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Retirar do Haiti?*

23 Janeiro, 2010

A pergunta pode parecer muito estranha em Janeiro de 2010 mas talvez não pareça tão estranha dentro de algum tempo. Comecemos por ler os diversos sites venezuelanos de apoio a Chávez. É certo que os comunicadores oficiosos sustentados por Caracas estão para o presidente venezuelano como Hans Richter, o cientista que prometia a fusão fria, estava para o argentino Perón: enquanto houver dinheiro não há limites para o disparate mas a verdade é que nesse mundo já se fala de ocupação americana do Haiti. Ou, noutro registo mais formal, recuperemos a interpelação à ONU sobre o papel dos EUA no Haiti feita pelo ministro francês da Cooperação, Alain Joyandet. No fim percebermos que não foi apenas o solo do Haiti que tremeu. Em ruínas ficaram também muitas das ilusões sobre o que são estes países que vivem há décadas de ajudas e compaixão mas que são estados falhados: a violência não começou após o terramoto e as dificuldades em conseguir distribuir alimentos são por demais conhecidas dos membros da missão da ONU que há anos se encontram naquele país.
A presença dos norte-americanos no Haiti é neste momento gigantesca. E até não andarão muito longe da verdade aqueles que vierem dizer que Obama procurou influenciar a opinião pública com esta operação num momento em que experimenta dificuldades militares no Afeganistão. Mas diante de todos nós ficou clara a evidência de que até os EUA enviarem homens em número suficiente a ajuda não teria possibilidades de ir um pouco além do aeroporto. Para a UE, da qual faz parte a França, antiga potência colonial do Haiti, é particularmente constrangedor constatar o óbvio, ou seja a irrelevância, tanto mais que para lá do protagonismo dos norte-americanos há também que contar com a presença saliente do Brasil no Haiti (e no mundo).
A Europa começou por adjudicar a sua defesa aos EUA. Esta demissão permitiu poupanças e embaraços, tanto mais que deste lado do Atlântico é muito difícil justificar gastos com as Forças Armadas ou sequer explicar a sua existência, caso estas não se confinem a ser uma espécie de ONG fardada que distribui sacos de arroz e analgésicos pelo mundo. Mas como se está a perceber no Haiti, mesmo para a ajuda humanitári há que ter um lastro de estruturas e de capacidade de coordenar vontades. Como acontece há décadas isso veio do sítio do costume. Como de costume, os movimentos do costume e os países do costume virão dentro de algum tempo pedir que os EUA retirem do Haiti. Mas convém não esquecer o que disse o almirante Gary Roughead no início desta operação: “Ficaremos todo o tempo que for preciso.” Uma frase muito semelhante ao ficaremos “durante todo o tempo necessário, até acabarmos o trabalho” pronunciado no início da intervenção na Coreia e repetido pelo ex-embaixador da administração Clinton na ONU, Richard Holbrook, a propósito do Afeganistão, em Abril de 2002.
Na verdade, no mundo ocidental mais niguém o diz e muito menos o pode dizer. E mesmo aos EUA não é fácil mantê-lo. Por isso, sabemos que mais tarde ou mais cedo se vai exigir aos EUA que retirem. Não só para que a influência dos EUA diminua mas sobretudo para que não se torne tão óbvio aquilo que nós desistimos de ser.

*PÚBLICO

40 comentários leave one →
  1. Pedro C's avatar
    Pedro C permalink
    23 Janeiro, 2010 10:19

    As incensadas descolonizações estão à vista. Os filocolonizadores estão sempre à espreita e por trás da máscara da caridade há, muitas vezes, o sonho de recuperar antigas grandezas e influências. Até ex-colonos como EEUU e até o Brasil, quem diria… Naturalmente manda o mais forte, talvez para bem daquela infeliz população: a liberdade e a independência são luxos dispensáveis para as populações quando as necessidades básicas são uma miragem.

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  2. Atoleiro's avatar
    Atoleiro permalink
    23 Janeiro, 2010 10:27

    Eu comparo os dislates que se vão dizendo com o suposto conhecimento que hoje em dia navega pelas mentes deste mundo, muito bem representado por aquilo que se “ensina” nas NO.
    O Haiti quase não existia,no Haiti nunca houve pobreza, no Haiti nunca houve violência, no Haiti nunca lá estiveram capacetes azuis, ou se estiveram tinham tornado aquilo num paraíso…….
    Fomos convidados a fazer um curso de Haiti nas novas oportunidades e descobrimos o Haiti a partir do dia em que o primeiro jornalista aterrou depois do terramoto…e nos dias subsequentes.
    De leve alguns destes abordam que estado haitiano não existe pondo as culpas no terramoto. Das forças da ONU só a desgraça que lhes aconteceu também.
    Fazem a “descobrida” que mesmo chegando ao aeroporto bastante ajuda ela não sai. Ninguém se interroga porquê.A força da ONU é a única autoridade presente mas ninguém lhe atribui nenhuma responsabilidade. Essas maravilhosas ONG prenhes de solidariedade que gastam normalmente mais de 60% dos seus orçamentos em “custos internos próprios” também não tem qualquer responsabilidade, ninguém as tem.
    Rapidamente descobrimos que o Haiti só existe depois dos mais de cem mil mortes e que o único esforço sério feito por algum país, no sentido da organização e segurança para se poder chegar aos necessitados é feito pelos EUA e…. rapidamente travado pelas “descoordenação” ONU/EUA ou por estes quererem “invadir” o Haiti.
    O mundo é lindo de intenções “europeias humanistas” que não saem do aeroporto enquanto os haitianos morrem. O mundo é “fácil de interpretar” quando os “adventistas bolivarianos” gritam mais médicos menos tropas, mesmo sabendo que nenhum deles poderá fazer um curativo sem tropas ao lado.
    Não….. O Haiti era um paraiso de paz e fraternidade até ser invadido.
    É esta a ideia que fica, repito, pelas novas oportunidades do jornalismo e pela “coltura”.

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  3. Desconhecida's avatar
    anonimo permalink
    23 Janeiro, 2010 10:31

    bravo helena! consegue escrever 1/4 kg de prosa sem nada dizer, mesmo assim muito linge dos mínimos olímpicos da modalidade, tem que praticar mais.

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  4. Desconhecida's avatar
    anonimo permalink
    23 Janeiro, 2010 10:34

    nem percebo como é que o público ainda não a mandou para o taiti apanhar monói.

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  5. helenafmatos's avatar
    helenafmatos permalink
    23 Janeiro, 2010 10:38

    Aónimo por estranho que lhe pareça nem toda a gente é mandada ou pode ser mandada. Habitue-se.

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  6. Desconhecida's avatar
    anonimo permalink
    23 Janeiro, 2010 10:44

    “Aónimo por estranho que lhe pareça nem toda a gente é mandada ou pode ser mandada”

    faz só um postezito a dizer mal do teu patrão belarmino ou do público que eu passo a acreditar em ti.

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  7. JP Ribeiro's avatar
    JP Ribeiro permalink
    23 Janeiro, 2010 10:46

    Assisti ao final de um debate na RTP-N entre Bagão Félix e outro senhor cujo nome desconheço, à frases finais em que este senhor reconhecia que o Haiti era pobre apenas “porque entre outras coisas havia dois milhões de pessoas refugiadas na capital por causa da depressão nos preços do arroz provocada pelos mesmos países que agora diziam querer vir ajudar”. Bagão Félix ficou quieto e mudo perante esta barbaridade.

    Claro que o autor só podia se estar a referir ao Brasil, país que há anos comanda o policiamento no Haiti, grande produtor mundial de arroz, ou talvez à China e India igualmente grandes produtores de arroz, e presentes no Haiti. nem podia ser outro.

    Também fiquei estupefacto porque o autor da frase deixa inexplicado o facto de o Haiti ser sete vezes mais pobre per capita que o seu unico vizinho, a Republica Dominicana com o qual partilha a mesma ilha, o mesmo clima. Será também culpa do Brasil, ou da RTP que deixa qualquer um vir debitar inanidades (a cartilha anti capitalista) sobre assuntos que desconhece?

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  8. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    23 Janeiro, 2010 11:37

    Logo a seguir a cataclismos naturais desta dimensão a sociedade fica temporariamente quase completamente desestruturada. Os centros de poder e os interesses organizados perdem por momentos o controlo da situação.
    Nestas alturas, a opinião publica é mais espontanea e livre de propagandas e intimidações.
    Depois, rapidamente, velhos e novos poderes e interesses politicamente organizados voltam a tomar conta da situação. E acabam em grande medida por determinar e limitar as escolhas da opinião publica.

    Aposto que neste momento uma maioria dos haitianos até gostaria que os EUA se instalassem por muito tempo ou até que o Haiti se tornasse pura e simplesmente no 51° Estado da união.
    Porque sabem bem que o pais ganharia em viabilidade e prosperidade e que poderiam então realizar sem entraves o sonho de muitos – emigrar para os States !

    Mas claro que nada disso acontecera – não interessa às elites e interesses economicos locais, não interessa à ONU, não é do gosto do “politicamente correcto” mundial, dos governos da região, da UE, etc, etc..

    Infelizmente, os EUA acabarão mesmo por retirar do Haiti bem antes de terem acabado o trabalho.

    E, depois de os holofotes do “humanitarismo-mediatico-alimentador-de-boas-consciencias” se apagarem, o Haiti continuara a ser o “paraiso de paz e fraternidade” que refere o Atoleiro (2.) !…

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  9. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    23 Janeiro, 2010 14:04

    A tragédia do Haiti veio confirmar, uma vez mais, algumas verdades que insistimos em ignorar:

    1. Os povos mal governados sofrem mais com as crises (esta também serve para nós).

    2. Os EUA continuam a ser os únicos capazes de responder a catástrofes da dimensão que atingiu o Haiti. Sem a acção rápida dos americanos a tragédia dos sobreviventes suplantaria a dos que nela perderam a vida.As qualidades deste grande Povo continuam a suplantar os seus defeitos.

    3. A França (Europa)continua a mesma do “Ancien Régime”, cagona e palavrosa, mas com pouca capacidade de acção.

    4. Que apesar do cinismo e materialismo crescentes, os homens continuam a ser homens e reagem de forma humana quando vêem outros
    homens trágicamente atingidos pela desgraça. Ainda há esperança.

    5. Que os ditadores do costume ficaram todos preocupados com as questões de poder e domínio, cagando-se para os verdadeiros problemas que atingiram o Haiti.

    6. Que nós, portugueses, depois de várias peripécias lá conseguimos mandar um avião com auxílio. Espero que a nossa crise não nos impeça de olhar para a dos outros.

    7.Que as tragédias desta amplitude nos lembram a importância da dimensão humana da vida e que é por ela que devemos continuar a lutar.

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  10. Desconhecida's avatar
    23 Janeiro, 2010 14:23

    A dimensão da tragédia que atingiu o Haiti veio demonstrar algumas verdades que insistimos em ignorar:

    1. Que os povos mal governados sofrem mais quando atingidos por grandes desgraças (esta também serve para nós).

    2. Que os EUA continuam a ser ou únicos com capacidade para responder a calamidades desta dimensão e que, sem essa resposta, o sofrimento dos sobreviventes suplantaria o dos que nelas perecem.

    3. Que a França (Europa) não mudou nada desde o “Ancien Régime” e continua tão cagona e palavrosa como incapaz de reagir à altura dos acontecimentos.

    4. Que nós, portugueses, depois de várias peripécias lá conseguimos enviar um avião com auxílio. Fica-nos bem perceber que há sempre desgraças maiores que a nossa.

    5. Que os ditadores do costume se preocupam muito com as questões de poder e de domínio, mas são incapazes de responder com os meios de auxílio que as situações exigem.

    6. Que, apesar do cinismo e materialismo dominantes, a dimensão humana acaba por se evidenciar nos momentos de maior tragédia. O que nos ajuda a acreditar que nem tudo estará perdido.

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  11. Desconhecida's avatar
    23 Janeiro, 2010 14:25

    Desculpem pensei que a primeira versão tinha sido engolida. De qualquer maneira tinha saído anónima!

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  12. Desconhecida's avatar
    Golp(ada) permalink
    23 Janeiro, 2010 14:33

    Porque não mandam de pára-quedas as toneladas e toneladas de comida?
    Depois de saciados é mais fácil a entrada e reconstrução do país.

    Claro que a agenda é outra…

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  13. Desconhecida's avatar
    Golp(ada) permalink
    23 Janeiro, 2010 14:38

    Os EUA correram com os jornalistas do aeroporto, como se o país fosse deles.
    E na prática é.

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  14. ANTÓNIMO's avatar
    ANTÓNIMO permalink
    23 Janeiro, 2010 15:08

    # 6 anónimo

    sem querer defender a HM, que ela não precisa que a defendam, acha que tem que se dizer mal de alguém ou de alguma coisa para se passar a ter algum valor?

    Há, realmente, umas cabecinhas tão ôcas, que não dá para entender!…

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  15. Atoleiro's avatar
    Atoleiro permalink
    23 Janeiro, 2010 15:13

    O lançamento de para-quedas de comida tem restrições técnicas e nunca poderia ser feito em escala suficiente.
    Apesar disso os únicos que o estão a fazer são os “malditos ” EUA.
    Mas…isso levanta outra questão ainda mais perigosa
    O controlo do material lançado pode não chegar sequer ás mãos da população pois que polulam os mesmos gangues de criminosos que quase sempre “controlaram” o Haiti mesmo antes do terramoto.
    Pode assim estar-se a dar força a esses criminosos.
    Quanto ao facto de terem corrido com os jornalistas do aeroporto acho que foi até uma medida sanitária.
    A grande maioria deles além de ocuparem espaço comida e beneficiarem da segurança faziam e fazem pequenas incursões rápidas beneficiando da segurança destinada ás equipas de salvamento e mais nada. No afã de não fazendo nada mais que isso limitaram-se a falar mal do próprio aeroporto, única estrutura funcionar á custa dos mesmos “malditos” EUA, já que nenhum país ou organização foi capaz de o fazer (ainda estaríamos á espera que funcionasse).
    Lugar de jornalista não é no aeroporto e muito menos num aeroporto limitado em que nem sequer se conseguia fazer aterrar mais aviões.
    Um olhar mais atento ás nossas tvs bastaria para chegar á conclusão que estes empecilhos só faziam directos de dentro do aeroporto.

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  16. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    23 Janeiro, 2010 15:35

    “Porque não mandam de pára-quedas as toneladas e toneladas de comida?
    Depois de saciados é mais fácil a entrada e reconstrução do país.”

    Ah queres destruir os produtores que restam no País…Gangues dizem-te alguma coisa?

    Sem propriedade privada, um sistema de justiça independente não há razões para investimento nem acumulação de riqueza. É sempre isso que está em causa nos países pobres.

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  17. Desconhecida's avatar
    23 Janeiro, 2010 15:40

    A Somália tem propriedade privada e justiça independente.

    Qual será o problema?

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  18. Desconhecida's avatar
    23 Janeiro, 2010 15:40

    O que será isso de “justiça independente”?

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  19. Desconhecida's avatar
    23 Janeiro, 2010 15:42

    Aqueles gangues são fruto do Estado ter caído na rua.

    Nunca perceberei estes auto-nominados liberais que garantem que sem Estado e com propriedade privada inviolável, por inexistência de impostos, tínhamos a utopia na terra.

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  20. Piscoiso's avatar
    23 Janeiro, 2010 15:43

    É claro que mandar jornalistas para o Haiti, tem de ser um jornalista “de guerra”. Ninguém pensa mandar a Judite de Sousa para o Haiti, com a sua parafernália de cosméticos.

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  21. Piscoiso's avatar
    23 Janeiro, 2010 15:52

    Os EUA estão no Haiti (para alem da ajuda humanitária), obviamente para controlar o renascimento dos novos poderes que irão desbrochar do caos que o terramoto provocou.
    Para Obama é pouco mais que um jogo vídeo, tipo Sim-City.

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  22. fado alexandrino's avatar
    23 Janeiro, 2010 16:06

    Vai haver um jogo (enfim um encontro de estrelas) no Estádio da Luz e a receita é enviada para o Haiti parra ajudar os pobrezinhos.
    E assim, oficialmente, deixa de haver pobrezinhos em Portugal para ajudar.

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  23. licas's avatar
    licas permalink
    23 Janeiro, 2010 16:27

    Gostava de saber, se não é pedir muito aos cultores da Teoria da Conspiração, qual são os interesses econímico/estratégico dos EE. UU.
    no Haiti. É que assim poderia começar a minha instrução, tão deficiente, em *politicamente correcto *.

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  24. Pinto's avatar
    Pinto permalink
    23 Janeiro, 2010 17:40

    Vou repetir um comentário que já aqui deixei:

    (…) Barack Obama, afirmara logo após a tragédia geológica, que o povo haitiano não seria esquecido, obrigando a comunidade internacional a refletir sobre a responsabilidade dos países que exploraram e abandonaram o Haiti (…)

    Outros dados:

    Data da independência do Haiti: 1 de Janeiro de 1804
    Data da independência da Nova Zelândia: 26 de Setembro de 1907

    Notícia do DN: É o regresso do olho por olho, dente por dente na sua forma mais cruel. “Ele assaltou um comerciante aqui da rua, deu-lhe um tiro na cabeça e matou-o. Nós e outros vizinhos juntamo-nos e queimamos o bandido aqui mesmo.” E foi assim porque, para Joseph Alan, “se não há lei nem justiça neste país, nós temos de nos defender”.
    Joseph não é o único adepto da justiça popular. Já era assim antes do terramoto e agora que as já debilitadas estruturas básicas do país foram simplesmente destruídas a luta pela sobrevivência é feita a qualquer custo (…) Já antes do terramoto Port-au-Prince era considerada uma das capitais mais violentas do mundo. Agora, após o terramoto, estão criadas as condições para tudo piorar. E quanto mais demorar a entrega em massa de alimentos à populaçãoa faminta pior será. No sábado dois engenheiros agrónomos da vizinha República Dominicana foram atingidos a tiro quando procediam ao transporte de ajuda alimentar até ao Haiti.

    Palavra de honra que tenho muita pena daquela gente que sofre no Haiti mas isto (“E quanto mais demorar a entrega em massa de alimentos à população a faminta pior será”) é alguma ameaça?

    Artigo de opinião de Alberto Gonçalves: (…) O terramoto apenas tornou a necessidade de esmolas maior e mais urgente, mas o extraordinário caos que se lhe seguiu também deveria ajudar a perceber que o azar dos haitianos é, em larga medida, obra dos próprios, ou dos que neles mandam e mandaram. Ignorar isto em prol da ladainha anti-imperialista é condenar milhões a um destino permanentemente miserável e esporadicamente merecedor de abalos, geológicos e emocionais. No Haiti e não só no Haiti, os sismos matam menos que o paternalismo.

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  25. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    23 Janeiro, 2010 17:42

    Haiti Is a Man-Made DisasterRecovery will require a profound cultural and political change.
    By Anne Applebaum

    http://www.slate.com/id/2241861/

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  26. Desconhecida's avatar
    Tribunus permalink
    23 Janeiro, 2010 19:34

    Os nosso idiotas jornalistas, disseram tanta parvoice sobre o Haiti, mas não nos contaram 20 anos do que foi a vida daquela gente pronta a fazer filhos, matar e roubar e que agora até tiveram um terremoto! não sejam idiotas, tiram um curso merdoso de comunicação social e não aprendem nada do social humamno, tem a mania que aão de esquerda e olham o mundo dessa forma, só que são tão putos que se esqueçem como acabou a união sovietica marxista! como naquela zona os governos são despostas debaixo de uma capa marxista! aprendam, porque portugal depois de 35 anos não vai continuar na memsma merda, por uma unica razão não tem dinheiro e tem demasiados desempregados, alem dos que ainda estão empregados!”

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  27. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    23 Janeiro, 2010 19:49

    o seu unico vizinho, a Republica Dominicana com o qual partilha a mesma ilha, o mesmo clima.

    Não partilha o mesmo clima. Também por esse motivo o ambiente (ecológico) é mais frágil do lado do Haiti. O Haiti nunca recuperou da desflorestação não só, mas também por esse motivo. Hoje tem 2% do território florestado (70% tem o vizinho). Tem metade do território e o dobro da população da Rep. Dominicana. É um estado falhado e inviável. Já era muito antes do terramoto.
    Mas também é bom que se diga que os franceses espremeram-no até onde puderam. Os Haitianos estiveram a pagar a independência (a França) até 1947, junte-se ditadores corruptos e sanguinários… Enfim. Uma miséria franciscana.

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  28. Desconhecida's avatar
    O Ferreira permalink
    23 Janeiro, 2010 19:49

    #21
    Que tristeza.
    Isso é só falta de vergonha e estupidez ou é o melhor que consegue?
    Não sei como há pachorra para comentários desses.
    Nem o Chavez com a causa do terramoto ter sido o teste da “máquina de terramotos” dos EU foi tão estúpido assim.

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  29. Desconhecida's avatar
    Critico permalink
    23 Janeiro, 2010 20:23

    É simples,depois do circo mediático,depois desta “hipócrita” onda de pseudo solidariedade e claro,da fraca competência por parte de organizações na ajuda das vitimas, está na hora de se retirar.Mas claro, o show das estrelas na angariação de fundos já foi feito,á grandes bolsos deve ter o “senhor” Clinton,é pena é concerteza as vítimas não verem uma grande parte da ajuda.

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  30. Atoleiro's avatar
    Atoleiro permalink
    23 Janeiro, 2010 20:29

    Concerteza??? ora aprende

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  31. Desconhecida's avatar
    Golp(ada) permalink
    23 Janeiro, 2010 20:30

    lucklucky disse

    “Ah queres destruir os produtores que restam no País…Gangues dizem-te alguma coisa?”

    Quais e produtores de quê?
    Gangues ou não, alguns sempre comeriam algo, assim mais logo comem-se é uns aos outros.
    Atoleiro disse:
    “O lançamento de para-quedas de comida tem restrições técnicas e nunca poderia ser feito em escala suficiente.”

    Tá mais que visto que a actual ajuda é que é insuficiente.
    Logísticamente bastava que a partir do aeroporto de Port-au-Prince os C-130 descolassem lançando mantimentos.
    As pessoas com fome tambem reagem a gangues, não se preocupe.

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  32. Desconhecida's avatar
    Critico permalink
    23 Janeiro, 2010 20:56

    Sinceramente acho graça quando se tenta superiorizar a outro apontando o dedo á escrita,embora seja errado dizer concerteza prefiro dize-lo a dizer com certeza,leve lá a taça de “bom português”. =)

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  33. hajapachorra's avatar
    hajapachorra permalink
    24 Janeiro, 2010 03:04

    Quero lá saber dos americanos ou dos franceses de quem já nem o dr. Soares se lembra. A estupidez tem dono, os autoproclamados jornalistas. A estupidez e a completa falta de humanidade daquela fauna que voou para o Haiti devia ser julgada no tribunal de Haia. Uma dessas avantesmas, da TVI mas podia ser de outra sentina qualquer, pergunta a um senhor haitiano que está deitado numa espécie de cama de uma espécie de hospital, depois de o atanazar com várias obviedades: Então e a sua família. Silêncio de vários segundos, o homem coomove-se e tartamudeia: perdi a mulher e um filho. Silêncio de um minuto, que o abutre está a preparar-se para investir quando se soltar o pranto. Aquele senhor aguenta-se. Mas a fabiana do microfone cospe impiedosa: Estão mortos. A filha das ervas não conseguiu guardar a pergunta retórica no bolso, como todos, todos, não questionam sequer a indignidade de mostrarem os cadáveres, a putrefacção. Já se sabia que eram estúpidos e ignorantes como casas, agora confirma-se aquilo que já se intuía, jornalista é necrófago que numa sociedade civilizada devia ser mantido afastado das povoações.

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  34. Desconhecida's avatar
    24 Janeiro, 2010 12:27

    A propósito do controlo do aeroporto pelos americanos, tão contestado por alguns:

    “Those who act have an advantage over those who talk” (J.F.Kennedy)

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  35. Desconhecida's avatar
    24 Janeiro, 2010 13:13

    Aquele Alberto Gonçalves é um nojo.

    Até à conta desta calamidade aproveita para vender a banha da cobra da cartilha.

    Com que então “o paternalismo no Haiti mata mais que terramotos”.

    Este animal jornaleiro precisava de alcatrão e penas.

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  36. Desconhecida's avatar
    anonimo permalink
    24 Janeiro, 2010 13:45

    aquilo tem mais jornalistas que ajuda humanitária.

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  37. Desconhecida's avatar
    24 Janeiro, 2010 15:06

    A única hipótese para o Haiti é os Estados Unidos “pegarem” naquilo!…

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  38. Zé Preto's avatar
    25 Janeiro, 2010 07:12

    A Europa continua a viver em Liberdade, graças a dois americanos fantásticos: Reagan e Bush. O primeiro acabou com a guerra-fria, libertando metade da Europa de cerca de 50 anos de terror e escravatura social-fascista. O segundo, combatendo sem tréguas o nacional-socialismo islamita.

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  39. JoaoL's avatar
    JoaoL permalink
    25 Janeiro, 2010 10:56

    Anónimo,

    Parabéns! Quando você se consegue libertar dessa dependência de dizer mal da Helena, até diz umas coisas acertadas.

    Por acaso, as opiniões até são basicamente as mesmas…

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  40. Desconhecida's avatar

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