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Ricardo Salgado – II

6 Julho, 2010

Perguntem ao Sócrates

3 comentários leave one →
  1. socialista sem escroto's avatar
    socialista sem escroto permalink
    6 Julho, 2010 10:41

    Os homens de negócios nunca tiveram pátria..e mesmo a honra não se vende…pelo menos barato…mais uns milhões e adeus honra…

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  2. socialista sem escroto's avatar
    socialista sem escroto permalink
    6 Julho, 2010 10:46

    José António Saraiva

    Crise nacional

    Creio que a maioria das pessoas ainda não percebeu bem esta crise – e
    os economistas não estão a saber explicá-la com clareza.

    É verdade, como se tem dito, que há uma ‘crise nacional’ e uma ‘crise
    internacional’.

    Mas, depois desta evidência, a confusão que por aí vai é enorme.

    Comecemos pela crise portuguesa.

    Trata-se de uma crise profundíssima, potenciada por três factos
    capitais: o fim do Império, a passagem da ditadura à democracia e a
    entrada na União Europeia.

    Tudo isso, que se pensava vir a ter um efeito benéfico na economia,
    produziu de facto consequências devastadoras.

    O fim do Império limitou-nos o espaço vital, cerceou-nos
    matérias-primas e mercados, diminuiu-nos política e psicologicamente.

    A passagem da ditadura à democracia (com o seu rosário de greves,
    nacionalizações, perseguições, saneamentos, reivindicações laborais
    insustentáveis, etc.) destruiu boa parte do nosso tecido económico.

    A entrada na União Europeia e a abolição das fronteiras pôs-nos em
    confronto com economias muito mais avançadas, acabando de liquidar o
    que restava da nossa débil capacidade produtiva.

    A crise internacional é de outra natureza.

    Ela decorre da globalização e tem duas vertentes.

    Por um lado, os produtos feitos no Ocidente começam a não ter
    condições para competir a nível global com outros produzidos em países
    (China, Índia, Coreia, etc.) onde os salários e as regalias laborais
    são muitíssimo inferiores.

    Por outro lado, as empresas tendem a transferir cada vez mais as suas
    fábricas e serviços de Ocidente para Oriente – o que significa que no
    Ocidente vai aumentar o desemprego e no Oriente vai acentuar-se a
    procura de mão-de-obra.

    E, em consequência disso, no Ocidente baixarão os salários, acabarão
    muitas regalias sociais, numa palavra, será posto radicalmente em
    causa o tipo de vida que se fez nos últimos 50 anos.

    No Oriente, pelo contrário, os salários tenderão a subir e o nível de
    vida crescerá.

    Assim, a crise que hoje se vive no Ocidente é de natureza diferente
    das anteriores.

    Antes, eram crises de crescimento do capitalismo dentro da sua área
    geográfica; agora, a crise tem a ver com a globalização do
    capitalismo.

    Repare-se que grande parte do planeta, que até pouco vivia fora do
    sistema capitalista, aderiu à sociedade de mercado: basta pensar nas
    adesões quase simultâneas da Rússia e da China para se ter uma ideia
    do abrupto alargamento da área do capitalismo nos últimos anos.

    Os grandes grupos multinacionais, que antes estavam limitados a um
    determinado espaço territorial, hoje têm o planeta inteiro para
    instalar os seus centros de produção – podendo procurar os salários
    mais baixos, as melhores ofertas de mão-de-obra, as menores regalias
    dos trabalhadores.

    O planeta tornou-se um sistema de vasos comunicantes – onde, para uns
    viverem melhor, outros vão ter de viver pior.

    Para certas regiões subirem o nível de vida, outras vão
    necessariamente perder privilégios.

    Perante isto, perguntará o leitor: o que poderemos fazer para inverter
    o estado das coisas?

    Basicamente, não há nada a fazer.

    Os factores que potenciaram a crise nacional são irreversíveis – e a
    globalização não vai andar para trás.

    Assim, vamos ter de nos adaptar à nova situação, o que significa de
    uma maneira simples trabalhar mais e ganhar menos.

    Os salários vão baixar (lenta ou abruptamente) entre 10 e 30%, os
    horários de trabalho vão aumentar (com a abolição total das horas
    extraordinárias), o 13.º e 14.º meses vão ficar em causa, a idade da
    reforma também vai ser ampliada (para perto dos 70 anos), o rendimento
    mínimo garantido vai regredir drasticamente, o subsídio de desemprego
    também vai diminuir, a acumulação de reformas vai ser limitadíssima.

    Muitas ‘conquistas dos trabalhadores’ na Europa, obtidas no
    pós-_-guerra, vão regredir.

    As leis laborais vão ter de ser flexibilizadas.

    O sistema de saúde não vai poder continuar a gastar o que tem gasto.

    Preparem-se, porque não vale a pena protestar.

    O que não tem remédio, remediado está.

    Dizia há dias, com graça, Ernâni Lopes, a propósito do subsídio de
    férias: «Se dissessem a um americano: ‘Para o mês que vem não
    trabalhas e ganhas dois ordenados’, ele não acreditava».

    Pois há muitos anos é esta a situação: não trabalhamos nas férias e
    recebemos o dobro.

    Isto vai acabar.

    José António Saraiva

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  3. O COMISSIONISTA's avatar
    O COMISSIONISTA permalink
    6 Julho, 2010 16:38

    ´”….QUANTO É QUE ELE QUERIA GANHAR COM O NEGÓCIO.”

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