Peso do Estado, correlação e causalidade
21 Outubro, 2010
Dois senhores feudais. Nas terras do primeiro a população ganha 1000 per capita. Nas terras do segundo a população ganha 2000 per capita. O primeiro cobra 20% à população, o segundo cobra 40%. Pode-se concluir que quanto maior o saque maior a riqueza gerada pela população? Ou, pelo contrário, deve concluir-se que quanto maior o rendimento maior a tolerância da população em relação ao saque?
Qual das teorias explica melhor a correlação entre o PIB per capita e o peso do Estado na economia?

Nem uma coisa nem outra.
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Isso não interessa. Na 1ª não ganham todos 1000. Na 2ª não ganham todos 2000. Em ambos os casos a desigualdade é chocante. Imensa gente não pode ir à escola, nem ao hospital, a menos que o estado colecte aos que ganham mais para essas despesas a quem ganha menos. A questão é: queremos que o estado faça isso? Eu respondo que sim. Tenho motivos para acreditar que a maioria das pessoas também respondem que sim.
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Bom, em nenhum dos casos é possível ser estabelecida uma relação entre o pib e o peso do estado, por dois motivos essenciais:
1º porque se trata de feudos
2º porque ao tratar-se de feudos, não existem regras que definam o conceito de “peso do estado”
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Se o João Miranda continuar a escrever posts sobre o mesmo tema, acabará também por saber as respostas às suas próprias perguntas.
Ou se sabe, porque pergunta?
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Admito votar PSD, caso se confirme o que ouvi: que o Medina Carreira será o Ministro das Finanças, caso o PSD ganhe as eleições. Tem a sua lógica tantos são os laranjas que gabam o palavreado do Medina. Mas, como as coisas das finanças não se resolvem com palavras, tenho de pensar bem não vá o homem nada resolver quando se passar à prática.
Será que a folha A4 onde estão rabiscadas as propostas/sugestões/contributos do PSD para o orçamento não são apenas palavras soltas que nada resolverão?
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Simplifiquemos. Depende da situação:
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se no feudo a) o salário de 800 (100-20% impostos) tiver poder de compra equivalente a ‘MEIA tonelada de batatas’ e no feudo b) os 1200 (2000-40% impostos) a ‘UMA ‘tonelada de batatas’, é uma situação,
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os outras são a inversa (o a) equivaler a ‘UMA tonelada de batatas’ e b) a ‘MEIA’) ou ambos equivalerem ‘UMA tonelada de batatas’.
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Essa questão dos AUMENTOS SALARIAIS é um embuste, demagogia ou manipulação sindical. O que interessa aos Cidadãos, Famílias e Empresas é o PODER DE COMPRA DOS SALÁRIOS. COM O MESMO SER AUTORIZADO A COMPRAR MAIS.
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Só se conquista de forma sustentada pela redução da carga fiscal visível e oculta que reduzem propositadamente o poder de compra. Ou, mais avançado, pela eliminação de todos os impostos visíveis e ocultos substituindo-os pelo Imposto Nacional Único e pelo Imposto Social Único. Ambos colectados sobre todo o Consumo (o total da facturação nacional).
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O AUMENTO DO PODER DE COMPRA pela VIA ILUSÓRIA DOS AUMENTOS SALARIAIS é rapidamente eliminado pela ‘porta do cavalo’ através de aumentos discretos da carga fiscal e/ou da actualização de preços que automaticamente acarretam.
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A razão da reacção e oposição das ‘elites’ que vivem do Estado ao Imposto Nacional Único, ao Imposto Social Único e ao consequente entrega integral dos ordenados brutos ao fim do mês: toda a gente ficava a saber exactamente quanto é que o Estado lhe saca da carteira o que individualmente ninguém sabe o montante completo. Ou rarissimos saibam embora mesmo assim com algumas duvidas. Ora isto não interessa aos seus interesses lucrativos meramente pessoais …….
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Mas está bem. Eles lá sabem.
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O João Miranda volta a fazer uma pergunta falaciosa do tipo “deixou de bater na sua mulher?”, ou seja, uma pergunta que tem implícito algo que aquele que se pretende que responda não aceita.
Se assumirmos, como o João Miranda pretende, que o dinheiro que o estado cobra é “saque” necessariamente improdutivo, podemos tranformar tal crença numa proposição infalsificável caso nos recusemos a olhar para os dados empíricos.
Mas se ao invés de assumirmos isso, considerarmos que é isso mesmo que está em disputa, vamos encontrar uma série de dados que indiciam que não é esse o caso.
Esta série de textos da minha autoria aborda alguns deles:
http://esquerda-republicana.blogspot.com/search?q=liberalismo+de+direita
Destaco especialmente estes:
http://esquerda-republicana.blogspot.com/2010/02/erros-do-liberalismo-de-direita-v.html
http://esquerda-republicana.blogspot.com/2010/05/sindicatos.html
http://esquerda-republicana.blogspot.com/2010/01/erros-do-liberalismo-de-direita-iii.html
E já agora,
http://esquerda-republicana.blogspot.com/2010/10/esquerda-e-as-ditaduras-comunistas-iii.html
http://esquerda-republicana.blogspot.com/2010/10/esquerda-e-as-ditaduras-comunistas-ii.html
Note-se que nestes textos não repito o argumento que deu origem ao debate, i.e. que tendo o estado em Portugal um peso na média dos países desenvolvidos não pode ser essa a causa do nosso atraso.
Mostro algo diferente, que as políticas dos partidos de esquerda nos dois casos que conheço melhor (Portugal e EUA) promoveram em média maior crescimento e menor endividamento que as dos partidos de direita (todos os valores são anteriores à crise, mas nem sequer foi minha opção, não tinha acesso aos dados posteriores à crise)
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Os adeptos do socialismo, bem como os whigs, não querem sequer aceitar a pergunta colocada pois, a fazê-lo, a resposta seria inescapável.
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“Pode-se concluir que quanto maior o saque maior a riqueza gerada pela população? Ou, pelo contrário, deve concluir-se que quanto maior o rendimento maior a tolerância da população em relação ao saque?
Qual das teorias explica melhor a correlação entre o PIB per capita e o peso do Estado na economia?”
Depende!
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O autor do artigo parece não entender como funciona um sistema capitalista/monetário.
Neste sistema que é usado em quase todos os países (a zona euro é um caso muito especial) a origem do dinheiro vem dos gastos do estado que para os pagar emite moeda ou divida.
A partir desta emissão de moeda pelo Estado é que se desenvolve o restante processo capitalista, pelo que este está intrinsicamente ligado ao consumo do sector público.
Os gastos públicos devem ser equilibrados de forma a manter a inflação baixa, mas para que o sector privado possa adquirir poupança monetária é necessário por definição matemática existir déficit.
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