Dança da Chuva
19 Agosto, 2010
Contrariando as indicações de Cavaco, resolvi passar férias em Espanha.
Em Espanha, nas televisões, Portugal abre noticiários. Com Mourinho, com Cristiano Ronaldo e com os incêndios.
“Enquanto os incêndios provocam a morte de bombeiros e arruínam o país, os irresponsáveis que têm a seu cargo as políticas de prevenção e de combate a fogos revelam um desnorte total. Sem estratégia e sem chama, esperam milagres da meteorologia. Ainda estão na fase da dança da chuva.”
Ontem, no Jornal de Notícias.

Fica-se siderado.
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espero que você esteja a brincar no seu artigo. pôr meio país a limpar a mata?
comece por ler os posts do João Miranda.
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A referência aos “lucros que o Estado português teria com o acréscimo de absorção de carbono pela floresta, aumentando assim as contrapartidas nacionais no mercado mundial de emissões de carbono” revela que Paulo Morais desconhece a charlatanice e a hipocrisia subjacentes a este mercado.
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…
As ‘trubijõege’ e os broncos que por lá ruminam sé sabem papaguear de futchibol e das desgraças dos incêndios – ou de tudo quanto seja desgraça e desvie a atenção do pobre povo das misérias que se aproximam.
Nuno
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Com a descrição, trágica, fiquei zaruca
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Essa da prevenção e combate aos fogos não ter chama, é de mestre.
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Penso que se esqueceu das contas (e também que já hoje existe um imposto nos combustiveis que é canalizado para o Fundo Florestal Permanente, que curiosamente ninguém parece interessado em escrutinar seriamente perguntando onde foram gastos os mais de vinte milhões anuais que lá entram).
Admitamos que a limpeza de uma área custa 100/ ha (é muito mais, pode ser um bocado menos em terrenos razoavelmente planos, com árvores plantadas a compasso que permita a passagem de uma grade de discos, onde pode descer aos 50 euros/ ha em circunstâncias muito favoráveis, mas andará tipicamente pelos 70 euros/ ha). Admitamos que é preciso limpar de quatro em quatro anos (a produtividade primária é elevada nesta cantinho da terra). Temos portanto um custo de 25 euros/ ha/ ano. Admitamos que só quer fazer esta limpeza em povoamentos (fica um com terço do país, que são matos e são as áreas que mais ardem por limpar mas deixemos isso). Teremos então 3 000 000 de ha a um custo de 25 euros (como digo, irrealista, muito irrealista para baixo) o que significa um custo anual de 75 000 000 euros, se prescindir de limpar matos, 150 000 000 milhões se quiser limpar os matos também.
O seu modelo de financiamento pressupõe uma coisa que já existe (24 000 000 do fundo florestal permanente) e um aproveitamento dos matos para comercialização, pelo que percebo para centrais de biomassa, o que não é exequível (os matos têm um poder energético relativamente baixo, um volume enorme, uma capacidade de aprodrecimento muito rápida que ainda diminui o seu interesse energético e quando amontoados correm o risco de entrar em auto combustão como já sucedeu numa central que, ente outra coisas, também usa matos, aí numa porporção de 2% do mix de combustiveis). Acresce que nas contas não estão os custos de transporte dos matos a vazadouro (ou na sua hipótese, para uma central) que são duas vezes o custo do seu corte (portanto, mais 150 000 000 milhões no caso de apenas falarmos das matas, mais 300 000 000 milhões se incluir as áreas de matos do país). Ou seja, é o que se chama um sinking investment.
Acresce que para fazer isto teria de ir buscar muitos braços que não estão disponiveis, pelo que os custos disparariam com a procura a crescer e uma oferta, nomeadamente de mão de obra, muito pouco elástica.
Mas se em alternativa quiser deixar de lado a fantasia de que Portugal é um país de vocação florestal e lembrar-se de que Viriato era pastor, não era lenhador, com muito menos milhões equilibraria os usos do solo, deixando a floresta onde tem produtividades que paguem as operações de limpeza dos matos e tratando de produzir carne, leite e queijo em vez de ter prejuízos insanos e icontroláveis a tentar contrariar no país aquilo que o carateriza e que durante séculos foi fonte de riqueza: a elevada produtividade de biomassa.
E nem precisa de mexer nos bolsos do contribuinte, basta reorientar os dinheiros do PRODER, que hoje financiam regadios ruinosos como Alqueva (pelo menos 11% de todo o dinheiro disponível para o mundo rural está afecto ao financiamento de Alqueva) atrás da quimera de apoiar fileiras produtivas competitivas (se o são deixa-nas demonstrar no mercado e parem de mandar para lá dinheiro) em vez de financiar os serviços ambientais efectivamente prestados e que não são valorizáveis no mercado, como a gestão de combustiveis, o equilíbrio do ciclo da água, o reforço do fundo de fertilidade dos solos, a criação de biodiversidade e etc..
henrique pereira dos santos
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#7
Muito Obrigado pelo seu preciosíssimo contributo para esta discussão. Infelizmente o debate sobre esta matéria não tem tido lugar em Portugal. Nem entre os decisores políticos, nem tão-pouco nos media.
Não concordo com tudo o que diz (mas ainda bem, pois é a diversidade de opiniões que nos enriquece), mas quero subscrever a sua ideia de que o país deveria dar condições a quem pretendesse dedicar-se seriamente dedicar-se à agricultura e à pastorícia.
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#3
Não quer concretizar um pouco melhor a sua opinião?
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Entre a D.ª Alzira do IFADAP, o sargento pára-quedista Silva e uma turba de meliantes a correr por entre os eucaliptos com meia esquadra das Mercês no seu encalço, só falta mesmo neste quadro o bravo Paulo Morais, de enxada em punho e olho de águia sempre assestado no horizonte em busca de penachos de fumo…
http://viasfacto.blogspot.com/2010/08/magalas-policias-funcionarios-publicos.html
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“sem estratégia e sem chama”
ahahahhaha
Que anedota.
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LA VACHE QUI RIT
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Caro Paulo Morais
O mercado de direitos de emissão de dióxido de carbono não é mundial. Os EUA, mesmo com a insistência de Obama, não o adoptaram. Nem mesmo a Austrália sob um Primeiro Ministro socialista. A União Europeia é que se distinguiu na implementação desta aldrabice, cujo fim não é outro senão extorquir dinheiro aos consumidores de energia eléctrica. Mas como a UE tem à frente um homem sem carácter, que apenas se rege pelo politicamente correcto para a carreira dele, não me surpreende.
O pretexto é o presumível aquecimento do planeta provocado pelas emissões humanas de CO2. Sabendo-se que estas emissões acrescentam uma molécula de CO2 a cada 100.000 moléculas da atmosfera em cada cinco anos, dá uma certa vontade de rir…
Mas é com base nesta aldrabice que nascem outras, como é o caso do mercado de emissões. Se a preocupação dos promotores fosse séria, teria sido instituída uma taxa por unidade de massa das emissões, aplicável a todos e destinada à I&D de formas de energia sem emissões.
Mas o que foi criado foi um esquema de cap-and-trade (quem mais insistiu nisto foi a tristemente célebre Enron…) que dá aos governos a possibilidade de estabelecerem níveis máximos permitidos (cap) por tipo de instalação e acima desses níveis o emissor tem de comprar (trade) direitos de emissão numa bolsa, que é algo muito conveniente para os intermediários financeiros, mas que apenas transfere as emissões de uns operadores para outros, sem reduzir coisa nenhuma. Mais do que um esquema isto é “esquemático”.
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“”””também as Forças Armadas e de segurança, bem como alguns dos milhares de funcionários do inútil Ministério da Agricultura.””””
Quanto á tropa – nunca se oferece como voluntario. É dos livros -quando são obrigados(/voluntarios)são pagos – a tropa actual, é paga para desempenhar um determinado serviço, no Kosovo, por exemplo e bem paga – a tropa, hoje, é um negócio – paga bem? então, eu varro a parada.
Sobre a tropa, estamos conversados
Quanto aos civis – é claro, que autor do post, exclui-se da tarefa – dá o bitaite, mas põe-se de parte
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Sobre o caso (CQueiroz), a possível sanção de um mês – alguem escreve no dia de hoje:
O JN – pode levar ao despedimento
O DN – não dá despedimento
Como vêem, não sendo leigo na materia, aceito que a decisão é conforme o cliente
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# 7 – Uma análise precisa.
Há que ter em conta tambem a influencia da arborização na precipitação. Os matos não a favorecem tanto.
Uma solução seria tambem aumentar os incentivos ao plantio das espécies autocnes. O problema é que hoje quem o faz praticamente renuncia ao direito de propriedade, dado que algumas espécies não se podem abater. Isto só é exequivel na grande propriedade, a menos que se concessione a exploração , com autorização dos pequenos proprietários, de modo a que tanto receba quem tem o terreno do corta fogo como quem tem os castanheiros.
Aos que pensam que a floresta absorve dioxido de carbono, isso só acontece até estar madura. Depois o balanço é nulo. No caso da exploração de madeira, o balanço é negativo, porque é preciso gastar gasóleo , fertilizantes… A madeira irá sempre ser queimada ou apodrecer no futuro, o que devolve o CO2 à atmosfera.
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Olha, o tosco do Paulo Morais apagou os comentários.
Deve ser por excesso de chama
“:O))))))
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Barak Obama está despertar interesse na classe politica – Angelo Correia ou PPCoelho, um deles faz questão de ser recebido.
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A Marinha, por exemplo, no verão, põe as Fragatas nas barras – no inverno, faz vomitos a marinhagem
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“Enquanto os incêndios provocam a morte de bombeiros e arruínam o país, os irresponsáveis que têm a seu cargo as políticas de prevenção e de combate a fogos revelam um desnorte total.”
Já as notícias
acerca de Mou e Ro
são do melhor que alguma
vez se viu de Portugal por lá.
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13
“O pretexto é o presumível aquecimento do planeta provocado pelas emissões humanas de CO2. Sabendo-se que estas emissões acrescentam uma molécula de CO2 a cada 100.000 moléculas da atmosfera em cada cinco anos, dá uma certa vontade de rir…”
“acima desses níveis o emissor tem de comprar (trade) direitos de emissão numa bolsa”…”que apenas transfere as emissões de uns operadores para outros, sem reduzir coisa nenhuma.”
Por outro lado, em nome de tão nobre causa, impõem-se aos agentes económicos, através das temíveis directivas comunitárias acríticamente aceites pelos “capatazes” do regime, a substituição de equipamentos que, posteriormente, vêm a revelar-se ineficientes!
Porém, nada atrapalha os “iluminados”! Mudam-se novamente os equipamentos, ainda que com custos astronómicos! Veja-se o que se passa com os CFCs e HFCs. Cá está mais um detalhe da versão do colonialismo moderno: A vantagem tecnológica.
Sócrates tem razão ao identificar a necessidade do choque tecnológico para o País. No entanto, falha na estratégia; destruir pequenas e médias empresas impondo formação ineficiente e encargos diretos e indiretos crescentes, conforta alguma gente, mas provoca exclusão social, desertificação, concentração, aumento da despesa e, finalmente, perda de competitividade global. Este não é o caminho.
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#7
Mesmo desconhecendo os custos de mercado de referência como indica, chegaremos a resultado idêntico fazendo apenas uso do bom senso. Ainda que toda a mão de obra fosse gratuita, os restantes custos operacionais seriam tremendos. É o que inibe os governantes.
Não estou convencido da falta de viabilidade da produção energética pela biomassa. Os cálculos têm de ser globais e permanentemente actualizados, sendo, como sabemos, determinante, o custo actual do mix energético.
Indicou o caminho correto; apostar inteligentemente na economia rural. Porém, como fazê-lo quando a UE é excedentária na produção de bens alimentares? Como fazê-lo quando tal aposta implica, eventualmente, a alteração da composição das bases eleitorais partidárias? Como fazê-lo quando a governação se rege cada vez mais pelo imediatismo?
Esta Democracia tem que dar um salto qualitativo, ou morre!
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A democracia não morre. O povo vai voltar a votar nos mesmos, ou sejam, aqueles senhores a quem conhece a cara, pouco o nome e nada os actos.
O nosso povo é feito de cabeleireiras para quem o que importa é que o político x lhes deu um beijinho numa arruada.
elas sabem lá o que é que ele fez, se está ou esteve no governo e o que vai fazer.
A democracia não morre enquanto vá malta às urnas.
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#24
Talvez esse seja o nosso maior drama; meia dúzia de foguetes e uma concertina resolvem qualquer crise (só em Portugal).
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