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Ó Luís e a precariedade?

6 Setembro, 2011

O Luís Rocha chama a atenção para a desatenção (passe a cacofonia) que impera sobre os rendimentos dos astros do futebol. Francamente Luís a coisa não se restringe aos impostos. E a precariedade? Jogadores, treinadores  e presumo que restante pessoal são despedidos na hora. Não há recursos, nem embargos, nem coisa nenhuma. Malinhas feitas e cheque na mão. Outra enorme lacuna nas observações do Luís prende-se com a idade com que toda esta gente começa a trabalhar. Se a vida profissional dos craques não é uma apologia do trabalho infantil não sei o que será. Com que idade veio o Ronaldo para o Sporting?Já agora quanto tempo têm os jogadores de férias? Feitas as contas às viagens de barco, aos passeios etc etc… parece-me que não chega a três semanas. É uma escravatura!

Enfim, como se vê isto do futebol é muito relativo. É tão relativo que no mesmo país que achou por bem acabar com os tribunais militares ( a doideira ainda nos há-de sair cara) nunca ninguém questionou a importância das comissões disciplinares dos organismos do desporto. Espero em boa hora que a regulação chegue ao mundo futebol. Que os respectivos postos de trabalho sejam defendidos, que os jogadores não fiquem nas mãos do mercado, que os empresários sejam corridos como nefandos intermediários que são, que os treinadores se mantenham em cada clube independentemente dos resultados (tipo administração das empresas municipais como a EPUL), que no percurso dos jovens jogadores tal como acontece com os alunos nas escolas não se viva em função dos resultados em si mesmos, no caso os golos, mas sim da sua interacção com o meio e da sua capacidade para adquirir conhecimentos fora do âmbito do futebol.O Figo ficaria no Pastilhas para toda a vida, o Hulk lá na terra dele e assim sucessivamente porque não é justo que os clubes com mais dinheiro vão buscar jogadores aos mais pobres, privando-os assim de um futuro melhor.

Aliás  a separação das equipas em ligas, divisões e estruturas discriminatórias quejandas é profundamente discriminatória. Não é aceitável no século XXI uma situação destas! As equipas deviam jogar todas com todas e no mesmo campeonato. Quantos aos resultados assim obtidos à semelhança do muitos defendem paraos rankings das escolas deviam ser só documentos para análise. O que se devia ressaltar era o espírito de participação. A questão da igualdade social, racial e de género também deve a estar presente nas equipas. Não se percebe como é que as equipas estão cheias de filhos de pobres. As classes médias e altas têm de ser integradas nas equipas de futebol tal como nos o devem ser nos hospitais e escolas públicas. É o chamado dever de frequência em nome da igualdade.  Caso contrário corremos o risco do futebol passar a ser associado a determinados grupos sociais. Temos também o problema da cor, da etnia, da raça ou lá do que se lhe deve chamar a que se junta a questão da nacionalidade. Com tanto apelo para só usarmos produtos nacionais como se entende que a maior parte dos jogadores portugueses esteja no Real Madrid e não no Benfica ou Porto? Só se preocupam com a fuga dos cérebros. E a fuga dos pés não tem problema? E já agora como é que se arrancam as vestes porque os nosssos melhores valores vão para fora e deixamos o Mourinho estar em Espanha? Só visto! E olhem para as fotografias das equipas. Digam-me: aquilo representa a sociedade portuguesa? Quantas pessoas LGTB lá estão? Porque hão-de ser todos musculados? E a igualdade senhores?

Aqui chegados perceberão que resolvi o problema do Luís Rocha pois se ao futebol se aplicar a legislação que rege habitualmente o mundo do trabalho não haverá nada para tributar.

21 comentários leave one →
  1. Salvador's avatar
    Salvador permalink
    6 Setembro, 2011 10:31

    Duas palavras apenas: “Muito” e “Bom”.

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  2. Triangulo Felpudo's avatar
    Triangulo Felpudo permalink
    6 Setembro, 2011 10:35

    Issp. obviamente, não se aplica ao Benfica, que tem uma equipa de transexuais milionários.

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  3. Miguel Paiva's avatar
    Miguel Paiva permalink
    6 Setembro, 2011 10:41

    Mais um excelente texto, conforme a Helena nos tem habituado.

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  4. Luís Marques's avatar
    Luís Marques permalink
    6 Setembro, 2011 10:45

    Ah, ah, ah, boa!

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  5. esmeralda's avatar
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    6 Setembro, 2011 11:18

    Muito Bom! Sem qualquer dúvida Helena Matos!

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  6. Bovino's avatar
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    6 Setembro, 2011 11:28

    Muito Bom? Excelente? E eu e que sou o bovinos, estes texto e de uma mediocridade (para nao dizer estupidez) extrema. Sabe Helena existe o cu, e depois as calcas. Ah era ironia…OK…que miseria….

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  7. silva's avatar
    silva permalink
    6 Setembro, 2011 12:00

    “O irregular e promíscuo funcionamento dos poderes públicos é a causa primeira de todas as outras desordens que assolam o país.
    A DGERT tem por missão apoiar a concepção das políticas relativas ao emprego e formação profissional e às relações profissionais, incluindo as condições de trabalho e de segurança saúde e bem-estar no trabalho, cabendo-lhe ainda o acompanhamento e fomento da contratação colectiva e da prevenção de conflitos colectivos de trabalho e promover a acreditação das entidades formadoras.
    Tudo uma grande mentira, as provas são dadas com o despedimento colectivo de 112 pessoas do CASINO ESTORIL
    “Para Os Trabalhadores da empresa casino estoril no final se fará justiça, reconhecendo a insustentabilidade de um despedimento Colectivo oportunista promovido por uma empresa que, para além do incumprimento de diversas disposições legais, apresenta elevados lucros e que declara querer substituir os trabalhadores que despede por outros contratados em regime de outsoursing”.
    Independentemente do valor dos homens e das suas intenções, os partidos, as facções e os grupos políticos supõem ser, por direito, os representantes da democracia. Exercendo de facto a soberania nacional, simultaneamente conspiram e criam entre si estranhas alianças de que apenas os beneficiários são os seus militantes mais activos.
    CASINO ESTORIL
    Quem investiga esta triste noticia para o Concelho de Cascais. Porque é que o estado não quer saber que a empresa Estoril-Sol despediu ilegalmente 112 funcionários do Casino Estoril em substituição de precários o que significa mais desempregados e desempregadas e postos de trabalho perdidos no Concelho de Cascais. Já não basta haver milhares de desempregados e desempregadas no nosso concelho agora vão juntar-se a este drama mais 112 trabalhadores.
    A comissão de trabalhadores diz que a Estoril-Sol já fechou ao longo dos últimos 6 anos um total de 681 postos de trabalho. Muitas empresas em nome do lucro e camufladas pela crise vão despedindo indiscriminadamente não querendo saber das suas responsabilidades sociais.
    A Presidência da Republica não tem força nem estabilidade.
    CASINO ESTORIL
    Despedimento colectivo de 112 trabalhadores no Casino Estoril
    Nestas condições não constituirá um escândalo e uma imoralidade proceder-se à destruição da expectativa de vida de tanta gente ? Para mais quando a média de idades das mulheres e homens despedidos se situa nos 49,7 anos ?
    Infelizmente, a notícia de mais um despedimento colectivo tem-se vindo a tornar no nosso país numa situação de banalidade, à qual os órgãos de comunicação social atribuem cada vez menos relevância, deixando por isso escondidos os verdadeiros dramas humanos que sempre estão associados à perda do ganha-pão de um homem, de uma mulher ou de uma família.
    Mas, para além do quase silêncio da comunicação social, o que mais choca os cidadãos atingidos por este flagelo é a impassibilidade do Estado a quem compete, através dos organismos criados para o efeito, vigiar e fazer cumprir os imperativos Constitucionais e legais de protecção ao emprego.
    E o que mais choca ainda é a própria participação do Estado, quer por omissão do cumprimento de deveres quer, sobretudo, por cumplicidade activa no cometimento de actos que objectivamente favorecem o despedimento de trabalhadores.
    Referimo-nos, Senhores Deputados da República, à impassibilidade de organismos como a ACT-Autoridade para as Condições do Trabalho e DGERT (serviço específico do Ministério do Trabalho) que, solicitados a fiscalizar as condições substantivas do despedimento, nada fizeram mediante as provas que presenciaram.
    Não gosto de ver o caos em que puseram este país, por irresponsabilidade, por falta de respeito, pelo cidadão nos casos da justiça que a civilização criou como valores para a igualdade.
    Muitas das vezes, os nossos governantes não têm a capacidade de perceber para onde nos estão a conduzir ou não têm a coragem de assumir. Isso custa-me, porque há vítimas que estão a sofrer imenso.
    Por má gestão, por causa de carreiras meteóricas.
    Não posso deixar de condenar, todo o governante ou político, que pôs o seu trajecto individual e social acima do trajecto colectivo.
    Podem não se importar com as palavras, mas o certo é que não deixa de ser egoísmo, egocentrismo, quase tirania.
    Quem com responsabilidades está por detrás deste despedimento ilegal, que leva o estado a suportar o subsidio destes 112 trabalhadores.
    O Parlamento oferece constantemente o espectáculo do desacordo, do tumulto, da incapacidade legislativa ou do obstrucionismo, escandalizando o país com o seu procedimento e, a inferior qualidade do seu trabalho.
    Aos Ministérios falta coesão, autoridade e uma linha de rumo, não podendo assim governar, mesmo que alguns mais bem-intencionados o pretendam fazer.
    A Administração pública, incluindo as autarquias, em vez de representar a unidade, a acção progressiva do estado e a vontade popular é um símbolo vivo da falta de colaboração geral, da irregularidade, da desorganização e do despesismo que gera, até nos melhores espíritos o cepticismo, a indiferença e o pessimismo.
    A corrupção não existe, agora chama-se: Ciência Politica Utilitária
    Directamente ligada a esta desordem instalada, a desordem financeira e económica agrava a desordem Política, num ciclo vicioso de males nacionais. Ambas as situações somadas conduziram fatalmente à corrupção generalizada que se instalou…”
    A sociedade está podre, mas a esperança de que o povo acorde de vez sem medo de olhar para o empresário ou politico e dizer-lhes a vida neste planeta a todos pertence.
    A maior pobreza existe no meio dos empresários e políticos que massacram um povo em prol de uns míseros euros que não são eternos pois todos morremos e os euros para além da morte não fazem falta.
    POR MAIS QUE OS TUBARÕES TENTEM ABAFAR O CASO DO DESPEDIMENTO COLECTIVO DO CASINO ESTORIL EU IREI SEMPRE LEMBRAR A TODOS QUE SOU ALÉRGICO A INJUSTIÇAS E CORRUPÇÃO.

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  8. Rafael Ortega's avatar
    Rafael Ortega permalink
    6 Setembro, 2011 13:03

    “Quantas pessoas LGTB lá estão?”

    A avaliar pelos apalpões sempre que alguém marca um golo ou é substituído, eu diria que em percentagem há muitos mais que no resto da população.

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  9. LR's avatar
    6 Setembro, 2011 13:11

    Pois é Helena, falhou-me imperdoavelmente todo esse importantíssimo contexto sociológico. Mas as coisas estão bem encaminhadas. O ministro da propaganda já constituiu 3 grupos de trabalho para exaustivo levantamento e tratamento de todos os problemas do futebol. Em breve darão mais uma machadada na base tributável…

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  10. Me's avatar
    6 Setembro, 2011 14:01

    5 estrelas :))

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  11. ftenreiro's avatar
    ftenreiro permalink
    6 Setembro, 2011 14:05

    Tem toda a razão “… a separação das equipas em ligas, divisões e estruturas discriminatórias quejandas é profundamente discriminatória.”

    O objectivo de ‘ligas, divisões e estruturas discriminatórias quejandas’ é discriminar os mais aptos elencando-os do primeiro ao último.

    A pirâmide de discriminação tem níveis de prática com um número de praticantes cada vez menor até apurar o melhor de todos os praticantes na modalidade.

    O seu texto é provocatório e coloca desafios que outros países europeus já abordaram com sucesso e que nos colocam na idade da pedra.

    Outros desafios que coloca são impossíveis e são um bom exercício de alternativas de resultados desportivos que as federações e os clubes deveriam enfrentar mesmo enquanto ‘second best’.

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  12. Fredo's avatar
    Fredo permalink
    6 Setembro, 2011 14:29

    A HM pôs os pontos nos iis. Talvez porque não sofre da cegueira pintodacostista que atingiu fatalmente a quase totalidade dos outros blasfemos consiga manter uma saudável lucidez.

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  13. A Campos's avatar
    A Campos permalink
    6 Setembro, 2011 15:02

    Parabens à autora. Directo ao assunto. Estou seguro (passe a expressão que começa a ser de uso arriscado…) que foi apenas por não pretender esgrimir em causa própria que HM não se atreveu sequer a mencionar a gritante injustiça nos salários quando vistos na perspectiva do género.

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  14. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    6 Setembro, 2011 15:59

    A Drª Helena gosta de brincar com coisas sérias.
    Quer comparar a vida dos jogadores e treinadores de futebol – que ganham bem, têm direito a indemnizações chorudas, para além de serem outorgantes de contratos com características específicas – com simples operários ou trabalhadoras das limpezas.
    Depois vem atrás dela um turma de desqualificados e totós a bater palmas.
    É preciso ter estômago!

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  15. J.J.Pereira's avatar
    J.J.Pereira permalink
    6 Setembro, 2011 16:31

    Clap,clap,clap.
    Sulfúrico – e com gramática.

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  16. RC's avatar
    6 Setembro, 2011 17:29

    Arlindo, estás a referir-te a uma minoria que joga nos clubes de maior dimensão. A maior parte dos jogadores de futebol não ganha assim tão bem nem tem contratos que prevejam indemnizações chorudas.

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  17. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    6 Setembro, 2011 17:50

    Mas a intenção da Drª Helena não era essa.
    Quanto aos jogadores que jogam em clubes pequenos e auferem pouco, sempre têm alternativas.
    Trabalhar nas obras, no campo ou na indústria.
    São novos, sadios e têm bom físico.
    Muito diferente de pais e mães de famílias que estão no desemprego ou que são explorados vergonhosamente nalguns locais de trabalho.

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  18. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    6 Setembro, 2011 18:00

    A Helena deveria pedir uma indemnização por descriminação de género. Quem sabe se não seria agora treinadora melhor que o Mourinho…

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  19. Borges's avatar
    Borges permalink
    6 Setembro, 2011 18:10

    Excelente post de HM.
    Os futebolistas “milionários” pagam inpostos, e muitos.
    Pagam IRS, embora com taxa reduzida por exercerem uma actividade de desgaste rápido. Parece-me razoável.
    As casas que compram são taxadas em IMT, IMI.
    Os carrões que compram são altamente taxados – IVA, IA, IUC, ISP, etc…
    E, como, em geral consomem muito, pagam muitos impostos. Só os mais sensatos, que poupam uma grande parte parte do seu rendimento é que são menos taxados.
    Mas isso até me parece bem, devemos estimular a poupança. Sem isso não haverá meior para o investimento produtivo.
    Desde ganhem o dinheiro honestamente, onde está o problema?

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  20. joão's avatar
    6 Setembro, 2011 18:51

    O facto do cheque-ensino não ter sido ainda implementado também contribui, em grande medida, para este estado de coisas.

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  21. Leme's avatar
    Leme permalink
    6 Setembro, 2011 20:17

    Mas quem é que está admirado com o enxame de invertidos e invertidas, MEFP e LGBT e os exemplos de Sócrates e Infantes?

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