATE's avatar
    ALICATE permalink
    5 Dezembro, 2009 19:58

    O TINA dos frangos?
    Como diz o meu filho que grande MALÚÚÚCA ?!!!

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  11. Percebeste Alguma coisa do que ele disse?'s avatar
    Percebeste Alguma coisa do que ele disse? permalink
    5 Dezembro, 2009 20:45

    “Sistema automático de Vendas” ??????

    Andas mesmo a bater mal Joao Miranda, ou então andas a ver muitos filmes de ficção científica.

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  12. DesconfiandoSempre's avatar
    DesconfiandoSempre permalink
    5 Dezembro, 2009 21:18

    9,
    Qual é sua camarilha, ó tótó?
    É à sua custa que são distribuídas benesses?
    O que é que vc. já fez ou faz em prol deste país?
    Se acha que os países asiáticos não praticam baixíssimos salários, mas praticam baixos salários, e que isso até nem é mau. Porque é que não vai p’rá ponta da tecnologia da China ou da Índia ou p’ró … país que o quiser?

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