Demissão
Este comunicado do Ministério da Cultura, para além de ser reles e mostrar baixeza, é simultaneamente uma carta de demissão da ministra, pela sua confissão de absoluta incompetência:
Confessa estar agora «livre de constrangimentos». Porque não se tinha livrado deles mais cedo?
«Os sucessivos atrasos nos concursos, a barreira construída entre o Gabinete da Ministra e os agentes culturais, a ineficácia dos procedimentos, são factores que se devem às dificuldades demonstradas pelo Director-Geral para o exercício do cargo.»
Gabriela Canavilhas confessa não apenas ter-se conformado com essa situação, como ter sido incapaz de tomar uma decisão. Se não existisse a renuncia ao cargo, quanto tempo a situação por ela descrita acima se manteria? Que outros entraves e incapacidades existirão no seu ministério a aguardar a voluntária «remoção» dos responsáveis?
Pela sua inacção, foi a ministra responsável pelos atrasos, pela ineficácia e dificuldades que diz terem existido. Preferiu a «estabilidade» daquilo que descreve e que só pode ser entendido como incompetência. Mas que estabilidade poderia haver se afinal nada era feito?
Ela mesmo o diz: «A sua intervenção tem sido meramente de aplicação de medidas do Governo», o que se diga, é o que se espera de qualquer director-geral, logo…..
Portanto, já se demitiu senhora ministra? Ou o primeiro-ministro não o fará por si em nome da estabilidade e enquanto a senhora não arranja «nova colocação»?

Mas alguém estava à espera de algo de uma tia que toca piano?
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O comunicado revela não só ligeireza ao tratar o caso, mas também desorientação face aos recentes protestos.
O ministério e a ministra estão “cercados” por lobbys.
A crise, que é real em praticamente todos os sectores de actividade, sentenciou cortes nas transferências de verbas do Estado para a Cultura.
Gabriela Canavilhas foi imprudente ao aceitar o cargo — não sabia o que a esperava ? Acreditou nas promessas de JSócrates ou assumiu o cargo por vaidade pessoal ? Desconhecia o mundo da cultura ? Tinha algum projecto global para o país –inquestionável, surpreendente e por tal apoiável– e não só para algumas cidades e regiões ?
Barreto Xavier serviu lobbys. Não desenvolveu nem apresentou à ministra soluções, projectos. ‘Estranha-se’ que a ministra não o tivesse exonerado — por laxismo ? Por incompetência ou desatenção de GCanavilhas ?
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Desde Manuel Maria Carrilho, nunca mais surgiu um ministro da Cultura clarividente, sensato, criativo….
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“Desde Manuel Maria Carrilho, nunca mais surgiu um ministro da Cultura clarividente, sensato, criativo….”
Nunca mais tivemos um ministro com tanto dinheiro para distribuir a mais que o anterior, o que lhe permitiu fazer umas gracinhas e aumentar o número de subsidio-dependentes. Quando todos os que estavam satisfeitos continuam a receber e se juntam mais alguns à mesa, a festa é grande, o aplauso certo e os adjectivos abundam – clarividente, sensato, criativo.
Quando se põe um travão, começam as lutas pelo bolo. Alguns ficam de fora e chegam as críticas. Quando é preciso cortar e cortar forte, lá se acabou a sensatez e a criatividade…
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Insistir na demissão da Ministra é uma maldade. É sabido que Sócrates nunca demitirá uma ministra por pressão dos “media”. E, desse modo, condena-se o PM a ficar com um pesado bébé nos braços…
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#3 Com uma Babara companheira um homem torna-se clarividente, sensato e criativo….
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Cultura é o modo de ser e estar de um grupo.
É livre.
Não é estatizável e muito menos governatizável.
O intervencionismo estatal apenas serve para subverter e degradar os valores culturais.
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Esse Carrilho foi sempre um grande toleirão.
Cultura?
Qual cultura!
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Estas atitudes mais que politica definem a moral desta gente.
Não confrontam lealmente,não tomam atitudes contrárias, não decidem.
No último caso esperam que o cadáver apodreça para poderem dizer que cheira mal.
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JCD 8,
Prtovavelmente não me responderá,
mas sugiro-lhe que se informe sobre a acção e o legado de MMaria Carrilho.
Foi o único ministro da cultura que sabia “ao que ia”, que pensou o país cultural antes de assumir o cargo, que, repito, foi clarividente, sensato, criativo.
“Gracinhas” ?, foi só, o que fez ?
Dois, só dois exemplos: novas bibliotecas, novos cine-teatros, não contam para si ?
Outro: Cultura actual e contemporânea finalmente entendidas na Ajuda, apoiadas e devidamente ‘colocadas’ no panorama nacional e internacional, o JCD não teve conhecimento desse facto ?
Quanto a subsídios: no último ano de MMCarrilho, aumentaram, de facto.
Mas, para si, a presença de MMC no ministério parece radicar sómente neste aspecto !?
“Tiro ao lado”, o seu, porque muito raramente aplaudo, não me sento interesseiramente à mesa do poder e nunca apanhei as canas dos foguetes.
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Caro MJRB:
Não tenho o orçamento do ministério da cultura, mas usando o Pordata, a despesa do estado, per capita, com “Serviços culturais, recreativos e religiosos” – onde está principalmente representado o Ministério da Cultura, foi:
1995: 28,2 (Pedro Santana Lopes)
1996: 35,9 (Manuel Maria Carrilho)
1997: 34,2
1998: 45,8
1999: 44,8
2000: 49,1
2001: 48,0
2002: 57,5 (José Sasportes / Augusto Santos Silva)
2003: 44,9 (Pedro Roseta)
2004: 51,0 – euro 2004
2005: 45,1 (Pinto Ribeiro)
2006: 53,4 (Pires de Lima)
2007: 39,3
2008: 39,8
Com MMC, foi sempre, sempre a subir. Como lhe disse, manter a troupe subsidio-dependente e alargá-la, é o que faz sempre a recordação de um bom ministro.
Quando o dinheiro não cresce, não há ideias novas que resistam. Por exemplo, que “bibliotecas novas” é que faz se o dinheiro do ano estiver quase todo destinado a manter os subsidiados do ano anterior?
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Caro JCD,
Grato pela resposta.
MMaria Carrilho foi o melhor ministro da cultura post 25 de Abril. É esta a minha conclusão, fundamentada, e foi “só” o que ontem e hoje coloquei no Blasfémias.
Questionável ou contestável ? — por óbvio, no entanto…
Esses ‘números’, generalistas, da Pordata, não são os do Ministério da Cultura.
JCD,
porque é jornalista, não lhe será difícil pesquisar e terá trabalho facilitado se perguntar, qual o legado de MMaria Carrilho.
(Incluindo uma rede de novas bibliotecas e de novos cine-teatros, obviamente muitos desses edifícios e correspondente “recheio” concluídos depois da sua renúncia).
“O dinheiro do ano anterior” (qualquer que fosse o ano), nunca esteve, no Ministério da Cultura, “quase todo destinado a manter os subsidiados do ano anterior” — homessa; que conclusão, JCD !…
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Caro MJRB
Manuel Maria Carrilho representa para mim o pior do guterrismo e duma certa esquerda pedante. Para lá da inultrapassável arrogância do discurso, da pretensa superioridade intelectual baseada puramente num conjunto de disciplinas limitadas – a par de uma total ignorância em economia pública, com uma argumentação por vezes indigente – distribuía as prebendas ao clube dos que lhe estendiam o tapete vermelho e negava-as a todos os outros.
Pode ter tido dinheiro para fazer meia-dúzia de brincadeiras à custa do erário público, mas de resto era muito mau. A cena do aperto de mão, as entrevistas despeitadas que deu depois da derrota eleitoral e o infeliz livro com que tentou sacudir a água do capote e distribuição de culpas mostraram bem de que massa era feito. Parafraseando a Helena, o que lhe posso dizer é que essa gente, não presta.
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Gabriela Canavilhas seria demitida se fizesse uns «corninhos» no parlamento… o que até nem é impossível, já que ela quis uma secção de tauromaquia no MC…
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Caro JCD 14,
É a sua opinião, respeitável, mas “o pior” do guterrismo nunca foram as superiores qualidades intelectuais e estratégicas de MMaria Carrilho. Que fez muito mais do que “meia-dúzia de brincadeiras à custa do erário público”.
Ostentou e ostenta soberba, é certo — tem direito à diferença e ao resguardo da sua personalidade e sabedoria.
De acordo: o não-cumprimento a Carmona Rodrigues foi arrogante e fatal. Mas, no livro, diz muitas verdades…incómodas.
Distribuíu algumas prebendas manifestamente interesseiras.
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