Jornalista-Mas o senhor financiou uma tentativa de revolta contra o regime de Salazar. Porquê?
Lúcio Tomé Feteira-É verdade. Foi em 10 de Abril de 1947. João Soares, pai do Mário Soares, era um dos implicados, assim como o almirante Mendes Cabeçadas, entre outros. Vieram ter comigo. Eu andava danado com a burocracia. A questão não era com o Salazar. Queria construir fábricas. Tinha a mania de construir. Ainda hoje não posso com a burocracia portuguesa. Na América consegui o quis, no Brasil também. Na América até criei uma fundação em 15 dias. Em Portugal também quis fazer uma fundação e não me deixaram. Entretanto, o pai do Mário Soares, com quem me dava muito bem, apareceu em minha casa…
Jornalista – Salazar gostava de si?
Lúcio Tomé Feteira- Gostava! Pediram-me para financiar o golpe, pois não tinham dinheiro. E financiei. O que dava ao Governo o direito de me confiscar os bens. E Salazar não o fez. Salazar afirmou a um ministro que sentia grande apreço por mim. – Tenho tanta admiração por este homem e ele não gosta de mim -, terá desabafado a meu respeito. Mas não era bem assim. Eu não gostava era da burocracia. Salazar nunca me quis mal.
Jornalista-Salazar soube do seu envolvimento na tentativa de revolta?
Lúcio Tomé Feteira-Soube de tudo. Fui o único que escapei. Os restantes, mais de três centenas, foram para a prisão, entre os quais o Manuel Cunha, meu cunhado.
Jornalista-João Soares também foi preso?
Lúcio Tomé Feteira -Também foi. Um pide mandou–me embora. Quando foram presos estava eu a caminho do Rio de Janeiro. Fui o único dos implicados a escapar. Mais tarde, em 1950, durante o Ano Santo, o Papa Pio XII pediu uma amnistia para os presos políticos. Mas Salazar não deu. O único que precisava da amnistia era eu. Os outros, afinal, já tinham cumprido a pena. Depois apareceu o professor Queiró, de Coimbra, a discursar: – Portugal não pode perdoar a esses traidores da Pátria… Mas traidor era só um [risos]. E estava no Rio de Janeiro [risos].
Jornalista-É verdade que acolheu opositores ao regime do Estado Novo na sua casa no Rio de Janeiro?
Lúcio Tomé Feteira-Sim senhor! A todos prestei auxílio. E tanto foi assim que, uma ocasião, ao chegar a Lisboa, fui interpelado por um pide: – Nós sabemos que tem auxiliado certas pessoas… – Tenho, sim. Mas se amanhã o Salazar me aparecer desgarrado também não o abandono. – Está bem. Você é boa pessoa. Pode ir embora -, disse o pide.
Jornalista-Também arranjou um advogado a Calouste Gulbenkian…
Lúcio Tomé Feteira-Sim, apresentei-lhe o meu advogado, o Azeredo Perdigão…
Jornalista-Fez alguma coisa pelo próximo?
Lúcio Tomé Feteira-Fiz muito. Só à Ordem de S. João de Deus dei dois milhões de contos para o tratamento dos doentes. Fui o único industrial a dar assistência social aos operários. Por exemplo, morria um operário e a viúva continuava a receber o ordenado do marido. O meu maior prazer na vida era fazer bem. Também Deus foi meu amigo. Corri riscos enormes e Deus pôs-me sempre a mão.
Jornalista-Que conselhos daria à geração actual?
Lúcio Tomé Feteira-Esta geração, coitada, anda toda envenenada. Contam-lhe a história mentirosa. Disse isso ao meu neto, quando se formou em Direito.
Porque é que o Estado entendeu adjudicar a maior parte das obras da requalificação das escolas a apenas uma construtora, contratos superiores a 20 milhões de euros no total? Porque é que o Estado entendeu adjudicar a essa mesma construtora a restruturação do Banco de Portugal, apesar de a empreitada ser bem superior a 5 milhões de euros? E não é a Mota-Engil.
Jornalista-Mas o senhor financiou uma tentativa de revolta contra o regime de Salazar. Porquê?
Lúcio Tomé Feteira-É verdade. Foi em 10 de Abril de 1947. João Soares, pai do Mário Soares, era um dos implicados, assim como o almirante Mendes Cabeçadas, entre outros. Vieram ter comigo. Eu andava danado com a burocracia. A questão não era com o Salazar. Queria construir fábricas. Tinha a mania de construir. Ainda hoje não posso com a burocracia portuguesa. Na América consegui o quis, no Brasil também. Na América até criei uma fundação em 15 dias. Em Portugal também quis fazer uma fundação e não me deixaram. Entretanto, o pai do Mário Soares, com quem me dava muito bem, apareceu em minha casa…
Jornalista – Salazar gostava de si?
Lúcio Tomé Feteira- Gostava! Pediram-me para financiar o golpe, pois não tinham dinheiro. E financiei. O que dava ao Governo o direito de me confiscar os bens. E Salazar não o fez. Salazar afirmou a um ministro que sentia grande apreço por mim. – Tenho tanta admiração por este homem e ele não gosta de mim -, terá desabafado a meu respeito. Mas não era bem assim. Eu não gostava era da burocracia. Salazar nunca me quis mal.
Jornalista-Salazar soube do seu envolvimento na tentativa de revolta?
Lúcio Tomé Feteira-Soube de tudo. Fui o único que escapei. Os restantes, mais de três centenas, foram para a prisão, entre os quais o Manuel Cunha, meu cunhado.
Jornalista-João Soares também foi preso?
Lúcio Tomé Feteira -Também foi. Um pide mandou–me embora. Quando foram presos estava eu a caminho do Rio de Janeiro. Fui o único dos implicados a escapar. Mais tarde, em 1950, durante o Ano Santo, o Papa Pio XII pediu uma amnistia para os presos políticos. Mas Salazar não deu. O único que precisava da amnistia era eu. Os outros, afinal, já tinham cumprido a pena. Depois apareceu o professor Queiró, de Coimbra, a discursar: – Portugal não pode perdoar a esses traidores da Pátria… Mas traidor era só um [risos]. E estava no Rio de Janeiro [risos].
Jornalista-É verdade que acolheu opositores ao regime do Estado Novo na sua casa no Rio de Janeiro?
Lúcio Tomé Feteira-Sim senhor! A todos prestei auxílio. E tanto foi assim que, uma ocasião, ao chegar a Lisboa, fui interpelado por um pide: – Nós sabemos que tem auxiliado certas pessoas… – Tenho, sim. Mas se amanhã o Salazar me aparecer desgarrado também não o abandono. – Está bem. Você é boa pessoa. Pode ir embora -, disse o pide.
GostarGostar
Sobre as PPP e o hipotecar das gerações futuras:
http://www.aventar.eu/2010/10/13/carlos-moreno-no-pessoal-e-transmissvel/
GostarGostar
Jornalista-Também arranjou um advogado a Calouste Gulbenkian…
Lúcio Tomé Feteira-Sim, apresentei-lhe o meu advogado, o Azeredo Perdigão…
Jornalista-Fez alguma coisa pelo próximo?
Lúcio Tomé Feteira-Fiz muito. Só à Ordem de S. João de Deus dei dois milhões de contos para o tratamento dos doentes. Fui o único industrial a dar assistência social aos operários. Por exemplo, morria um operário e a viúva continuava a receber o ordenado do marido. O meu maior prazer na vida era fazer bem. Também Deus foi meu amigo. Corri riscos enormes e Deus pôs-me sempre a mão.
Jornalista-Que conselhos daria à geração actual?
Lúcio Tomé Feteira-Esta geração, coitada, anda toda envenenada. Contam-lhe a história mentirosa. Disse isso ao meu neto, quando se formou em Direito.
GostarGostar
Amor não correspondido . . . PALAVRA DE HONRA !!!
GostarGostar
Belo texto, Carlos. O José Adelino coloca o dedo na ferida.
GostarGostar
Porque é que o Estado entendeu adjudicar a maior parte das obras da requalificação das escolas a apenas uma construtora, contratos superiores a 20 milhões de euros no total? Porque é que o Estado entendeu adjudicar a essa mesma construtora a restruturação do Banco de Portugal, apesar de a empreitada ser bem superior a 5 milhões de euros? E não é a Mota-Engil.
GostarGostar