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a nossa paulo coelho

18 Outubro, 2010
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Outros leitores consideram que a culpa do que se está a passar em Portugal é, afinal, dos nossos empresários, que são «rascas» e «incapazes». Para esses deixo-lhes a sugestão de leitura do Atlas Shrugged, agora em tradução portuguesa com o nome A Revolta de Atlas, com excelente edição da Sextante. O Atlas é a obra principal da Ayn Rand (embora eu prefira o The Fountainhead), como alguém dizia, com graça, aí pela net, a Paulo Coelho dos liberais. Minha, também.

42 comentários leave one →
  1. Luis Dias's avatar
    Luis Dias permalink
    18 Outubro, 2010 12:27

    Já eu no outro dia a acusar o rui de Ayn Randismo e eis que hoje ele demonstra a sua ingenuidade e imaturidade total ao demonstrar-me inteiramente correcto. Poucos sabem da natureza totalmente imbecil e lunática da senhora, que praticamente fundou uma religião irracional “objectivista” à volta das suas ideias malucas, que depois descambaram em escândalos românticos cujas “explicações” eram tão absurdas quanto fanáticas, pois igualmente “objectivas”. Pensei eu, no entanto, com alguma ingenuidade admito, que esta doença mental que só tem paralelo com o próprio comunismo nunca chegaria a portugal e que se deixaria confinar em terras onde o egoísmo é elevado ao estatuto de sagrado, fenómeno que se correlaciona com a estupidez criacionista e teórico-conspiracionista dos chamados rednecks americanos.

    Admitamos, o Rui é um Tea Partyist, e o seu ídolo não andará muito longe de um tipo chamado Ron Paul, que teve a bela ideia de dar o nome de Rand Paul ao seu filho, imaginem vocemesseses em homenagem a quem. São tipos que desprezam o movimento cívico para a libertação dos racismos nas décadas de 60,70, são tipos que pretendem que o estado se diminua à condição de…. inexistente, que vêm coisas como a educação e a saúde como inteiramente privados, deixando os pobres à brilhante intervenção de “caridades” de gente tão generosa quanto altruísta (pois não foi com essas características que ganharam o que ganharam?!?).

    Para quando a lobotomia a estas pestes intelectuais que teimam em propagar venenos intelectuais desta magnitude? Serão necessárias as mesmas décadas que foram necessárias para o marxismo para olharmos o pobre Marx de esguelha e com alguma vergonha sempre que concordemos com ele? Enfim, suspiro por algo que nunca virá, que é a boa nova da chegada da inteligência à blogosfera portuguesa. Só mesmo no além.

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  2. Luis Dias's avatar
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    18 Outubro, 2010 12:38

    Outra coisa. Porque parece, a quem levar estas arruiradas a sério, que esta crise foi criada pela “arrogância” das classes “baixas”, sabem dos empregados, não das pessoas a sério, esses criativos da economia que nos carregam tipo Atlas (apesar de serem quase todos eles uns gordalhaços incapazes do menor esforço físico). Parece que esta crise foi provocada pelas chamadas “políticas sociais”, aquelas políticas que arrogantemente tentam equilibrar algum senso comum e dar a todos possibilidades de vingarem na vida (não só aos filhos dos carregadores de planetas).

    Parece que já se esqueceram todos que a grande crise foi provocada principalmente pela irresponsabilidade, incompetência e ganância pura desta classe de pretensos “Atlas” que ultimataram os estados mundiais a fornecerem-lhes todo o dinheiro da classe “menor”, esses arrogantes empregados do mundo, porque senão o prédio vinha todo abaixo, e agora que os Atlas já podem todos recomeçar a comer caviar e a passear de avião a jacto privado e a festejar os seus lucros (com bónus, claro, aos tipos que souberam chorar como deve ser aos estados), que venham os mesmos incompetentes dizer que os estados é que estão em falência e que devem muuuito dinheirinho aos bancos.

    MAS ESTÁ TUDO MALUCO?

    Aquilo que assistimos é a maior transferência de dinheiros da classe média para a ricalhaça globalizada e sem pátria alguma vez vista, e que leitura é que este senhor nos recomenda? A leitura do aviso da ricalhaça de que, se nós não nos prostrarmos como deve ser a essa classe super-mega-criativa, que ela ainda encolherá os braços e aí vai tudo abaixo.

    Não tem fim a arrogância? A pouca vergonha?

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  3. Rxc's avatar
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    18 Outubro, 2010 12:59

    Luis Dias, e quem criou a legislação e regulamentação que permitiu isso? Foi o mercado? Ou os “representantes eleitos”? E serão estes últimos meros instrumentos, facilmente corruptíveis na sua função primeira (defender o bem público e o interesse comum)?
    É normal que as classes “opressoras” tentem aumentar a sua influência e riqueza, o que não é normal é que os governantes não defendam aquilo para o qual foram eleitos…

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  4. Luis Dias's avatar
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    18 Outubro, 2010 13:05

    Luis Dias, e quem criou a legislação e regulamentação que permitiu isso? Foi o mercado? Ou os “representantes eleitos”?

    Portanto a culpa da incompetência, ganância e desleixo das elites bancárias é do governo. Lindo. Quer dizer, é preciso ter lata.

    E serão estes últimos meros instrumentos, facilmente corruptíveis na sua função primeira (defender o bem público e o interesse comum)?

    Serão. E depois? Quer isto dizer que a culpa disto tudo é a ideia de um estado social? Não. A culpa é de sermos humanos. E diz-me lá tu, quem tem mais poder para corromper o estado? A “classe trabalhadora”? Ou a elite bancária? Que interesses é que o estado privilegia?

    É normal que as classes “opressoras” tentem aumentar a sua influência e riqueza

    E no entanto, pelos olhos do Rui, essa opressão deve ser vista com bons olhos, porque afinal é tudo boa gente que só quer melhorar o universo.

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  5. jcd's avatar
    18 Outubro, 2010 13:09

    Luís.
    1. Provavelmente, nunca leste o livro
    2. Se o leste, não o compreendeste.
    3. Também não compreendeste praticamente nada da Ayn Rand
    4. A alusão ao egoísmo mostra que o praticamente da linha anterior, provavelmente está a mais.
    5. Subentende-se que preferiria censurar o livro.
    6. A grande crise tem várias origens, mas essa dos Atlas é de gargalhada.
    7. Aquilo a que assistimos é à transferência de dinheiro dos cidadãos para o estado.
    8. Os estados devem muito dinheiro a toda a gente porque o pediram.

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  6. Arnaldo Madureira's avatar
    Arnaldo Madureira permalink
    18 Outubro, 2010 13:17

    É normal que alguém tente aumentar a sua influência e riqueza, mas também é verdade que poder traz mais poder e dinheiro traz mais dinheiro. Quem tem menos influência e menos riqueza, tem menos oportunidades. A maioria dos elementos da sociedade quer que o estado intervenha para moderar este desequilíbrio.

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  7. Arnaldo Madureira's avatar
    Arnaldo Madureira permalink
    18 Outubro, 2010 13:18

    As empresas e as pessoas também devem muito dinheiro a toda a gente porque o pediram.

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  8. jcd's avatar
    18 Outubro, 2010 13:20

    Arnaldo

    Mas esse é um problema das empresas e das pessoas e cada um paga a sua. A dívida do estado, pagamos todos.

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  9. Luis Dias's avatar
    Luis Dias permalink
    18 Outubro, 2010 13:20

    jcd, se tu pensas que a alusão ao egoísmo está errada, então não sou eu o tipo que nunca leu o livro e se põe a dar tiros nos pés. Enfim, com calinadas dessas… quanto à alusão à censura, é imbecil. Existe uma diferença entre a esperança de que a estupidez perca a luta da selecção natural cultural e a opressão à livre circulação de ideias e livros. Quem espalha estupidezes não deixa de ser palerma, por mais livre que seja de o ser.

    Dizes que é de gargalhada isto da crise ter origem nos Atlas. É a tua opinião ignorante. Dizes que a transferência é para o estado, mas isto é a coisa mais imbecil que disseste, pois se assim fosse, o estado não estaria com as dívidas que tem. O estado tem sido um veículo de dinheiro para certas “elites” carregadoras de planetas. E para tios e primos e “gestores” também. Mas isso não discordo. O que discordo é que Rand tenha alguma coisa de inteligente a dizer sobre esta crise.

    Não me surpreende totalmente. Afinal, no início da crise também houve quem tivesse dito que Marx afinal “estava vivo e de boa saúde” na sua análise ao problema. Tal como um pêndulo que se colocado demasiado à esquerda, balança para a direita com toda a naturalidade…

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  10. Arnaldo Madureira's avatar
    Arnaldo Madureira permalink
    18 Outubro, 2010 13:27

    jcd
    Errado. O estado é a nossa “empresa”. Quem não quiser fazer parte desta sociedade, que se exclua ou proponha mudar a constituição (não me refiro à Constituição escrita).

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  11. Arnaldo Madureira's avatar
    Arnaldo Madureira permalink
    18 Outubro, 2010 13:28

    E cada um não paga a sua. Fazem cavaladas e vão pedir ao estado (a nós todos) que os salve.

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  12. será's avatar
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    18 Outubro, 2010 14:04

    luís dias dixit! muito bem!

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  13. Fernando's avatar
    Fernando permalink
    18 Outubro, 2010 14:14

    Perante tanta blasfémia, só me resta concluir que o Rui é, no mínimo, muito ingénuo.
    Numa posta mais abaixo, fala de livre concorrência e leis de mercado, mas esqueceu-se de explicitar a que tipos de mercado se estava a referir; talvez ao monopólio e ao oligopólio (cartelizado) que são os que têm maior peso nas economias, não?
    Referiu ainda a preocupação dos empresários em investir as mais-valias (uma grande verdade, pois o móbil dos capitalistas é, precisamente, capitalizar mais e cada vez mais, independentemente das consequências que essa atitude possa vir a provocar), patati e patatá, mas esqueceu-se de explicar a razão de ser dessas mais-valias (tão facilmente confundidas com lucro).
    Quanto ao papel do Estado, tem sido muito útil para a defesa dos interesses das grandes empresas: a crise, tal como o algodão, não engana – a transferência continuada da riqueza criada por muitos para as contas de poucos haveria de dar os seus frutos. As leis, elaboradas e impostas pelo Estado, regulam os comportamentos sociais com vista a determinados fins. Assim, com leis tão pouco favoráveis ao patronato (e com tanta cooperação entre patrões e trabalhadores), como é que os primeiros conseguem ficar tão ricos e os segundos (na generalidade), tão pobres? Concluo que esta repartição da riqueza, tão favorável aos primeiros, deve ser fruto dos milagres com que estes são abençoados devido à sua magnanimidade e do castigo dos segundos, uns malandros, preguiçosos, invejosos,…

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  14. Francisco's avatar
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    18 Outubro, 2010 14:17

    O Rui anda muito Arrojado. Talvez Joaquinizado.
    Quanto ao JCD, passo. A Zazie classifica-o muito melhor que eu.

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  15. Euroliberal's avatar
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    18 Outubro, 2010 14:28

    “O Rui anda muito Arrojado. Talvez Joaquinizado.”
    Plutôt jaquinizado, diria eu. P. Arroja na sua fase cristã, distanciou-se claramente de Rand, que considerava a guru dos jovens liberais imaturos. E eu acrescento: esse putão campeão do ultra-individualismo e ultra-egoísmo, causas da actual decadência ocidental, e a sua pseudo-filosofia pimba (objectivismo), são a doença infantil do liberalismo, já de si enfraquecido pelo vigor comunitarista das sociedades emergentes (e são emergentes exactamente porque rejeitaram o decadente liberalismo).

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  16. razia's avatar
    razia permalink
    18 Outubro, 2010 14:33

    Censura?!?!? Não, o tipo que acha que os “atlas” são muito estúpidos, mas mesmo assim conseguem enganar os do Estado (o que serão estes então?) e os que propagam as suas ideias devem ser apenas lobotomizados. Censura é que não.

    Eu gostava de saber é como é que os idiotas que controlam o Estado se deixam enganar pelos estúpidos do atlas. Ainda por cima os idiotas têm a faca (as leis) e o queijo (o poder do estado) na mão. Devem ser mesmo idiotas.

    E por amor de Deus, aquilo é um romance, não é um manifesto político pseudo científico que promete acabar com a escassez e trazer os amanhãs que cantam.

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  17. Outside's avatar
    Outside permalink
    18 Outubro, 2010 14:33

    Luís Dias,

    Excelentes comentários. Revelam humanidade, dignidade, solidariedade, lucidez, honra e numa palavra…Carácter.

    Coisas simples que aqueles “que fizeram o mundo assim” complicaram e enliaram num novêlo sem fim.
    A culpa é do Estado ? É sim, porêm é do elemento humano (inexistente), corrupto e em compromissos mergulhado..que vendeu e comprometeu e compromete o Estado diáriamente com os grandes grupos económicos, que se mistura e se dilúi nestes.

    Muita palha e infelizmente muita ovelha ruminante popula este paìs que se adia e atrasa e não, não se rectifica.

    Muita falta de Valores Humanos há em quem nos governa, em quem monopoliza e em quem estrangula o elo mais fraco, para quem o plim plim é o que de mais importante existe na vida.

    E agora que o bluff está a discoberto…privatiza-se o que falta privatizar (saúde e educação), esqueça-se e abandone-se o pilar “justiça”, ineficiente em termos de corrupção desde que me lembro. E os culpados, os culpados estão achados e marcados, os trabalhadores por conta de outrêm, os f.p. (não os acessores e gestores públicos) que ganham misérias, a “ralé” que não “arrisca” e como não arrisca tem que ter os seus direitos ainda mais diminúidos (que interessa se não arrisca por não ter como arriscar?).

    Não existe dignidade caramba !!!???

    Mais uma vez, Cumprimentos Luís Dias pelo murro na “mesa”.

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  18. Luis Dias's avatar
    Luis Dias permalink
    18 Outubro, 2010 14:40

    razia, infelizmente há pessoas que de tão pouca massa cerebral que possuem, pouco efeito lhes faria a lobotomização. Concedo portanto que esta não é a solução.

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  19. lucklucky's avatar
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    18 Outubro, 2010 15:09

    Lobotomização é o que sofreste Luís. Pois vais ver o mundo que criaste a cair aos bocados sem saber porquê.
    “esta crise foi criada pela “arrogância” das classes “baixas”, sabem dos empregados”
    Foram, foram eles que votaram em Socialiistas e Social Democratas para ter “direitos” só possíveis por causa do Défice e depois pago com Dívida, e agora que a Dívida estoirou, impostos e cortes sucessivos…
    .
    Ainda não percebeste que quem teve mais interesse no Crédito foram os Estados?
    Os Estados que vivem da Dívida? Os banqueiros foram atrás, mais negócio.
    Adoraram Juros baixos, bonificações para compra de casa e muito crédito para os Governos etc…
    O “ultraliberal” Chile tem menos de 10% de Dívida ou seja não fez muitos negócios com os Bancos. O Sociallista Portugal fartou-se de fazer negócios com Bancos. E por vontade do BE, PCP e toda a Esquerda ainda faria mais.
    Não há crise alguma. O que há é o retorno a uma vida sem tanto crédito.

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  20. joao's avatar
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    18 Outubro, 2010 15:25

    Pôrra que este Luis Dias deve ser o Tiririca socrático cá do sítio. O socialismo arruinou os portugueses e enriqueceu os socialistas ( os detentores dos jobs do estado ) mas a culpa é dos outros…vai-te catar Tiririca…………..

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  21. Outside's avatar
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    18 Outubro, 2010 15:46

    João, (óbviamente que o Ps e os seus xuxalistas são os maiores responsáveis, foram eles quem rapou o tacho com mais tempo desde Abril!!); Sócrates o pior dos piores, o “inenarrável” sem qualquer dúvida…porêm neste modo de praticar política, quem enrriqueceu não foram só os do Largo do Rato…esta promiscuidade é transversal a todos os partidos com assento parlamentar, do BE ao PP passando pelo bloco central. A culpa é de todos …e o “mal menor” vai mais uma vez, inevitavelmente ser eleito, para daquio a uns anos ser o “mal maior”…um círculo vicioso que se repete e eterniza, à ESQUERDA e à DIREITA caramba !!!
    …e não reparei que estivesse para aqui através do contraditório a ser defendido o Socrático e os seus, quem se responsabiliza são todos aqueles comprometidos e mergulhados em interesses económicos particulares e afectivos, sem qualquer relevância PARA O DESEMPENHO COM HONRA, DIGNIDADE E ACIMA DE TUDO DEVER PARA COM AS FUNÇÕES PARA AS QUAIS FORAM ELEITOS !!! E que agora fazem “amonas” a quem já sobrevive debaixo de água há muito! Drogas e depêndencias há muitas, em todos os níveis sectários da sociedade.

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  22. jcd's avatar
    18 Outubro, 2010 15:54

    Luis
    Se usou a expressão ‘egoísmo’ como tradução literal para selfishness, só posso entender que o conceito não foi bem assimilado. O egoísmo de que fala, em inglês é “egoism” e o sentido que se tem atribuído em português ao “selfishness” de Ayn Rand tem sido bastante deturpado.

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  23. jcd's avatar
    18 Outubro, 2010 15:57

    Arnaldo dixit

    “Errado. O estado é a nossa “empresa”. Quem não quiser fazer parte desta sociedade, que se exclua ou proponha mudar a constituição (não me refiro à Constituição escrita).”

    Essa opção existe? Que eu saiba, o único opting-out que temos chama-se emigração.

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  24. jcd's avatar
    18 Outubro, 2010 16:04

    Luis

    Se quer que lhe diga, a minha paciência para discutir com quem atira um insulto a cada três palavras já não é a mesma de antigamente. Principalmente quando é uma conversa de surdos. É evidente que está a atirar lugares comuns para o ar convencido de que sabe do que está a falar.

    Como é óbvio, para quem anda há anos a alertar para aquilo que se está a passar hoje -a falência dos estados provocada pelo crescimento constante e insustentável da despesa pública- não há grande capacidade de aturar as teorias absurdas de quem nem sequer consegue fazer contas de somar e subtrair e continua a inventar ‘atlas’, ‘especuladores’, ‘banqueiros’ e outros gambosinos para as culpas da mais que previsível situação actual. Para cúmulo, chamam ignorantes aos que sempre alertaram para o que iria acontecer.

    Quanto ao resto, sugiro uma moderação a linguagem. Gostamos de manter um nível mínimo no debate.

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  25. Arnaldo Madureira's avatar
    Arnaldo Madureira permalink
    18 Outubro, 2010 17:13

    jcd
    Opting out. Boa ideia. E qual é o país sem estado social que escolhe para emigrar?

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  26. Eduardo F.'s avatar
    18 Outubro, 2010 17:20

    O facto de um livro publicado em 1957 que, ainda em 2009, vendeu mais de meio milhão de exemplares em todo o mundo, não tenha uma edição em português europeu é o melhor exemplo do caldo de cultura iliberal em que vivemos (e fomos criados). De resto, também não será por acaso que não existe uma tradução “oficial” em língua francesa…
    Ocorre-me uma citação de Ludwig von Mises: «The word Capitalism expresses, for our age, the sum of all evil. Even the opponents of Socialism are dominated by socialist ideas.»

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  27. Ricciardi's avatar
    Ricciardi permalink
    18 Outubro, 2010 17:47

    «E qual é o país sem estado social que escolhe para emigrar?» Arnaldo

    Pode vir para Angola.

    RB

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  28. jcd's avatar
    18 Outubro, 2010 18:22

    jcd

    “Opting out. Boa ideia. E qual é o país sem estado social que escolhe para emigrar?

    Já escolhi um, que faz boas condições para estrangeiros. E se quero escolher um país em que se paguem impostos como em Portugal, que seja um em que o estado ao menos funcione naquilo que se propõe fazer.

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  29. PMP's avatar
    PMP permalink
    18 Outubro, 2010 18:35

    A questão liberal filosófica é confundida por alguns “liberais” com o mito “neo-liberal” do funcionamento da macro-economia.
    O problema vem da base e que é a falsidade dos mercados eficientes. Os mercados nunca provaram que a longo prazo são eficientes, por dois motivos principais : os mercados são feitos por pessoas imperfeitas que em competição revelam os defeitos humanos (a ganância, a maldade, o egoismo, a mentira, etc.) e por outro lado os consumidores e as empresas não conseguem aprender informação suficiente para terem decisões essencialmente racionais, devido ao quase infinito numero de possibilidades.
    Esta imperfeição impele os mercados para desiquilibrios continuos, que dão origem a recessões, que por um feito de realimentação positiva e sem factores externos acabam em depressões.

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  30. Eduardo F.'s avatar
    18 Outubro, 2010 19:17

    Se os “mercados são formados por pessoas imperfeitas” por que passo de mágica é que o “aparelho estatal” é (e só) formado por anjos virtuosos? Pessoas essas que “em competição revelam os defeitos humanos”. E não estando em competição (no Estado) só revelam virtudes, é assim?

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  31. PMP's avatar
    PMP permalink
    18 Outubro, 2010 19:32

    EF,
    Não é necessário nenhum passe de mágica, mas apenas uma correcta definição institucional do Estado, mais ou menos semelhante à que vigora na generalidade dos países desenvolvidos.
    Devido à diferença de interesses entre o Estado e o privado no mercado e à experiência aquirida ao longo de mais de cem anos é relativamente simples estabelecer um funcionamento do Estado que gradualmente vai melhorando a sua intervenção no mercado, melhorando a contribuição deste para uma melhoria da qualidade de vida da sociedade em geral.
    Em virtude dos defeitos naturais do ser humano, o Estado deve-os ter em conta e encontrar formas de contrabalançar esses defeitos quer dentro do Estado quer na sua relação com o mercado e a sociedade em geral, através de leis e de orgãos executivos e judiciais.

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  32. Eduardo F.'s avatar
    18 Outubro, 2010 19:56

    PMP,
    Considero-me esclarecido. Grato.

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  33. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    18 Outubro, 2010 20:02

    Os mercados por definição são raramente eficientes. São é muito menos ineficientes.
    A razão é óbvia, só socialiistas não percebem que o Futuro é imprevisível.
    Mas os mercados são é muito menos ineficientes que a economia desenhada a regra e esquadro dos burocratas estatais.
    É tal como a Republica c/Democracia. O menos mal dos sistemas.
    Os mercados estão sempre em busca da eficiência, mas ninguém sabe se dois adolescentes estão numa garagem a inventar a nova tecnologia que vai tornar a Microsoft obsoleta.
    Isto é, os mercados são tentativas de aproximação à eficiência.
    Note-se aliás que a eficiência total é indesejável pois coloca em causa a redundância.
    E quando mais a economia evolui para fora do hardcore mais os burocratas estatais ficam ainda mais incompetentes e ineficientes.
    O saber nunca esteve tão distribuído porque nunca foi tão complexo e isso é o Fim do Estatismo Económico. Os idiotas da esquerda à direita que falam de planos económicos não estão a ver o filme.
    A única coisa que poderá salvar o Estado Socialiista é a Guerra e a sua destruição.

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  34. rui a.'s avatar
    rui a. permalink
    18 Outubro, 2010 22:55

    «Tea party»?
    Eu é mais coffee party ou whisky party.

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  35. Pedro Moreira's avatar
    19 Outubro, 2010 09:23

    Gosto muito do Blasfémias mas tenho de reconhecer que esta da Randt desiludiu me bastante.

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  36. rui a.'s avatar
    rui a. permalink
    19 Outubro, 2010 15:58

    É Rand, não é Randt. Por acaso já leu alguma coisa dela?

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  37. Arnaldo Madureira's avatar
    Arnaldo Madureira permalink
    19 Outubro, 2010 16:14

    jcd

    “Já escolhi um, que faz boas condições para estrangeiros.”
    Lamento que não queira dizer-me qual é. Faz boas condições para estrangeiros? E para os nacionais?

    “E se quero escolher um país em que se paguem impostos como em Portugal, que seja um em que o estado ao menos funcione naquilo que se propõe fazer.”
    É isso que se deve fazer em Portugal, pagar impostos e exigir que funcione.

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  38. Arnaldo Madureira's avatar
    Arnaldo Madureira permalink
    19 Outubro, 2010 16:16

    Ricciardi
    Não, muito agradecido pelo convite, mas só iria para um país mais liberal do que Portugal.

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  39. Pedro Moreira's avatar
    20 Outubro, 2010 23:40

    “É Rand, não é Randt. Por acaso já leu alguma coisa dela?”
    Li. E se há bem algo que me desilude ainda mais, é as tentativas que ela tem para fazer andar a sua teoria incoerente para quem esteja aberto a outras ideologias e pontos de vistas.

    Pobre Rand… Ela não devia saber que enviar alguma malta para ajudar a gente no Katrina, para citar apenas um em muitos exemplos, até pode ser algo de útil e minimamente decente.
    Ela provavelmente não deve ter lido “O Espirito do capitalismo” de Webber. Ele explica-la bastante bem que, sem os valores que ela acusa, o nosso joguinho todo vai abaixo. Ou pelo menos, já não seria a mesma coisa…

    Enfim, vê-se que Rand e Damásio não viveram na mesma época. Rand saberia que o racionalismo puro, sem os sentimentos, acaba por ser um racionalismo imperfeito… “Objectivismo”? Por favor… Opiniões, como qualquer um.

    Como conclusão, diria que Rand é engraçada. Aprende-se dela. Como qualquer autor.

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  40. rui a.'s avatar
    rui a. permalink
    21 Outubro, 2010 00:11

    Concordo, em absoluto, consigo quanto ao racionalismo absurdo usado pela Rand e pelos objectivistas. Eu não sou um randiano, embora considere que há muito a aproveitar do que ela escreveu.

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  41. Pedro Moreira's avatar
    21 Outubro, 2010 00:57

    Epa… O problema da sua filosofia é que ela aparece num momento muito crítico. A confusão de valores e o sentimento cada vez mais impune de ganhar freneticamente dinheiro sem consequências assusta cada vez mais. E Ayn Rand vem nesse preciso momento bater mais um bocado no problema… A sua ideologia vem legitimar cada vez mais os impulsos errados de pessoas que são cada vez melhor aceites hoje em dia.

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  42. rui a.'s avatar
    rui a. permalink
    21 Outubro, 2010 02:25

    Está muito enganado, quanto ao problema do dinheiro. A sua expressão «ganhar freneticamente dinheiro sem consequências» não tem, perdoe-me a sinceridade, qualquer significado. Devo dizer-lhe, a esse respeito, que tenho do dinheiro uma visão cristã. O dinheiro não tem existência própria. Não é mau nem é bom. É somente uma forma de pagamento de trabalho, bens e serviços. Pode ser em notas, em moedas, em prata ou ouro, como foi, no passado, em sal ou em conchas da praia. O valor está no trabalho e naquilo que ele representa para quem dele necessita. Assim, o dinheiro não é mais do que a justa retribuição do nosso valor e do nosso esforço. O dinheiro ganho honestamente, como é óbvio, porque, para o dinheiro desonesto existem as leis…
    O pensamento da Ayn Rand nesta matéria é, de resto, o mais interessante da sua obra. Certamente que não é o objectivismo, nem o racionalismo superlativo do super-homem capitalista, que ela desenha como se fosse um mito grego. Isso é literatura, a meu ver de segunda qualidade, mas, apesar de tudo, engraçada, porque profundamente original num mundo em que todos dizem o mesmo. Mas o valor da Ayn Rand é exactamente no discurso contra-cultura dominante da crítica anti-capitalista, como se ganhar dinheiro, criar riqueza e prosperidade fossem pecados capitais. Não são, acredite, e ao espírito do capitalismo devemos o mundo bom em que, apesar de tudo vivemos. A tendência, muito portuguesa e muito europeia, de condenar a «fortuna», a «riqueza», o «sucesso», como se fossem pecados capitais, fez de Portugal e da sociedade portuguesa uma sociedade de miseráveis e de pobres de espírito, incapazes de arriscar e de empreender. Pois, empreender porquê, se quem triunfa tem, à nascença, pelo menos, a suspeição?
    Acredito, em conclusão, que o essencial da Rand é profundamente cristão: amar o dinheiro, porque ele representa o esforço e o trabalho honrado de quem o conseguiu sem favores de ninguém, a não der de si mesmo e do seu mérito pessoal. Leia bem o que ela escreveu, cesconte-lhe o objectivismo e o racionalismo cartesiano bem presentes na sua obra, e verá que o fim moral do que lá está não é mais senão isto.

    Cumps.

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