Estão mexendo no meu bolso
16 Setembro, 2011
Com o actual sistema contributivo e fiscal, um trabalhador que ganhe mil euros custa à sua entidade patronal 1702 euros mensais de encargos, em média. E, no entanto, dos “seus” mil euros de salário, o trabalhador recebe líquido cerca de 790 euros, afinal muito menos de metade do que a empresa gasta. Para onde vai a diferença?
26 comentários
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Desculpe, mas essas contas não estão correctas. Penso que deve ter somado os 14 meses de encargos patronais mas está a esquecer-se de dividir o rendimento dos 14 meses por 12.
Se eu estiver enganado, quer mostrar-nos como fez esse cálculo?
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Ai essa Matemática!
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Pergunta ao Gaspar! Ainda se dizem liberais…
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Deve multiplicar por 15 (os encargos são 15 meses, pois o trabalhador tem de ser substituído no período de férias, em muitos casos) e até eventualmente (facultativamente) dividir por onze, pois são apenas onze meses de trabalho
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Essas contas não estão bem feitas.
Uma pessoa com esse escalão de rendimentos não custa em média 70% do seu salário.
Há falcatrua nesses números…
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Ok.
Mas nesse caso, esqueceu-se de que também tem que contabilizar os 14 meses de ordenado que o trabalhador recebe. Assim sendo, um trabalhador que receba cerca de 11.800€ líquidos anuais, custa cerca de 18.500€ ao patrão, ou seja, são ‘apenas’ 36% que vão directamente para o Estado, ao invés dos 48% que está a afirmar no seu post.
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Haja quem faça as contas bem feitas. Embora não concorde com a alusão aos 15 meses, uma coisa é incontornavel: as empresas portuguesas pagam 14 meses aos seus funcionarios, e eles só trabalham 11. Para as pequenas e medias empresas não é facil gerir esta “conquista de abril”.
Como pequeno empresario cheguei a ter 24 empregados, e propus-lhes multiplicar o ordenado mensal por 14, dividir por 12, e pagar-lhes desse modo em 12 meses. Nunca aceitaram, mesmo explicando-lhes as dificuldades de tesouraria que representavam os meses de Julho/Agosto, e Dezembro.
Mas está claro, que o estado leva a parte de leão em IRS, SS, e IRC. Já para não falar das devoluções do IVA que é uma vergonha nacional. Se um empresario se atrasar a enviar o IVA, arrisca-se a que vão ao seu patrimonio pessoal, mas o estado demora longos meses, quando não anos a devolver o IVA às empresas. Sabendo eu das dificuldades em receber o IVA, fico atonito como é que se dão golpes de milhões de euros com pedidos de devoluções por empresas que só existem no papel…
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Este é um bom exemplo que é Portugal. Paulo Morais tocou num ponto importante, decisivo… mas logo surgiram n vozes a discutir o que Catroga classificou como “pentelhos” 🙂 Não pretendo ofender os autores, apenas fazer notar que todos fugiram à questão essencial… este Estado é um vilão.
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A diferença vai para a chulança nacional.
Por falar em chulança nacional, o Governo já revogou/cancelou/retirou as subvenções e reformas dos politicos?
Por que que o Santana e o Marques Mendes, ainda bem novos para trabalhar, hão-de receber REFORMAS??????
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Caro A. C. da Silveira:
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Quanto ao “assalto” dos impostos, e à desgraça que é o IVA, completamente de acordo.
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No que diz respeito aos constrangimentos de tesouraria, porque é que o meu amigo não faz exactamente o que propõe aos seus empregados, mas em vez de lhes dar o dinheiro todos os meses, junta-o. Quando chegar aos ditos meses, já não terá problemas de tesouraria.
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No que diz respeito às contas não vale apena acrescentar mais nada. É pura ignorância e ponto final.
O conteúodo é que é importante. Ou seja, se um jogador na bolsa tiver um rendimento mensal de 1000 euros quanto é que paga?
Se um titular de capital tiver rendimentos desse capital de 1000 euros por mês, quanto é que paga?
O problema não é só o ESTADO. A sociedade está toda montada para tributar o trabalho e isentar o mais possível os rendimentos de capital. Esse é que é o problema.
O resto são lérias.
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Nos momentos de lucidez , vai dizendo umas verdades , Arlindo.
Em relação ao post, por cada mês trabalhado, a menpresa paga 14/11 meses.
A isto acresce a TSU
Acresce tambem o custo de transportes de / para a empresa , muitas vezes pago por esta.
E o subsídio de refeição ou custos de refeitório.
O seguro obrigatório
O vestuário / calçado – equipamento de segurança , quando aplicável.
Na realidade, para salários de pessoal fabril, o custo é tipicamente o dobro do salário
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Em resposta ao A.C. da Silveira,
Quanto às devoluções do IVA é matéria que há que ter sempre muito cuidado.
Por experiência própria, o prazo das devoluções está em níveis aceitáveis. Todo o processo está relativamente simplificado, mas, para lhe ser devolvido o que pagou, é preciso saber se quem o recebeu o entregou de facto ao Estado. Ou não?
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Pencudo Sionista,
Só aponta extravagâncias, seguro? teve um acidente porque quis, se não trabalhasse não tinha. Equipamento de segurança? Traga de casa. Já agora é preciso tanbém as ferramentas e nalguns casos os trabalhadores também devia comprar a matéria prima, se querem trabalhar.
Era muito melhor no século 19. Jornadas de trabalho = 16 horas dia. Dias de trabalho 7 dias e porque a semana não tem mais. Alimentação e demais gastos, compras no armazém do patrão e se calhar ainda ficas a dever dinheiro.
Santa paciência.
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JASCP
Só estou a fazer contas e não juízos sobre o que é justo ou não.
A fazê-los, penso que é preferível ter um emprego a ganhar pouco que não ter nenhum.
Como em qualquer negócio que não meta luvas, vence o melhor custo/benefício.
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Assim não há economia que resista !!…
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Isto significa que para criar emprego uma empresa tem que ter trabalhadores que estejam dispostos (e sejam capazes) a produzir mais do que 1702 euro, a troco de 790 euro.
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Essa coisa de “as empresas portuguesas pagam 14 meses aos seus funcionarios, e eles só trabalham 11.” é falaciosa .
O que se paga é uma certa quantia por um determinado serviço prestado anualmente e firmado num contrato.
Quantia paga em 14 prestações.
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“O que se paga é uma certa quantia por um determinado serviço prestado anualmente e firmado num contrato.
Quantia paga em 14 prestações.”
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Ora bem. Se fossem 12 prestações os custos burocráticos seriam menores. Ou seja todos poderiam ficar um pouco mais ricos excepto os vendedores de papel e empresas de energia.
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Comento aqui, porque me deixam. Procuro respeitar a casa dos outros, mas às vezes apetece-me ser bruto. Como são possíveis pensamentos tão elementares (raciocínios são pensamentos, mas elaborados) e tão errados que até doem? Vê-se logo que o post de Paulo Morais é uma daquelas coisas que depois de saírem colam-se no cérebro como a nódoa do pêssego na roupa. Asneira. Mas isso já foi dito atrás e mal justificado pelo autor.
Uma explicação elementar para aqueles que ainda não leram o ABC da economia e do trabalho. Um trabalhador trabalha um ano com direito a férias, ou seja TRABALHA ONZE MESES e tem um RENDIMENTO ANUAL, ou se quisermos, tem um rendimento pelos onze meses, que lhe é pago por catorze vezes. Um benefício para o empresário, porque paga em Junho rendimentos obtidos de Janeiro a Junho e em Dezembro rendimentos de Julho a Dezembro. O resto são tretas. Espero que acabem rapidamente com o 13.º e 14.º meses e passem a distribuir esse rendimento pelos tais onze meses.
Este primarismo é inacreditável. Tanto mais que, se for necessário, estão logo de seguida a fazer comparações com os rendimentos anuais dos trabalhadores dos outros países. Inacreditável, mesmo!
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Multiplicar por 15 e dividir por 11: juízo pobre para um professor universitário!!!! Se são 11 meses de trabalho, para que é precisa a substituição?
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Dr Paulo Morais:
Não esqueça as indemnizações nos casos de despedimento sem justa causa ou por cessação de atividade. A empresa tem de criar provisão para essa circunstância à razão de um mês de salário por trabalhador e por ano.
Quanto aos encargos globais por trabalhador, ninguém aqui revelou conhecê-los suficientemente; vão muito para além do que foi já referido.
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“Quantia paga em 14 prestações.”
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Não são 14, são 12. Só que não são todas iguais. Há duas que são um pouco maiores.
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“Com o actual sistema contributivo e fiscal, um trabalhador que ganhe mil euros custa à sua entidade patronal 1702 euros mensais de encargos, em média”
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Um trabalhador que ganhe mil euros custa à entidade patronal 1.237,50 euros (e mais uns pozinhos de seguro), ponto final – incluir aí os subsidio de férias e natal não faz sentido, porque se o vamos incluir no que a empresa tem que pagar, temos também que o incluir no que o trabalhador recebe.
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Isto até podia ser pintelhos (sempre ouvi assim, com “i”), se não fosse as frases seguinte do Paulo Morais: “E, no entanto, dos “seus” mil euros de salário, o trabalhador recebe líquido cerca de 790 euros, afinal muito menos de metade do que a empresa gasta. Para onde vai a diferença?”
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Ou seja, o post tem como tema central, exactamente, a diferença entre o que a empresa paga e o trabalhador recebe. Mas, se o trabalhador recebe os subsídios de férias e natal (ou, pelo menos, o que sobre depois dos impostos), isso não conta para a tal “diferença” (logo metê-los ao barunho é só para causar confusão).
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Para vermos ainda melhor como não faz sentido meter os subsídios de férias e natal na discussão – se se abolisse (ou reduzisse) a TSU e/ou o IRS, o ordenado líquido do trabalhador aumentaria e/ou os encargos patronais diminuiriam; pelo contrário, se se abolisse o subsidio de férias e natal, isso em nada (fora um pequeno período até os contratos se ajustarem) iria afectar nem o ordenado do trabalhador nem os encargos do patrão (embora tivesse efeitos a nível de tesouraria) – os salários nominais iriam ser simplesmente ajustados para cima e o valor global ficaria na mesma.
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Tenho por verdade, porque tem sido dito por pessoas
de confiança, que cada trabalhador custa por mes à empresa o
dobro do que recebe líquidos de iRS e SSocial. Suponho
que se referisse a trabalhadores medios, nem muito bem nem
muito mal pagos. Assim, façamos umas contas muito simples,
supondo até que o tal dobro se refira a um custo mensal
(TSu e outros encargos).
Supondo então que um trabalhador receba, líquidos de impostos,
1000 euros mensais, e que o empregador gaste com ele outro
tanto mensalmente, temos que (anualmente:)
empregador gasta: 12×2000= 24000
empregado recebe: 14×1000= 14000
(o facto de trabalhar 11 meses é irrelevante)
Assim, cada trabalhador que ganhe 1000 euros liquidos
é aliviado à cabeça de 10.000 euros anuais, que nunca
chega a ter na mão, sequer.
Obs – naturalmente que e discutivel se isto
e salario do trabalhador ou não, eu acho que sim, pois
a empresa tem encargos autonomos enquanto tal. Reconheço
que e discutivel, mas e a minha perspectiva.
Mas isto não fica por aqui, de maneira nenhuma.
A razão: por cada compra que faz, o empregado paga impostos,
e também paga uma data de taxas.
No minimo paga o IVA (6 a 23%), mas estou certo que paga
muito mais que isso – basta pensar na gasolina (70%),
no tabaco (90%), no álcool (?), no IMI, nas taxas da
electricidade (CIEG; a taxa da RTP), no imposto automovel
e IUC, multas, etc.
Concluo (enfim, talvez mal) que sobram ao trabalhador,
com sorte, uns 60% do que recebe para gastar em proveito próprio,
excepto se puder escolher não gastar nada: nesse caso não
paga impostos de consumo, claro (não será o caso da maioria).
Ou seja, custando 24000 anuais, o trabalhador gasta em seu
proveito, anualmente, uns 0,6×14000= 8400 euros. Ora
8400/24000= 35%
Ou seja, mesmo um mileurista paga 60 a 65% de impostos, mas está
provávelmente convencido que é um beneficiário deste esquema
de coisas. Penso que é um milagre da desinformação. Mas
enfim a quem se sentir bem assim, não tenho nada a dizer. Eu cá,
nem por isso.
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O trabalhador recebe num ano 425 dias,
(365 + 30 +30 = 425 dias).
Trabalha 221 dias,
( 365 – 30 dias de férias = 335 – 52 Domingos =283 – 52 Sábados =231 – 10 Feriados = 221 dias).
O trabalhador recebe 204 dias por ano sem trabalhar…mais de meio ano.
Como no outro meio ano o trabalhador português, geralmente, não faz nada, porque compra tudo feito, e também geralmente não paga o que compra, daqui se deduz que, bem vistas as coisas, o trabalhador português até esta muito mal pago…
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