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“Temos o pior dos dois mundos”

23 Fevereiro, 2011

Mário Centeno, de 44 anos, doutorado em Harvard, director adjunto do Departamento de Estudos Económicos do Banco de Portugal e professor no ISEG, deu uma entrevista ao PÚBLICO. Vale a pena ler: «No Estado, há essa coisa extraordinária em que o prémio salarial é muito maior nos salários mais baixos do que nos mais altos. O Estado paga muito mais do que os privados às pessoas com menos qualificações e isto distorce tudo. Incluindo o próprio Estado, que não consegue atrair os bons quadros porque não lhes paga o suficiente, e não lhes paga o suficiente porque arrasta o peso daquela mole de pessoas não-qualificadas a quem paga acima do mercado. É impossível instalar uma fábrica no interior de Portugal com câmaras municipais que são as maiores empregadoras, com programas operacionais disto e daquilo, com subsídios de desemprego… Não há maneira de concorrer com isto. »

45 comentários leave one →
  1. António Alves's avatar
    António Alves permalink
    23 Fevereiro, 2011 11:15

    isso é conversa de académico que vive longe do mundo real bem acomodado num excelente salário e no ar condicionado do seu fantástico gabinete de burocrata pago – imaginem – pelo ESTADO. com os salários de merda que os privados fazem questão de pagar aos “menos qualificados” nunca conseguirão trabalhadores. por alguma razão o patrão do pingo doce se queixa que não encontra talhantes e outros profissionais. Portugal é o país da OCDE onde o prémio salarial aos licenciados é o mais elevado e aquele cujo leque salarial é mais amplo. o senhor doutor lá de harvard é capaz de nos explicar porque razão os países onde o leque salarial é muito mais estreito e os salários dos trabalhadores menos qualificados é mais elevado são muito melhores que nós? aliás, isso da qualificação não é assim tão linear e apresenta-se apenas correlacionada com o bom desempenho económico. as pessoas são mais qualificadas nos países ricos e bem geridos e também mais justos e com maior equidade por isso mesmo: são ricos, bem geridos e mais justos e chegaram lá antes de todos terem excelentes qualificações. na extinta união soviética para cada 5 operários (bem qualificados) havia um engenheiro. nada disso fez com que aquilo fosse algo decente. a conversa da qualificação é treta. paguem decentemente a toda gente, reduzam o leque para níveis dignos de um país civilizado, respeitem e motivem as pessoas e as coisas só poderão ser melhores. o resto é conversa de crápulas que sonham com modernas formas de escravatura.

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  2. EMS's avatar
    EMS permalink
    23 Fevereiro, 2011 11:21

    Bah, esse Centeno não passa de mais um empregado do estado a queixar-se que é mal pago.

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  3. LR's avatar
    23 Fevereiro, 2011 11:32

    António Alves,

    Você tem a certeza que o simples facto de aumentar os salários aumenta a produtividade da mão-de-obra? A ser assim, o Estado deveria pedir meças a qualquer outra organização em termos de produtividade…

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  4. Fredo's avatar
    Fredo permalink
    23 Fevereiro, 2011 11:32

    Isso não passa de “bocas”. O doutoramento em Harvard não lhe tirou a ignorância nestas matérias.
    O senhor doutor que consulte os números, e se inteire da realidade, antes de mandar essas bojardas.

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  5. António Alves's avatar
    António Alves permalink
    23 Fevereiro, 2011 11:51

    caro LR,
    aumentar os salários ajuda a motivação até um certo nível. é a velha teoria dos “factores higiénicos”. depois entram outros factores que em Portugal são na maioria dos casos absolutamente ignorados. a qualidade da gestão, tantos dos recursos humanos, como dos outros, é um desses factores e que normalmente é medíocre tanto no estado como no privado. não são apenas os trabalhadores que são pouco “produtivos”, a qualidade da gestão é em média muito fraquinha embora sejam muito bem pagos na generalidade. é verdade, a partir de um certo nível não vale a pena aumentar os salários porque a produtividade não parece melhorar como parece ser o caso dos gestores. já ao nível que está o comum trabalhador pouco “qualificado” todo o aumento de salário aumenta a motivação. estão ainda longe de preencher os chamados “factores higiénicos”. e sem esses nada feito.
    o problema português é o excesso de tudólogos. e esses não trabalham nas fábricas do interior ou do norte. estão em Lisboa sentados nos jornais, nas televisões, nas universidades e escrevem em blogues. a única coisa que fazem é opinar. se sabem tanto porque raio não se candidatam a governantes, não fundam empresas, ou, ainda mais simples, vão trabalhar para as fábricas? o país agradeceria melhor emprego de tanta sapiência.

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  6. António's avatar
    23 Fevereiro, 2011 12:12

    António Alves, VIVA.

    fazia falta por aqui alguém que lembra-se que a realidade é um “pingo doce” num “continente”.

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  7. Outside's avatar
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    23 Fevereiro, 2011 12:16

    Eu não sei tanto sobre tanta coisa porÊm sei aqui duas simples coisas:
    1. O texto do Centeno é surreal, desligado/desenquadrado da realidade e sem qualquer conhecimento do que o Estado paga aos seus funcionários verticalmente falando…mas cada um puxa ao seu certo, e que se lixem os restantes já dependurados.

    2. “o problema português é o excesso de tudólogos. e esses não trabalham nas fábricas do interior ou do norte. estão em Lisboa sentados nos jornais, nas televisões, nas universidades e escrevem em blogues. a única coisa que fazem é opinar. se sabem tanto porque raio não se candidatam a governantes, não fundam empresas, ou, ainda mais simples, vão trabalhar para as fábricas? o país agradeceria melhor emprego de tanta sapiência.
    Não é óbviamente o único problema mas não deixa de ser verdade este parágrafo.

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  8. X's avatar
    23 Fevereiro, 2011 12:17

    Bravo António Alves. Sintetizou em poucas palavras as razões principais do nosso subdesenvolvimento. O resto é conversa de rapazes que nasceram espertinhos, em famílias que lhes puderam dar uma boa educação e que acham que, por isso, todo o mundo é deles. Esquecem-se que não têm mérito por causa desses factores favoráveis e que os outros, os do baixo da pirâmide, não têm culpa. Talvez tivessem mérito se ajudassem a puxar para cima os de baixo e refreassem a sua ganância individual. Mas, coitados, como foram educados para se imporem à cotovelada, se preciso fôr, não descortinam mais nada. No fundo são uns pobre diabos com baixa auto estima e que só vêm no alto salário e mordomias o grande objectivo das suas vidas. Por assim dizer uns m…

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  9. campos de minas's avatar
    campos de minas permalink
    23 Fevereiro, 2011 12:22

    Grande António Alves!

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  10. António's avatar
    23 Fevereiro, 2011 12:22

    já agora uma perguntinha?

    se alguns de nós são assim tão bons, porque razão estamos assim tão maus??

    se calhar vamos ter que fazer como na bola e importar jogadores e treinador.

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  11. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    23 Fevereiro, 2011 12:28

    Nos anos 60 e 70, pessoas sem cursos superiores, mas com muita vontade de trabalhar, fundaram empresas, chafaricas pelos actuais critérios, empresas de vão de escada, «microempresas», o que lhe queiram chamar servirá. Fizeram-no, e muitas grandes empresas começaram numa garagem (como o Iogurte Adágio, já nos anos 80).
    .
    Hoje a «geração parva» procura empregar-se junto a um patrão, se possível o Estado. Compreendo até um certo ponto: a ganância do Estado leva a que empresas não sejam competitivas aqui. Quem quiser e souber, tem a Polónia ou Angola para as fazer, valendo por vezes o risco inerente a esses lugares.
    .
    Realmente, se o Senhor Soares dos Santos não encontra talhantes, deverá aumentar-lhes as condições e os ordenados, tout court. Isso acabará de uma forma ou de outra a ser pago pelos consumidores, já que:
    .
    1) A concorrência também tem de aumentar.
    2) Os consumidores engolem tudo.
    3) Ninguém cria porcos em casa. Pode até ter umas couves no jardim, mas caramba!, um porco é sempre um porco!
    .
    Qual é o problema de um talhante ou um padeiro ganhar mais que o seu gestor? Um talhante é um talento raro (uma qualificação, se quiserem). Gestores com canudo feito de couro de burro há-os aos pontapés, desempregados. E qual é o problema de se ter um padeiro com curso superior? Faz-lhe porventura sentir frustrado, se ganhar mais que o seu gestor?
    .
    Um padeiro licenciado em gestão pode sempre ser um gestor. Um gestor licenciado nem sempre pode ser um padeiro. Se tem suficientes gestores e nenhuns padeiros ou talhantes, deve pagar bem mais aos talhantes que aos gestores.
    .
    Pague pois ele mais àqueles de que mais precisa. Vai ver que os consegue.

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  12. Rxc's avatar
    Rxc permalink
    23 Fevereiro, 2011 12:32

    X, acha que o pobre se tivesse nascido “espertinho” numa dessas famílias não faria exactamente a mesma coisa? Até parece que o pobre é um santo…São todos iguais, o que é preciso é alterar os estímulos e o quadro mental neste país para que TODOS, mais ou menos abonados, contribuam efectivamente e de forma sustentada para a melhoria colectiva da sociedade.
    Dê um tacho ao pobre e verá que este rapidamente se acomoda bem ao privilégio (à custa dos seus anteriores “camaradas”).

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  13. António Alves's avatar
    António Alves permalink
    23 Fevereiro, 2011 12:35

    “Dear new MBA:
    Congratulations! You have a sparkling new degree, highly prized in this world. You have learned a great many things about business. You have invested two years of your life, not to mention lost wages and a small fortune in tuition, in this impressive undertaking. As a result, you are fully qualified to go out and become a menace to society.”

    Henry Mintzberg, The MBA Menace, 2004

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  14. jones's avatar
    jones permalink
    23 Fevereiro, 2011 13:13

    “Os empresários mais representados nas negociações são esses, que estão a viver de rendas. Repare que temos um preço da electricidade altíssimo, temos os preços das telecomunicações altíssimas, da gasolina… Há aqui um conjunto de bens não-transaccionáveis que não sofrem concorrência e que fazem com que a mão-de-obra não seja o factor mais relevante, justamente porque recebem essas rendas. Então, o ónus desta rigidez cai sobre os jovens com empregos precários e sobre as empresas exportadoras. “

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  15. jones's avatar
    jones permalink
    23 Fevereiro, 2011 13:16

    “O acesso ao subsídio de desemprego é mais um mito?

    É. A ao contrário do que se pensa, não há um fácil acesso ao subsídio de desemprego. Os números da Segurança Social são absolutamente avassaladores a esse respeito: apenas uma fracção minoritária das pessoas que perdem emprego acede ao subsídio de desemprego.

    Os outros não acedem, seja porque não tiveram o número de meses suficiente de contribuições para a Segurança Social, seja porque nem sequer estão nessa situação. Os sectores onde há uma presença mais forte de sindicatos acedem desproporcionadamente mais porque a informação e o apoio são muito maiores. A diferença sectorial entre pessoas que trabalham na construção e as que trabalham nalguns serviços mais estruturados ou nalguma indústria é abissal. Estou a falar dos que descontem para a Segurança Social…

    O que estou a dizer é que o subsídio de desemprego é uma coisa quase elitista. “

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  16. Miguel Madeira's avatar
    23 Fevereiro, 2011 13:48

    Que disparate – um auxiliar de acção médica ganha 387 euros na administração pública; mesmo que ganhe só o SMN no sector privado (385 euros) o prémio salarial seria apenas de 2 euros. como é que 2 euros é um prémio muito grande?

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  17. António Alves's avatar
    António Alves permalink
    23 Fevereiro, 2011 13:57

    sim, caro jones, o homem, entre alguns truísmos, até se contradiz – caso dos subsídios de desemprego que afinal não são assim tantos e logo não são factor impeditivo da implantação de empresas no interior *. além disso o senhor, como lisboeta que não sai da protecção do casulo, confunde a realidade alentejana (o interior próximo e deserto) onde o que ele afirma é uma realidade com a realidade do país a norte do Mondego onde vivem mais de 5 milhões de portugueses. podemos tb acrescentar a esta realidade económica a região de Leiria e o Algarve. só a dona Helena no seu proselitismo cego e irracional é que não se apercebeu ou então não quis aperceber-se.
    * o interior para esta gente começa em Vila Franca de Xira que já é Ribatejo profundo e é habitada por uns cromos que andam a cavalo com uns barretes verdes enfiados na caixa córnea.

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  18. honni soit qui mal y pense's avatar
    honni soit qui mal y pense permalink
    23 Fevereiro, 2011 14:25

    Fabricas !!!!!!!!!!!!!

    a malta quer é Meo`s com o canal bfica e bejecas

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  19. jal's avatar
    23 Fevereiro, 2011 14:31

    Deixem-me lá reduzir salários, os trabalhadores portugueses andam todos a viver à grande e à francesa, mal habituados com as benesses que o Estado e os patrões lhes dão. Ainda por cima são mal agradecidos, esses malandros que não querem trabalhar.
    Queixam-se do desemprego, mas eu até crio empregos sem salário e ninguém quer vir trabalhar, como é que posso competir assim?
    Os meus lucros continuam a aumentar, mas começo a sentir falta de mão de obra disponível para efectuar aquilo que quero, ao preço que quero e nas condições em que quero, é lamentável.
    Era-mos todos mais felizes se eu aumentasse um pouco mais os meus lucros…

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  20. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    23 Fevereiro, 2011 15:03

    Jal,
    .
    Tanta inveja existe em Portugal… se acha que pode fazer melhor do que eles, pelos céus!, crie o seu próprio supermercado. Dou-lhe uma dica: ao que parece, se pagar um pouco mais que no Pingo Doce, o Pingo Doce fica sem empregados e vai à falência. Já nem tem pr’ó talho nem quem trate da massa (da de trigo). Se não, faria um melhor serviço a si próprio em não se armar em «parvo» e compreender que «eles» só têm lucros porque são bons naquilo que fazem.
    .
    Ninguém neste mundo diz a um dos trabalhadores: «não sairás e criarás o teu próprio supermercado». (Diz a ASAE, mas isso é outra coisa) Agora, um trabalhador de supermercado não é necessariamente um bom gestor de loja, e mesmo o último não será necessariamente um bomgestor da cadeia.
    .
    A solução é simples: aumenta-se os ordenados das especialidades onde há falte de mão de obra (por exemplo, no talho, na peixaria, na padaria), e mantêm-se onde há excesso (por exemplo, repositores, caixas e gestores de loja.
    .
    Mais uma vez: um não licenciado deveria PODER ganhar mais que um licenciado. Nada o impede na lei. Apenas a prática de que o meu supervisor tem de ganhar mais que eu, mesmo que nao saiba fazer o que eu sei, é continuada por um conjunto de azêmolas, uma delas, infelizmente, o Sr. Soares dos Santos.

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  21. campos de minas's avatar
    campos de minas permalink
    23 Fevereiro, 2011 15:21

    Com efeito, Francisco Colaço

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  22. Carlos Dias Nunes's avatar
    23 Fevereiro, 2011 15:39

    Há por aqui uns energúmenos que se permitem mandar bocas contra o Prof. Mário Centeno.
    Tomara qualquer deles chegar-lhe aos calcanhares em decência, dignidade e conhecimento da matéria sobre que fala.
    É também graças a gente como estes comentadeiros que o País está como está.

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  23. Outside's avatar
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    23 Fevereiro, 2011 16:00

    Caro Carlos Dias Nunes,
    1.Pela educação que me foi dada, não recebo lições de decência, dignidade, honra e demais valores morais.(ponto)
    2.Conhecimento da realidade (salários verticais no Estado) em debate tenho algum, pelo que li do texto do Exmo. Sr. Prof., ele, o tal Prof. não tem conhecimento da matéria que fala e cúmulo sobre a qual dá entrevista.
    O problema no Estado, em não ter quadros qualificados, deve-se portanto aos salários (e respectivos prémios) dos quadros mais qualificados!!! (que na sua maioria são ocupados não por mérito mas por conhecimento, realidade que o Exmo. Prof. omite ou desconhece; deve-se aos prémios salariais elevados nos salários menores ??????
    Por mais vezes que se recite uma mentira, não a tornarás verdade.

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  24. JRamalho's avatar
    JRamalho permalink
    23 Fevereiro, 2011 16:06

    Será que este fulano alguma vez desceu à terra?

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  25. jal's avatar
    23 Fevereiro, 2011 17:01

    Caro Francisco Colaço,
    Desconheço quem é, quem representa e que interesses defende, mas uma coisa fiquei a saber pelo comentário: nada sabe sobre a formação do lucro.

    Se soubesse não se armava em «parvo» e teria vergonha em dizer que tem lucro quem é bom naquilo que faz. A não ser, claro está, que se esteja a referir àqueles que são bons a explorar a mais-valia do trabalho dos outros?

    Aliás, o que está hoje em causa e o que motiva tantos doutos e ilustres estudos é a luta entre salário e lucro, a luta entre aqueles que pensam que podem manter e continuar a sua acumulação de riqueza à custa do empobrecimento dos outros e aqueles que rejeitam esse caminho.
    Mas, ainda há por aí quem pense ou seja pago para pensar que é com baixos salários, com a destruição de serviços públicos e com a redução ou eliminação de prestações e apoios sociais que lá vamos…

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  26. Carlos Dias Nunes's avatar
    23 Fevereiro, 2011 17:25

    Estás mesmo defitivamente Outside, pá! Vai dar banho ao cão (ou uma volta ao bilhar grande, que vem a dar no mesmo).
    Já a pulga tem catarro, da-se!

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  27. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    23 Fevereiro, 2011 17:34

    Mais um «teórico da treta»!
    Falam, falam….mas não os vejo a fazer nada!

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  28. Outside's avatar
    Outside permalink
    23 Fevereiro, 2011 17:46

    Essa é a sua argumentação ? Conselhos para ir dar uma banhoca ao canídeo ou para ir jogar um bilhar? Fina flôr a sua estirpe/graça. Também é Professor ?
    Se não se dá ao respeito não o merecerá certamente. Temos valores diferentes/opostos. Fique por lá que eu por cá estarei.

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  29. A C da Silveira's avatar
    A C da Silveira permalink
    23 Fevereiro, 2011 18:13

    Não conheço o Prof Centeno, e o que ele escreveu é discutivel como tudo na vida. Mas parece-me indicutivel que Portugal não se desenvolve entre outras razões porque o estado absorve mais de 50% da riqueza nacional, e não lhe chega porque não pára de se endividar, e porque cerca de 20% dos portugueses, embora no exercicio de legitimo direito, votam na extrema esquerda, no BE e no PCP, que são geneticamente totalitarios, fenomeno que como sabemos é unico na Europa, e nos paises democraticos.
    No proximo 12 de Março, vamos assistir a uma manifestação de jovens que reevindicam melhores empregos, e melhores contractos de trabalho, e até aposto que a descer a avenida na fila da frente, hão-de ir de braço dado, o Louçã o Carvalho da Silva, o Jeronimo de Sousa, o Alegre se já estiver recuperado, enfim, os do costume, tudo gente que está farta de criar postos de trabalho neste país.
    Como sabemos, basta ouvi-lo, Louçã e o seu grupo, sobrevivem politicamente canibalizando as desgraças e as legitimas aspirações alheias, e enquanto os mais desfavorecidos, desempregados mais jovens ou menos jovens, empregados mais precarios ou menos precarios não perceberem isto, não vão a lado nenhum.

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  30. António Alves's avatar
    António Alves permalink
    23 Fevereiro, 2011 19:13

    tabela salarial da função pública
    quadro superior (de estagiário ao nível mais elevado):
    995,51 – 1 201,48 – 1 407,45 – 1 613,42 – 1 819,38 – 2 025,35 – 2 231,32 – 2 437,29 – 2 591,76 – 2 746,24 – 2 900,72 – 3 055,19 – 3 209,67 – 3 364,14
    operário semiqualificado:
    de 470,29 a 782,68
    operário qualificado:
    de 487,46 a 871,93
    operário altamente qualificado:
    de 648,80 a 978,35

    como se vê o prémio salarial dos menos qualificados comparado com os mais qualificados é uma coisa surreal: um estagiário licenciado ganha mais do que um operário altamente qualificado no topo da carreira. e estes números são referentes à carreira geral da FP. se nos reportarmos aos corpos especiais (profs. universitários, juízes, médicos, os tipos do banco de portugal, etc.) o salário mais elevado chega perto dos 5000 euros. se o estado distorce a concorrência é no topo e não na base. talvez por isso vejamos tantos funcionários públicos a dar palpites.

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  31. António Alves's avatar
    António Alves permalink
    23 Fevereiro, 2011 19:14

    funcionários públicos de nível superior, obviamente

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  32. Outside's avatar
    Outside permalink
    23 Fevereiro, 2011 19:29

    António Alves, louvo-lhe o empenho mas os valores não se alteram, nem os valores nem as opiniões, porque ao pastor só lhe interessa aquele pasto, mais sêco, com menos (b)itamina mas é o pasto do pastor amigo…e as ovelhas, se não negras ou tresmalhadas, seguem ansiosas o cajado que as alimenta.
    Logo no seu primeiro comentário disse o que precisava ser dito…não são estes números factuais que irão mudar a opinião de Suas Excelências sem ética ou moral, sem justiça ou isenção, sem princípios ou humanidade….que o que interessa é “deles”. Vivem numa sociedade sim, mas composta por um só individuo, sempre com o mesmo nome “eu”.

    Fique bem e mantenha-se assim.

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  33. ramiro marques's avatar
    23 Fevereiro, 2011 20:21

    A administração local é ainda mais despesista do que a administração central. E que dizer da vergonha das empresas municipais?

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  34. Trader's avatar
    Trader permalink
    23 Fevereiro, 2011 22:07

    Compreendo o que diz António Alves, e é de enaltecer o seu esforço. Mas resumir o Mário Centeno e a entrevista à “tudologia” é injusto, para não dizer perfeitamente idiota. Ele levanta questões muito pertinentes que infelizmente não temos visto debatidas na “tudosfera” habitual, antes pelo contrário. Normalmente nestas discussões todos caem nos argumentos primários, da esquerda à direita, dos socialistas aos liberais, e a entrevista a Centeio está muito acima disso.

    Os dados que o António Alves pôs até levantam outras questões, e quiçá, bem mais importantes, e mais actuais no tema mediático destes dias, sobre a tal geração “Deolinda”.

    No fundo essa tabela salarial do Estado mostra bem o país tem um problema grave, e Alexandre Soares dos Santos falou disso, que o sistema de ensino está a fabricar doutores e engenheiros, quando faltam quadros qualificados sem “canudo”. Pode usar-se o argumento de que então Alexandre Soares dos Santos deve é pagar mais, aos tais talhantes, um quadro qualificado que deve saber dar bons cortes na carne provavelmente deve ganhar bem e se calhar não ganha. Mas essa tabela salarial que o António Alves colocou mostra que é o próprio Estado que desincentiva uma alternativa, pois paga mais a um estagiário com canudo que a um qualquer técnico muito qualificado sem canudo. Ora esse é um dos problemas que vivemos nesta questão “deolinda”, e aí há um pormenor que Alexandre Soares dos Santos da JM omitiu, não faz sentido num mercado europeu um tipo ser um talhante com mãos habilidosas em Portugal, emigra, pois ganha muito mais na Suíça, França, Luxemburgo ou Alemanha. E essa realidade não acontece nos licenciados empregados, e provavelmente deveria acontecer, pois estes são favorecidos no Estado, sem que exista qualquer relação com o seu knowhow e/ou a sua produtividade.

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  35. Trader's avatar
    Trader permalink
    23 Fevereiro, 2011 22:14

    Vou dar um exemplo de como é o próprio Estado a gerar essa distorção. Um grande chef de cozinha mesmo só tendo a 4ª classe pode ser muito bem pago no sector privado, mas no Estado não passaria de operário qualificado ganhando de 487,46 a 978,35 €

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  36. Outside's avatar
    Outside permalink
    23 Fevereiro, 2011 22:33

    Posted 23 Fevereiro, 2011 at 22:14 …
    mas é essa a ilusão do post e do artigo…a responsabilizção/objectividade da “ANOMALIA” no vencimento (e supremo cúmulo irreal-porque não existe! do prémio salarial???) do trabalhador com menor salário.

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  37. Ljeremias's avatar
    23 Fevereiro, 2011 23:30

    engraçado que ninguém comentou a referência ao modelo austríaco, que desconhecia a existência até esta entrevista. Foi para mim a parte mais importante da entrevista e algo que deveríamos sinceramente avaliar.

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  38. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    24 Fevereiro, 2011 02:21

    “que é o próprio Estado que desincentiva uma alternativa, pois paga mais a um estagiário com canudo que a um qualquer técnico muito qualificado sem canudo.”
    .
    O Estado é uma Aristocracia. Não interessa se um tecnico sem canudo tem mais valor para o mercado que alguém com canudo. O que interessa é poder da vaidade onde a aristocracia se une ao soci@lism@: “Estive na Universidade devo ganhar mais mesmo que não faça nada de jeito para o Mercado, essa coisa nojenta de merceeiros”

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  39. António's avatar
    24 Fevereiro, 2011 08:06

    mais grave ainda é quando o mercado oferece a um licenciado com 20 anos de experiência o mesmo que a um estagiário. e muito mais grave é o facto do mercado encontrar quem aceita estas novas condições. que raio de mercado é este?? não me falem em excesso de oferta. escravidão pura e ainda por cima com autorização superior.

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  40. SM's avatar
    24 Fevereiro, 2011 09:10

    Ó Helena, e tu és produtiva para o país? Uns posts aqui, uns artigos no público e a acessoria no conta-me como foi chega?

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  41. Essa agora's avatar
    24 Fevereiro, 2011 10:10

    SM,
    Acessoria? E presume-se V. produtivo… Olhe, comece por aprender a escrever, ok? Isso é que seria produtividade.

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  42. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    24 Fevereiro, 2011 11:54

    JAL,
    .
    Lamento desiludi-lo, mas sou trabalhador a recibo verde, por conta própria, para várias empresas, e não defendo ninguém senão a mim próprio. Já trabalhei em empresas (como quadro superior) e até como professor universitário, e sempre em áreas técnicas. Desde que voltei de África, tomei como justo trabalhar por minha conta, para estar perto dos meus filhos, havendo apenas por uma vez quase quebrado esse desiderato.
    .
    Há que destruir empregos públicos, caso contrário o Estado arrastará a economia, pública e privada, para o fundo. Os funcionários públicos despedidos têm que se safar, pois não há impostos que os sustentem. São tantos e tão redundantes que, se eu gerisse alguma empresa assim, esta nunca poderia vir a dar lucro.
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    Há que travar as barreiras à contratação. Se não houvessem trabalho «efectivo» (de filhos), não haveria tanto falso trabalho «a recibos verdes» (de enteados). As indemnizações (coisa estúpida de se dizer a quem deu emprego e sustento a outrem tanto quanto pôde) deveriam ser reduzidas ao máximo de dois meses. Aumentaria o desemprego? Sim, inicialmente. Mas depois do transitório, as empresas poderiam funcionar como harmónios (porque nestes dias efectivamente funcionam) e contratar quando há necessidade de expandir sem medo de ter de reduzir depois.
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    Vê-se que nunca trabalhou por conta própria. Não sabe o que é dormir sabendo que no dia seguinte, por um acidente, pode estar falido. De ter medo de contratar porque de hoje para amanhã pode não poder despedir, e por isso perder um negócio de uma vida, mesmo se algo arriscado e transitório.
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    Mais uma vez lhe peço: deixe de se armar em «parvo». Se tem tanta sapiência para poder dar conselhos e criticar o Soares dos Santos (o qual já deve notar não me inspirar nenhuma simpatia), pelos céus!, ponha alguma substância na sua boca e crie um supermercado que funcione bem, que pague bem aos seus trabalhadores e que não «explore», usando os seus termos, a mão de obra alheia. Cá estarei para o aplaudir, e creia-me que lhe digo isto com a melhor intenção.
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    Talvez conheça a formação de lucro melhor do que o JAL. Para já, tenho um bom registo: nas empresas onde administrei a manutenção, a logística e o fráfego, sempre consegui aumentar os empregados muito mais que a média do sector (e não estamos a falar nem de 20% nem de 50% a mais). A administração sempre fez o que quis, porque (acredite!) conseguia subir a produtividade (produção/cabeça, só para saber que conheço o termo) no mínimo cinco vezes mais. Nunca discuti aumentos (que me foram propostos várias vezes) antes que o último de meus homens fosse aumentado. Direi o mesmo de si, ou aboletava-se?
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    Três coisas me aborrecem, a quarta não suporto: o queixume constante, a inacção e as horas mortas, a incapacidade de mostrar um caminho e segui-lo, e a espera sempre constante do Estado papá por parte dos «parvinhos», «parvotes» e borregos deste país.

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  43. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    24 Fevereiro, 2011 12:06

    SM,
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    Um bom jornalista vale o seu peso em ouro. Discute, examina, faz pensar, inquire e torna-nos pessoas com opinião mais formada e mais objectiva.
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    Um mau jornalista faz títulos como «O preço do óleo sobe» (i, sobre o petróleo) ou «Encontrada vida extraterrestre pela NASA» (sobre bactérias que se limitam a metabolizar o arsénico), limitando-se a copiar o que vem das agências de informação acriticamente. Ou confundem factos com opinião, e envolvem-se na filtragem de notícias e na defesa dos poderes instituídos (já que os outros não dão o nosso dinheiro em publicidade inútil aos jornais).
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    A Helena Matos pertence ao primeiro grupo. Podemos não concordar com ela, podemos secretamente na nossa mente chamar nomes à sua mãezinha por vezes, mas a Helena discute, examina, faz pensar e permite formar melhor a nossa opinião. E ainda bem que há jornalistas como ela e como o José Manuel Fernandes. Pena serem tão poucos, nos dias que correm.

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  44. JPT's avatar
    JPT permalink
    24 Fevereiro, 2011 13:41

    Em resumo: a desigualdade salarial deveria se maior ainda, porque isso é muito bom para o Darwinismo social que a direita tanto aprecia. Acho este post repugnante. Esta direita perdeu completamente a noção de moral.

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  45. jal's avatar
    24 Fevereiro, 2011 21:46

    Registo a existência em Portugal de uma casta de sacrificados, de corajosos e bravos portugueses que se arriscam a ser detentores de meios de produção. Pobres indivíduos que não sabem se o lucro chega para a sua sobrevivência e ainda têm de alimentar uns parasitas que apenas detêm a sua força de trabalho e atrevem-se a querer direitos e estabilidade. Não há justiça!

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