Se calhar não
Pacheco Pereira hoje, no PÚBLICO:
«O que mais me assusta é a irresponsabilidade de toda esta “festa”. Os jornais e as televisões ardem de falsa indignação quando um deputado chama palhaço a outro ou o manda a qualquer lugar feio, mas não é isso que ajuda a estragar o Parlamento: é o momento em que este, sem sequer parar para pensar, se desvia do país para navegar causas absurdas com as quais gasta as melhores das suas palavras. Quando ouvia interiormente o «tirem-me daqui», foi quando assistia aos discursos grandiloquentes sobre o dia da «decência», o momento de «grande dignidade», a «reparação dos direitos ofendidos», a dádiva da “maior felicidade”, com hipérbole sobre hipérbole, desde o primeiro-ministro aos Verdes, do Bloco de Esquerda ao discurso de puro insulto inflamado de um deputado da JS.
No meio disto tudo, o discurso de Vale de Almeida parecia um exemplo de moderação, apesar do seu tom de oração evangélica aos «irmãos e irmãs», que fazia chorar as pedras da calçada. E mesmo Assis, que é bem melhor do que a sua bancada, colocava entre parêntesis o seu pessimismo antropológico para saudar o «progresso» daquele dia, em que o Sol rasgava as trevas ignaras da Reacção. Parecia o Congresso a aprovar a Declaração da Independência. Só o PCP, embora votando junto com a esquerda, mantinha uma reserva e discrição envergonhada, eles que ainda mantêm o fio da corrente ligado à terra e sabem bem que tudo aquilo é mais folclore do que qualquer emancipação de um direito. E era tudo, no fundo, tão ridículo, que eu me perguntava: será que «eles» não dão por ela? Se calhar não.
As principais vítimas de tudo isto serão aqueles que amam ou desejam alguém do mesmo sexo, homossexuais e lésbicas, mais os primeiros do que as segundas, que sitiados por uma sociedade que efectivamente os hostiliza e maltrata, serão vítimas de ver o seu amor ou o seu desejo ainda mais marginalizado pela exibição mais ou menos folclórica e «fracturante» de meia dúzia de intelectuais, pequenos e médios criadores e artistas, gente do mundo da comunicação social, das indústrias culturais, da moda, urbana, jovem, bem arranjada e chique, que em conjunto com alguns políticos, deram origem a uma pseudocausa, de um pseudodireito, o do casamento entre pessoas do mesmo sexo. O Partido Socialista frágil nas suas convicções e sem uma ideia consistente para o país, que cada vez menos conhece, abriu a brecha por onde o Bloco de Esquerda entrou. E não o fez só agora, já com a legislação sobre o divórcio se andam a meter nas andanças da engenharia social «fracturante», gerando uma sociedade mais fragilizada e menos justa para os fracos, como as mulheres divorciadas por carta e os homossexuais que não pertencem à beautiful people.»

http://aboiada.blogspot.com/2010/01/jornalistas-na-cama-com-o-ministerio.html
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Uma das poucas pessoas lucidas com um pe no ultraperiferico portugal
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O PP está velho.
Velho e revoltado com o mundo.
Estão todos errados, ninguém o compreende. Só a sua sombra ou algum outro que ele permita como seu lacaio de ocasião.
Já começou o seu Inverno.
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“…meia dúzia de intelectuais, pequenos e médios criadores e artistas, gente do mundo da comunicação social, das indústrias culturais, da moda, urbana, jovem, bem arranjada e chique […] alguns políticos…” também têm direito ao seu casamento, não?
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A declaração lida do PCP sob a perspectiva jurídica da coisa foi a melhor intervenção, na minha opinião
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Agora só falta o novo sexo (o sexo que sente atracção pelo mesmo sexo) querer ficar com a sua quota na AR. é justo!
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Eu queria ajudar o Pacheco Pereira. E acho que pela primeiras vez ele esteve em uníssono com a esmagadora maioria dos eleitores. Só não percebo porque é o estúpido só ouvia a voz interior a dizer “tirem-me daqui” quando há milhões de vozes exteriores que há anos lhe dizem “sai daí, imbecil!”. Vai-se a ver, é surdo…
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Há tanta gente que se calhar não dá pela coisa, tal é o grau de cegueira e falta de adesão à realidade. Como aquelas pessoas que olham para os homossexuais e vêem um filme pornográfico. São os chamados cristãos (e humanistas).
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Seria preferível – se soubesse -, a helenafmatos escrever que a maioria quer ser considerada “beutiful people) e, afinal, são do mais rasca que há.
Um exemplo curioso é o do Herman José – que tem o mérito de se fartar de estudar e trabalhar -, que quer ser a todo o custo conotade com a fina flor da sociedade.
Coitado. Não é, está longe de o ser e é tão reles que faz dó.
Xico
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Não há ninguém que faça melhor caricatura da sociedade que Pacheco Pereira. Mostra um profundo conhecimento do nosso mundo pequeno e saloio.
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“quando um deputado chama palhaço a outro ou o manda a qualquer lugar feio”
Lugar feio?
Ir prócaralho é ir a um lugar feio?
Ele lá saberá do que fala, mas os que eu conheço sempre os achei bem bonitos.
Não estará ele a confundir com o vaiprácona da tua tia com que costumam obsequiar a minha sobrinha?
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Mais um artigo brilhante de JPP, desta vez sobre os blogues pró-sócrates:
“(…) A mecânica destes blogues está longe de ser a discussão política, mas uma regra típica dos aprendizes de feiticeiro: a destruição dos adversários a golpes de insultos e calúnias, já que não se pode prendê-los, nem censurá-los. Os seus executores são gente mais à esquerda do que o PS, com pretensões intelectuais, mas com a pior das tentações intelectuais, a que vem da desenvoltura e do sentido de impunidade de quem acha que está no poder e tudo lhe é permitido.”
(tirado do Abrupto, peço desculpa por não ter pedido autorização)
São assim também muitos dos comentadores pró-Sócrates que afluem ao Blasfémias.
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Tirem-no daqui!
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Puro senso-comum.
Agora o PCP ( Pró Casamento Paneleiro) é que vendeu a alma ao Diabo.
Que explicações terão sido dadas (ou estarão a ser dadas) ao “rank and file”, infinitamente mais justo e decente do que a “nomenklatura” que os representa em S.Bento? E como é que o Jerónimo terá sido convencido a entrar neste Carnaval?…
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O PCP está bem cimentado nas bases.Verificou que quer nos coros alentejanos, quer nos mineiros, quer nos ranchos de mulheres o que faltava era poderem escolher o seu amor do mesmo género…
Para não destoarem os “intelectuais”, jornalistas, actores,controleiros, etc seguem , com sacrifício o mesmo caminho…
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Não sei mesmo se o Jerónimo não se terá algum dia embeiçado por algum metalurgico entrocado e descamisado lá no estaleiro…
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Finalmente os paneleiros africanos podem pedir cá asilo por homofobia gritante, em especial no norte de áfrica…
Acho até que a exemplo da pensão de anti-fascista deveriam dar a todos os paneleiros uma pensão pelo sofrimento de antenho…
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Continuo a dizer que a bigamia está a ser altamente discriminada..já nem falo na poligamia por economicamente ser insustentável..agora a bigamia até era bom para equilibrar as contas dos casais que a praticasse..sempre eram três a ganhar..mesmo que um ficasse no desemprego…
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digo praticassem…
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Redefinimos casamento e entrámos na agenda escondida do grupo de homossexuais e lésbicas, enfim querem crescer (em nº), reproduzir-se, aumentarem a sua influência económica política e social. A repercussão na sociedade apenas alguns alcançaram, Pacheco Pereira foi um deles. A verdade é que Sócrates é o campeão do desemprego, do défice, dos maus resultados na balança comercial, na perda de competitividade, na queda de posições em na liberdade de imprensa (observatórios independentes), mas tem de manter a sua agenda mediática e ter uns trunfos, não aconteça as sondagens serem-lhe desfavoráveis e o parlamento dar-lhe xeque-mate.
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Socrates esta finito, um sopro e estatela-se……
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