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“Contra os que nos devoram, à custa da pala, serei sempre radical!”

13 Outubro, 2010
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Por José Adelino Maltez, no Albergue Espanhol.

6 comentários leave one →
  1. tric's avatar
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    13 Outubro, 2010 15:08

    Jornalista-Mas o senhor financiou uma tentativa de revolta contra o regime de Salazar. Por­quê?
    Lúcio Tomé Feteira-É verdade. Foi em 10 de Abril de 1947. João Soares, pai do Mário Soares, era um dos implicados, assim como o almirante Mendes Cabeçadas, entre outros. Vieram ter comigo. Eu andava danado com a burocracia. A questão não era com o Salazar. Queria construir fábricas. Tinha a mania de construir. Ainda hoje não posso com a burocracia portuguesa. Na América consegui o quis, no Brasil também. Na Amé­rica até criei uma fundação em 15 dias. Em Portugal também quis fazer uma fundação e não me deixaram. Entretanto, o pai do Mário Soares, com quem me dava muito bem, apareceu em minha casa…

    Jornalista – Salazar gostava de si?
    Lúcio Tomé Feteira- Gostava! Pediram-me para financiar o golpe, pois não tinham dinheiro. E financiei. O que dava ao Governo o direito de me confiscar os bens. E Salazar não o fez. Salazar afirmou a um ministro que sentia grande apreço por mim. – Tenho tanta admiração por este homem e ele não gosta de mim -, terá desabafado a meu respeito. Mas não era bem assim. Eu não gostava era da burocracia. Salazar nunca me quis mal.

    Jornalista-Salazar soube do seu envolvimento na tentativa de revolta?
    Lúcio Tomé Feteira-Soube de tudo. Fui o único que escapei. Os restantes, mais de três centenas, foram para a prisão, entre os quais o Manuel Cunha, meu cunhado.

    Jornalista-João Soares também foi preso?
    Lúcio Tomé Feteira -Também foi. Um pide mandou–me embora. Quando foram presos estava eu a cami­nho do Rio de Janeiro. Fui o único dos im­plicados a escapar. Mais tarde, em 1950, du­rante o Ano Santo, o Papa Pio XII pediu uma amnistia para os presos políticos. Mas Sa­lazar não deu. O único que precisava da amnistia era eu. Os outros, afinal, já ti­nham­ cumprido a pena. Depois apareceu o pro­fessor Queiró, de Coimbra, a discursar: – Portugal não pode perdoar a esses trai­dores da Pátria… Mas traidor era só um [risos]. E estava no Rio de Janeiro [risos].

    Jornalista-É verdade que acolheu opositores ao regime do Estado Novo na sua casa no Rio de Janeiro?
    Lúcio Tomé Feteira-Sim senhor! A todos prestei auxílio. E tanto foi assim que, uma ocasião, ao chegar a Lisboa, fui interpelado por um pide: – Nós sabemos que tem auxiliado certas pessoas… – Tenho, sim. Mas se amanhã o Salazar me aparecer desgarrado também não o abandono. – Está bem. Você é boa pessoa. Pode ir embora -, disse o pide.

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  2. Santos's avatar
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    13 Outubro, 2010 15:17

    Sobre as PPP e o hipotecar das gerações futuras:

    http://www.aventar.eu/2010/10/13/carlos-moreno-no-pessoal-e-transmissvel/

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  3. tric's avatar
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    13 Outubro, 2010 15:36

    Jornalista-Também arranjou um advogado a Ca­louste Gulbenkian…
    Lúcio Tomé Feteira-Sim, apresentei-lhe o meu advogado, o Azeredo Perdigão…

    Jornalista-Fez alguma coisa pelo próximo?
    Lúcio Tomé Feteira-Fiz muito. Só à Ordem de S. João de Deus dei dois milhões de contos para o trata­men­to dos doentes. Fui o único industrial a dar assistência social aos operários. Por exem­­­plo, morria um operário e a viúva con­­ti­nuava a receber o ordenado do marido. O meu maior prazer na vida era fazer bem. Também Deus foi meu amigo. Corri riscos enormes e Deus pôs-me sempre a mão.

    Jornalista-Que conselhos daria à geração actual?
    Lúcio Tomé Feteira-Esta geração, coitada, anda toda envenenada. Contam-lhe a história mentirosa. Disse isso ao meu neto, quando se formou em Direito.

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  4. Licas's avatar
    Licas permalink
    13 Outubro, 2010 17:48

    Amor não correspondido . . . PALAVRA DE HONRA !!!

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  5. PALAVROSSAVRVS REX's avatar
    13 Outubro, 2010 21:37

    Belo texto, Carlos. O José Adelino coloca o dedo na ferida.

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  6. Lionheart's avatar
    Lionheart permalink
    14 Outubro, 2010 15:04

    Porque é que o Estado entendeu adjudicar a maior parte das obras da requalificação das escolas a apenas uma construtora, contratos superiores a 20 milhões de euros no total? Porque é que o Estado entendeu adjudicar a essa mesma construtora a restruturação do Banco de Portugal, apesar de a empreitada ser bem superior a 5 milhões de euros? E não é a Mota-Engil.

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