Saltar para o conteúdo

O virtual e o real

12 Julho, 2010
by

PSD explica “ataques descabelados” a Passos Coelho com “desespero”

Ernâni Lopes defende corte de 15 a 20% no salário dos funcionários públicos

A 1ª notícia faz eco de declarações em “politiquês”, realçando as questiúnculas virtuais com que os aparelhos partidários se deleitam; a 2ª é um alerta para a dura realidade e constitui algo que nenhum político no activo tem coragem de propôr com aquela clareza.

É por isso que Portugal é irreformável pela via endógena e só tomará tais medidas quando estiver a ser gerido pelo FMI. O que acontecerá, tão logo entre em insolvência.

47 comentários leave one →
  1. Pi-Erre's avatar
    Pi-Erre permalink
    12 Julho, 2010 21:46

    Insolvente já eu estou. E agora?

    Gostar

  2. Grunho's avatar
    Grunho permalink
    12 Julho, 2010 21:57

    Quem provocou a crise que a pague
    Incluindo o Ernani.

    Gostar

  3. Turista's avatar
    Turista permalink
    12 Julho, 2010 21:59

    Julgo que a crise é de falta de chefias.São necessárias mais umas empresas municipais, criar mais freguesias e câmaras e as representações nos parlamemtos.E mais governo.O que nos falta é liderança!Sim porque mão de obra é o que mais por aí existe.A áfrica e a roménia estão connosco!

    Gostar

  4. Sepol's avatar
    Sepol permalink
    12 Julho, 2010 22:11

    O Estado individou-se por causa do capital financeiro, porque temos de ser todos nós tanto os funcionários públicos e privados a pagar a crise? Nem que ponham todos os tugas a pão e água, nunca vai chegar para as mordomias da classe política(922 viaturas de luxo novas, só porque não podem sentar o cú, onde os outros o sentaram) da esquerda á direita e dando a volta. Os 4 mil milhões oferecidos ao BCP chegavam para aguentar folgadamente com uns toques, mas assim, depois de os banqueiros todos estarem á espera que o estado lhes resolva o problema, porra para isto, que já cheira mal, tanto défice e tanta bosta.

    Gostar

  5. Joe Bernard's avatar
    Joe Bernard permalink
    12 Julho, 2010 22:12

    E que tal fazer esse corte aos ex-ministros???
    Que fdp!!!

    Gostar

  6. Diabérico's avatar
    Diabérico permalink
    12 Julho, 2010 22:33

    Já anda a apregoar
    O Passos de Coelho
    (antes de ser eleito)
    Doces só para boys e afilhados
    Para os outros só amargos e salgados.
    Mas à mingua !
    Será que ele pensa que tem uma maioria garantida
    Que não é necessário cativar o eleitor?
    Com o truque das scuts já conseguiu angariar uns votos em Lisboa. Dos que se queixam que os da província têm melhor qualidade de vida. Grande futuro primeiro-ministro a dividir para reinar.
    Será que quando chegar ao poder não lhe vai acontecer como ao Santana que nem sequer aqueceu o lugar?

    Gostar

  7. Arnaldo Madureira's avatar
    Arnaldo Madureira permalink
    12 Julho, 2010 23:00

    As empresas privadas estão mais endividadas do que o estado. Podiam começar a dar o exemplo e cortar 20% nos salários, nos bónus, nos seguros de vida e de saúde, nos automóveis, etc. Se o tivessem feito a tempo, hoje não estavam tão mal.

    Gostar

  8. socialista sem escroto's avatar
    socialista sem escroto permalink
    12 Julho, 2010 23:04

    Tenho para mim que este país chegou a um beco sem saída…vejamos: o PSD vai ter a última, derradeira oportunidade de provar que é diferente..tenho sérias dúvidas que o faça e que o seja..logo após termos 4 anos de PSD no governo ficaremos com um dilema:em quem votar mais? PS com Seguro com Costa ou com quer que seja jamais nos próximos 15 20 anos…PC? Protóhistórico…a definhar embora seja útil a sua existência..O BE ? Ninguém sabe o que é ..nem eles próprios…MRPP? Jurássico mas com um líder que evolui no tempo…mas sem hipótese…
    Resta saber se algum partido pode vir a nascer neste próximos 10 anos ..um partido com inspiração na social democracia nórdica..não me parece..logo estamos entregues a bicharada…
    Não vejo saída…Ah e o CDS…Sim pode subir mas nunca passará dos 8 10 por cento..e com Portas ou outro não vejo como um partido conservador e populista a cheira a bafio pré 25 Abril possa ter algum papel relevante…resta-nos a cicuta ou gozar enquanto podemos…o Icebergue espera por nós algures ..é uma questão de tempo…

    Gostar

  9. socialista sem escroto's avatar
    socialista sem escroto permalink
    12 Julho, 2010 23:09

    Aos activos falta, habitualmente, a actividade superior: refiro-me à individual. Eles são activos enquanto funcionários, comerciantes, eruditos, isto é, como seres genéricos, mas não enquanto pessoas perfeitamente individualizadas e únicas; neste aspecto, são indolentes. A infelicidade das pessoas activas é a sua actividade ser quase sempre um tanto absurda. Não se pode, por exemplo, perguntar ao banqueiro, que junta dinheiro, qual o objectivo da sua incansável actividade: ela é irracional. Os homens activos rebolam como rebola a pedra, em conformidade com a estupidez da mecânica. Todos os homens se dividem, como em todos os tempos também ainda actualmente, em escravos e livres; pois quem não tiver para si dois terços do seu dia é um escravo, seja ele, de resto, o que quiser: político, comerciante, funcionário, erudito.

    Friedrich Nietzsche

    Gostar

  10. LR's avatar
    12 Julho, 2010 23:16

    Arnaldo,

    Mas tu julgas que as empresas não estão a cortar custos há muito tempo? E às que não o conseguirem ou não quiserem fazer, espera-as o destino a que (para já) o estado está imune: a falência.

    Gostar

  11. Arnaldo Madureira's avatar
    Arnaldo Madureira permalink
    12 Julho, 2010 23:25

    Fico à espera que me dêem bons exemplos.

    Gostar

  12. Arnaldo Madureira's avatar
    Arnaldo Madureira permalink
    12 Julho, 2010 23:29

    No entanto há uma diferença muito grande. Uma empresa tem dificuldades porque vende menos e os colaboradores têm menos trabalho. Mas os médicos, enfermeiros, professores, etc, têm o mesmo trabalho. Sugeres o quê? Que façam o mesmo trabalho por menos salário ou que façam 15% menos trabalho? 15% menos doentes, 15% menos consultas e cirurgias, 15% menos alunos, 15% menos turmas?

    Gostar

  13. Arnaldo Madureira's avatar
    Arnaldo Madureira permalink
    12 Julho, 2010 23:38

    Se me cortarem 15% do salário, que garantia tenho que seja justo e que todos tenham um corte de 15% no seu rendimento, seja qual for a categoria do rendimento?

    Gostar

  14. LR's avatar
    13 Julho, 2010 01:12

    Arnaldo,

    Eu não sei em que funções se corta e quanto, sei que o corte tem de ser transversal, embora admita que em percentagens diferenciadas. De acordo com este estudo do BP, os salários na função pública têm um prémio médio da ordem dos 17% face ao sector privado, comparando qualificações semelhantes. Numa situação verdadeiramente concorrencial, eles deveriam ser algo mais baixos, tendo em atenção a segurança acrescida do sector público, seja no emprego ou nas reformas. No fundo, os salários têm de ser ajustados à nossa produtividade, que é baixa. No sector privado esse ajustamento já começou há anos.

    Gostar

  15. Arnaldo Madureira's avatar
    Arnaldo Madureira permalink
    13 Julho, 2010 09:24

    1

    O relatório do BP

    “o prémio é particularmente alto em áreas como a saúde
    e a educação, nas quais o sector público é o principal empregador”

    É falso, como toda a gente sabe. Qualquer professor, médico (excepto urgências além do horário) ou enfermeiro, se quiser ganhar muito dinheiro, vai trabalhar ao sector privado.

    2

    “deveriam ser algo mais baixos, tendo em atenção a segurança acrescida do sector público”

    São mais baixos. Basta comparar declarações de rendimentos de médicos, enfermeiros e professores dos dois sectores.
    A segurança é uma falácia. Não há excesso de médicos, enfermeiros e professores no sector público. Quando houver, verás a segurança que têm.
    Além da segurança, há muito mais. Concerteza não sabes, e não tens culpa disso, mas os professores pagam o seu escritório. O escritório de um professor é uma sala da sua habitação. Todo o escritório é pago do seu salário: armário, cadeira, candeeiro, mesa, computador e datashow (que até levam para as aulas), impressora, livros, papel, canetas, etc. Os professores pagam a formação que são obrigados a fazer e são obrigados a fazê-la fora do horário de trabalho. Bem, os meus amigos que trabalham em empresas privadas abrem a boca de espanto com estas condições.

    “os salários têm de ser ajustados à nossa produtividade, que é baixa”

    A média é baixa, mas há assalariados da função pública que têm especialização e fazem serviço ao mesmo nível dos colegas dos países mais avançados.

    “No sector privado esse ajustamento já começou há anos”

    Espero pela descrição de exemplos concretos de ajustamentos para baixo. Continuo a ver empresas endividadas a pagar altos salários e outras retribuições, seguros de vida e saúde, automóveis, telemóveis, vários esquemas de segurança (vida, saúde, etc.).

    Gostar

  16. LR's avatar
    13 Julho, 2010 09:51

    Arnaldo,

    “É falso, como toda a gente sabe. Qualquer professor, médico (excepto urgências além do horário) ou enfermeiro, se quiser ganhar muito dinheiro, vai trabalhar ao sector privado.”

    Já que estás tão categórico, não queres contactar os autores do estudo e comprovar-lhes que os seus pressupostos estavam errados?

    “São mais baixos. Basta comparar declarações de rendimentos de médicos, enfermeiros e professores dos dois sectores.”

    Quantos casos conheces? 20? 30? E apenas nessas funções? Estás certo da relevância da tua amostra?

    “A segurança é uma falácia. Não há excesso de médicos, enfermeiros e professores no sector público. Quando houver, verás a segurança que têm.”

    Pelo menos a nível de professores, deve haver excesso. Mas posso estar enganado, o meu único indicador são as míseras taxas de natalidade dos últimos anos. De qualquer forma, conheces algum caso de despedimento colectivo no Estado?

    “Além da segurança, há muito mais. Concerteza não sabes, e não tens culpa disso, mas os professores pagam o seu escritório. O escritório de um professor é uma sala da sua habitação. Todo o escritório é pago do seu salário: armário, cadeira, candeeiro, mesa, computador e datashow (que até levam para as aulas), impressora, livros, papel, canetas, etc. Os professores pagam a formação que são obrigados a fazer e são obrigados a fazê-la fora do horário de trabalho. Bem, os meus amigos que trabalham em empresas privadas abrem a boca de espanto com estas condições.”

    Ou seja, se te garantissem essas infra-estruturas, tu jamais comprarias secretárias cadeiras, armários, computador, etc?

    “A média é baixa, mas há assalariados da função pública que têm especialização e fazem serviço ao mesmo nível dos colegas dos países mais avançados.”

    Mas quando estamos com dados macro, o que é mais importante? A excepção ou a regra?

    “Espero pela descrição de exemplos concretos de ajustamentos para baixo. Continuo a ver empresas endividadas a pagar altos salários e outras retribuições, seguros de vida e saúde, automóveis, telemóveis, vários esquemas de segurança (vida, saúde, etc.).”

    E tens a certeza de que essas empresas que conferem todas essas regalias estão em pré-insolvência? Mas se estiverem e não se contiverem, já te disse qual o seu inevitável destino: a falência. Só o estado consegue fazer asneiras “ad eternum”.

    Gostar

  17. Arnaldo Madureira's avatar
    Arnaldo Madureira permalink
    13 Julho, 2010 12:12

    “Já que estás tão categórico, não queres contactar os autores do estudo e comprovar-lhes que os seus pressupostos estavam errados?”

    Quero. Vou informá-los que o salário mensal de um assistente hospitalar num hospital do estado – em exclusividade!- é 4500 euros. Por exemplo, se for obstetra, ganha isso em dois ou três partos na clínica privada. O estudo é mau e não permite concluir absolutamente nada. É do género dos frangos: eu como um, tu comes dois, logo, cada um de nós come meio frango.

    “Quantos casos conheces? 20? 30? E apenas nessas funções? Estás certo da relevância da tua amostra?”

    20 ou 30 multiplica por dezenas. Estou certo. Dos professores do estado espera-se dedicação exclusiva e total, sem limite de horário de trabalho, pelo salário base / único / fixo. Os professores das escolas privadas ganham à hora. No final, feitas as contas, vê-se que é muito fácil um professor do ensino privado ganhar mais.

    “Pelo menos a nível de professores, deve haver excesso. Mas posso estar enganado, o meu único indicador são as míseras taxas de natalidade dos últimos anos.”

    Não há excesso. O rácio professores – alunos é normal. O número de alunos é estável e há grande potencial de crescimento porque o abandono da escola tem de diminuir muitíssimo.

    “De qualquer forma, conheces algum caso de despedimento colectivo no Estado?”

    Conheces algum caso que o justificasse?

    “Ou seja, se te garantissem essas infra-estruturas, tu jamais comprarias secretárias, cadeiras, armários, computador, etc?”

    O uso era menor. O custo era menor. E até podia ser dispensável para a vida privada. Mas, se não fosse importante, certamente não te importarias de pagar o teu escritório profissional de assalariado e tê-lo na tua casa. E, quando o banco quer que aprendas alguma coisa, certamente não te apresenta a conta, nem te diz que tens fazê-lo à noite, em vez de teres vida familiar.

    “Mas quando estamos com dados macro, o que é mais importante? A excepção ou a regra?”

    Macro ou micro, quando a dispersão dos dados é muito grande o mais importante é a análise caso a caso.

    Gostar

  18. pencudo sionista's avatar
    pencudo sionista permalink
    13 Julho, 2010 13:29

    Caro Arnaldo Madureira, até digo mais, se diminuirem em 30% os vencimentos dos funcionários públicos, eles vêm todos trabalhar para o sector privado, que paga mais e dá telemóveis e seguros de saúde. Acaba de inventar a receita para eliminar o deficit, visto que os custos com o pessoal são a parte de leão.

    eheheheh !

    Gostar

  19. LR's avatar
    13 Julho, 2010 14:05

    Arnaldo, não vale a pena esconderes o sol com a peneira, tentando privilegiar os particularismos. A realidade, nua e crua, é que o Estado gasta de mais e tem de poupar, coisa que nunca fez até agora. E quando se trata de cortar custos, há que atacar as grandes rubricas. Os salários são uma delas. A este propósito, o Ernâni Lopes foi muito claro quando disse que não se vai lá com paninhos quentes. Fomos longe de mais na irresponsabilidade gastadora e agora seremos todos sujeitos a um tratamento de choque. Se não for liderado por nós (muito pouco provável) será imposto pelo FMI.

    Gostar

  20. Arnaldo Madureira's avatar
    Arnaldo Madureira permalink
    13 Julho, 2010 14:23

    #18

    Não dê falsas esperanças. A economia privada não tem capacidade para tantos.

    Gostar

  21. Arnaldo Madureira's avatar
    Arnaldo Madureira permalink
    13 Julho, 2010 14:51

    #19

    Pois é, é claro que é necessário diminuir a despesa de um estado que tem défice todos os anos, mas não tens a mínima noção das consequências. Tu tens o mito do funcionário público improdutivo, faltoso, sem habilitação e especialização, que trabalha meia hora e depois vai tomar café, etc., etc. Os outros sectores, desconheço, por isso não me pronuncio, mas a educação e a saúde são muito diferentes. Aos professores exige-se mais do que se paga. Por mim, quando me pagarem menos do que necessito (e eu até sou bastante modesto!), vou dar todos os dias 2 explicações clandestinas e baratas em casa e ganhar quase tanto como o que o governo me paga. Mas, de uma forma geral, os serviços de educação e saúde das escolas e dos hospitais naturalmente vai cair a pique. Prevejo que só vai safar-se quem tiver dinheiro para pagar serviços privados. E tens de fazer as contas aos custos que isso vai ter. É matar com a cura.

    A grande diferença de Porugal em relação à civilização é esta http://c3.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/n3904c11f/6741372_ftbvR.jpeg
    Portugal tem o povo menos escolarizado da OCDE, ao nível do México, da Turquia e a ser ultrapassado pelo Brasil. Todo e qualquer deslize nesta área, seja qual for a razão, é aumentar o fosso. Não é por acaso que os disciplinados alemães, que recentemente desprezaste face aos indisciplinados espanhõis, cortem em tudo menos na educação.

    Gostar

  22. Outside(r)'s avatar
    Outside(r) permalink
    13 Julho, 2010 14:55

    Caro Arnaldo #18… CLAP CLAP CLAP.

    É realmente muito fácil e confortável ler estatísticas e estudos, programas e avaliações sem conhecimento de causa, sem conhecimento da realidade.

    CLAP CLAP CLAP.

    E ainda argumentam com “esconder o sol com a peneira”….enfim…particularismos sim, mas invertidos e convenientes.

    Gostar

  23. Arnaldo Madureira's avatar
    Arnaldo Madureira permalink
    13 Julho, 2010 15:03

    #18

    1
    Quem é o pencudo sionista?

    2
    Os custos com pessoal não são a parte de leão da despesa do estado. Em números muito redondos 35% dos FP devem ser do ministério da educação e custar 6.000.000.000 euros. Isto, num OGE de 80.000.000.000 euros! Faça a projecção para o universo da FP. Arrisco dizer que a parte de leão do OGE é o estado partidário e as prestações sociais.

    Gostar

  24. jcd's avatar
    13 Julho, 2010 15:32

    Arnaldo dixit:

    “É falso, como toda a gente sabe. Qualquer professor, médico (excepto urgências além do horário) ou enfermeiro, se quiser ganhar muito dinheiro, vai trabalhar ao sector privado.

    O toda a gente sabe parece-me que não sei. Estás a confundir os médicos com consultório próprio e os médicos contratados. Os professores das escolas privadas ganham geralmente menos que os das públicas e ganham muito menos que os professores em topo de carreira. Basta perguntar. As escolas privadas têm alguns professores a quem pagam mais – mas nada de automatismos.

    De qualquer modo, entre o Banco de Portugal e o Arnaldo, apesar de tudo, parece-me que o nível de fundamentação não é propriamente comparável.

    São mais baixos. Basta comparar declarações de rendimentos de médicos, enfermeiros e professores dos dois sectores.
    A segurança é uma falácia. Não há excesso de médicos, enfermeiros e professores no sector público. Quando houver, verás a segurança que têm.

    Para funcionários por conta de outrem, não são. Mais uma vez, parece-me que o seu ‘basta comparar’ foi exactamente o que o BP fez: comparou.

    “Além da segurança, há muito mais. Concerteza não sabes, e não tens culpa disso, mas os professores pagam o seu escritório. O escritório de um professor é uma sala da sua habitação. Todo o escritório é pago do seu salário: armário, cadeira, candeeiro, mesa, computador e datashow (que até levam para as aulas), impressora, livros, papel, canetas, etc. Os professores pagam a formação que são obrigados a fazer e são obrigados a fazê-la fora do horário de trabalho. Bem, os meus a migos que trabalham em empresas privadas abrem a boca de espanto com estas condições.

    A minha mulher é professora. Não, não paga o seu escritório. Ou paga tanto como eu, quando me dá para trabalhar em casa. Este argumento é absurdo. Os professores não são obrigados a passar as 35 horas na escola e preferem trabalhar em casa. A minha mulher tem um computador do programa e-escola, que traz para casa e usa regularmente e não paga nada por isso. Usa a impressora da escola e recebe os livros escolares gratuitamente todos os anos, enviados pelas editoras. Só paga a formação que faz voluntariamente. O ano passado esteve num curso sobre uma ferramenta de software e não pagou nada. A formação é fora do horário de trabalho? Não sei. Entre as 22 horas de aulas e as 35 do horário sobram 13.

    “Espero pela descrição de exemplos concretos de ajustamentos para baixo. Continuo a ver empresas endividadas a pagar altos salários e outras retribuições, seguros de vida e saúde, automóveis, telemóveis, vários esquemas de segurança (vida, saúde, etc.).”

    Às centenas. Empresas com aumentos zero, com cortes de regalias, com despedimentos negociados é o que há mais por aí. Todas as que conheço, para ser mais preciso.

    Gostar

  25. jcd's avatar
    13 Julho, 2010 15:34

    “De qualquer forma, conheces algum caso de despedimento colectivo no Estado?”

    Conheces algum caso que o justificasse?

    Só me estou a lembrar de uns 50., mas deve haver mais.

    Gostar

  26. pencudo sionista's avatar
    pencudo sionista permalink
    13 Julho, 2010 15:36

    O Orçamento da S.S. anda pelos 14 m.m. , reformas , desemprego, s. doença. dá cerca de 7 euros por dia em média a cada pessoa afectada. Espremer aqui é complicado.

    O privado não tem capacidade para absorver os f.p., claro. Nem o Estado tem para os manter.

    Gostar

  27. jcd's avatar
    13 Julho, 2010 15:36

    “Não dê falsas esperanças. A economia privada não tem capacidade para tantos.

    Uma das falácias mais correntes. Tem para todos e muito mais. Só depende dos preços e só precisa que a deixem em paz.

    Gostar

  28. Outside(r)'s avatar
    Outside(r) permalink
    13 Julho, 2010 15:49

    O virtual e o real:

    1. O 1º ponto é realista sem dúvida, é o modo de se “fazer” política em Portugal, a forma de se dialogar entre os dois principais partidos da oposição que criticam por criticar, critíca pura, sem conteúdo, sem substância numa dança que dura desde há muito, numa fogueira de vaidades e luxúrias, onde se defende hoje o que amanhâ é indefensável, em memórias selectivas, sem carácter, sem hombridade. (ponto)

    2. O 2º ponto é virtual, demagógico, anedótico mesmo não fosse repugnante e falso. Sócrates fez uma reforma da função pública (que era e continua a ser necessária), onde se previlegia os boys e os bois, onde a progressão do funcionário é à década, não ao ano, falsamente rotulada em função do mérito, da produção.
    O problema na função pública é quantitativo, também qualitativo mas com menor expressão). O problema da função pública é nas acessorias, nas comissões e instituições, nos organismos e nos tachos, nos familiares e nas avenças. Clamar uma redução de 15%/20% no salário daqueles da função pública que teêm um vencimento médio de 500/700 euros é ultrajante, vergonhoso para com trabalhadores que nada têm a ver com a realidade dos mil e um bois e boys acessores, sobranrtes de ajudas de custo, de mais valias sem resultado produtivo nas suas funções (que não o interesse de ter naquela função aquele indíviduo). É necessário sim expulsar do aparelho estatal todos estes excedentários que nada fazem, por ali passeiam devido a genealogia ou “amizade” e pagar, sim pagar, bem aqueles que desenvolvem funções com hombridade e carácter, com devoção e dever as suas funções públicas. Inclusivé nos cargos médios/superiores os vencimentos quando comparados com os praticados no privado são hilariantes…

    …e agora insuportável a carga orçamental no aparelho, em função de todos estes mil e um organismos, em função de todos estes mil e um boys e bois, decide-se facilmente fazer um corte transversal (que justiça! tão bonito e democrático!!!) no vencimento dos funcionários públicos…pois…está bem…e LR apelida de “coragem”!!! a tomada desta medida ???

    Falta de vergonha é o que é…e o perpectuar deste estado de compadrio e endividamento.

    Gostar

  29. Arnaldo Madureira's avatar
    Arnaldo Madureira permalink
    13 Julho, 2010 16:39

    #24 jcd

    “O toda a gente sabe parece-me que não sei. Estás a confundir os médicos com consultório próprio e os médicos contratados.”

    Não vou discutir o regime de trabalho. Numa clínica privada, cada acto médico rende ao médico muitíssimo mais do que o seu próprio salário no hospital público. É comum um médico trabalhar um mês inteiro num hospital público e ganhar 3000 euros. Vai fazer uma intervenção cirúrgica á clínica privada e ganha 2000 ou 3000 euros de uma só vez.

    “Os professores das escolas privadas ganham geralmente menos que os das públicas e ganham muito menos que os professores em topo de carreira. Basta perguntar. As escolas privadas têm alguns professores a quem pagam mais – mas nada de automatismos.”

    Os professores das escolas do estado têm um certo número de horas chamadas lectivas estipuladas pelo ecd. Se derem mais aulas, têm de receber horas extraordinárias. Nem sequer é permitido, como eu pedi várias vezes, dar mais aulas recebendo o mesmo salário. Por isso, a IGE proibe os professores de terem horas extraorinárias. Em vez disso vão fazer “substituições” ou encher outros chouriços. Os colegas do ensino privado podem dar quantas aulas quiserem até, salvo erro, as 30 por semana, ganhando à hora e enchendo menos chouriços. E ainda há outras horas de trabalho dos professores do ensino privado que contam como horas de aulas para efeitos de salário (por exemplo, sala de estudos). Por isso, consulte-se as tabelas salariais dos dois sectores, faça-se as contas e verifique-se que os professores do ensino privado ganham mais (podem facilmente ganhar mais) do que os do estado.

    “Para funcionários por conta de outrem, não são.”

    Não vou discutir o regime de trabalho. Nem sequer me parece que o estado queira pagar-me mais num regime diferente.

    “Mais uma vez, parece-me que o seu ‘basta comparar’ foi exactamente o que o BP fez: comparou.”

    Já leu o relatório? Como comparou?

    “Os professores não são obrigados a passar as 35 horas na escola e preferem trabalhar em casa.”

    Os professores não têm onde trabalhar nas escolas. As direcções reservam horas para os professores trabalharem em casa precisamente por falta de espaços e outras condições nas escolas. A melhor maneira de os professores sabotarem as escolas era entrarem às 8 horas e atrapalharem-se uns aos outros, sairem 7 ou 8 horas depois e não fazerem nada fora da escola. Sou professor de Física e Química na Escola Secundária de Ermesinde. O “local de trabalho” dos 17 professores de FQ é a sala de preparação de FQ, com menos de 15 metros quadrados, uma mesa, 6 cadeiras de pau antiergonómicas e um computador mais lento do que o combóio a vapor. A escola tem 200 professores, 10 portáteis e 4 datashows para todo o serviço.

    “A minha mulher tem um computador do programa e-escola”

    Tem muita sorte, porque eu tive de comprá-lo.

    “e recebe os livros escolares gratuitamente todos os anos, enviados pelas editoras.”

    Esses ofereço-os todos. Não aprendo nada com eles.

    “Só paga a formação que faz voluntariamente. O ano passado esteve num curso sobre uma ferramenta de software e não pagou nada.”

    Pois é, mas não chega para todos e se não formos sorteados temos de pagar voluntariamente, porque somos obrigados a fazer formação todos os anos!

    “A formação é fora do horário de trabalho? Não sei. Entre as 22 horas de aulas e as 35 do horário sobram 13.”

    Não pode ser nessas 13. Tem de ser depois das 18h30 ou ao Sábado.

    Gostar

  30. Arnaldo Madureira's avatar
    Arnaldo Madureira permalink
    13 Julho, 2010 16:45

    #27

    Então, que a deixem em paz e comece a brilhar!

    Gostar

  31. LR's avatar
    13 Julho, 2010 16:51

    Arnaldo,

    “Pois é, é claro que é necessário diminuir a despesa de um estado que tem défice todos os anos, mas não tens a mínima noção das consequências.”

    Tenho. A consequência de não se fazer nada é o Estado implodir.

    “Tu tens o mito do funcionário público improdutivo, faltoso, sem habilitação e especialização, que trabalha meia hora e depois vai tomar café, etc., etc.”

    Eu??? Aponta-me algum escrito meu em que tenha afirmado tal. Se há coisa que não me podes acusar é de pretender personalizar as questões, embora concorde que há muitos sítios da função pública em que acontece o que dizes. Mas pega na maioria dos funcionários públicos e põe-nos a trabalhar num melhor contexto organizativo e a produtividade deles sobe em flecha. Tal como a produtividade dos trabalhadores portugueses é maior lá fora do que em Portugal, comparando habilitações similares.

    “Os outros sectores, desconheço, por isso não me pronuncio, mas a educação e a saúde são muito diferentes.”

    O sector em que trabalhamos tem sempre uma especificidade que faz dele um caso único a justificar tratamento especial. Mas qualquer sector só mostra de facto aquilo que vale quando exposto à livre concorrência.

    “Por mim, quando me pagarem menos do que necessito (e eu até sou bastante modesto!), vou dar todos os dias 2 explicações clandestinas e baratas em casa e ganhar quase tanto como o que o governo me paga.”

    E se certamente irás esforçar-te mais do que hoje e melhorar a qualidade do teu serviço. E se calhar a baixares os preços, porque terás uma concorrência agressiva dos teus colegas que também pretendem, muito legitimamente, aumentar o seu pecúlio.

    “Prevejo que só vai safar-se quem tiver dinheiro para pagar serviços privados. E tens de fazer as contas aos custos que isso vai ter. É matar com a cura.”

    Se o Estado cortar fortemente na despesa, terá margem para baixar os impostos, o que permitirá uma escolha mais livre aos cidadãos. Te garanto que se amanhã tivessemos saúde e medicina exclusivamente privadas, terias um sistema a funcionar bem melhor do que hoje e não aconteceria a catástrofe que as várias Cassandras estatistas prevêem.

    “Portugal tem o povo menos escolarizado da OCDE, ao nível do México, da Turquia e a ser ultrapassado pelo Brasil.”

    Então se ao fim de décadas de estatismo grassante tens essa linda panorâmica, o que é que perdes em mudar de paradigma?

    “Não é por acaso que os disciplinados alemães, que recentemente desprezaste face aos indisciplinados espanhõis, cortem em tudo menos na educação.”

    Mas quando é que eu desprezei os alemães???

    Gostar

  32. LR's avatar
    13 Julho, 2010 16:58

    Arnaldo,

    “Não vou discutir o regime de trabalho. Numa clínica privada, cada acto médico rende ao médico muitíssimo mais do que o seu próprio salário no hospital público. É comum um médico trabalhar um mês inteiro num hospital público e ganhar 3000 euros. Vai fazer uma intervenção cirúrgica á clínica privada e ganha 2000 ou 3000 euros de uma só vez.”

    Numa consulta privada não pagas só o salário do médico. Comparticipas ainda em toda a estrutura fixa da clínica. Aliás, teria piada fazer um estudo comparativo quanto aos custos de uma consulta no público e no privado, imputando toda a estrutura hospitalar.

    Gostar

  33. pencudo sionista's avatar
    pencudo sionista permalink
    13 Julho, 2010 17:33

    São cerca de 700K F.P. e,

    Os miúdos não aprendem
    Os doentes não são tratados atempadamente
    Os processos prescrevem
    Os licenciamentos não andam
    Somos roubados
    As paredes estão cobertas de grafitis
    Os monumentos caem

    Os boys não são o problema, mas tambem são um problema.
    O problema é que o sistema trabalha em malha aberta. A quantidade e qualidade do trabalho produzido não é comparada com uma referencia( objectivos ) e não se actua no sistema , por isso o erro do mesmo persiste ou aumenta.
    Para cada caso haverá uma solução específica. Por exemplo, um médico do S.N.S. tem por exemplo 1000 doentes. Se um doente não estiver satisfeito com a pontualidade / qualidade dos actos, dirige-se ao admistrativo e exige a troca de médico, justificando. Se o médico baixar abaixo de uma quota pré-estabelecida, tem de ser penalizado.
    O que não se pode é avaliar os professores, por exemplo, em malha aberta como se tentou fazer, tem de se avaliar é através do conhecimento dos alunos, tendo em conta múltiplos factores, como o meio socio-familiar, etc.
    Tentar fazer cortes tranversais vai causar perturbações irreversíveis num aparelho moribundo.

    Ah, pencudo sionista é um apodo dado por estrela ziguezagueante das caixas de comentários a gente que não tem fama de estar de papo para o ar.

    Gostar

  34. Arnaldo Madureira's avatar
    Arnaldo Madureira permalink
    13 Julho, 2010 17:33

    Mas pega na maioria dos funcionários públicos e põe-nos a trabalhar num melhor contexto organizativo e a produtividade deles sobe em flecha.

    Tanto é verdade para os públicos como para os privados

    “E certamente irás esforçar-te mais do que hoje e melhorar a qualidade do teu serviço.

    Esforçar mais? Não, porque preciso de tempo e energia para viver.

    “E se calhar a baixares os preços, porque terás uma concorrência agressiva dos teus colegas que também pretendem, muito legitimamente, aumentar o seu pecúlio.”

    Não é necessário. Nem sempre há concorrência, muito menos se for agressiva.

    “Se o Estado cortar fortemente na despesa, terá margem para baixar os impostos, o que permitirá uma escolha mais livre aos cidadãos.”

    Escolha livre? A maioria das pessoas nem sequer compreende o que lê!

    “Te garanto que se amanhã tivessemos saúde e medicina exclusivamente privadas”

    Onde é que há essa maravilha?

    “Portugal tem o povo menos escolarizado da OCDE, ao nível do México, da Turquia e a ser ultrapassado pelo Brasil.”
    “Então se ao fim de décadas de estatismo grassante tens essa linda panorâmica, o que é que perdes em mudar de paradigma?”

    Mas os países em que as populações têm escolarizações mais elevadas têm sistemas quase totalmente públicos!

    “Não é por acaso que os disciplinados alemães, que recentemente desprezaste face aos indisciplinados espanhõis, cortem em tudo menos na educação.”
    “Mas quando é que eu desprezei os alemães???”

    Na meia final do mundial de futebol.

    Gostar

  35. Arnaldo Madureira's avatar
    Arnaldo Madureira permalink
    13 Julho, 2010 17:35

    2000 euros só para o médico. Fora a parte da clínica.

    Gostar

  36. Arnaldo Madureira's avatar
    Arnaldo Madureira permalink
    13 Julho, 2010 19:10

    “Liberalmente” falando, esperava-se que os estados menos endividados fossem os dos países cujos privados suportam mais as despesas de saúde.

    Com dados nationmaster para a % da despesa privada da saúde e CIA world fact book para a divida publica estimativa 2009 acesso 23 maio 2010, aqui está

    Não é possível correlacionar as duas variáveis.

    Países considerados: r checa eslovaquia luxemburgo noruega suecia islandia r unido dinamarca alemanha n zelandia frança finlandia italia irlanda polonia espanha belgica portugal hungria austria canada suiça grecia usa mexico

    Gostar

  37. LR's avatar
    13 Julho, 2010 19:17

    Arnaldo,

    “Tanto é verdade para os públicos como para os privados”

    Correcto. Mas o meu ponto é que o serviço ao cliente é genericamente melhor nos serviços públicos do que nos privados. E sabes porquê? Porque no privado têm objectivos, um dos quais é o lucro. E para teres um lucro perene, tens de ter os Clientes satisfeitos, pois são eles que te pagam o salário.

    “Esforçar mais? Não, porque preciso de tempo e energia para viver.”

    Eis a mentalidade da função pública em todo o seu esplendor. No privado cumpres um objectivo e o seguinte será superior. E é o pedir sempre uma maior (e sobretudo melhor) esforço que está na base do crescimento económico e da criação de riqueza.

    “Não é necessário. Nem sempre há concorrência, muito menos se for agressiva.”

    Se prestares um serviço a que o mercado (que somos todos nós, não o Estado) atribua valor, terás sempre concorrência. e quanto maior concorrência tiveres, mais terás de “esfolar” para mereceres a preferência dos teus potenciais Clientes. O mercado é tão simples e “cruel” quanto isto.

    “Escolha livre? A maioria das pessoas nem sequer compreende o que lê!”

    O que sugeres? Escolhas dirigidas por um “iluminado”? Porque seriam elas melhores? Achas que ele conheceria melhor do que tu os teus interesses? Nós saberemos sempre melhor do que ninguém quais os nossos verdadeiros interesses, nem que seja à custa de “cabeçadas” prévias.

    “Onde é que há essa maravilha?”

    Daí que a regra em quase todos os países seja a do défice público que se está agora a tornar empobrecedor. Por isso afirmei em tempos que o estado social está moribundo.

    “Mas os países em que as populações têm escolarizações mais elevadas têm sistemas quase totalmente públicos!”

    Escolarizações elevadas não é necessariamente sinónimo de competências elevadas. E na generalidade dos países o ensino público é mais laxista que o privado. E quando o estado ocupa todo um sector dificilmente deixa espaço para a concorrência. Aliás, não há verdadeira concorrência se o estado tiver presença nalgum sector. Mas também é verdade que a administração pública portuguesa é do pior que há.

    “Na meia final do mundial de futebol.”

    Porra, que têm a ver as opções da bola, pura emoção, com economia? Mas não menosprezei ninguém!

    Gostar

  38. Arnaldo Madureira's avatar
    Arnaldo Madureira permalink
    13 Julho, 2010 19:36

    “o meu ponto é que o serviço ao cliente é genericamente melhor nos serviços públicos do que nos privados.”

    Contesto. Não há um melhor do que outro. E também não era isso que querias afirmar.

    “E sabes porquê? Porque no privado têm objectivos, um dos quais é o lucro. E para teres um lucro perene, tens de ter os Clientes satisfeitos, pois são eles que te pagam o salário.”

    Espero que um dia descubras que há vida para além do lucro.

    “Eis a mentalidade da função pública em todo o seu esplendor. No privado cumpres um objectivo e o seguinte será superior. E é o pedir sempre uma maior (e sobretudo melhor) esforço que está na base do crescimento económico e da criação de riqueza.”

    Não tem nada que ver com público ou privado. Todos páram num ponto qualquer para poderem viver. Se não queres ter tempo para viver em nome desse princípio que enuncias, é lá contigo, mas não tens muitos que te acompanhem.

    “Se prestares um serviço a que o mercado (que somos todos nós, não o Estado) atribua valor, terás sempre concorrência. e quanto maior concorrência tiveres, mais terás de “esfolar” para mereceres a preferência dos teus potenciais Clientes. O mercado é tão simples e “cruel” quanto isto.”

    Esse mercado puro não existe. A vida é muito mais complexa.

    “Nós saberemos sempre melhor do que ninguém quais os nossos verdadeiros interesses, nem que seja à custa de “cabeçadas” prévias.”

    O que tu defendes é que os espertos esfolem os néscios?

    “Daí que a regra em quase todos os países seja a do défice público que se está agora a tornar empobrecedor. Por isso afirmei em tempos que o estado social está moribundo.”

    Para além da tua convicção ideológica, nunca conseguirás encontrar alguma correlação entre estado social e défice.

    “E na generalidade dos países o ensino público é mais laxista que o privado.”

    Há algum estudo que o demonstre?

    “E quando o estado ocupa todo um sector dificilmente deixa espaço para a concorrência. Aliás, não há verdadeira concorrência se o estado tiver presença nalgum sector.”

    Se houver concorrência e os serviços do estado sobreviverem, vais proibir alguém de optar? Há quem tenha ideologia contrária à tua e prefira estado. Por mim, deve haver concorrência entre estado e privados, o que só pode acontecer com cheque ensino ou equivalente.

    “Porra, que têm a ver as opções da bola, pura emoção, com economia? Mas não menosprezei ninguém!”

    A veemência com que te afirmavas socretino, e o contexto, parecia decorrer do caso golden share.

    Gostar

  39. Pencudo Sionista's avatar
    Pencudo Sionista permalink
    13 Julho, 2010 21:59

    Estas conversas do Arnaldo Madureira com o LR fazem-me lembrar as Licões do Tonecas.
    Caro Arnaldo, corre o risco de ser apodado de “Peluche” por algumas ziguezagueantes personagens que estão a banhos ou a desbastar, quiçá à dentada o pasto ( que este ano foi excelente para a criação da perdiz ) os seus quarteirãnicoa quintais.
    Não me façam recorrer às piadas redutoras como:

    Quem sabe faz
    Quem não sabe, ensina.

    Gostar

  40. LR's avatar
    13 Julho, 2010 22:16

    Arnaldo,

    “Contesto. Não há um melhor do que outro. E também não era isso que querias afirmar.”

    O que eu queria afirmar é que os incentivos à qualidade e à produtividade são claramente superiores no sector privado. E, repito, são-no porque têm objectivos claros, entre os quais o lucro.

    “Espero que um dia descubras que há vida para além do lucro.”

    Claro que há. Tal como “há vida para além do défice”. Só que será sempre uma vida mais pobre. Mas tu deves entender o lucro em sentido lato: um benefício, não necessariamente monetário, por prestares um serviço a outrem. O mercado (lato sensu, não inclui apenas bens e serviços mercantilizáveis), passa por cada um de nós trabalhar para os interesses de terceiros.

    “Não tem nada que ver com público ou privado. Todos páram num ponto qualquer para poderem viver. Se não queres ter tempo para viver em nome desse princípio que enuncias, é lá contigo, mas não tens muitos que te acompanhem.”

    Se todos pensassem assim, o mundo estagnaria, ainda não teríamos inventado a roda. Achas que tens menos tempo para gozares a vida que há 100 anos atrás? E achas que a qualidade de vida piorou? Todos os benefícios (materiais e não só) de que hoje usufruímos só foram possíveis através de um esforço de melhoria contínua, de criação de riqueza e de acumulação de capital que evoluíram exponencialmente desde a 1ª revolução industrial.

    “Esse mercado puro não existe. A vida é muito mais complexa.”

    Pois não, por causa das distorções que o estado cria diariamente. Se assim não fosse, a vida seria bem mais simples.

    “O que tu defendes é que os espertos esfolem os néscios?”

    Não, defendo a responsabilidade individual. À custa de várias “cabeçadas”, mesmo um néscio deixa de o ser. E se não se corrigir, também não terá muito que “esfolar”.

    “Para além da tua convicção ideológica, nunca conseguirás encontrar alguma correlação entre estado social e défice.”

    Não é ideologia, são números e não é preciso ser um grande matemático para os analisar. Na generalidade dos países do ocidente, a despesa pública tem subido de forma sistemática à custa fundamentalmente do crescimento das despesas sociais. Sempre me ensinaram que a subida de uma despesa ou descida de uma receita contribuem para agravar o défice ou para reduzir o excedente…

    “Há algum estudo que o demonstre?”

    Em Portugal tens, desde há vários anos, os rankings das escolas. Nos Estados Unidos, as melhores universidades são as privadas. E o indicador para aferir tal é a mais fácil colocação dos seus alunos no mercado de trabalho. Se pesquisares nas revistas Fortune, Forbes ou Business Week encontrarás lá vários estudos que o atestam.

    “Se houver concorrência e os serviços do estado sobreviverem, vais proibir alguém de optar? Há quem tenha ideologia contrária à tua e prefira estado. Por mim, deve haver concorrência entre estado e privados, o que só pode acontecer com cheque ensino ou equivalente.”

    Ok, venha o cheque-ensino, mas na condição de o estado não meter mais nenhum cêntimo adicional nas escolas públicas e deixá-las falir se não tiverem clientes.

    “A veemência com que te afirmavas socretino, e o contexto, parecia decorrer do caso golden share.”

    Raios, que não entendes uma tirada irónica! Não te lembras que aqui há uns anos o Sócrates afirmava que a prioridade da política externa portuguesa era Espanha, Espanha, Espanha???!!! Claro que após a golden share ficou mais patrioteiro. Mas se bem te recordas, debatemos animadamente quando tirei o chapéu à Alemanha.

    Gostar

  41. Arnaldo Madureira's avatar
    Arnaldo Madureira permalink
    13 Julho, 2010 22:58

    #40

    “(…) a partir do desenvolvimento da ideia de igualdade, depressa se reconhece que o Estado se não pode desinteressar dos problemas da vida dos indivíduos em sociedade.
    Assim o impôs o valor essencial da liberdade, que sem a igualdade se torna aristocrático privilégio de uns quantos: a separação entre o Estado e sociedade conduzia ao esquecimento da maior parte dos homens entregues a si mesmo dentro de uma sociedade em que a liberdade a todos era garantida, mas só servia a uma minoria que tinha os meios económicos – e sociais – indispensáveis ao seu uso.” (Francisco Sá Carneiro, 16 de Junho de 1971, Assembleia Nacional)

    Dizes que “a despesa pública tem subido de forma sistemática à custa fundamentalmente do crescimento das despesas sociais.”
    É uma presunção que pode parecer lógica, mas necessita de ser verificada com os tais números (ver #36).

    As boas escolas privadas são as que têm bons alunos, porque conseguem captá-los e mantê-los. As escolas privadas que têm maus alunos são más e estão na cauda dos rankings. Assim como as públicas.

    Gostar

  42. Arnaldo Madureira's avatar
    Arnaldo Madureira permalink
    13 Julho, 2010 23:05

    “O desenvolvimento do económico e a aplicação crescente da técnica a todos os ramos geram a obsessão da eficiência.
    (…)
    O poder despolitiza-se
    (…)
    (…) que o homem lhes não estrague a eficiência, sumo bem de uma sociedade da abundância: a pessoa aniquilou-se, resta o consumidor.” (Francisco Sá Carneiro, idem)

    Gostar

  43. pencudo sionista's avatar
    pencudo sionista permalink
    13 Julho, 2010 23:09

    (…)Assim o impôs o valor essencial da liberdade, que sem a igualdade se torna aristocrático privilégio de uns quantos: a separação entre o Estado e sociedade conduzia ao esquecimento da maior parte dos homens entregues a si mesmo dentro de uma sociedade em que a liberdade a todos era garantida, mas só servia a uma minoria que tinha os meios económicos – e sociais – indispensáveis ao seu uso.” (Francisco Sá Carneiro, 16 de Junho de 1971, Assembleia Nacional)

    Bem podia ter sido Alfred Rosemberg ou até Joseph Goebels a dizer isso…
    Isso quer dizer o quê ?

    Frases do guignol não valem… É preciso pensar por si.

    Quem sabe , faz…

    Gostar

  44. pencudo sionista's avatar
    pencudo sionista permalink
    13 Julho, 2010 23:19

    raios, enganei-me no email

    O seu comentário aguarda moderação.
    13 Julho, 2010 às 11:09 pm
    (…)Assim o impôs o valor essencial da liberdade, que sem a igualdade se torna aristocrático privilégio de uns quantos: a separação entre o Estado e sociedade conduzia ao esquecimento da maior parte dos homens entregues a si mesmo dentro de uma sociedade em que a liberdade a todos era garantida, mas só servia a uma minoria que tinha os meios económicos – e sociais – indispensáveis ao seu uso.” (Francisco Sá Carneiro, 16 de Junho de 1971, Assembleia Nacional)

    Bem podia ter sido Alfred Rosemberg ou até Joseph Goebels a dizer isso…
    Isso quer dizer o quê ?

    Frases do guignol não valem… É preciso pensar por si.

    Quem sabe , faz…

    Gostar

  45. LR's avatar
    13 Julho, 2010 23:19

    Arnaldo,

    Bonito o discurso do Sá Carneiro, feito em 71 na vigência de um estado oligárquico. É pena que ele não seja vivo para ver o que diria deste estado ainda mais oligárquico, mas que prega a igualdade.

    “É uma presunção que pode parecer lógica, mas necessita de ser verificada com os tais números (ver #36).”

    Arnaldo, tem paciência, mas uma subida na despesa, qualquer que ela seja, degrada as contas. Claro que podes mais do que compensá-la com subidas de impostos e teres até um excedente. Mas as subidas de impostos têm limites e eles estão a ser atingidos na maioria dos países ocidentais. Que continuam alegremente a gastar e a acumular défices.

    “As boas escolas privadas são as que têm bons alunos, porque conseguem captá-los e mantê-los. As escolas privadas que têm maus alunos são más e estão na cauda dos rankings. Assim como as públicas.”

    Tal como uma empresa procura captar bons trabalhadores, quadros e gestores, também as escolas procuram captar bons alunos e bons professores. Se queres ter um ensino de qualidade, ele tem de ser selectivo. E nada obsta que tenhas também boas escolas técnico-profissionais que absorvam alunos com menores capacidades intelectuais. e mesmo estas, também podem e devem ser selectivas.

    Gostar

  46. pencudo sionista's avatar
    pencudo sionista permalink
    13 Julho, 2010 23:23

    Esta é antológica !!!

    (…)E nada obsta que tenhas também boas escolas técnico-profissionais que absorvam alunos com menores capacidades intelectuais. e mesmo estas, também podem e devem ser selectivas.

    E vocês sabem fazer o quê (de útil, claro )?

    Ah Ah Ah

    Gostar

  47. pencudo sionista's avatar
    pencudo sionista permalink
    13 Julho, 2010 23:26

    Vou-me deitar, que começo a trabalhar cedo.

    Boas noites

    Ah Ah Ah

    Gostar

Deixe uma resposta para Arnaldo Madureira Cancelar resposta