“Dinheiro sujo” *
«O Governo de José Sócrates, com o seu usual oportunismo e a sua absoluta falta de escrúpulos, resolveu anular os benefícios fiscais de instituições religiosas e de instituições particulares de solidariedade social (IPSS). Mas deixou conspicuamente de fora a Igreja Católica Apostólica Romana. Este privilégio é em parte justificado pelo papel dessa Igreja na formação histórica de Portugal (que nem sempre, como é sabido, foi papel benéfico e muitas vezes foi, sem a menor dúvida, um papel nocivo). De qualquer maneira, é improvável que o nosso bem-amado primeiro-ministro se tenha deixado guiar por considerações dessa espécie. Muito prosaicamente, Sócrates não quis juntar a Igreja (ainda poderosa) à sua longa lista de inimigos, pensando sobretudo no voto católico em 2011.
As comunidades religiosas de outras denominações (ou seja, as que para seu azar não são católicas) nem sequer mereceram ao Governo a simples cortesia de serem previamente informadas. Sem grande influência, não valem nada para um político da envergadura moral e intelectual de Sócrates. Que se arranjem ou que se lixem, para ele é o mesmo. Infelizmente, existe em Portugal uma Lei de Liberdade Religiosa (de 2001) e a presunção, seguramente estabelecida, que o Estado não deve estabelecer distinções no tratamento de
qualquer igreja. Claro que nunca ninguém se lembrou de cumprir seriamente essa regra. Basta ver a ridícula quantidade de feriados que celebram episódios centrais da narrativa evangélica, puros pontos de doutrina ou até tradições devotas sem o mais vago significado doutrinal, para perceber quem o Estado protege ou não protege. O que não impede a discriminação grosseira e sistemática a favor da Igreja Católica (aliás, constitucionalmente proibida) de ser uma vergonha para a presumível democracia portuguesa. Não me custa a acreditar que o eng. Sócrates não perceba que a liberdade é indivisível (como dantes, com ingenuidade, se dizia) e que há um risco em eximir uma particular igreja ao peso fiscal, que outras forçosamente suportam. Convém, por isso, explicar a esse distinto rebento do PS que os direitos do homem e do cidadão não devem estar à mercê das conveniências do Orçamento ou do interesse eleitoral de um partido.
Ignoro se o dinheiro que o Estado vai arrecadar com esta medida de intolerância e cegueira é muito ou pouco. É, com certeza, um dinheiro sujo.»

Sinhor, ajudai-me a não pecar contra os poderosos, a saber, banqueiros, magistrados da procuradoria, parceiros das público-privadas e assim todos que me ajudem a lixar os mais fracos, só, sem falta da católica romana de portugal.
No mais, sou limpo de consciência como sempre fui, amém.
GostarGostar
O voto ca… quê? Você na sua cegueira jacobina acredita mesmo que algum católico, que vote na qualidade de católico (e foi esse o exemplo que você deu), votará num político apenas porque ele não taxou a Igreja? Um político que fez guerra pelo aborto e ganhou, um político que fez guerra pelo casamento gay e ganhou, e vai receber os “votos católicos” porque não taxam a Igreja. Homem, acorde caramba.
GostarGostar
Eu também gostava que à Igreja Católica fossem retirados os benefícios fiscais… e que os milhares de portugueses que ainda não passam muita fome graças à ajuda que recebem dessa Igreja fossem bater à porta do Sócrates, do VPValente e do CAA! Giro!
GostarGostar
Já começo a perceber porque Portugal é um país católico.
GostarGostar
Luís,
Como pode confirmar, o texto é de Vasco Pulido Valente – eu apenas concordo com o seu conteúdo…
GostarGostar
Espero que a Igreja Católica denuncie essa flagrante desigualdade de tratamento em relação às outras confissões e liminarmente recuse o envenenado presente.
GostarGostar
Portugal não é um país católico! É um país cristão!
Quanto ao “PODER”….até poderá ser católico.
GostarGostar
Os casados são mais penalizados pelas novas tabelas de IRS: seguindo o raciocínio do VPValente, com o qual concorda o CAA, deve ser para captar o voto dos solteiros! 🙂
GostarGostar
se a minha avó chuta a bola com o pé direito é porque não é comunista primária, por isso não utiliza o jogo aéreo e se o chéché do pulido diz é porque é verdade-in vino veritas. sou agnóstico graças a deus
GostarGostar
por agora só venho trazer um concerto em directo, depois volto para o comentário:
http://liveweb.arte.tv/fr/video/L_Orchestre_de_Paris_et_Vadim_Repin_jouent_Saint-Saens/
GostarGostar
Para o Vasco, anteontem, foi uma botelha inteira, tá visto.
GostarGostar
“O voto ca… quê? Você na sua cegueira jacobina acredita mesmo que algum católico, que vote na qualidade de católico (e foi esse o exemplo que você deu), votará num político apenas porque ele não taxou a Igreja? Um político que fez guerra pelo aborto e ganhou, um político que fez guerra pelo casamento gay e ganhou, e vai receber os “votos católicos” porque não taxam a Igreja.”
.
Não admirava nada que o topo da Igreja Católica em Portugal pense assim. Já são bem sociallistas.
GostarGostar
INACREDITÁVELLLLLLLLLLLLLLLLLL
Novas Mistificações
GostarGostar
GostarGostar
surreal,isso sim!
GostarGostar
“…anular os benefícios fiscais de instituições religiosas e de … (IPSS). Mas deixou conspicuamente de fora a Igreja Católica Apostólica Romana…” Isto é verdade?
Como é que pode ser verdade? é que é completamente ilegal. Foi publicado quando?
GostarGostar
“Basta ver a ridícula quantidade de feriados que celebram episódios centrais da narrativa evangélica, puros pontos de doutrina ou até tradições devotas sem o mais vago significado doutrinal, para perceber quem o Estado protege ou não protege.”
Os feriados não são apenas religiosos – são também culturais e populares. Qual acha que seria a reacção dos agnósticos portuguese se acabassem com um dos seguintes feriados:
– Natal
– São João (ou S. António, ou S. Pedro, etc.)
– Carnaval (que não sendo religioso, está intimamente ligado à Páscoa)
– 1 de Novembro
– 1 de Janeiro
* Tirando estes, apenas sobram o 15 de Agosto e o 8 de Dezembro, esses sim puramente religiosos (porque entretanto deslocaram o dia da mãe para Maio… que continua a ser o mês de Maria).
Mais facilmente acaba com o 10 de Junho, o 5 de Outubro e o 1º de Dezembro…
De resto, vê as coisas ao contrário – não deveria ter sido retirado o benefício fiscal a ninguém. E ainda bem que a principal instituição de solidariedade em Portugal ficou de fora dessa medida ignóbil.
GostarGostar
Papel sem dúvida nocivo da Igreja????
CAA tem de certeza dinheiro em banco, um bom emprego e contactos…
Os pobres (antigos e novos) sabem que a Igreja vai fazer tudo para os ajudar nestes tempos de crise.
Cortar com os chamados ´benefícios da Igreja´ seria liquidar o país que depende dela. Mas essa é uma realidade que CAA só pode desconhecer.
GostarGostar
O Vasco Polido Valente é um pateta…
GostarGostar
este senhor,bom calculista,não faz nada em que não esteja presente o voto,mesmo quando vira à esquerda.vai virando dos dois lados em mira de…
GostarGostar
Pois é, senhores VPV e CAA, 0 vosso conhecido velho ódio à Igreja Católica cega-vos. A quem acham que recorrem multidões de pobres sem dinheiro para pôr pão na mesa da família? Já são dois milhões e meio de pobres no nosso país. Muitos mais este garrote-orçamental para 2010 irá fazer. Essas multidões de pobres que todos os dias recorrem às Obras assistenciis das paróquias por todo o país, não vos dizem nada?. Tanto jacobinismo tolda-vos a mona, não vos deixa ajuizar com clareza e sem preconceitos.
GostarGostar
Mas afinal isto não é uma República…
É, mas das bananas…
Pelos vistos o Sr Mário não gostou nada desta decisão…
GostarGostar
mas a eventual isenção ou não da igraj catolica não é regulada pela concordata?
GostarGostar
Da mesma forma que você não concorda com os feriados religiosos eu não concordo com a maioria dos feriados laicos, e agora como é que ficamos? Não devem estes feriados, como outras coisas, tentar agradar equilibradamente às sensibilidades presentes no país?
Outra coisa é o calculismo político de não querer aborrecer por razões puramente eleitoralistas aos católicos em prejuizo doutras igrejas
GostarGostar